As Crianças Do Tempo

3 Capítulo 3 - Um Estranho no Ninho.


Notas iniciais
No capítulo anterior, Ghe e o Doutor acabam sendo transformados graças à contratempos. Agora, eles terão que resolver isso do jeito difícil.

– Espelho! – Gritou o Doutor. – Alguém me deu um espelho!

– Não tem espelho aqui! – Gritou Rodrigo, desesperado.

– Argh, mais de 1000 anos viajando pelo espaço-tempo e não consigo saber o que tem e o que não tem na minha própria TARDIS! – Ralhava o Doutor, puxando os cabelos. – Já sei! – Disse ele, correndo para o console e olhando para seu reflexo no tubo.

– Oh, isso é ruim. – Murmurou ele.

– O que? – Perguntou Moe. – Você está feio. Qual é a novidade?

– A “novidade” é que, por algum motivo, eu voltei à ser minha oitava encarnação! – Explicou o Doutor.

– Doutor... – Murmurou Ghe, olhando-se no tubo do console. – E-eu voltei à ser o Mestre... achei que isso fosse impossível! Todos aqueles pensamentos malignos, Doutor... eles estão voltando pra mim!

– CONTROLE-SE, GHE! – Disse o Doutor, dando um tapa na cara do mesmo.

– Aw! – Gritou Ghe. – Tá bom.

– Clock, pegue meu paletó. – Ordenou o Doutor.

– Você estava com seu paletó quando se... degenerou. – Respondeu Clock.

– Eu tenho dois desses. – Explicou o Doutor.

– Por que você tem dois paletós?! – Perguntou Clock.

– Isso não é relevante, só vá! Primeiro corredor, terceira sala à esquerda. – Explicou o Doutor.

Clock seguiu os comandos e, alguns segundos depois, voltou com o paletó.

– Não acho que isso vá caber em você. – Disse Clock. – Você aumentou bastante.

– Não quero vesti-lo. – Disse o Doutor, fuçando os bolsos do paletó. – Aha! Achei. – Falou, tirando um pequeno embrulho de papel do bolso, abrindo e estendendo a mão para Ghe.

– Aqui. – Disse o Doutor. – Pegue um Jelly Baby.

Ghe o fez.

– É bom pra acalmar os nervos e manter o pensamento ruim longe. – Disse Ghe, comendo. – Consegue até disfarçar o maldito som de tambores que aparece toda vez que viro o Mestre.

– Fique com o pacote. – Disse o Doutor, entregando-o. – Agora preciso descobrir o por que de estarmos assim...

– Acho que já sei! – Disse Ghe. – A Última Grande Guerra do Tempo é um ponto fixo no tempo, e nós acabamos de re-selar esse ponto, destruindo essa brecha que deixava o acesso à guerra aberta. Porém, quando fizemos isso, nós também fomos selados na guerra, o que fez com que nossos corpos degenerassem pro estado em que eles estavam durante a guerra! Por isso voltamos ao estado humanoide!

– Brilhante! – Exclamou o Doutor. – Mas muito errado. Se eu morrer com esse corpo e me regenerar, eu estaria alterando todo o curso temporal das minhas nonas, décimas, décimas primeiras e décimas segundas regenerações, e você, o mesmo, Ghe! Se você morrer e se regenerar de um outro jeito, o Ghe nunca teria existido, e você voltaria à ser eternamente o Mestre!

– Oh... – Disse Ghe, deixando um Jelly Baby cair da boca. – Isso é ruim. Muito ruim.

– Escute, enquanto estivermos nesses corpos, evite ao máximo ficar longe de qualquer objeto ou pessoa que possa causar dano! Agora, precisamos voltar para as formas pinguins... – Murmurou o Doutor.

– Oh, Doutor... eu tive uma ideia. – Disse Ghe. – Lembra que você mencionou um amigo que você encontrou numa viagem com a River, que ajudou ela à curar alguns problemas regenerativos?

– JIM, O PEIXE! – Exclamou o Doutor. – Ghe, mesmo sendo um Senhor do Tempo genocida que quase me matou, assim como a população terráquea, algumas vezes, você é a pessoa mais brilhante que já conheci.

Saltitando, o Doutor remexeu os controles da TARDIS.

– Quem é Jim, o peixe, Doutor? – Perguntou Rodrigo, com uma certa estranheza.

– Um velho amigo meu. É uma espécie de peixe kalamari de um metro e quarenta, falante, que consegue alterar o sistema regenerativo dos Senhores do Tempo à partir de uma máquina que ele inventou! – Explicou o Doutor, puxando uma alavanca.

– Um peixe gigante falante? Que esquisito. – Murmurou Clock.

– Ah, é. Diz o pinguim verde falante relojoeiro. – Disse o Doutor, entre gargalhadas, enquanto a TARDIS começava à balançar.

Após alguns segundos de balanço, ela parou.

– Chegamos. – Anunciou o Doutor, caminhando até à porta da TARDIS.

Eles estavam num grande laboratório, onde, mexendo numa máquina, estava Jim, o peixe.

– Dr. James Kalamari H. Ryan. – Disse o Doutor.

– Não conheço você. – Murmurou Jim, virando-se. – Mas ao julgar pela caixa, deve ser o Doutor em um corpo novo.

– Corpo velho. Eu e meu amigo aqui. – Disse, indicando Ghe. – Precisamos de sua ajuda.

– Oh, tudo bem. A máquina ainda está fresca. – Disse Jim.

– Fresca? – Indagou Azul.

– Sim. – Disse o Doutor. – Trouxe a gente pra dois segundos depois de eu e a River termos ido embora daqui.

– Exato. – Disse Jim. – Entrem. – Falou, indicando duas cápsulas.

O Doutor e Ghe entraram nas cápsulas. Jim foi para um grande painel, onde diversas imagens foram passando.

– Caramba, vocês já tiveram tantas regenerações... qual delas querem virar? – Perguntou o peixe.

– Seleciona as que parecem pinguins. – Instruiu o Doutor.

– Feito. – Disse Jim. – Mas, Doutor... A River sobrecarregou toda a máquina. Tem uma grande probabilidade de dar errado.

– Ative o Gerador de Improbabilidade Infinita. Não podemos ficar assim. – Falou o Doutor.

– O Gerador de Improbabilidade Infinita? – Repetiu o Peixe. – Mas, Doutor, você sabe quais podem ser as consequ-

– Apenas faça. – Sibilou o Doutor.

Jim, calado, mexeu em alguns botões.

– Boa sorte. – Disse Jim. – Cruzem os dedos. – Falou para Rodrigo, Clock e Moe.

– Não temos dedos. – Disse Moe. – Somos dois pinguins e um puffle.

– Quanto pessimismo. – Murmurou o Peixe, puxando uma alavanca.

De repente, raios correram e iluminaram as cápsulas. Ghe e o Doutor gritavam, dando à parecer que ambos estavam sendo eletricutados.

– AAAAAAAALONSSSSSSSSS....YYYYYYYYYYYAAAAAAAAAAAW! – Gritava o Doutor, mutando-se grotescamente de sua forma humanoide para a forma pinguim.

– O MESTRE NÃO PODE MORRER! – Gritava Ghe. – EEEEEU NÃO QUERO IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIR. – Berrava, mutando-se de volta para a forma pinguim.

– OH, NÃO, NÃO, NÃO! – Gritou Jim. – A máquina está sobrecarregando.

– DESLIGUE, RÁÁÁÁÁÁÁPIDO. – Gritou o Doutor, levando um choque.

– O BOTÃO EMPERROU! – Berrou o Peixe, desesperado. – VAI EXPLODIR!

– ISSO NÃO PODE ATINGIR A TARDIS! – Gritou Ghe. – AS CONSEQUÊNCIAS SERIAM CATASTRÓFIC-

De repente, o laboratório de Jim, o Peixe, explodiu, num clarão.


1 de julho de 2011. Universo: Terra Prime, o universo dos quadrinhos da DC Comics.


Planeta Korugar.

Ghe e o Doutor, já regenerados totalmente em suas formas pinguinóides, acordam no meio de um chão pedregoso.

Clock, Rodrigo e Moe acordam em seguida.

– O-onde está Jim? – Murmurou o Doutor.

– Você deveria dar uma olhada nisso... – Disse Azul, indicando um peixe frito fumegando ao lado.

Um segundo de silêncio.

– Pobre Jim. – Lamentou o Doutor.

Moe deu uma mordida no peixe frito.

– Pobre – e delicioso – Jim. – Acrescentou Moe.

– Isso é cruel, cara. – Disse Rodrigo.

– E daí? Você também comia peixes no Club Penguin. – Retrucou Moe.

– Não era a mesma coisa... – Murmurou Rodrigo.

– Shhhhh! – Sussurrou o Doutor. – Precisamos descobrir que lugar é esse.

– Doutor... – Murmurou Clock.

– Depois, Clock. – Disse o Doutor, acariciando a TARDIS, que estava caída de lado e com a porta aberta, com uma fumaça saindo de dentro. – A fumaça deve estar muito letal para eu ir lá dentro e checar as coordenadas que estavam programadas.

– Mas, Doutor... – Insistiu Clock.

– Caramba, Clock. – Ralhou o Doutor, tirando sua chave de fenda sônica do bolso e apertando o botão. – O sinal está fraco... – E, com um estalo, a luz da ponta apagou.

– Doutor... – Continuou Clock, olhando pra cima.

– Queimou! Minha Chave de Fenda Sônica. – Disse o Doutor, incrédulo. – Eu amo minha chave de fenda sônica...

– DOUTOR! – Gritou Clock.

– FALA, CLOCK! – Gritou o Doutor, de volta, fitando-o com o olhar e jogando a chave de fenda sônica no chão.

– Você, em mais de 1000 anos viajando pelo tempo e espaço, já viu o céu de algum planeta ser coberto por uma bolha amarela? – Perguntou Clock.

– Já vi transparente e laranja, mas amarela não. – Respondeu o Doutor. – Mas o que isso condiz com o caso?

– Olhe para o céu. – Respondeu Clock.

Todos olharam para o céu e viram a bolha amarela que o cobria.

– Oh... murmurou o Doutor.

– Isso me lembra uma certa história em quadrinhos que li uma vez... – Murmurou Ghe.

- Realmente, isso não me é familiar... — Murmurou Azul.

– Ninguém mais reparou nos barulhos? – Perguntou Rodrigo.

Só ai que eles pararam pra notar os barulhos de tiros, gritos e explosões que aconteciam.

– De onde isso está vindo? – Perguntou Moe.

– Provavelmente, naquele tumulto mais longe ali. – Indicou Ghe, com a cabeça, para um certo movimento que acontecia alguns quilômetros mais longe.

– Droga, por que eu nunca noto esses detalhes de primeira? – Indagou o Doutor.

De repente, algemas amarelas surgiram prendendo os pés de Ghe, Doutor, Clock e Rodrigo, e uma gaiola amarela surgiu em volta de Moe. Todos foram postos à flutuar alguns centímetros sobre o chão, de cabeça para baixo.

Uma silhueta, de longe, foi surgindo. Flutuando, ela ia chegando mais perto e descendo do ar enquanto falava:

– No dia mais sombrio...
Na noite mais brilhante...
Sinta seus medos se tornarem uma luz cortante.
Todo aquele que o correto tentar barrar...


E, de repente, um Ghe, que utilizava uniforme, máscara e anel amarelos, desceu completamente no chão.


– Arderá em chamas quando o poder de Sinestro enfrentar! – Disse o Ghe Amarelo, seu anel reluzindo.

Notas finais
Referências usadas no texto:
- Jim, o peixe, é um personagem realmente mencionado por River Song e o Doutor na 6ª temporada de Doctor Who. (Série Nova)O episódio em questão é "The Impossible Astrounaut".
- Jim é um "Peixe Kalamari", uma referência à raça alienígena Mon Kalamari, de Star Wars. (É a raça do Almirante Ackbar)
- O Gerador de Improbabilidade Infinita é uma referência ao Guia do Mochileiro das Galáxias. A Coração de Ouro, nave de Zaphod Beeblebrox, utiliza o mesmo nome.
- O Universo Terra Prime, o planeta Korugar e o Ghe transformado e um agente amarelo são referências ao universo da DC Comics e seus Lanternas Verdes / Amarelos.
- A cena onde o Doutor lamenta a inutilização de sua chave de fenda sônica é uma referência ao episódio "Smith and Jones", da 3ª temporada, onde uma cena bem semelhante acontece.
- O título do capítulo é uma referência ao filme de mesmo nome, estrelado por Jack Nicholson.