As Crónicas de Hermione
9 Tudo e Nada
Notas iniciais
Depois do Natal, tanta coisa tinha acontecido, parece que em instantes toda a sua vida e dos seus amigos mudara.
Quando voltou da Toca, depois de ela e Ron terem terminado, parecia lhe que tinha ficado mais leve. Pensar em Ron apenas como amigo, apesar de o rompimento ter levado ao afastamento, fazia lhe melhor do que pensar nele como namorado, sobretudo porque tinha chegado à conclusão que ao crescerem as ideias de ambos se tinham afastado e realmente não fazia mais sentido terem uma relação amorosa. Sobretudo quando comparava, mesmo sem querer, a sua relação com a de Harry com Ginny. Viu os amigos crescerem e alicerçarem uma relação forte mesmo que distantes, o Harry estava sempre lá para apoiar Ginny nas suas decisões e vice-versa, eles compreendiam-se e faziam o outro crescer, juntos brilhavam. Eram sem dúvida um casal modelo, mesmo quando discutiam, terminando quase sempre com Harry a dar razão a Ginny.
Por outro lado, viu outro casal separar-se. Luna e Neville que tinham partido para férias de forma muito romântica, no recomeço das aulas apenas Luna voltou. Contou depois aos amigos que durante as férias, o Neville recebera uma carta de Mme Sprout dizendo lhe que um amigo que fazia estudos botânicos na Amazónia lhe tinha pedido o contacto de alguém competente que o pudesse ajudar. E perante esta oferta, Neville depois de muito pensar, e com o tempo contado, decidiu partir. Era uma oportunidade única que não podia desperdiçar, iria trabalhar naquilo que gostava com um grande perito de renome mundial. Partira logo a seguir ao Natal, prometendo a Luna que voltaria sempre que pudesse. No entanto, a jovem rapariga temia que esta distância acabasse por os afastar, apesar de romântica e sonhadora, conseguia ser bastante pragmática e sabia que seria difícil manter uma relação com um oceano pelo meio, sobretudo porque ambos tinham objetivos de vida diferentes. Luna não se via a deixar o seu pai sozinho no Reino Unido para acompanhar Neville pelo mundo, e tinha o sonho de continuar a editar a sua revista, The Quibbler, e viver tranquilamente no campo.
Pansy, por sua vez, voltou de férias animada e até feliz. Na primeira oportunidade que teve, confidenciou a Hermione que o Blaise lhe tinha escrito uma carta que ela recebera no dia de Natal. Estava vivo, sem referir onde estava, e propunha lhe que se juntasse a ele quando as coisas acalmassem. Claro que Pansy já decidira que o ia fazer, aliás já tinha dito antes que esse era o seu sonho, ser feliz com Zabini mesmo que para isso tivessem de viver escondidos algures. Hermione tentou fazer lhe ver que aquilo não era uma solução, iria afastar se de todos, dos seus pais inclusive, e que viveriam sempre a olhar por cima do ombro. Pansy não queria saber, a única coisa que lhe importava era que ele estava vivo e poderiam construir uma vida juntos.
Com tanta novidade, Hermione nunca partilhou com ninguém, nem mesmo com Pansy que enviara uma carta a Draco, ou melhor duas cartas, pois na ausência de resposta à primeira, ela enviou outra de maneira a esclarecer o que pretendia. Era uma questão demasiado pessoal e incompreensível para todos, até ela ainda hoje se debatia internamente pelo motivo que a tinha feito enviar tais cartas. Não fazia sentido para ela e menos faria para os outros.
No entanto, no início de fevereiro quando Hermione estava sozinha na sua sala de estudo, se bem que naqueles tempos ela escrevia mais do que estudava, foi interrompida por uma Pansy furiosa. Nem lhe deixou perguntar o que se passava, e foi directa ao assunto:
— Qual é a tua, Hermione ? Ou melhor, qual é a tua J., de Jean?!!! Sim, já sei que andaste a enviar cartas ao Draco… — Pansy falava de forma sarcástica, e continuou — qual é que era o teu objectivo? O que é que queres dele? Rebaixá-lo ainda mais? Ele não precisa da tua compaixão hipócrita..
Hermione respirou fundo, quando enviou a segunda carta para explicar que também tinha perdido os pais e que não pode sequer despedir se deles, referindo o vazio que sentia e que ninguém parecia entender, propôs ao Malfoy que lhe escrevesse e que falasse com ela, que podiam partilhar pensamentos, faria bem aos dois para exorcizar a consciência de culpa que ambos tinham; ela sabia que eventualmente, Malfoy iria tirar satisfação com Pansy e que esta perceberia imediatamente quem escrevera as cartas. E perguntou apenas:
— Quando é que recebeste notícias dele? O que é que te disse?
Pansy recompôs se e respondeu :
— Acabei de receber uma carta. Assim que vi que vinha de Azkaban, fiquei feliz. Pensei que ele estivesse a recuperar e quisesse falar. Mas em vez disso recebi uma carta com palavras horríveis, a dizer que eu era uma linguaruda que não sabia estar calada, que tinha dúvidas da minha lealdade mas agora não tinha mais e devia aprender a tratar da minha vida. Dizia que as pessoas a quem tinha contado dos seus pais, agora o importunavam com balelas, que deviam andar a divertir-se com a cara dele, enquanto ele estava ali.
Hermione baixou a cabeça, admitindo a culpa silenciosamente. Percebeu que no intuito de ajudar não tinha pensado que Draco iria entender tudo ao contrário, nas condições que estava, receber cartas com aquele teor, facilmente pensaria que o único objetivo seria troçar da cara dele e retirar informações. Quando olhou para Pansy, tinha lágrimas sinceras nos olhos:
— Pansy, admito que fui eu quem enviou as cartas. Mas tinha boas intenções, compreendo que tenha sido mal entendida. Agora que penso nisso, eu teria tido a mesma reação. Mas quando enviei a primeira carta foi mesmo porque queria ajudar. Desde que me contaste sobre a morte dos pais do Malfoy, que senti que o compreendia nessa parte. Eu também perdi os meus pais, eu também me culpo por tudo. — admitiu finalmente a jovem morena, chorando copiosamente.
— E por isso, mesmo tratando-se do Malfoy, depois de tudo o que ouvi, achei que lhe faria bem receber uma palavra de alguém que o percebia. E depois insisti, sem nunca me identificar contei lhe sobre a perda dos meus pais, numa tentativa que ele respondesse e mostrasse pelo menos que reagia. Não quero o mal dele, apesar de tudo o que vivemos nesta escola. Acredita em mim, quis apenas ajudar.
Pansy olhou fixamente pra ela, como é que ela não sabia de nada sobre os pais da Hermione? Porque é que a amiga nunca lhe tinha contado nada, mesmo quando ela já tinha partilhado tanto com ela?
— Oh Hermione, porque é que nunca me contaste sobre os teus pais? Eu não fazia ideia. Não posso sequer imaginar o que passaste, ou que ainda estás a passar, nem como se recupera disso. Agora percebo melhor o motivo das tuas cartas para o Draco. Nao conseguia compreender porque é que logo tu, ias tentar corresponderes te com o Draco?!! Assim faz mais sentido. Mas porque é que nunca me contaste?
— Pensei que sabias, o assunto foi bastante comentado no verão passado — Hermione contou a história dos seus pais, do seu tempo na Austrália, de tudo o que aquilo lhe trouxe, de como mudara a sua percepção do mundo, da vida.
— Eu não soube, como te disse desde que fomos para França desliguei um bocado da vida de cá, era tanta coisa a acontecer que cheguei a um ponto que não queria saber de mais nada — Pansy chorou enquanto ouviu a história da amiga, e no final abraçou-a forte junto de si, terminou dizendo-lhe que lamentava muito.
Hermione aceitou as palavras e o carinho da amiga slytherin, mas disse-lhe que não queria mais falar do assunto. Que já tinha arrumado muitas vezes as suas dores e não queria voltar a elas. Queria pensar e lembrar-se dos pais de maneira feliz. Por isso preferiu voltar ao assunto inicial, pelo menos assim distraía-se. Disse à amiga, repetindo-se e insistindo que realmente enviara a primeira carta de uma forma quase automática, que o fez com as melhores intenções mas agora via que fez mais mal que bem e não iria mais incomodar o Malfoy. Pediu desculpa se de alguma forma a amiga se sentia traída por ter revelado que ela tinha falado da vida dele sem autorização. Já a segunda carta foi mais para ela desabafar do que outra coisa. Mas nem isso tinha tocado o Malfoy.
Ao longo da explicação, Pansy começava a ficar mais serena e acabou por sorrir, e disse em tom de brincadeira:
— Hermione, senão conhecesse toda a situação, diria que te preocupavas com o teu inimigo nr. 1, queres contar me alguma coisa agora que estás livre e desimpedida?! — ao ver o ar chocado com que a amiga a olhava, Pansy corrigiu se — Calma, estou a brincar. Tendo em conta que já te conheço um pouco, depois de me aceitares como amiga e convivermos este tempo, consigo perceber que queres sempre o melhor das pessoas, mesmo aquelas que não conheces ou que não te trataram bem. E no fim, acho que não foi assim tão mau teres escrito ao Draco. Afinal ele escreveu me, irritado e mal disposto, mas pelo menos fizeste-o sentir qualquer coisa, parece que pelo menos despertou da letargia em que se encontrava. Tudo bem que foi para me insultar mas prefiro isso que saber que ele está naquele canto imundo a desistir de viver. — parou de falar uns instantes, introspectiva e quando a Hermione ia dizer qualquer coisa, ela estendeu um dedo na direção dela e continuou a falar, parecia que falava para os próprios botões — Se calhar, isto até foi muito bom, será que o conseguimos recuperar? Hermione? (Virou se para a amiga e falou lhe seriamente) Hermione, tens de continuar a escrever lhe até ele sair.
Hermione olhou espantada para a amiga e perguntou-se se ela estaria a pensar direito, não fazia mais sentido escrever a Draco se ele se tinha manifestado contra. Como iam contornar aquele impasse ?! Mas antes que ela se pronunciasse, Pansy continuou e partilhou a sua ideia:
— Vou ignorar a carta do Draco, não vou responder apesar de me apetecer dizer-lhe das boas. Em vez disso, vais ser tu a responder lhe. Ele nunca vai imaginar sequer que somos amigas, entre todas as pessoas com quem eu podia desabafar tu serias a última que ele iria pensar. Ele vai ficar cada vez mais curioso, e vai tentar saber mais. Se soubesse antes disto teria dúvidas que o pudesses ajudar desta forma, mas ao saber de tudo e depois de ler a carta dele, sei que vai tentar descobrir quem lhe escreve. Tens de continuar, Hermione, por favor?!
Hermione encolheu os ombros e respondeu:
— Não me importo de lhe escrever, mas não creio que vá responder. E sinceramente, agora já não sei o que lhe dizer. Como ajudar alguém que não parece querer a nossa ajuda?
Pansy começou a falar sem parar, dizia que o primeiro passo tinha sido dado. O Draco já estava furioso com as duas primeiras cartas, só tinha de continuar e insistir até ter uma resposta.
Juntas escreveram uma resposta à carta de Draco para Pansy, daria a entender que as duas raparigas se conheciam e que lhe escrevia apenas na intenção de o ajudar, sem qualquer tipo de julgamento, a escrever sobre os seus sentimentos, falar com desconhecidos por vezes faz nos melhor do que falar com amigos. Insistiu nas suas intenções, disse-lhe que o passado era passado e ele só devia pensar no futuro, que se sentia culpado a única maneira de se absolver de verdade era aceitar o que aconteceu e começar uma nova vida, mesmo que estando preso, um dia iria sair e devia preparar se para o que o esperava cá fora, uma vida livre e nova, pronta para ser começada. Uma vida onde ele podia escolher e ser tudo o que quisesse.
Quando terminaram já era tarde, e foram juntas até ao corujal para enviar aquela carta. Quando viram partir a coruja, olharam uma para a outra, sorriram e concordaram que era o certo a fazer. Só restava esperar que ele respondesse, para isso deixaram claro que todos os dias lhe iria enviar uma nota que fosse, a coruja iria esperar, e no dia que decidisse responder bastava que a carta fosse entregue a essa mesma coruja.
A partir daí tornou-se rotina para Hermione enviar uma nota para Draco: algo que vira de diferente naquele dia, uma frase que lera num livro, uma letra de uma música, curiosidades, todos os dias sem falhar ela enviava um bilhete mas já havia passado um mês e a coruja nunca trouxe uma resposta que fosse. Naquele momento, Hermione já duvidava que Draco lesse os seus bilhetes. Já tinha inclusive dito a Pansy, que o melhor seria parar, mas a amiga insistia que não.
Estavam quase em meados de Março, Hermione tinha ido para Hogsmead com Pansy, Ginny e Luna. Tinham feito algumas compras e resolveram visitar Tonks. Teddy tinha crescido imenso desde a ultima vez que ali tinham estado, estava cada vez mais parecido com um Remus em ponto pequeno e de cabelo colorido, que mudava conforme o seu humor. Quando já estavam de saída, Tonks chamou Hermione à parte e esta pediu às amigas que fossem andando que ela já as apanhava na rua.
Tonks quis saber se Hermione já sabia o que iria fazer depois das aulas, que tinha falado com o primeiro ministro Kingsley e este tinha lhe confidenciado que continuava à espera que ela fosse para o Ministério. Apesar de ser algo que sempre quis, agora que lhe era proposto e era algo tão próximo, Hermione hesitou e confessou a Tonks que não sabia mais se queria ir trabalhar no Ministério. Contou lhe de toda a situação com Ron, e que não se via a trabalhar no mesmo sítio que ele. Tonks disse lhe que o Ministério era grande e provavelmente nem se veriam, que ela não devia pôr de parte uma grande carreira por causa de um homem. Mas Hermione não sabia realmente o que queria fazer à sua vida quando terminasse os estudos. No seguimento da conversa, Tonks questionou-a também porque é que todos os dias enviava uma coruja, se o Ron era passado, a quem é que ela escrevia. Ao ver Hermione reticente, Tonks garantiu lhe que não queria ser intrometida e estava apenas curiosa, pois da sua sala via a aluna passar ali quase todos os dias em direção ao corujal. Hermione pediu segredo e sobretudo que não a julgasse, e sem divulgar o verdadeiro motivo, contou que escrevia a Draco Malfoy em Azkaban. Tonks esbugalhou os olhos e ficou de tal maneira surpreendida que nem conseguiu dizer palavra, e quando falou, mostrou se chocada. No entanto lembrou se que tinha prometido não julgar a jovem amiga, no final e vendo como esta se tinha tornado amiga de Pansy Parkinson, não achou assim tão descabidos os motivos que a tinham levado a escrever. No entanto, deixou lhe um aviso:
— Querida Hermione, sei que tens bom coração, mas há pessoas que não precisam ser salvas, ou o fazem por si próprias ou então não o merecem. Tem cuidado, há pessoas que nunca mudarão.
Hermione aceitou o conselho, disse que não estava a tentar mudar ninguém e queria apenas ajudar, porque até uma pessoa como o Malfoy merecia algum respeito na prisão, pois tinha se informado e as condições que os presos tinham eram sub-humanas e ninguém merece isso. Tonks concordou, mas mais uma vez insistiu que tivesse cuidado e se protegesse. Agradecendo mais uma vez os conselhos e a preocupação, Hermione despediu-se de Tonks, combinando que falariam melhor noutra altura.
A jovem morena estava a andar pela rua, a procura das amigas quando viu Harry e Ron com Ginny e Luna, falando animadamente. Por um instante, Hermione ficou radiante por ver os amigos todos juntos, e olhou inclusive para Ron com saudade genuína, estava a juntar se a eles quando se apercebeu que Pansy não estava ali. Cumprimentou os amigos que não via desde o Natal, e logo de seguida perguntou às amigas por Pansy. As duas raparigas baixaram os olhos, pararam de sorrir e disseram apenas que Pansy já tinha voltado para a escola. Hermione estranhou, mas percebeu tudo, assim que Ron falou.
— Caramba, Hermione, os teus amigos vêm visitar-te e só pensas nessa cobra. Pensei que por esta altura já tivesses percebido que esse tipo de gente não vale nada.
Fez-se silêncio. Harry e Ginny olharam de lado para Ron, Luna embora um pouco ausente mostrou-se chocada com o tom de Ron mas nada disse. Hermione não se conteve e explodiu:
— Mas estás mesmo a falar a sério, Ron Weasley? Ainda não percebeste que a Pansy faz parte da minha vida? Das NOSSAS vidas? Que o passado ficou no passado, e que só podemos evoluir se aceitarmos isso, que as coisas não são tão lineares, que nem tudo no mundo é preto e branco?! Quando é que vais perceber que existe todo um mundo de tonalidades diferentes ? — Hermione lembrou se da primeira conversa que teve com Pansy, que esta lhe fez ver que nem todos os maus eram sempre maus, e nem sempre os bons eram sempre bons.
Ron fungou, continuou a insistir que não entendia aquela amizade, e Hermione já estava a ficar irritada. Mas Ron resolveu dar um passo atrás e dizer lhe que não era sobre a Pansy que queria falar. Aproveitando a deixa, Harry puxou Ginny pra caminharem e chamaram Luna para os seguir.
Hermione não tinha falado mais com Ron desde o Natal, Harry escrevia lhe de tempos a tempos para lhe contar novidades e referia que o amigo tinha saudades dela, mas depois daquela conversa, Hermione achava que não fazia sentido manter contacto que pudesse levar a confusões, pois o tempo que se passou fez-lhe ver que realmente não sentia falta de Ron como namorado e terem terminado tinha sido o melhor, para ambos. Quando o vira ali, ainda ponderou por segundos que seria bom estar de novo com ele. No entanto, as atitudes de Ron acabaram logo com esse pensamento e a conversa que se seguiu foi ainda pior:
— Hermione, acho que já chega de estarmos longe. Este tempo foi suficiente, tenho saudades tuas. Não percebes que juntos estamos melhor e mais fortes? As aulas não tarda acabam, tu tens já um lugar garantido no Ministério, vamos poder ficar juntos. Já imaginaste, eu e tu?! Vamos conquistar aquilo… faz todo o sentido!!
Hermione ficou atónita, de tudo o que o Ron podia dizer, aquilo foi o pior. Ele basicamente acabava de dizer que deviam ficar juntos porque era o melhor, porque ela teria um bom cargo no ministério e era isso o importante para terem uma boa vida. Nem por uma vez, o rapaz mencionara que sentia a sua falta porque gostava dela, que queria estar junto dela porque a amava. Aquilo foi a gota de água que fez o copo transbordar. Hermione virou costas e nem lhe ia responder, mas quando começou a andar, voltou-se para trás e disse lhe apenas que eles os dois já não faziam sentido nenhum, tinham ideias diferentes e objetivos ainda mais diferentes. E naquele momento decidiu:
— Ron, gosto muito de ti como amigo e desejo que sejas muito feliz, mas não será comigo. E trabalhar no Ministério não faz parte dos meus planos.
Quando Ron ia recomeçar a falar, Hermione despediu se e começou a caminhar mais rápido em direção ao castelo. Sentindo-se aliviada com aquela conversa. Sabendo o que não queria, estava mais próxima daquilo que a esperava.
Depois de chegar ao castelo, queria pôr ideias no lugar sem encontrar ninguém. E por isso resolveu dar uma volta antes de se dirigir ao Salão Principal, era quase hora de jantar e queria evitar as perguntas sobre a sua conversa com Ron. Sem pensar foi subindo às torres do corujal, como estaria ausente durante o dia, tinha enviado o seu bilhete diário a Draco bem cedo, e ia ver se a coruja tinha voltado, mesmo que fosse apenas para confirmar que não trazia mensagem nenhuma.
Assim que entrou, viu que a pequena coruja cinzenta que costumava enviar, já estava no seu lugar, ela aproximou-se para lhe fazer uma festa e assim que o fez, reparou que ela tinha um pequeno papel amarrotado e amarrado à sua pata. O seu coração saltou.
Hermione abriu o papel ansiosa. Mas ao ver o que estava escrito, concluiu que o Malfoy não lia as suas mensagens e aquela era a sua maneira de encerrar aquela correspondência unilateral, pois o papel continha apenas as suas palavras dessa manhã : “A saudade pesa, mas o amor fica — e é ele que, aos poucos, transforma a dor em luz. J.” A jovem suspirou, e releu as suas próprias palavras, e foi então que percebeu que no verso estava algo escrito. Apenas uma pergunta rabiscada: Quem és?
Saiu a correr do corujal e dirigiu se ao Salão, era quase hora de jantar, e Pansy já devia estar por lá, tinha muito pra conversar com a amiga. Assim que entrou, viu as três amigas a falarem animadamente, Hermione quase correu e a meio do caminho chamou alto por Pansy. Quando chegou perto, Pansy já tinha começado a falar e a dizer que ela não precisava de se desculpar por Ron, que estava tudo bem e tinha sido ela que tinha preferido voltar sozinha para a escola, que ser amiga dela não queria dizer que tinha de ser amiga do Potter ou do Weasley, brincou ainda que a única Weasley que aceitava era Ginny porque era uma fashionista como ela, e vendo que a amiga não se calava, Hermione tapou-lhe a boca com a mão e pediu que se calasse. Ginny e Luna olharam para ela e ficaram à espera que Hermione começasse a falar, aí ela apercebeu-se que tinha ficado demasiado entusiasmada para contar a novidade a Pansy e não pensou em mais nada, percebeu que não podia falar tudo ali, pois as suas duas amigas mais antigas não sabiam de nada em relação à correspondência com Draco Malfoy. Por isso teve de mudar de assunto na hora:
— Humm desculpa Pansy, não queria mandar calar-te, é só que tomei uma decisão importante hoje e queria partilhar com vocês!! Depois de vocês virem embora (olhou para Ginny e Luna), conversei com o Ron e posso dizer agora que acabámos de vez, foi definitivo, se as coisas estavam mal desta vez ficaram péssimas. Gosto muito do Ron como amigo (apertou a mão de Ginny) mas não dá mais, o que fazia sentido no passado não faz mais agora, seguimos caminhos diferentes e os nossos objetivos mudaram, e os meus não se alinham mais com os dele. Espero que ele consiga entender uma dia, porque hoje acho que ele ficou a odiar-me. E, no seguimento dessa conversa, percebi que não quero nem vou trabalhar no Ministério, Tonks também me falou sobre isso antes e eu já tinha dúvidas, depois desta tarde, fiquei convencida. Não sei o que vou fazer depois deste ano acabar, mas não quero ir para o Ministério da Magia e continuar a ser a Hermione do Trio de Ouro. Quero ser simplesmente a Hermione Jean Granger.
Como supunha, aquilo distraiu as amigas do seu entusiasmo inicial dirigido a Pansy. Ginny disse lhe logo que independentemente de tudo ela seria sempre parte da família, era uma irmã para ela e para o Harry, e compreendia até a separação com Ron, chegou mesmo a referir que nunca tinha entendido como o tinha aguentado tanto tempo pois conhecendo o seu próprio irmão, ela sabia como ele conseguia ser um embirrento teimoso e infantil. Todas riram nesse momento. Pansy perguntou-lhe algumas vezes se tinha a certeza que não queria ir para o Ministério, dizendo lhe que eram pessoas como ela que faziam falta na política e mesmo que não quisesse lidar directamente com essa parte, havia muitos departamentos onde ela poderia trabalhar e fazer a diferença na vida de muitas pessoas, Hermione agradeceu lhe as palavras mas mais uma vez deixou claro que queria fazer algo completamente diferente, só não sabia o quê. As amigas riram.
Estavam já a terminar a sobremesa quando, quando Luna falou, desde que Neville partira, a loirinha andava mais calada e reservada, no entanto sempre observadora e atenta.
— Mione (chamou-a de forma carinhosa), o Ron é apenas desajeitado e nem sempre sabe como se exprimir, mas que se estiveres atenta aos detalhes, ele continua a gostar muito de ti. Vi o seu olhar quando apareceste na rua, em Hogsmead, e todo ele brilhava quando te viu. Às vezes isso é suficiente, não? — ficou pensativa novamente; quando Hermione ia responder, ela continuou — e trabalhar no Ministério da Magia não deve ser mau, como disse a Pansy, pensa em todas as pessoas que poderás ajudar. Também é suficiente, certo? — parou novamente e continuou a comer o seu pudim, e mais uma vez quando Hermione lhe ia responder, a loira interrompeu-a perguntando — E o que tinhas de tão urgente para dizer à Pansy? Quando chegaste chamaste por ela e parecias entusiasmada.
Por momentos, Hermione questionou-se se Luna seria assim tão lunática quanto eles por vezes pensavam, desde que a conheceram. Se calhar era a pessoa mais atenta e realista de todos, e sempre sincera. A jovem morena teve de pensar em algo para distrair mais uma vez as amigas do seu entusiasmo, pois percebeu que a Ginny também estava com ar inquisitivo.
— Luna, desculpa, não tenho sido boa amiga. Falo por todas, agora, nem sempre temos estado presentes para te apoiar agora que o Neville está tão longe. O que vocês têm é raro e lindo, infelizmente nem todas as relações são assim, e eu quero algo mais do que suficiente, seja numa relação amorosa, seja profissionalmente, quero mais. Não que me ache superior, mas não quero apenas o que é suficiente, se não for inteiro e arrebatador, não me serve mais. Não sei se me entendes, nem sei se o que digo faz sentido. Mas tenho a vida toda para descobrir. — tentava disfarçar e não referir que queria falar sozinha com Pansy sobre um assunto que era segredo.
— Eu e o Neville concordámos que devíamos terminar. Ele não sabe quando volta e eu não o queria pressionar, falamos recorrentemente, ele adora o Brasil e sobretudo a Amazónia, envia me desenhos lindíssimos das plantas que descobre com o Rui Paula, é o nome do chefe dele. Ele está felicíssimo e eu estou feliz por ele. E sim, entendo, Mione, suficiente é sempre pouco quando se quer o mundo. Mas somos todos diferentes. — e concluiu sorrindo e comendo o seu pudim como se nada tivesse acontecido, o pragmatismo dela mais uma vez deixou as outras 3 de queixo caído. Afinal, foi a loirinha que fez que todas esquecessem o motivo inicial da conversa, Hermione agradeceu mentalmente.
Enquanto aluna continuava a comer como se nada fosse, as 3 amigas não tiravam os olhos dela, Ginny tinha lágrimas nos olhos, não conseguia acreditar que os dois melhores amigos dela tinham acabado o relacionamento e ela estava tão absorta na sua relação com o Harry que nem se tinha apercebido. As três entreolharam-se, encolhendo os ombros e abanando a cabeça, falando em silêncio que nenhuma sabia de nada.
Começaram a questionar Luna, quando tinha acontecido, porque não tinha dito nada, se estava mesmo bem. E a mais jovem das quatro mais uma vez surpreendeu-as com a atitude adulta, disse apenas que entre uma carta e outra falaram que o melhor para os dois seria seguir o seu próprio caminho, talvez um dia se encontrassem de novo, mas por agora não podiam ser um peso um para o outro. O amor que os uniu, também os separou, pois o amor é querer que o outro esteja bem acima de tudo. No fundo nada tinha mudado realmente, ambos continuavam a amar-se mas de outra forma, mais distante. Enquanto que Hermione, Ginny e Pansy estavam comovidas e quase a chorar com as palavras de Luna, esta apenas sorria, garantindo que tudo estava bem e piscando o olho a Hermione, terminou dizendo que ela também não achava suficiente uma relação a distância. Levantou se da mesa e saiu cantarolando.
Hermione admirou ainda mais Luna, às vezes parecia ter todas as respostas de forma simples. Desta vez, as suas palavras ressoaram ainda mais forte . O que é que era suficiente? E porque não resignar se àquilo que esperavam dela: namorar e casar com Ron, ter uma família, tornar se uma legisladora no ministério da magia, ajudar todas a criaturas deste mundo mágico?! Mas era suficiente para ela? Não é que ela quisesse mais ou até melhor, no entanto queria sentir se completa e realizada por ela, e não pelos outros. Podiam chamá-la egoista, mas queria pensar em si e naquilo que lhe fazia bem, apenas isso, e apenas isso era suficiente para ela.
Enquanto refletia no assunto, viu a Ginny despedir-se e sair da mesa para ir falar com a equipa de Quidditch. Desde que regressara a Hogwarts, Ginny tinha se dedicado ao desporto, tornando-se capitã de equipa e levando a equipa a vencer jogo atrás de jogo, mas era tão rigorosa que os seus colegas de equipa lhe chamavam Severa.
Quando finalmente estava a sós com Pansy, Hermione segredou lhe baixinho: — Ainda tenho mais novidades! Sorriu e viu o olhar da amiga ficar curioso e quase saltar no banco. Para evitar chamar atenção, disse lhe para irem para a sua sala de estudo, onde podiam falar a vontade.
Já na sala, Hermione mostrou o papel amarrotado a Pansy, fazendo questão de mostrar apenas a parte escrita por ela. A reação de Pansy foi expectável:
— Oh mas isto é apenas o teu bilhete? Que é que isto quer dizer? Ele não está a ler e agora vai recusar os bilhetes? É altura de desistir? Não entendo, pensei que isto lhe ia dar motivação pra se aguentar, mas afinal, está pior do que eu esperava. Pobre do meu amigo. Não sei mais o que fazer. — leu novamente o pequeno texto e resolveu meter-se com a amiga — e olha que bem te esmeraste, bilhetinhos românticos, todos os dias… senão soubesse, diria que temos uma paixoneta platónica, né dona Mione??!
A Slytherin já estava a rir, apesar da cara séria que a amiga fazia, quando foi interrompida:
— Pansy, importas te de parar de dizer disparates e olhar em condições para esse papel? Vira-o… diz me se reconheces? — e agora era Hermione quem se ria.
Pansy Parkinson ficou eufórica, eram apenas duas palavras e tinham demorado um mês para as receber, mas afinal ela não se enganara, ali estava na letra rabiscada do amigo a prova da curiosidade de Draco, como ela sabia, tinha sido mais forte. Agora teriam de pensar bem no seguimento que iriam dar àquela mensagem.
Por sua vez, o entusiasmo de Hermione começava a apagar-se. Começou a questionar se.
— Pansy, não posso dizer quem sou, ele iria recusar imediatamente qualquer conversa. Mas se não der uma resposta, também será suspeito. Não sei como podemos resolver isto, começo a pensar que não foi assim tão boa ideia.
— Mas, Hermione, estamos tão perto, não podemos desistir agora. — respondeu-lhe Pansy.
— Ok, já é tarde, acho que é hora de dormir e vou pensar no assunto. Amanhã encontramo-nos aqui depois de almoço, a Ginny tem treino de quidditch e a Luna normalmente vai ver os thestrals. Assim garantimos que não somos interrompidas e podemos falar à vontade. Pensa como vamos descalçar esta bota, pois não me parece simples.
Sairam da sala de estudo e cada uma dirigiu se a sala da sua Casa.
Hermione ainda viu Ginny a falar com colegas, acenou-lhe e dirigiu-se para o dormitório. Pouco depois a ruivinha entrou também, e dirigiu-se a Hermione:
— Mione, está tudo bem contigo? Como disse ao jantar, compreendo porque tu e o meu irmão terminaram, ninguém tem de estar junto só porque se davam bem antes. Se chegou o fim e não tens os mesmos objetivos que ele, até prefiro que o deixes seguir a sua vida, para que ele possa encontrar alguém que queira o mesmo que ele. Mas ao mesmo tempo, não pensei que ficasses tão feliz com isso, afinal vocês passaram por muito e até há pouco tempo, o meu irmão apoiava te em tudo o que querias. — Hermione percebeu a dica, era um facto que Ron a tinha apoiado muito no ano anterior mas não ia ficar ligada a ele apenas porque ele a ajudara, assim como ele não tinha de ficar com ela porque ela o ajudou no passado — Passa-se mais alguma coisa, Mione?! Sabes que já não me importa que sejas amiga da Pansy, mas às vezes tenho ciúmes de ver a minha melhor amiga com segredos com uma amiga tão recente, e eu percebi que querias falar com a Pansy apenas ao jantar.
— Não é nada disso, Ginny! Não penses assim. A minha amizade com a Pansy é diferente, e normalmente as conversas que tenho com ela são assuntos pessoais dela, são de certa forma segredo se ela não quer partilhar e apenas respeito, e ouço os seus desabafos. Não é para teres ciúmes ou dúvidas da nossa amizade. — Hermione ocultou alguns detalhes, ainda não era tempo de partilhar com Ginny sobre as cartas que enviava ao Malfoy. Ser amiga de Pansy era uma coisa, corresponder-se com um ex-Devorador da Morte, era outra. Vendo a amiga mudar de postura, mudou também de assunto — Mas conta-me como foi reencontrar o Harry, vocês ficam radiantes quando estão juntos.
— Ai foi óptimo, depois de virmos de Hogsmead, deixámos a Luna na entrada da escola e ainda fomos para o jardim um pouco, enquanto esperávamos que vocês voltassem para Harry partir com o meu irmão. Não vou entrar em pormenores íntimos, mas o Harry deixa me com uns calores, que me deixa ansiosa por estar mais tempo com ele. — Hermione corou com o comentário da amiga, não estava a contar com isso — Ah Mione, não sejas púdica. Mas pronto, não nos limitámos a isso. Acho que o meu irmão e o Harry tiraram o fim de semana para pensar no futuro, pois o Harry também me perguntou o que pensava fazer e sempre inseguro, perguntou se ele faria parte do meu futuro, pois não via o dele sem mim. Amo-o tanto, Hermione! Como é que ele pode pensar que não o quero na minha vida se é apenas o que quero desde os 10 anos? Mas também lhe disse que pretendo ter a minha vida, e cada vez mais sei o que quero fazer. Jogar quidditch!! Para além de Harry, é o que mais me faz feliz. Por isso tenho treinado tanto, eu preciso disto. Falei com a Professora Mcgonagall e ela falou com o treinador das Holyhead Harpies para vir assistir ao último jogo do ano, espero que repare em mim. É o meu sonho.
—Já tinha percebido que o quidditch era o que mais gostavas. Tenho a certeza que te aguarda um futuro brilhante como jogadora. E o que disse o Harry sobre isso?
— O Harry apoiou me a 100%, disse que também viria ao jogo. Quer estar presente quando eu receber a notícia, por que ele tem a certeza que me vai escolher e em pouco tempo vou estar na equipa principal. Tem mais confiança em mim, que eu própria. E concordámos que vamos esperar para criar a nossa pequena família, somos muito jovens e temos tempo. Primeiro, vamos aproveitar a vida e apostar nas nossas carreiras, depois logo se verá. — piscou o olho a Hermione, e sorriu sonhadora.
— Fico feliz por vocês, acredita que também gostava de ter isso com o Ron, e tentei forçar me a isso, pois até há pouco tempo era o meu sonho. Tudo estava orientado para isso, mas a vida muda em instantes, e a minha mudou muito. O teu irmão não conseguiu perceber isso, tenho pena, mas é o melhor. Espero que um dia, possamos ser amigos de novo como sempre fomos. Mas deixemos assuntos tristes. — sorriu-lhe de forma velada, e continuou- Agora só uma questão, quem vai ser a madrinha do teu casamento?!
— Isso nem é questão, ou melhor vai ser uma disputa entre mim e o Harry, mas madrinha vais ser de certeza! — a ruiva riu com vontade.
Já era tarde mas as duas continuaram a falar do futuro, do que queriam, do que fariam ou não, como seria o casamento, quantos filhos teriam. Há muito tempo que não tinham uma conversa daquelas, talvez desde os tempos em que Hermione passava as férias na Toca e falavam de tudo e de nada. Era bom ter amigas assim.
No dia seguinte, acabaram por dormir um pouco mais, era domingo e não havendo aulas nem planos para essa manhã, ambas ficaram na cama até mais tarde, faltando inclusive ao pequeno-almoço.
Depois de se arranjarem, Hermione e Ginny desceram para se juntar a Luna e Pansy no Salão Principal. Já era hora de almoço, as duas tinham perdido a noção das horas. Encontraram Pansy à porta, sozinha, quando as viu começou a bater com a ponta do pé no chão e apontava para o relógio chique que tinha no pulso, impaciente:
— Mas onde é que vocês estavam, nem apareceram para o pequeno-almoço, nem sinal de vocês depois. Que aconteceu?
— Calma, Pansy.. relaxa! Devias ter feito o mesmo que nós — disse-lhe Ginny, passando o braço pelos ombros da outra jovem — perdemos a hora na conversa e depois perdemos a hora de acordar, sabe bem de vez em quando, devias experimentar! Sabe tão bem ficar na cama.. — a ruiva ria-se.
— Por favor, que desperdício de tempo — respondeu lhe Pansy. — o tempo está magnífico, já fui correr à volta do lago, tomei um duche revitalizante, comi um bom pequeno almoço e já adiantei os trabalhos da semana. Enquanto isso, vocês dormiam, que bem.. — suspirou, revirando os olhos.
Hermione e Ginny desataram à gargalhada, e disseram ao mesmo tempo:
— Menos, Pansy…
— É domingo, e fiquei cansada só de te ouvir! Soube-me imensamente bem dormir até tarde, e ficar na ronha sem sair da cama. Às vezes também é preciso. — terminou Hermione.
— Quem és tu e o que fizeste à Granger?! — comentou Pansy a rir-se da amiga.
— Uma nova Hermione… — piscou o olho de volta e riu-se também.
Como o tempo ia passando e Luna não chegava, perguntou a Pansy se a tinha visto. Esta explicou que a loirinha tinha tomado o pequeno-almoço e disse que tinha coisas para fazer, e saiu sem mais explicações. Pansy também não ousou fazer mais perguntas.
— Bom, então assim sendo, vamos almoçar, estou a morrer de fome.. preciso comer bem antes do treino — rematou Ginny, agarrando se a barriga para enfatizar que tinha mesmo muita fome .
Na hora das refeições, Ginny parecia se cada vez mais com o irmão, comia imenso e muito rápido. Sorte genética, acompanhada de treinos intensivos, faziam com que a pequena ruiva mantivesse a forma, e estivesse sempre elegante.
Em pouco tempo, Ginny já tinha comido e já estava de saída para se juntar aos colegas de equipa no campo de quidditch para o treino semanal.
Hermione e Pansy acabaram de almoçar tranquilamente, e como tinham combinado no dia anterior, foram refugiar-se na sala de Hermione.
— E então? Já que dormiste tanto e tiveste tanto tempo disponível na cama, pensaste em alguma coisa? O que é que vamos responder ao Draco? — Pansy utilizou um tom irónico.
— Por acaso pensei… — riu-se Hermione em resposta. Mas calou-se e deixou a outra a olhar pra ela cada vez mais ansiosa. — Estás preparada?!
— Anda lá, Hermione, vamos despachar o assunto.
— Não só pensei, como já escrevi o bilhete que vou enviar hoje. Não é pra me gabar, mas acho que me saiu muito bem. — ela sorria enquanto falava — Dá-me a tua opinião…
Hermione entregou um papel a Pansy, onde já tinha escrito um novo poema com letra bonita, e deu-lhe tempo para ler.
— E??? Que tal? O que achas? — Hermione disparava questões, queria saber a opinião da outra.
— Wow — começou por dizer Pansy — Está genial, acho que vai ficar de tal maneira irritado por não ter uma resposta concreta que vai responder novamente. Está óptimo. — a slytherin olhava até orgulhosa para a amiga, tinha sido muito bem pensado da parte dela.
O que Pansy não sabia, é que Hermione tinha acordado cedo, ao contrário do que tinha contado. Aliás, mal tinha dormido, pois assim que a Ginny se foi deitar, ela também o fez mas os seus pensamentos começaram a divagar. Num só dia, a sua vida tinha mudado novamente.
A relação com Ron que terminara de vez sem qualquer tipo de retorno, porque tinha descoberto uma faceta do amigo que não lhe agradou de todo, logo a seguir percebeu que não queria um trabalho rotineiro no Ministério, o que fazia que não tivesse um objetivo profissional, não sabia o que iria fazer quando as aulas acabassem. E o bilhete curioso de Draco. A verdade é que se habituou a escrever ao rapaz, todos os dias lhe enviava qualquer coisa, e finalmente ter uma resposta tinha-a deixado entusiasmada, mais do que era suposto, e tanto que estes pensamentos se sobrepunham a todos os outros. Foi por isso que se levantou de madrugada, foi um pouco para a sala e do nada, veio uma ideia para lhe responder. Agarrou rapidamente num papel e numa pena, e escreveu tudo de uma vez.
Estava pronto a ser enviado, ia só mostrar a Pansy e estava feito.
Assim, que a amiga deu o seu aval, dirigiram se as duas de novo ao corujal e enviaram a mesma coruja de sempre.
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