As Crianças Do Tempo
1 Capítulo 1 - Adivinha quem voltou.
Notas iniciais
23 de Novembro de 2013. Ilha Club Penguin, 23:09. O Planeta.
Um ser vivo estava entediado. Aparentemente, um pinguim. Porém, aquele não era um pinguim comum. Era um Senhor do Tempo, membro de uma antiga e poderosa raça do planeta Gallifrey. Em geral, eram humanoides, porém esse conseguira se regenerar em forma de pinguim.
Esse Senhor do Tempo em geral levava uma sadia e corrida vida de viagens no tempo e correrias com um companheiro de espécie, também regenerado em pinguim. Porém, faziam meses desde que tiveram sua última aventura juntos.
Agora, ele era dono de um bar no Club Penguin. “Bar”, entre aspas, pois era sua TARDIS enguiçada, disfarçada pelo circuito camaleão. Mas servia de bar.
O movimento lá era pouco. Apenas ele e seu puffle estavam no recinto, ele limpando um copo com um velho pano de pratos e o puffle reclamando da humidade do ar.
– Você devia comprar um aquecedor, Ghe. – Reclamava o Puffle. – Acho que estou gripado.
– Pare de reclamar, Moe. – Disse Ghe, o Senhor do Tempo. – Também estou odiando essa vida pacata.
– Acha que ele esqueceu da gente? – Perguntou Moe, o Puffle.
– Ele nunca esquece. – Responde Ghe.
– Então por que não está aqui? – Indagou Moe.
– Acredito que... – Suspirou Ghe. – Está ocupado.
Então, de repente, com um barulho característico que já o fazia sorrir, uma cabine de polícia londrina azul se materializou dentro do bar.
A porta se abriu.
– Entrem. – Disse a voz, vinda de dentro.
Ghe sorriu.
– Depois de todo esse tempo? – Perguntou Ghe, pegando Moe e uma mochila que já deixara pronta para a ocasião.
– Sempre. – Respondeu a voz vinda de dentro, com uma entonação feliz.
23 de novembro de 2013. Misericórdia. 23:09. O Planeta. (Universo Alternativo)
Nos fundos de uma velha mansão, que de outrora já pertencera ao Conde Gerald Robotnik, um pinguim estava sentado numa mesa, consertando um relógio de bolso.
Quando terminou de fixar a última engrenagem, uma cabine azul da polícia londrina se materializou naquele porão de mansão.
A porta se abriu.
O pinguim deu batidinhas no relógio de bolso.
– Está atrasado – Disse.
– Oh, entre logo, Clock. – Falou uma voz, vinda de dentro da cabine.
23 de novembro de 2013. Ilha Club Penguin. 23:09. O Planeta.
Num pequeno apartamento de dois andares intitulado 221B, na Rua Baker, três pinguins sentavam-se na mesa de jantar.
– Carneiro hoje, carneiro ontem e raios me partam se não carneiro amanhã! – Resmungou um dos pinguins.
– Oh, não seja mal-educado, Rodrigo! – Disse um outro pinguim. – O carneiro da Sra. Hudson é muito bom. Além do que, os tempos estão apertados desde que ele nos deixou aqui para viver uma vida pacata.
– Claro, Azul, claro. – Murmurou Rodrigo. – Falando nisso, onde está o Ghe?
– Oh, ele disse que vai pernoitar lá na Taverna hoje. O que é bom, já que finalmente tenho a chance de jogar aquela caveira fora. – Disse Sra. Hudson, o terceiro pinguim.
Foi quando uma cabine de polícia londrina azul se materializou ao lado da mesa de jantar.
A porta se abriu.
– Entrem! – Disse uma voz, vinda lá de dentro.
– Melhor você ficar, Sra. Hudson. – Disse Azul. – Você teria um infarto ao ver o que passamos nessas viagens.
– Certo. – Concordou ela.
– MAS ANTES! – Interrompeu a voz de Ghe, vinda lá de entro. – MINHA CAVEIRA!
A Sra. Hudson foi até a prateleira onde estava uma caveira de pinguim e à pôs na nadadeira de Ghe, que havia se estendido pra fora da TARDIS.
– Estava impregnando o apartamento, mesmo... – Resmungou a Sra. Hudson. – Francamente, se isso ficasse por mais uma semana aqui, eu já pediria demissão!
– Sra. Hudson deixando a Rua Baker? – Disse uma voz, vinda de dentro da TARDIS. – O Club Penguin iria cair.
– Você, fique quieto ou eu entro aí e te esgano por essa sua gravata borboleta ridícula. – Ralhou Sra. Hudson.
– Gravatas borboletas são legais. – Clamou a voz vinda lá de dentro. – Agora, venham logo.
Rodrigo e Azul entraram na TARDIS, que logo, se desmaterializou.
Numa cabine telefônica azul da polícia londrina que era, na verdade, uma máquina do tempo, e maior por dentro, podiam-se encontrar uns tipos meio estranhos. Ghe, um Senhor do Tempo renegado cujo o passado até ele mesmo tinha dúvidas, Azul, fruto de um futuro alternativo que nunca existiu, Rodrigo, um dos únicos amigos de Ghe que não ficou maluco, Clock, morador de um Universo Alternativo onde o Club Penguin virou um deserto, Moe, o puffle falante de Ghe, e, por fim, aquele que reuniu toda aquela grande e estranha família: O Doutor.
– Vocês não fazem ideia do quanto senti falta de vocês. – Dizia o Doutor, sorridente, mexendo nos controles da TARDIS.
– O que andou fazendo nesse meio tempo? – Perguntou Clock, curioso.
– Vendo lugares, ajeitando coisas... – Respondeu o Doutor, quando, de repente, a TARDIS deu uma cambalhota de 360 graus e tudo saiu do lugar.
– Pelo jeito, uma dessas coisas ajeitadas não foi o estabilizador. – Resmungou Ghe. – Pra variar.
– É bom ver você também. – Murmurou o Doutor, sorrindo, quando a caveira caiu em cima de sua cabeça. – Ai!
– Pra onde estamos indo? – Perguntou Azul.
– Na verdade, pra lugar nenhum. – Respondeu o Doutor. – Só saindo do planeta. Enfim... todo o tempo e espaço, tudo o que já aconteceu ou ainda vai acontecer... por onde vocês querem começar?
– Trenzalore. – Respondeu Moe.
– Hah, hah, hah. – Riu o Doutor ironicamente, para disfarçar a pequena lágrima que rolou de seu rosto. – Alguma outra sugestão.
– Que tal Nova Nova York? Faz um tempo que não a visitamos... – Sugeriu Ghe.
– Boa! – Concordou o Doutor. – ALLONS-Y! – Disse, puxando uma alavanca que fez a TARDIS tremer.
De repente, aconteceu uma coisa que raramente era vista na TARDIS. Faltou luz.
– Ei, quem apagou as luzes? – Perguntou Azul.
– Oh, por favor, não diga essa frase. Me dá calafrios. – Murmurou o Doutor.
– Onde viemos parar? – Perguntou Rodrigo.
– Não sei. – Respondeu o Doutor. – Mas de uma coisa estou certo: Não é Nova Nova York.
Alguns segundos de silêncio permaneceram na TARDIS.
– Então... – Disse o Doutor, recompondo sua postura. – Quem se arrisca à ser o primeiro à olhar lá fora?
– Eu vou. – Respondeu Ghe.
Este andou até a porta, abriu-a e saiu. Alguns segundos depois, voltou com os olhos arregalados, exalando lágrimas que eram impossíveis de ser detectadas como de felicidade ou tristeza.
– Doutor, acho melhor você vir dar uma olhada nisso aqui. – Falou Ghe. – Você e todos os outros.
Liderados por Ghe, o grupo saiu da TARDIS. Todos ficaram bem surpresos com o que viram, mas sem dúvidas ninguém tão surpreso quanto Ghe e o Doutor.
Tratava-se de um planeta laranja. Sua área central era cercada por edifícios modernos e cúpulas de vidro. Espaçonaves se confrontavam, e ouviam-se gritos de guerra e explosões.
De algum modo, a TARDIS havia chegado num lugar bloqueado no tempo, supostamente impenetrável, onde ninguém supostamente deveria chegar.
Gallifrey. Durante a Última Grande Guerra do Tempo.
Notas finais
- O diálogo "Depois de tanto tempo?" "Sempre", entre Ghe e o Doutor, é uma referência entre o diálogo de Snape e Dumbledore em Harry Potter e As Relíquias da Morte.
- A frase "Sra. Hudson deixando a Rua Baker? O Club Penguin iria cair.", dita por Azul, é uma referência à frase "Mrs. Hudson leaving Baker Street? England would fall", da série Sherlock.
- A frase "Todo o tempo e espaço, tudo o que já aconteceu ou irá acontecer, por onde vocês querem começar?", é uma referência à mesma frase dita pelo 11º Doutor no episódio The Eleventh Hour, de Doctor Who.
- A frase "Ei, quem apagou as luzes?", é uma referência à frase similar dita no arco "Silence in the Library" / "Forest of the Dead", de Doctor Who.
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