Notas iniciais
Bom, só se passaram três anos desde que iniciei essa história... nem parece que foi tanto tempo assim. sqn Não sei qual o meu objetivo em tentar voltar à essa história, nem se vou conseguir continuar. Enquanto decido isso, conheçam o Enzo.

Pés rápidos passavam como um borrão pelo concreto. Derrapou na esquina, quase derrubando um barril que ia sendo descarregado, e continuou a correr. Bermuda de tecido grosseiro, sapatos do irmão mais velho, uma profunda alegria no olhar, simplesmente por estar vivo – este era Enzo.

Quando chegou na banca do velho Will, este lhe deu um sorriso faltando três dentes, e estendeu um doce embrulhado num papel pardo.

— O último — disse o velho com uma vozinha esganiçada, fazendo o garoto sorrir. Que sorte ter chegado àquela hora!

Enzo sempre tivera um instinto, um sexto sentido que o guiava na direção correta. Se decidia usar um atalho diferente para chegar em casa, era certo que encontrasse uma moeda no chão. Mas mesmo toda a sua sorte não era suficiente para mudar a situação de pobreza da sua família.

Comeu apenas metade do doce e embrulhou o restante no papel pardo, guardando no bolso da bermuda. Voltou a correr pelas ruas, atravessando beco após beco em direção à sua casa.

De repente parou, indeciso, num certo ponto onde havia dois atalhos diferentes para casa. Ele normalmente ia pela esquerda, que era o mais curto e que tinha menor probabilidade de encontrar um guarda mal humorado. Mas, estranhamente, não sentia nenhum ímpeto de pegar aquele caminho hoje. O atalho da direita exercia nele uma atração irresistível. Fazia muito tempo que não passava por ali, talvez algo pudesse ter mudado. Decidiu-se. Foi pela direita, cauteloso, pois aquela rua passava próxima à parte alta da cidade e os guardas ali eram mais eficientes em manter a ralé controlada.

O beco desembocou numa rua larga e bem pavimentada, com pessoas bem vestidas caminhando alegremente como se nada no mundo os preocupasse. Enzo manteve-se próximo às paredes, sem chamar atenção. Dois guardas estavam patrulhando a área, mas pareciam mais interessados em flertar um com o outro. Mesmo assim, Enzo não tirava os olhos deles enquanto caminhava, uma das mãos deslizando suavemente pelas paredes dos prédios.

De repente sua mão deslizou por um tijolo solto, cuja argamassa havia endurecido demais para manter o tijolo no lugar. Curioso, Enzo parou. O tijolo estava tão solto que foi fácil para ele tirá-lo do lugar, deixando um buraco na fachada do prédio.

Assim que abriu o buraco, ouviu um leve tilintar, como se algo houvesse caído. Olhou para baixo, mas não conseguiu identificar o que poderia ser. Recolocou o tijolo no lugar e pôs-se a procurar a fonte do barulho que ouvira, mal se dando conta de que os guardas finalmente haviam notado a presença dele.

Notas finais
Tenho mais alguns capítulos prontos, mas gostaria de saber se alguém se interessou pela história e tem interesse que eu continue.