Já era de madrugada quando um homem andava apressado pelos amplos corredores do Castelo. Sua estatura era mediana e, seu corpo, pouco atlético; usava um colete em forma de armadura – era totalmente preto e continha detalhes dourados em volta. Por cima da armadura, um sobretudo lhe caía até os pés e, em volta do pescoço, uma gola alta e macia também em tons escuros. Seus olhos eram cor de mel e de seu olho direito até a bochecha esquerda, uma cicatriz cortava caminho. Seu cabelo tinha coloração azul escura e era cortado à faca até os ombros, deixando-o desnivelado. Por mais que o homem não demonstrasse expressões, ao fundo de seus olhos era possível ver que algo o deixava preocupado e essa preocupação o fizera ir até os aposentos reais de madrugada.

Após minutos andando, o homem estacou em frente a uma escada em espiral que dava em uma das torres mais altas do Castelo. Ele subiu e então parou, será que devia continuar? Por mais que seu cargo fosse importante, acordar o Rei em seus aposentos, ainda mais àquela hora, não era algo sábio a se fazer. Ele pensou e... Continuou. Ao fim da escada, um corredor estreito levava até uma porta vermelho-escura. As paredes do corredor estavam cheias de tapeçarias que mostravam o Rei em alguma pose gloriosa. Ele parou perante a porta e bateu, sem resposta; bateu novamente e, mais uma vez sem resposta, decidiu simplesmente entrar.

***

O quarto em que o Rei estava era amplo e excessivamente decorado, vários quadros estavam distribuídas pelas paredes – quase todos retratavam Gregor I, o Machado Vermelho, na época da Grande Batalha –, alguns do Rei atual, outras retratavam belas paisagens. O homem dos cabelos azuis se aproximou, tentava desviar-se das mulheres que estavam largadas pelo chão: Ruivas, morenas, loiras – dopadas pelo álcool ou dormindo. Seguindo o rastro feminino, ele chegou à cama; ela era grande e quatro pilares seguravam um mosquiteiro, mantendo-o no alto. Na cama havia mais mulheres e, um pouco abaixo delas, um homem estava dormindo: o Rei.

– Senhor. – Disse o visitante, com calma, para não acordá-lo irritado. – Senhor! – O tirano despertou e, empurrando algumas mulheres para o lado, sentou-se ainda zonzo pelo sono e pelo álcool em excesso. O homem que acabara de acordar tinha os cabelos escuros e curtos. Os mesmos, por incrível que pareça, encontravam-se perfeitamente arrumados. Seus olhos eram verdes e demonstravam frieza e apatia para com qualquer um. Obviamente ele estava nu e, por isso, permaneceu sentado.

– Glórias ao Senhor de todas as raças e terras, Gregor! – O homem que aparentava ser um soldado fechou a mão direita e, torcendo-a contra o pulso, levou-a até o peito numa saudação.

– Pare com isso, Levi. – O monarca se levantou enquanto puxava o lençol, derrubando uma das mulheres da cama. Ele caminhou até a adornada mesa que se encontrava próxima à cama e abriu uma das caríssimas garrafas de vidro, pegando uma taça e a enchendo com o líquido arroxeado quase até a borda. – Aceita? – Ele perguntou, enquanto levava a taça aos lábios. Levi fez apenas um aceno com a mão esquerda, sinalizando que não queria. – Espero que seja algo importante. É? – Perguntou, em meio a goles de bebida.

– Sim, é. O garoto que foi morto hoje... – Levi hesitou. – Bom, ele era um Farejador. – Ele parou de falar, abruptamente.

– Vamos, continue. – Disse Gregor.

–Agora há pouco, duas de nossas bases foram atacadas. Um grupo relativamente grande de Farejadores está vindo para Porto Salvação e alguns Brutais resolveram adotar a causa deles, majestade.

O Rei Gregor não pareceu se importar. Terminou de beber e foi até uma mulher morena que acabara de acordar, segurando-a pelo queixo e a beijando profundamente. Alguns segundos depois soltou a mulher, fazendo-a cair no chão.

– Reúna o Conselho... Precisamos ter uma conversa.