As Estrelas Caem: o rei e o caçador

19 Alistaír: poeira e brasas, o final


Alistaír: poeira e brasas, o final
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Não haveria agora volta alguma, os exércitos do reino Leproso já atravessavam a mais extensa ponte já erguida, unida por meio de barcos de mercadores e mercenários baratos, unia o continente à ilha-deserto, Alistaír.
A ponte de baixo custo e tempo de trabalho possuía todos os barcos que a compunham, ancorados ao solo de pedras marítimas, e entre eles cordas feitas de papiro, e tábuas que os mantinham ligados e aumentavam a força da ponte, para que suportasse até três mil cavaleiros, paladinos e solados por vez.
Nesse período não havia uma forja, bigorna ou fogo que não estivesse trabalhando na confecção de um elmo cerrado, armadura ou escudo de base côncava.
Muitos magísteres trabalhavam para a criação de uma arma inventada pela magíster Winifreda, durante a guerra dos continentes pelas ilhas baixas, como eram chamadas as ilhas de Winifreda, Alistaír, Byron, Arkell e Charlton durante a “era antiga”. E, na noite em que foram concluídos, o lançamento fora iniciado nas muralhas landrinas e, o que parecia ter sido um teste mal sucedido, logo rendeu frutos pois, quanto mais água os landrinos usavam para apagar as chamas, mais elas se alastravam e intensificavam. A guerra fora declarada.
Sangue e ferro não tardaria a se misturar, logo os landrinos e os bárbaros da região não catalogada pertencente ao leste do continente formavam um exercito de proporções bem maiores do que o exercito pertencente a aliança dos três reinos que, contra Landraynor, declararam guerra.
Marchavam em grupos de mil em mil em passos longos e ritmados por entre as pontes e outros em embarcações de grande capacidade e de formato digno dos habitantes pertencentes ao leste.
Enfim, ambos os exércitos frente a frente aguardavam atentamente um sinal e, ao ouvir o som dos cornos que ecoavam pela areia quente e áspera da ilha de Alistaír, as perneiras se agitavam e logo, lâminas e armaduras bruscamente se chocavam umas com as outras e com a carne dos combatentes. Contra o exército alistreu voavam e, graças aos elmos cerrados e dos escudos côncavos, não os causavam efeitos aos heroicos soldados que, mesmo com imensa bravura, foram massacrados em combate. Alguns aleijados e feridos procuravam vestes e bandeiras para estocar seu sangue continuavam obtendo forças para lutar em nome de seu exército, movidos também pelo desejo de vingança para com o reino landrino.
Porém, em meio ao massacre, Danael, que lutava lado a lado com seus companheiros, Davi, Cacieri e Horace, mesmo que não permitisse deixar transparecer em sua aparência a dor empática pelos soldados que ali lutavam e, mesmo que não quisesse, havia um segundo plano e teria que fazê-lo. O som de dois cornos ecoava por entre os grãos de areia áspera e, dentre as dunas, apareciam máquinas de engenharia pouco avançada, mas impressionante. Possuíam formato de uma roda d’água onde cada pá prendia uma corda amarrada a rocha contendo fogo grego. Movendo as engrenagens, as máquinas utilizavam do sentido da força de rotação para fazer com que as rochas diminuíssem seu peso e aumentassem ainda mais a velocidade das rotações realizada no sentido anti-horário para que as rotações se dirigissem no ponto mais alto do campo de guerra. Os feridos e as mulheres saíram do campo de batalha fazendo com que os guerreiros bárbaros e landrinos pensassem na vitória, porém, com o soar de um terceiro corno, uma alavanca puxava uma lâmina na parte superior da maquina em direção as cordas, arremessando as chamas em ambos os exércitos encontrados no campo de guerra.
Ali estava, ultima oportunidade, o derramamento de sangue, para eu mais sangue não fosse derramado, a arma projetada por Cacieri, armada pelos magísteres, temida pelos reis e os combatentes. Mas a última escolha para salvar o reino.
Passou, então, muito tempo. O rei dos caídos observava com pesar os gritos agoniados de seus súditos, trazendo lembranças de seus grins passados no Tártaro.
Assim que o fogo acaba, Danael pega a bainha de sua lâmina e uma rocha para fazer dali local especial, ali seria a lápide onde milhões de guerreiros se sacrificaram para acabar com a grande guerra.
Outra zombaria do destino acontecera. Naquele momento, uma dor aguda, maior do que qualquer outra, se mistura com o ódio.
Sangue rubro se junta a areia e as cinzas dos soldados. Uma veste negra pode ser vista.
— Artelas. – Sussurra o rei dos caídos vendo que sua vida se escorre pouco a pouco de seu corpo, porém, aquele que o matara não foi Artelas. Fora Davi.
Ele cai de costas, seus últimos suspiros servem para que ele pergunte a seu irmão exatamente o que perguntou a Leonor.
— Por quê? – Ele tenta repetir a pergunta mas a sua voz não sai. Davi então cobrindo-se às cinzas explica a seu irmão.
— Meu irmão, foi por ti que eu me tornei aquilo que não queria que eu me tornasse. Você sente empatia por esse povo, possui ódio, mas não o suficiente para ser o rei maligno. Eu possuo, possuo o ódio por ser protegido, possuo o ódio por Artelas permanecer viva, por você ter conseguido fugir do castigo que eu preparei para você. Nunca fora você.
— Eu – nas palavras de Davi, Danael vê a culpa como sua, afinal, tudo o que ele fez para impedir que Davi se tornasse aquele pronto à por o mundo em trevas, fora em vão. Davi possuía as vestes de Cérbero, o elmo de Hades, o escudo de Ares, o cavalo da constelação de navio.
Danael se vê caindo nos campos Elísios, presente de sua amada, mas nunca se sentira tão devastado. O rei dos caídos, soçobrou novamente.