Notas iniciais
Enzo se tocando de sua idiotice.

Enzo corria. Não sabia para onde, não sabia o que estava fazendo, mas sentia uma necessidade tão grande de seguir aquele instinto que nem ao menos sentia medo. Todas as vezes que seguira seus instintos, fora recompensado.

Seus sapatos logo saíram do asfalto e agora caminhavam por folhas e galhos de uma floresta. Enzo teve que diminuir o ritmo por causa dos obstáculos, mas ainda avançava com rapidez, fazendo muito barulho.

Caminhou até o sol nascer, e aquele impulso começou a esmorecer, deixando Enzo sem rumo. De repente ele estacou, com medo. Não sabia mais para onde ir, muito menos como voltar, e já sentia fome e sede. Suspirou, pensando que alguns impulsos não valia a pena seguir. Sua mãe já deveria estar preocupada com o filho, ela sempre acordava cedo, e iria encontrar a cama dele vazia. Sentiu um aperto no peito ao perceber o que estava causando à ela com sua fuga repentina.

Ele olhou para os lados, tentando imaginar qual direção seria mais adequada para seguir, mas não conseguia mais sentir aquela necessidade de seguir por um determinado caminho. Olhou para trás e viu que deixara uma trilha de capim amassado e galhos quebrados. Resolveu voltar para trás.

Não levou quinze minutos para se sentir perdido de novo. Todas as áreas da floresta eram muito parecidas e ele logo não conseguia mais ver a trilha que tinha feito. Continuou andando, pois sentia que era a única coisa a ser feita para conseguir sair dali.

Conforme o sol subia no céu, seu estômago começou a doer de fome e sua cabeça girava. Havia várias frutas nas árvores, mas Enzo não conhecia nenhuma delas e tinha medo de alguma ser venenosa.

Aos poucos, a fraqueza o dominou e ele se sentou para tentar descansar um pouco. Suas pernas tremiam e a cabeça doía de fome, o estômago parecendo um nó.

Enzo não costumava chorar, mas naquele momento alguns soluços escaparam de sua garganta. Sentia que iria morrer ali, tudo por causa de uma ideia idiota que resolveu seguir. Então ele pensou que, já que iria morrer mesmo, podia muito bem comer uma das frutas. Podia ter a sorte de comer alguma que não fosse venenosa. Ele já não tinha certeza se confiava em sua sorte, mas resolveu tentar. Levantou-se, trêmulo, e olhou ao redor. Havia duas árvores frutíferas próximas à ele. Enzo se aproximou.

Nenhuma delas lhe transmitia sensação alguma, nem boa, nem ruim. Nenhuma delas parecia mais apetitosa que a outra, as duas eram igualmente atraentes ao estômago vazio de Enzo. Ele apoiou seu peso num pé, depois no outro, indeciso. Por fim, escolheu a fruta que parecia maior.

Circulou a árvore em busca de alguma que estivesse ao seu alcance e estendeu a mão para pegá-la.

De repente, ouviu um som atrás de si e seu coração gelou, a mão parada na metade da distância até a fruta. Não havia encontrado um único animal naquela floresta, mas aquele som de galhos se mexendo e folhas sendo pisadas só poderia ser um bicho. Enzo se virou lentamente para a fonte do barulho, torcendo para que fosse um animal inofensivo, olhando com terror enquanto o som se aproximava cada vez mais.

Notas finais
E então? Floresta, um som... já sabem o que está por vir?