As Crônicas dos semideuses - O Destinado
2 Plano de fuga
Notas iniciais
Suspirei para espantar a raiva. Como eu queria enviá-los direto ao Tártaro. Me encher a paciência era uma coisa, agora me enviar para um internato e me proibir de ir ao Acampamento Meio-Sangue era totalmente diferente.
– Tiler- disse meu padrasto sínico-, é para a sua segurança.
Segurança?, pensei. O que você sabe sobre segurança?
– Se for por causa do meu comportamento, eu prometo melhorar- não acredito no acabei de dizer.
Minha mãe me abraçou (depois de anos, essa era a primeira vez).
– Ah, querido- disse ela-, não tem nada a ver com isso. É só que...- ela parou e começou a soluçar.
Tenho de confessar que talvez senti um pouco de pena dela. Eu a odiava por isso. De um jeito ou de outro, ela fazia eu me sentir mal pela maneira como agia.
De alguma forma, eu não quis soltá-la. Apenas aceitei o abraço (o que está acontecendo?).
Peter a puxou.
– Você irá amanhã- disse ele.- Já está tudo acertado com o Sr. Valentim.
Graças a ele, toda aquela compaixão que sentia a pouco tempo foi drenada de mim. Aquele seria uma das poucas vezes em que sentiria vontade de ser filho de Ares. Pelo menos eu teria coragem para fazer coisas das quais me arrependeria.
Mas a coragem me escapou no momento em que vi a minha mãe. Ela estava acabada, triste, envergonhada. Como se jamais quisesse fazer o que estava fazendo. Escondia seu rosto de mim colocando-o no ombro de seu marido. Aquela cena foi o suficiente para me deixar completamente acabado. Minha mãe, a mulher que me gerou, estava chorando. No final suspirei.
– Quer dizer então que hoje poderei ir à escola?
Meu padrasto assentiu. Talvez pudesse haver esperanças. Eu somente não poderia voltar pra casa depois da aula e ir direto para o acampamento. Me lembrei do meu encontro marcado com Kayse na frente do colégio. Talvez pudesse ir com ela para lá.
Entrei no jogo deles.
– Ok, então é melhor eu ir se não perco o ônibus.
Ambos assentiram.
Peguei meus materiais e ia saindo quando lembrei da carta de Afrodite à Quíron. Subi novamente as escadas e apanhei-a. Corri para fora.
Quando finalmente cheguei ao ponto de ônibus, só restava a mim para entrar. Entrei, cumprimentei o motorista e sentei na frente.
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