Notas iniciais
"ler estrelas é um dom"

“Ler as estrelas é um dom.”

Templo da formidável rainha Artelas. A rainha de Landraynor, a sul da cordilheira draconiana o próximo ponto da diplomática jornada dos futuros governantes de Zasal.

Há muito tempo que a rainha não aceita qualquer tentativa diplomática depois da morte dos últimos dois reis pelas mãos do irmão de Zasal, Goh. Goh perdeu seu nome e sua dignidade, sendo forçado a encarar os caminhos da morte. Os portões se abrem e os futuros reis passam, a rainha se levanta e vai direto ao assunto:

- Andrômeda, Antila, Apus, Aquário, Águia, Altar, Carneiro, Cocheiro, Boieiro, Buril, Girafa, Caranguejo, Cães de caça, Cão maior, Cão menor, Capricórnio, Carena do navio, Cassiopeia, Centauro, Cefeu, Baleia, Camaleão, Compasso, Pomba, Cabeleira de Berenice, Coroa Austral, Coroa Boreal, Corvo, Taça, Cruzeiro do Sul, Cisne, Golfinho, Peixe dourado, Dragão, Pequeno Cavalo, Rio Erídano, Fornalha, Gêmeos, Pássaro Grou, Hércules, Relógio, Hidra Marinha, Hidra Macho, Índio, Lagarto, Leão, Leão Menor, Lebre, Balança, Lobo, Lince, Lira, Mesa, Microscópio, Unicórnio, Mosca, Esquadro, Oitante, Serpentário, Órion, Pavão, Pégaso, Perseu, Fênix, Cavalete de Pintura, Peixes, Peixe Astral, Popa do Navio, Bussola, Retículo, Flecha, Sagitário, Escorpião, Escultor, Escudo, Serpente, Sextante, Touro, Telescópio, Triângulo, Triângulo Austral, Tucano, Ursa Maior, Ursa Menor, Vela do Navio, Virgem, Peixe Voador e Raposa. As 88 constelações, Elas protegem, os reinos do leste, e os reinos não mapeados do continente de Amon.

- O que espera conseguir recitando as constelações patriarcais? – Danael questiona a bela rainha.

- Cada uma protege um reino, mas já reparou que meu belo e claro reino não possui um “Estella Dominus”?

- Um mestre de estrelas? – Perguntou o pequeno Davi. — Eles são orientados pelas constelações, e as constelações os dão habilidades.

- Sim, eu sou a “Dominus” desse reino. O latim é a minha língua natal, os Dominus podem ajudar em seu caminho, ler as estrelas é um dom.

- Vamos Davi – Disse Danael — Nosso estirão continuará.

Davi observa o brasão do reino, meio cabra meio peixe, o capricórnio. Palavras sem sentido sopravam por entre os lábios de seu irmão. Após passarem pelo portão um Davi solta um urro e bruscamente golpeia o chão com os joelhos, uma flecha de besta acabara de acertar seu tórax, de tão perto do coração, a dor era um bom sinal, Danael, pressiona as mão contra o peito do irmão, o sangue diminui, mas ainda preocupa Danael.

A rainha corre pela muralha. Seu enorme vestido se prende na manivela de uma bandeira, ela perde o equilíbrio e se pendura perto do muro, uma besta cai de suas mãos. A fúria corre nas veias de Danael, sua escolha iria agora garantir o primeiro inimigo de Zasal. Ele pega sua lamina e acerta no pescoço da rainha. As estrelas se entristecem, exceto uma.

Saindo do reino passam por um pequeno vilarejo, uma banda pequena tocava tambores, violões e harpas feitas de tendões de animais. A bela melodia fazia os olhos de Davi brilharem, uma nuvem de tempestade negra varre a luz da lua, a água cai com força, todos correm para um abrigo, as aves piam por causa do frio entre as arvores, a água cai nos tambores e começa a realizar sons, o vento frio. Danael, levando Davi para um abrigo tropeça, de repente não se ouve mais som algum. Os pássaros não piam mesmo atormentados pelo frio ou a água em suas penas, a chuva não toca mais a melodia dos instrumentos deixados pelos membros do grupo musical, um bafo quente substitui o frio, um único som poderia ser escutado há uma légua agora. Um pequeno estalo, de milhares de folhas foi escutado. O brilho das estrelas logo poderia ser visto, olhos enormes aparecem em meio a escuridão, Danael põe seu irmão no chão, empunha a cimitarra em sua mão. Um raio logo o faz contemplar a criatura negra e de olhos brilhantes como o brilho das estrelas, a criatura dá um bote, Danael não é rápido, a criatura crava as brilhantes garras em suas vestes o sangue de Danael quase podia ser sentido. Uma flecha vinda do norte espanta a criatura, um pulo arrasta as poucas águas da chuva e leva com sigo as vestes de Danael, que consegue por pouco sobreviver, despido e ferido cai no chão.

Davi e Danael acordam, viram-se em uma cabana, era perfeitamente confortável, ao seu entorno nada viram, um cheiro de ovos feitos em pedra alcançaram suas narinas, já vorazes por qualquer tipo de comida, apenas o cheiro lhes aparentavam um manjar. Passaram pelo portal de madeira talhada, ao lado de fora um homem fazia o café da manhã com ovos e algumas pequenas aves.

- Para o desjejum meus príncipes, queiram ficar e aceitem esse humilde almoço que é fruto de minha caça e colheita, o vinho também está fresco como o ar que passavam pelas videiras.

- Pelo visto sabe pelo menos como se tratar ao falar com a realeza, mas já que estóis fora do castelo, diz-me teu nome. – disse Danel.

- Me chamem de Ronan Rolix.

- Senhor Rolix, agradeço eu pelas faixas cobrindo meu ferimento. – agradece o jovem Davi.

- Não há de quê senhor Davi, é uma honra somente conhecê-los, quanto mais ajudá-los. Comam.

Os jovens engoliram o desjejum com vontade, se despediram do homem, sem saber que havia outro motivo para aquele ato gentil de salvamento.