O ar daquela madrugada fria em Arboria estava denso. As folhas escuras da vegetaçao cobriam o grupo que avançava
com suas armaduras de couro adentrando a floresta, caminhando em direçao ao posto avançado ao qual fariam uma
ultima vistoria.
O jovem escudeiro Christian já estava algo cansado daquela viagem, mas parecia algo satisfeito pela magnitude da operaçao e pelo fato dela ja estar quase no fim.
Entao o Principe Ronald deu o sinal:
– Prendam seus cavalos aqui, o posto avançado está logo adiante — deu uma pausa — Com sorte encontraremos o Sir Saristan e ele nos convidará para tomar um pouco de hidromel.
Gerrard, o ferreiro passou ao lado de Christian, o escudeiro e o deu um tapinha no ombro: "Tudo vai ficar bem, pode ficar tranquilo".
Princípe Ronald se postrou entao adiante dos dois:
– Está é a nossa ultima missao, nossa ultima patrulha! Finalmente depois de tantos anos de serviço o Guarda
de Arboria irá se retirar! Poderemos voltar para nossa casa como herois e cuidar agora de nossas casas, reinos e cidades, sem estar leguas distante de nossas familias, uma ultima saudaçao ao Guarda de Arboria!
Entao o trio se junto e entoou canto:
"Da costa fria que se encontra ao sudeste,
Os densos bosques de nosso senhor,
Das intemperes com nossa espada livraremos,
Dos inimigos da coroa, saqueadores e usurpadores,
Das bestas verdes que se escondem na selva,
Com esta espada perante os quatro Sazonais
Todo o mal combaterei na bela terra de Arboria"
– Já fazem vinte anos que entrei na Guarda de Arboria — disse Gerrard o Ferreiro — Lembro que foi por causa do dinheiro...
estava ficando cada vez mais dificil viver em Burbonia... E também tinha minha mulher, eu nao suportava mais ela. Vim
aqui e encontrei as melhores pessoas que poderia haver encontrado, obrigado rapazes.
O Principe Ronald bagunçou os cabelos do ferreiro.
– Já faz sim muito tempo. Desde a época em que eu realmente era um príncipe...
Ronald era o principe de uma pequeno reino do leste, cujas terras haviam sido destruidas por hordas, quando a terra foi retomada após uma missao do falecido Rei Norman de Grimoria, seu irmao conseguiu a posse de todas as terras, e Ronald, com um princípe destituido e sem nenhum bem de grande valor, se uniu à Guarda Arboriana

– Sim... Parece que foi ontem que eu entrei aqui...

Gerrard entao se antecipou:
– É porque você entrou a quatro anos!
Todos riram entao e Christian ficou encabulado.
– De qualquer maneira o que importa é que estamos aqui, na ultima missao da Guarda de Arboria! Vamos seguir entao, o que estao esperando?
Entao deixaram os cavalos presos a uma arvore e entraram pela trilha indicada por uma plaquinha como:
"Posto Avançado: Selva de Frostina"
Andaram por aproximadamente nove minutos até que encontraram a segunda placa.
– Pelo Senhor do Céu! — disse Gerrard
Ronald vomitou sobre a manga de seu uniforme.
– Isso nao pode estar certo... Nao... Como é possível? — dizia o Príncipe Ronald.
Gerrard o fitava perplexo.
– Essa regiao era supostamente segura! Já ouveram varias outras patrulhas alem da nossa! Fora as patrulhas rotineiras dos soldados do posto avançado!
– Senhor os hobgoblins...
O Principe Ronald parou por um instante e depois se virou em direçao a Gerrard:
"Os hobgoblins... Nao existem mais", disse quase sussurrando.
Christian permanecia distante de tudo, com uma expressao palida, fitando o cadaver humano que jazia pendurado com
as entranhas à vista.
"Apenas os hobgoblins seriam capazes de tamanha crueldade e brutalidade", disse Gerrard para Ronald.
"Os hobgoblins n--", dizia Ronald, mas entao se arrependeu.
– Você nao percebe, Ron? Sao eles o que mais poderia ser...?
– Os selvagens, os rebeldes... O califato de Arevulpin? — perguntou Ronald — É claro que sim, poderiam ser os selvagens
porque nao? Eles atuavam por estas áreas e há indicios mais recentes deles do que de hobgoblins? Claro que sim.
Sao os selvagens.
O grupo parecia perdido, entao alguem tomou a inciativa.
– Entao, sigamos. O que há que fazer aqui? — perguntou Gerrard
Naquela momento gotas de chuva começaram a cair na Floresta temperada de Frostina.
– NAO! — disse Christian de subito — Nao... Vocês viram o que fizeram com esse homem? Ele era provavelmente um dos nossos se há um desses aqui deve haver mais... Os selvagens, os hobgoblins, o povo do deserto... Que diferença faz tudo isso? Eles nos vao trucidar...
– Voce é um guerreiro! É o que somos, Christian, devemos lutar independente do quao grande é o desafio! — bradou
Gerrard e entao disse: — Capitao, me disponho a ir na frente e bater o terreno, independente do que nos espere adiante!
O Principe Ronald fez silêncio por um instante:
– Tem a permissao Gerrard. Que o Senhor dos Ceus proteja sua alma, bravo guerreiro.
Entao os dois se abraçaram e uma lagrima escorreu o rosto do Príncipe.
– Se eu nao voltar em vinte minutos podem vir por mim. Mas como eu vou voltar isso nao vai ser necessário.
E entao Gerrard, o Ferreiro se foi pelo caminho. Atras dele repousava o homem morto que indicava posto avançado,

Passaram os segundos e entao os minutos, a apreensao tomava conta mas uma parte fazia pensar que Gerrard voltaria logo. A chuva continuava caindo em Frostina e comentarios soltos nao conseguiam aliviar a tensao que
se gerara no local.
– Você sabe o que é um hobgoblin? — perguntou Ron para Christian.
– Como assim? Eu conheço dos contos populares... A bela donzela, o cavaleiro e o hobgoblin...
– Sim, mas você já viu um, sabe como é?
Christian pensou um pouco e entao respondeu: "Sao verdes e... tem presas, eu acho... era como estava na ilustraçao
do livro".
– Um hobgoblin comum tem a força de de dois homens adultos. Sua sociedade é baseada na guerra, e é extremamente plutocratica. O líder sempre é o melhor guerreiro. Para ascender socialmente você deve lutar, nao há outra maneira.
Christian parou para pensar por um tempo e entao disse: "Entendo".
– Os hobgoblins tem sido o maior inimigo da raça humana desde o inicio dos tempos. Você entende a dificuldade de lutar contra um povo cujos parametros estejam centrados na guerra? — o Príncipe olhou para Christian e entao disse:
"Nós ganhamos dele por nossa inteligência, é isso o que faz a raça humana ser o que é, e é algo que nenhum
povo ou raça vai tirar de nós".
Um calafrio percorreu a espinha de Christian.
– Acho que já devemos ir
Disse o Príncipe Ronald.
Entao eles seguiram pela estrada naquela manha umida, atentos a qualquer possível ataque ou emboscada.
As pegadas de Gerrard ainda estavam aparentes, apesar da chuva. Eles passaram o caminho olhando-as.
– Você vai ver, Christian. Vamos chegar-la, e encontrar o Gerrard, aproveitar e tomar cerveja junto com ele...
As palavras de Ronald foram cortadas pela imagem de dois outros corpos humanos pendurados dos dois lados da estrada.
– Isso é extremamente desagradavel — disse Christian meio enjoado.
Ronald entao desprendeu ambos e os colocou a um lado no piso.
"Que seu corpo seja consumido pela Terra e que suas almas encontrem o descanso eterno no reino dos céus"
Disse o Príncipe Ronald abençoando os corpos.
– Sigamos — disse o Príncipe — E você tem que aprender a criar estomago para essas coisas, rapaz, talvez
encontremos mais.
– Certo, Senhor!
Ambos continuaram pelo caminho que se tornara um tanto lamacento, encontraram mais dois cadavares até chegar à entrada, aonde se esconderam atrás de arbustos para ocultar a presença.
– É ali — disse Ronald olhando para uma enorme clareira com um quartel no centro.
Algo naquele lugar parecia dizer que Gerrard, o ferreiro nao estava tomando uns bons goles de hidromel com os companheiros do posto avançado.
"Você já sabe, Christian, eu te ensinei, como entrar e sem nunca baixar a guarda", disse o príncipe.
E entao ambos saltaram dos arbustos atentos para ameaças de todos os lados. Como nada ocorria se aproximavam do Posto Avançado.
Com a guarda sempre em alta, Christian e Ronald se encontravam à frente do posto e entao tropeçaram em algo:
"Merda" disse em voz baixa Ronald, ao ver que haviam tropeçado no corpo sem vida de Gerrard.
Christian conteve qualquer reaçao e continuou com a espada em maos.
"Vamos morrer", ele pensou, "É claro que vamos".
"Vamos entrar ao posto... rapido!", sussurou Ronald.
Christian se virou um pouco em direçao à porta, já sabendo que o observavam e Ronald ia colocar a mao para abrir a porta, quando se ouviu um zumbido e um flecha nao atingiu por centimetros sua mao.
Para Christian, podia se tratar apenas de uma flecha comum, mas Ronald sabia que era uma frecha brutal, fabricada pelos hobgoblins.
Ambos viraram bruscamente e Ronald manteve um olhar feroz em direçao à vegetaçao.
"Vamos avançar, Christian"
Entao ambos andaram em frente, até chegar um ponto em que pararam, com as espadas em maos.
Fizeram silêncio e com o passar do segundos começaram a surgir as criaturas dos arredores, hobgoblins.
Christian tremia de medo nunca os havia visto na vida, tinham a pele esverdiada, corpo robusto, presas, um olhar recheado de ira, alguns carregavam capacetes de latao, ou capacetes com chifres, as descriçoes pareciam
estar corretas mas era completamente diferente ter um em sua frente,
E entao eles estavam completamente cercados, Christian suava frio. O Príncipe Ronald mantinha a postura de batalha intacta.
"O QUE TEMOS AQUI? DOIS HUMANOS MISERAVEIS... COMO OUSAM INVADIR NOSSAS TERRAS?",
Disse aquele que parecia ser o Senhor Hobgoblin falando a língua comum dos humanos.
"Nao viemos invadir suas terras parece que é o contrario que aconteceu... e vocês mataram nossos homens!",
Disse o Príncipe Ronald com algo de ódio.
"GRNPF... ENTAO TEM A OUSADIA DE DIZER QUE ESTAS TERRAS SAO SUAS?",
Disse o Senhor Hobgoblin.
Naquele momento, Ronald notou algo muito errado, haviam duas bandeiras que podiam se encontram carregadas
entre a multidao orc. Uma, totalmente negra, a nao ser pelo desenho de um machado de batalha, a outra,
uma simples bandeira vermelha com o desenho do rosto de de um hobgoblin nela. Aquilo significava muita
coisa. A primeira bandeira, era a dos Machados da Destruiçao e a segunda pertencia aos Bandeiras Vermelhas.
As duas tribos, haviam sido opostas, desde o tempo que precede a construçao da Cidade Antiga de Archenor, e tambem, as maiores
e mais significativas, unidas.
– Sim, os bosques de Arboria estao sob cuidade do Guardioes, para protege-los de pragas como vocês!
Entao o senhor orc acertou um soco bem no queixo de Ronald, que serviu para levá-lo ao chao e deslocar seu maxilar.
"VOCÊS HUMANOS NAO TEM IDEIA DO QUE ESTA POR VIR, GRMPF... SUAS CIDADES SERAO TOMADAS... EM CHAMAS, SEUS REIS CAÍRAO..."
Christian escutava perplexo a explicaçao.
O Senhor Hobgoblin puxou entao Ronald do chao e disse:
"A RAÇA HUMANA IRÁ CAIR", e entao o soltou.
"PEGUEM O KRUNIN (jovem) E DIGAM O PARA ENVIAR AS NOTICIAS A SEUS REIS", brandiu o Senhor Orc.
E entao se virou a Christian: "DIGA QUE O TEMPO DE REIS ESTÁ ACABANDO. DIGA QUE UM EXERCITO SE
APROXIMA, DIGA QUE MARCHAREMOS SOBRE SUAS CIDADES E QUEIMAREMOS SEUS SUNTUOSOS
SALOES E QUE A RAÇA HUMANA É NOSSA INIMIGA, E DEVE CAIR"
Entao o Senhor Hobgoblin se dirigiu a seus subordinados: "ESCORTEM-NO ATÉ A PARTE DE FORA DA FLORESTA,
TEMBEM DEEM UM PURO SANGUE PARA QUE ELE MONTE, MOEDAS DE COBRE, PAO E VINHO, QUE NINGUEM
DIGA QUE FOMOS DESCORTESES".
"ESPERO QUE CUMPRA COM O ACORDO...GRMPF E ENTREGUE A MENSAGEM" Disse olhando para Christian.
E entao dois hobgoblins o escoltaram em direçao à saida da clareira e Christian olhou com tristeza para Ronald.
O Príncipe sabia que a missao havia falhado. Sabia também que era verdade, podia sentir, os hobgoblins machavam
em direçao a Arcadia. Mas no final de tudo ele sabia que a missao nao havia falhado: Christian voltaria e entregaria
o resultado. Para que entao o rei pudesse enviar tropas e acabar com a ameaça dos hobgoblins.
E entao, dois hobgoblins o seguraram pelo ombro e cortaram seu pescoço.