Notas iniciais
Espero que gostem. Não esqueçam de comentar!

“Onde estou?” disse Chekov, com sua voz solene.

“Na enfermaria. Você acabou de chegar à Hildegard Von Bingen High School. Sofreu um acidente enquanto estava no trem em direção à escola. Mas está tudo bem” finalizou com um sorriso.

“E quem é você?” murmurou.

“Estou aqui para te salvar, Chekov. Você sabe, eu sou sua amiga. Espero estar com você durante nossas aventuras, mesmo que eu esteja no segundo ano...”.

A pupila de Chekov dilatou no exato momento em que a garota estranha, de pele branca e cabelo moreno finalizou a última palavra. Assustado, tentou se levantar, mas foi interrompido.

“Não se mexa! Você ainda está muito ferido. Coitadinho... Nem teve tempo de ver a integração. Creio que será um pouco difícil fazer amizades agora, mas estarei aqui para lhe ajudar no que for preciso. Chamo-me Ally, e meu superpoder é onisciência” finalizou com outro sorriso e se levantou em direção à porta de saída.

O pobre garoto permaneceu calado. Não tinha entendido o superpoder da nova garota que conhecera. Concentrou-se para lembrar o significado da palavra onisciência, mas sua ansiedade não o deixou. Queria se levantar a qualquer custo.

Fechou os olhos por um segundo na esperança de um cochilo, mas o rangido da porta que acabara de ser aberta o assustou e tremeu por um instante.

“Desculpe-me se lhe assustei, garoto. Nunca imaginaria que encontraria um enfermo no primeiro dia de aula. Você está bem? Parece um pouco confuso...” indagou a enfermeira.

Chekov olhou para a enfermeira com as pálpebras meio abertas e a analisou. Não era uma enfermeira de verdade. Parecia mais uma estudante, só que mais velha. Aparentava ter 19 anos.

“Certo... Você está um pouco tonto. Não vai adiantar questionar você agora. Deixe-me te curar.”

A enfermeira encostou suas duas mãos macias sobre os ferimentos no peito de Chekov, fechou os olhos e começou a falar algumas palavras em voz baixa, que mal ele escutava. Um formigamento começou em seu peito e sua língua palpitava. Era uma sensação única, indiferente. Não demorou dois minutos e já se sentia recuperado.

De repente Ally entrou no quarto, disse algo para a enfermeira que Chekov não conseguiu ouvir bem e o puxou pelo braço. Ele se levantou depressa, assustado. “Vamos logo” exclamou Ally. “Aonde vamos?” perguntou pulando da cama, descalço. “Precisamos chegar à integração. Você perdeu maior parte da festa.” disse Ally segurando os braços de Chekov e descendo as escadas da enfermaria rapidamente. “Entendo... Você é novo e provavelmente não sabe o que é integração. É uma pequena cerimônia realizada para os alunos do primeiro ano. Há cerca de 300 alunos novos este ano. Não se assuste! Mais tarde você vai conhecer todos, fazer amizades e inimizades” riu Ally com tom irônico.

Chegaram ao hall de entrada. Era um pátio enorme, todo embelezado com flores, estandartes e brasões da escola. Os olhos de Chekov brilharam diante de tanta beleza.

Havia milhares de alunos, todos espalhados. Os novos vestiam branco, o médio azul e os veteranos, vestiam negro. Eram todos belos e de boa aparência. Havia comida também, servida por servos e três a cinco mesas que serviam de banquete.

Os veteranos conversavam com os novatos, querendo saber de seus respectivos superpoderes. Chekov viu uma garota levitando garfos, depois viu um garoto se transformando em água e viu uma garota se contorcer. Ficou muito alegre com isso tudo.

Havia música também, alguns menestréis no alto tocando harpas e órgão.

“Onde estamos indo?” gritou no ouvido de Ally, pois a música estava muito alta.

“Atrás do seu veterano, quero dizer, seu parceiro de luta, seu colega de quarto, sua dupla!” disse Ally rindo, toda contente.

Ally entrou em uma porta verde, revestida com aço. Quando Chekov fechou a porta e virou-se para ver onde havia entrado, ficou perplexo. Estavam diante de vários corredores, infinitos. E em cada corredor, portas. Muitas portas.

“Não fique assustado. É assim mesmo. A arquitetura deste lugar tenta nos pregar peças. É só achar a porta certa!” disse Ally determinada.

“Mas como?” indagou Chekov.

“Fique calmo. É só se concentrar e não se perder. Mas eu não posso fazer isso junto com você. Agora você vai ter que fazer isso sozinho. Encontre o seu quarto. Seu veterano estará lá, lhe esperando. Ah! Já ia me esquecendo, seu nome é Darius” disse se despedindo.

Piscou os olhos e Ally não estava mais ali. Agora realmente estava confuso, mas se lembrou de que tinha o poder da vidência, que lhe ajudaria. Claro, se não falhasse.

Começou a correr entre os corredores para ver se sentia alguma diferença, um cheiro, uma sensação ou um sentimento. Mas não sentia nada.

Colocou suas mãos sobre uma porta de número “723” cravado. Procurou se concentrar e com sucesso conseguiu ter uma visão:

Havia um quarto luxuoso, com lençóis azulados e uma cama bem macia. Havia duas garotas conversando em um cômodo que aparentava ser a sala de estar. Os dormitórios por aqui eram assim. Uma sala de estar e um quarto, com duas camas. Ambas tinham asas. A mais velha, asa de borboleta, que brilhava com o raio de sol vindo da janela. A outra, um lindo par de asas de anjo, todo branco. Mas sua conversa foi interrompida e ambas ficaram assustadas quando alguém abriu a porta.

“Fui eu quem abriu a porta”, pensou Chekov. “Não é esta”.

Continuou correndo e quando se deu conta, estava no corredor com portas de número “1200” em diante. Passou pela porta de número “1212” e sentiu uma sensação diferente. Parou de correr e se aproximou.

Colocou suas mãos sobre a porta e depois encostou a orelha para ver se ouvia algo ou alguém. Sentiu uma felicidade interna, sem explicações. Uma alegria incerta. Sabia que vinha daquela porta. Deu um sorriso bobo enquanto sentia suas mãos tocando a porta de madeira rústica.

Concentrou-se e conseguiu uma pequena visão:

Estava numa arena, havia um homem alto na sua frente, mas não conseguia enxergá-lo, muito menos saber quem era. Adiante, havia outras duas pessoas, irreconhecíveis também. Estavam em posição de ataque. Uma delas lançou uma espécie de raio em sua direção, mas Chekov desviou, com precisão. Olhou para baixo e viu que estava todo armado e revestido com uma couraça de ferro. Sua arma era um arco e flecha. “Atire!” disse o homem logo à sua frente. E foi o que Chekov fez. A flecha saiu rasgando o ar com um som agudo, quase acertando o inimigo. Mas o homem à sua frente fez algum movimento com as mãos e a flecha parou no ar. Começou a virar de volta ao inimigo e foi lançada. Acertou em cheio, bem no peito.

A visão desapareceu com o desequilíbrio de Chekov sobre a porta, fazendo com que ela se abrisse, caindo de cara no chão do quarto.

“Aí está você, amigo” disse um homem de voz grossa.