As Crônicas de Eslaim
5 Apresentações
Anna já havia separado um vestido para Christine. Era igual ao dela, porém de cor caramelo. Max, que voltara para o quarto assim que Christine acordara, a ajudou a se maquiar e prender o cabelo. Ao se ver no espelho ao lado da irmã, Christine começou a sentir que elas eram realmente isso, irmãs.
— Ainda não entendo para que tanta coisa.
— Você é uma princesa agora senhorita. – respondeu Max.
— Já conversamos sobre isso Max.
— Você é uma princesa agora, Tine.
— Tine? – Anna olhou para as duas – Por que ela te chama de Tine e eu ainda te chamo que Christine?
— Você pode me chamar como quiser Anna. – Tine riu em pensar que Anna estava com ciúmes dela.
— Bem melhor assim. Agora vamos, já estamos atrasadas.
— Atrasadas para o que? – ela olhou para Anna e depois para Max – Vocês podem me dizer o que está acontecendo – Anna ficou em silencio.
— Eu tenho ordens para não dizer. – revelou Max – Mas se a senhorita me ordenar, bom, sua ordem é superior do que as que me deram...
— Diga e isso é uma ordem... Por favor.
— Você está manipulando ela Max. – Anna tentou parecer brava, mas estva se divertindo com a situação. Tine não entendeu – Ela pode te contar tudo o que quiser Christine, mas ela prefere te fazer ordenar, por que assim você vai se acostumar a dar ordens a todos.
— Culpada. – Max riu – Mas na verdade, terá um jantar de apresentação para você agora.
— E quem vai estar lá? – Tine estava preocupada – Não estou pronta para falar com ninguém.
— Tine. – Anna a segurou pelos ombros e olhos fundo para ela – Confie em mim, você vai se sair bem. Serão só nossa família, alguns amigos íntimos e os soberanos aliados.
— Só? – ela estava nervosa.
— Você vai se sair bem. Apenas lembre de sorrir e qualquer coisa eu estarei do outro lado da sala pronta para te ajudar.
— Tudo bem. Eu não vou poder fugir disso não é?
— Não.
— Então estou pronta.
Elas saíram do quarto. Stefan estava na porta acompanhado de outro guarda.
— Stefan. – Tine se aproximou – Você será meu guarda?
— Altezas. – ele fez uma reverência seguido do outro guarda – Na verdade, sou guarda particular da sua irmã.
— Entendo. Bom, eu te vejo por aí. Boa noite para vocês.
— Boa noite altezas.
— Como você sabe o nome dele? – Anna perguntou quando já estavam longe suficiente para que eles não ouvissem.
— Ele que me acompanhou quando... me trouxeram.
— Entendo. – Anna sabia que não era um assunto fácil para Tine – Ele é um ótimo guarda e é lindo.
— Anna. – Christine riu. Stefan deveria ser quatro anos mais velho que Anna.
— Você sabe que é a verdade. Mas ele nunca olharia para mim desse jeito. – Anna olhou de relance para trás – O medo de papai é maior que qualquer interesse. Sem contar que estou noiva. – ela disse como se fosse algo normal, mas Christine parou subitamente.
— Você está o que? – Tine subiu o tom.
— Noiva. – Anna falou ainda mais baixo que antes para que Tine entendesse que não devia falar alto sobre isso – fui prometida antes do nascimento. Não olhe assim Tine, ele é um bom rapaz e eu serei feliz. – Anna não sabia se acreditava nas próprias palavras.
— Se você diz... – Christine não queria julgar a irmã.
Assim que chegaram no salão do trono, Tine foi cercada de pessoas que ela nunca vira na vida, todas querendo desejar-lhe as boas vindas e saber mais sobre como ela vivia. Ela tentava ser educada e responder todas as perguntas, mas estava mais preocupada em achar a mãe no meio de tanta gente.
— Desculpe interromper a conversa. – disse alguém atrás dela – Mas gostaria de ter alguns minutos a sós com a princesa.
— Claro Alteza. – as pessoas reverenciaram e saíram, Tine virou para ver seu salvador.
— Olá princesa. Príncipe Allen de Frigian, ao seu dispor. – Ele reverenciou – Agora você se apresenta e reverencia. – ele disse rindo.
— Ah... Christine, princesa de Eslaim ou algo do tipo. – ela riu e reverenciou.
— Nada mal, mas tente se apresentar como “princesa herdeira” na próxima vez.
— Desculpa, mas eu não consigo fazer isso. – ela tentou se afastar, mas ela segurou pelo pulso e a puxou em sua direção, forçando-a a dançar com ele a musica que estava sendo regida.
— Desculpe princesa, mas não posso te deixar sair.
— Me solte ou eu vou gritar.
— Eu não aconselharia isso. – eles giraram – está vendo o rei sozinho no trono, não está? – ela não respondeu – ele mandou prender a rainha em seus aposentos por uma semana, sua mãe está lá com ela.
— Como você sabe disso? – ela engoliu em seco.
— Meu quarto é no final do corredor. Eu vi quando trancaram elas.
— Me leve até lá. Por favor.
— Eu vou levar, mas você precisar confiar em mim e primeiro vamos terminar a dança. – ele a girou – não esqueça de sorrir.
Eles terminaram a dança e seguiram juntos em direção ao jardim.
— Você me disse que era um príncipe, certo?
— O segundo filho do rei de Frigian.
— Por que você mora aqui?
— É uma longa história, mas basicamente eu vim para cá assim que nasci.
— Você é o noivo da minha irmã? – ela torcia para que não. Mesmo não sabendo ao certo o porque.
— Não. – ele riu – Anna é o mais perto de uma irmã que tive.
— Então o que?
— É uma longa história.
— Tudo bem. Agora, quando vai me levar até a minha mãe. – ela hesitou um pouco – minhas mães.
— Por aqui.
Eles seguiram até o canto do jardim, Stefan estava lá com uma lamparina na mão.
— Obrigado amigo. – Allen pegou a lamparina e entrou em uma passagem no muro.
— Obrigada. – Christine ainda não sabia pelo que estava agradecendo.
— Você sabe onde está indo? – ela disse após alguns minutos de silencio.
— Existem algumas passagens no interior do palácio, essa que estamos seguindo, mais especificamente, nos levará até suas mães.
— Eu não vou nem perguntar como você conhece isso.
— Eu moro aqui desde que nasci praticamente. Conheço o palácio como a palma da minha mão.
— E por quê você mora aqui e não em Frigian?
— Essa é uma conversa para outro dia princesa.
— Não me chame assim. – ela sabia que ele enfatizou aquela palavra de propósito.
— Como quiser. – e voltaram a fazer silêncio.
— Me chame de Tine. – ela tentou retomar a conversa – Todos me chamam assim.
— Melhor não... Eu acho que devo te chamar de forma única. Christy.
— Christy... gostei. – ela agradeceu por estar tão escuro ao ponto dele não ver o rubor em seu rosto.
Allen parou subitamente e deu duas batidas na parede, logo depois ela se abriu e revelou um quarto maior que o de Tine. Ao passarem pela abertura ele teve que se reacostumar com a luz e pode ver claramente Makaila e a rainha paradas de braços dados em sua frente. Ela deu um passo em sua direção, mas parou ao sentir que segurava algo, olhou para a mão e viu que havia entrelaçado a sua com a de Allen durante o caminho. Ela soltou a mão, o rosto voltara a ficar avermelhado, mas ela não se importava com isso, tudo o que importava era saber se a mãe estava bem.
— Mamãe. – ela correu e abraçou Makaila, o que partiu o coração de Iriana, mas ela se lembrou que não criou Christine, então não podia esperar muito.
— Minha querida.
— Rainha... – ela engoliu em seco – Mãe?
— Não precisa se forçar a me chamar assim, querida. Eu sei que não me considera isso ainda, mas espero que possa considerar algum dia.
— Me desculpe. – ela estava sendo sincera – Eu ainda preciso assimilar tanta coisa. Mas eu sei que logo estarei pronta.
— É o que mais desejo.
— Agora não posso dizer o mesmo sobre o rei. Ele as deixou trancadas aqui, isso é inaceitável.
— Você precisa entender uma coisa. – a rainha se sentou em uma das poltronas e Tine aproveitou para analisa-la. Ela parecia mais velha pessoalmente, mas ainda era mais bonita do que na televisão. Era claramente uma Christine mais velha, exceto pelos cabelos loiros, seria ótimo ser assim, pensou Tine e gostou desse pensamento – O que Makaila e eu fizemos pode ser interpretado como traição por muitas pessoas e elas podem exigir que o rei dê a sentença máxima, a morte. Isto aqui... O isolamento, é a forma dele nos manter seguras. – “vivas” corrigiu mentalmente.
— Há tanta coisa que eu não entendo...
— Eu prometo que vou explicar tudo o que você quiser saber.
— Desculpe Christy. – interrompeu Allen. Makaila semicerrou os olhos para ele – Não temos tempo.
— Uma única pergunta. – ela pediu.
— Uma. – ele disse assentindo para a rainha.
— Anna está prometida, eu já sei. – ela começou, mas a rainha já desconfiava de onde queria chegar – Isso significa que eu também estou? Eu tenho algum controle sobre algo na minha vida agora?
— Foram duas perguntas. – Iriana tentou descontrair para ganhar tempo – Mas respondendo. Você sempre poderá escolher filha.
— Precisamos ir. – Allen já estava na frente da passagem – Agora.
— Eu vejo vocês logo. – ela abraçou Makaila e em seguida correu para abraçar a rainha.
O trajeto de volta foi silencioso, Allen manteve-se distante de Tine, mesmo não percebendo essa distância. Assim que chegaram na porta do muro, ele entregou a lamparina para Stefan que ao reverenciar se afastou.
— Precisamos entrar. – ele disse e já se pois a andar.
— Espere. – pediu Christine – Obrigada por isso. Eu realmente precisava vê-las.
— Não fiz mais que minha obrigação. – Allen estava um pouco tenso, era possível observar seus músculos levemente contraídos sob a camisa social.
— Mesmo assim – ele deu-lhe um beijo na bochecha – eu agradeço.
Eles entraram de novo. Christine percebeu que eles recebiam vários olhares maldosos das pessoas ali presente. Mas decidira não se importar, tinha acabado de ver a mãe... as mães e estava extremamente feliz. Allen pediu licença e se afastou em direção a mesa de bebidas, enquanto isso Tine observava Anna a girar pelo salão enquanto dançava com um rapaz, que ela deduziu ser o prometido dele. Anna dançava graciosamente, possuiu uma destreza tão grande que a fazia conduzir a dança, mas seu sorriso, aquele sorriso não era sincero e Christine tinha certeza disso. Ela observou atentamente o parceiro de Anna. Ele era um pouco maior que ela, mas o salto de Anna diminuía bem a altura, era belo, sem dúvidas, a pele bronzeada pelo sol frequente, os cabelos tão escuros quanto os da irmã e olhos da mesma cor, porém extremamente convidativos. O corpo não era tão forte quanto o de Josh, na verdade, ele era fisicamente similar a Allen, porém um pouco menor; agora o seu sorriso... Aquele sorriso era de alguém apaixonado, seus olhos diziam isso claramente e Tine sentiu um aperto no peito em duvidar se era reciproco. Ao perceber a irmã olhando, Anna cochichou algo no ouvido do parceiro de dança e se despediu, depois foi em direção a Christine.
— Vejo que Allen já te levou até a mamãe. – ela disse baixinho.
— Como você sa... Foi você que planejou tudo.
— Culpada. Mas você precisava ter a chance de falar com sua mãe e ver a nossa.
— Você é boa nesse lance de irmã. – ela passou o braço pelo de Anna – Espero que eu também seja.
— Você só precisa de prática. – ela sorriu – eu tive anos com os filhos de Adrian, eles são como meus irmãos mais novos. E em falar neles, quero te apresentar a uma pessoa. – elas seguiram até a mesa de bebidas onde Allen conversava animadamente com uma garota – Estamos interrompendo?
— Jamais Alteza. – a menina fez uma reverencia seguida de Allen.
— Allen, você já conheceu a minha – ela pensou um pouco – recém-chegada irmã, Christine.
— Ainda assim... – ele fez outra reverencia e beijou suavemente a mão dela – É sempre um prazer alteza.
— Igualmente. – Tine reverenciou enquanto falava. Ela achava aquilo engraçado.
— E esta é Mikha, filha de Adrian, um grande amigo da família.
— É um prazer finalmente conhece-la alteza. – Mikha pareceu relutante em dizer aquilo, mas talvez fosse só impressão de Christine.
— O prazer é todo meu, mas por favor, me chame de Tine e não alteza. É estranho. – ela riu.
— Com o tempo você se acostuma. – garantiu Mikha.
Mikha possuía uma beleza exótica. A pele negra contrastava com os olhos puxados e mesmo com os cabelos trancados dava para saber que eles eram de um liso extremo. Seus olhos eram verdes, bem vividos e a boca carnuda estava pintada de vermelho. O corpo curvilíneo era emoldurado por um vestido que descia justo até os joelhos e depois abria suavemente até o chegar ao chão e o decote quadrada acentuava a fartura de seios que ela tinha.
— Vocês formam um pelo casal. – Christine disse enquanto pegava uma taça cujo o conteúdo era um mistério para ela.
— Nós não somos um casal. – Allen riu ao pensar na hipótese, Mikha não.
— Allen é seu prometido alteza. – Mikha disse afim de ver a reação de ela teria.
— Meu o que?
— Acho que é hora daquela longa conversa.
— Você precisa aprender a calar a boca Mikha. – vociferou Anna visivelmente irritada.
— Me desculpe, mas uma hora ela iria descobrir não é? Eu apenas adiantei.
— Ela ainda não está pronta para saber de tudo. – Anna se posicionou na frente da irmã de forma defensiva – Extremamente deselegante da sua parte.
— Eu já pedi desculpas.
— Acho que eu preciso ter um momento a sós com Christine. – Allen não esperou que elas respondessem, apenas pegou Tine pelo braço e a conduziu para a pista de dança.
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