Notas iniciais
Foi minha primeira fic para o projeto e ainda estou soft com ela

Os olhos de Legosi eram vermelhos. E isso não deveria ser nenhuma surpresa, visto que ele era um carnívoro.

No entanto, fora — afinal, quem pensaria que um lobo frouxo, quase doméstico e pacífico, fosse ter tamanha besta dentro de si?

Louis já desconfiava do colega de teatro desde o momento em que se conheceram. Um animal daquele porte, com todos os privilégios que tinha, não poderia ser tão manso quanto se mostrava.

E mesmo assim, durante o tempo em que conviveu com o lobo, ele apenas lhe deu desgosto aos olhos, um gosto de inveja no fundo da garganta, e plantou uma curiosidade em sua mente.

Afinal, por que Legosi queria tanto mesclar-se ao fundo das paredes quando tinha um mundo inteiro para conquistar?

— Afastem do local de crime, por favor. — os policiais pediam para os estudantes do clube de jornal, que tentavam tirar fotos e anotar tudo o que estava ocorrendo. A verdadeira mídia ainda não havia chegado, o que dava tempo aos patéticos pseudo-jornalistas pegarem tudo que podiam do caso.

Louis não se importava com o que eles iriam escrever, sabia que iriam pintar o lobo de pelagem cinza como um grande animal violento e bestial que ele nunca se permitiu ser.

Seus olhos castanhos observavam outros dois oficiais apreenderem Legosi. Parecia que mesmo tendo predado a pequena e frágil coelhinha branca, que não continha a mesma pureza de seus pelos, ele ainda tinha um resquício de moral dentro de si, que o fazia andar cabisbaixo para o carro da polícia.

Tal ação do lobo deixava Louis enjoado, seu estômago pesado, como se tivesse acabado de comer algo que não tinha digerido bem.

Mesmo assim, continuou com o olhar cravado no outro enquanto ponderava em como o cinza era uma cor que combinava bem a personalidade peculiar do — agora — criminoso.

Não dava para saber o que ele faria, Legosi era imprevisível mesmo quando agia normalmente. Ele poderia ir do preto ao branco em questão de minutos, sair de cãozinho adestrado para uma fera aparentemente irracional com apenas um piscar de olhos.

Logo, não seria fácil descobrir o motivo que teria levado ao lobo de comer a sua suposta amiga, ao ponto de deixar apenas tufos de pelos e pedaços de carne destroçados no pátio da escola. Louis por si só não conseguia nem chegar a teorizar possíveis razões, visto a sua dualidade.

Na noite passada, antes da tragédia acontecer, Legosi estava tão manso que chegava a dar desgosto. Obedeceu a tudo que tinha pedido, como normalmente fazia, e fez questão de ser o mais cauteloso possível com o cervo — não que ele precisasse de cuidados. Poderia ser um herbívoro, no entanto, não era feito de cristal.

O lobo tinha cuidado tão bem de si, que tinha até cogitado deixá-lo passar a noite consigo, mas resolveu deixar a rotina ser seguida como de costume. E talvez este tenha sido o erro, pois agora perdia uma peça útil e valiosa para seu plano de ser o novo beastar, ou talvez tenha sido a melhor escolha, já que poderia ser ele ali no lugar da coelha-anã.

Balançando a cabeça e soltando um suspiro, Louis voltou sua atenção à cena que se desenrolava a poucos metros à sua frente.

Legosi já estava no carro, e os policiais pareciam discutir alguma coisa antes de partirem. As orelhas do canídeo estavam abaixadas, apenas confirmando a culpa que tinha sobre o homicídio.

Novamente aquela sensação de enjôo estava no estômago do cervo, embora desta vez ele a tivesse ignorado.

O cervo sabia que não deveria estar se sentindo surpreso pelo fato de Legosi ter mostrado as presas, afinal, ele era um carnívoro, e o que este grupo fazia de melhor, era caçar os herbívoros mais fracos. Louis não entendia como tinha se permitido ser enganado logo por um lobo, e vê-lo dentro do carro parecendo se culpar não ajudava a achar uma resposta.

Não demorou muito, e dois policiais entraram no carro enquanto os outros voltaram à cena do crime.

E no exato momento em que o veículo foi ligado, como se tivesse lembrado de algo importante no último minuto, os olhos negros de Legosi miraram na janela e se encontraram com a encarada que o cervo fazia em si.

O jeitinho triste que dominava as feições do lobo, por mais tolo que tenha sido, não deixou de ser algo tão dele. E saber que aquele gesto fazia parte do outro talvez tenha sido o fato mais bizarro diante todos os acontecimentos naquela manhã para Louis.

Notas finais
gostaria de agradecer a betagem ao @narukitty, meu querido amigo que betou rapidamente essa belezinha e dizer muito obrigado a @LoliMegu pela belíssima capa que captura muito bem a essência da fic Também quero agradecer a @Gi_Kan por ter me aguentado surtando por essa fic enquanto escrevia, obrigada mesmo pelo trabalho de helper não-oficial essa fic foi postada no ao3 em 2019, a
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!