As Crônicas da Tempestade

29 Capitulo 26 - Sonhos virando cinzas


Capitulo 26 – Sonhos virando cinzas

Capital Real, Nação do Fogo

A cidade amanheceu com uma nova cara, diferente da noite anterior a ordem fora restaurada e a matança chegara ao fim sem maiores problemas. O estresse que permeava há meses evaporou no ar e desapareceu à primeira menção das boas novas: a Senhora tirana havia sido capturada pelos rebeldes. Quando a notícia chegou à guarda real seus homens baixaram as armas e a maioria se rendeu pacificamente, não havia motivos para prolongar um conflito que nem deveria existir para começo de conversa.

O terror, gradualmente, fora dando lugar a uma esperança relutante de uma nova era, uma de paz e justiça para a nação. Pelos cantos do país um nome foi exaltado como o de um herói: Yuzushi Atakano, a Libertadora, eis o nome na boca do povo, esse era o rosto da mudança. Embora fosse demorar para restaurar a ordem natural do território, sem falar das cicatrizes que ficaram na capital, o sol trouxera um clima festivo às ruas.

E Yuzushi podia ver tudo aquilo em primeira mão quando encontrara seus irmãos aquela manhã e percebera que aquilo tudo não era mais o sonho de uma mineira, se tornara real, uma liberdade real. Um sorriso radiante se formou em seu rosto e lágrimas escorreram sem vergonha pois era o dia mais feliz da sua vida. Seus homens deram vivas e a ergueram sobre os ombros para que todos pudessem vê-la bem, finalmente em muito tempo sentiu que pertencia a um lugar.

— Hoje não somos mais a Nação do Fogo, um país regido por um monarca desconhecido, mas sim a República Federativa do Fogo, onde escolhemos o caminho que trilhamos! — Yuzushi declarou emocionada e estremeceu com a vibração da multidão ao redor mas teve a decência de esperá-los se acalmarem antes de voltar a falar — O caminho que escolhemos não será fácil, muitos sacrifícios nos aguardam como as que sofremos essa noite, irmãos, filhos, pais… por mais doloroso que possa ser, vamos segui-lo até o fim! Devemos isso a eles, e devemos isso a nós também!

A multidão aclamou calorosamente Atakano, era um novo amanhecer para todos eles.

— Não haverá segredos em nossa nova república — Yuzushi falou agora séria — Não há mais por que esconder nada, já que é um direito de vocês. A antes intitulada Senhora do Fogo Akame foi presa e está sob a proteção do governo provisório até que uma eleição oficial seja realizada.

A multidão respondeu com gritos de morte à traidora, mata! Mata! Decapita e outros mais obscenos. Um tumulto começou a se formar, porém antes que tomasse corpo, uma bola de fogo para o alto de Atakano recuperou a atenção de todos.

— Nada de execução, não temos o direito de tirar uma vida quando nos convém, não da mesma forma como ela fazia! Ela será mandada para Valu, junto com seus oficiais traidores e conselheiros corruptos para apodrecerem no inferno que é aquele maldito lugar.

— É um belo discurso, minha jovem. Estou comovido com tal convicção — uma voz fria se sobressaiu da multidão e a massa de gente abriu espaço para deixar passar o novo grupo que se aproximava. A voz pertencia a um velho vestido com vestes brancas com a flor de lótus negra bordada no peito — É uma pena que ele valha para você também.

Yuzushi sentiu o coração martelar no peito. Isso não podia ser verdade, não agora, não dessa forma. Como Fírion conseguira chegar ali mesmo com o bloqueio que a resistência havia erguido? Antes que pudesse reunir os pensamentos, Firion caminhou em sua direção ladeado por pelo menos duzentos mantos brancos da lótus em seu encalço, todos prontos para agir a qualquer minuto.

— O que faz aqui, mestre Fírion? — Yuzushi perguntou, embora bem mais como uma acusação. Ela desceu para o chão de um salto e o fitou intensamente — Até onde me lembro o senhor está em guerra com nosso país.

— Antigo país você quer dizer... — Firion parou de frente para Atakano e deu um sorriso presunçoso — Esse é um renascer para a nação, não é? Não é justo que tenham que assumir as dores do antigo governo da Senhora do Fogo, certo? Fiquei sabendo da tragédia que ocorreu e decidi vir aqui ajudar nossos vizinhos na reconstrução do que foi perdido. Posso conseguir fundos e ajudar na segurança da população enquanto uma nova guarda civil é formada.

Não, você não pode fazer isso! Não depois de tudo o que passamos! Yuzushi pensou furiosa.

— Agradeço a oferta mas temos nosso próprio jeito de fazer as coisas — Yuzushi atirou — Pode dar meia volta e retornar para seja lá o buraco de onde saiu!

Os mantos brancos ficaram tensos com a respostas, todos assumiram posição de combate e miram os civis que observavam a tudo calados. Firion deu um passo à frente e disse cordialmente:

— Eu insisto. — E se virou para multidão — A partir desse momento, a República Federativa do Fogo está sob proteção da Aliança Libertadora, meus homens se dirigem para cá com duzentos dirigíveis abastecidos com comida e bens básicos para sobrevivência. Esse é um novo começo para o mundo e um passo gigantesco para a paz duradoura.

O povo aplaudiu inquietos, sem saber ao certo como reagir a notícia de duzentos dirigíveis em território nacional, mas tinham certeza de que não os agradava muito, só podiam esperar que toda esperança não se desmanchasse em sofrimento. Atakano abriu a boca para protestar, mas Firion a interrompeu com um aceno.

— Qualquer tentativa de rebeldia será severamente punida. — Quase sussurrou para ela — Graças a você, tenho o país inteiro de refém, comporte-se bem minha jovem ou verá seu povo despedaçado nas ruas. Aliás, ótimo trabalho com Akame, ela vale mais viva do que morta.

A porta quase soltou-se das dobradiças com a fúria de Yuzushi quando entrou no antigo escritório da Senhora do Fogo. Em um acesso de fúria ela jogou uma cadeira pela janela espatifando contra o vidro e caindo três andares abaixo. Rasgou as cortinas e as atirou também pelas janelas, depois virou a mesa de madeira derrubando todos os papeis oficiais no chão. Demorou um bom tempo antes de perceber que outra pessoa também estava no cômodo.

— Senhora, mestre Fírion está na porta e exige falar com a senhora — Buler disse alarmado.

Atakano se virou para ele, a fúria encarnada.

— Mande que venha então, temos muito a discutir.

O mestre entrou com a dignidade austera que seu posto exercia, teve até mesmo o bom senso de não comentar a destruição do escritório. Como não recebeu nenhum convite para se sentar, permaneceu de pé sendo fuzilado pelo olhar perfurante da líder rebelde.

— O que foi aquilo lá fora? — ela perguntou num leve tom raiva contida

— A partir de agora a República Federativa do Fogo está sob os cuidados da Aliança Libertadora até que consiga se reerguer e a ordem seja restaurada. E mesmo depois disso espero que ela se torne parte da coalizão e se junte a nós da aliança numa grande e única nação.

— Não pode estar falando sério! — Yuzushi esbravejou descendo o punho no ar — Não libertamos o país de um ditador para deixar outro assumir as rédeas, preferia morrer a deixar que você nos governe!

O mestre sorriu sombriamente.

— Não sei do que está falando minha jovem, a Aliança é regida pelo Conselho com seus membros eleitos pelo povo, não há nenhum conselheiro no poder propriamente dito. Diante da mesa, somos todos iguais.

— Não insulte minha Inteligência, Fírion! Nós dois sabemos quem manda nessa merda toda! — ela resmungou lívida e se virou para olhar pela janela quebrada balançando a cabeça lentamente — Você é mesmo um maldito, sabia? Manipular seus irmãos dessa forma, como pode trair o povo que te criou? É uma vergonha te chamar de compatriota.

Fírion deu de ombros.

— O que eu faço é visando apenas o benefício da nação. Estamos em novos tempos, Yuzushi, a necessidade de reinos e tribos se tornou obsoleta, o futuro é uma só nação, um só povo — seus olhos se estreitaram — Um só líder.

— Isso não está certo, não farei isso.

— Devo lembrá-la que tenho a vida de mulheres, homens e crianças do país nas mãos? Não estou fazendo um pedido menina tola, estou pegando o quero a força — Fírion sibilou e por um momento Yuzushi teve um vislumbre do antigo general que expulsara os dominadores de água, na Invasão do Eclipse Lunar — Mantenha a cabeça baixa e posso encontrar um lugar para você ao meu lado quando esta guerra terminar. Enfrente-me e quando eu puser as mãos em você vai implorar pela morte.

Yuzushi praguejou. Maldita serpente! Pensara em tudo, desde o princípio já estava contando que o governo da Senhora iria cair, no fim Raidou tinha razão, por mais que odeie admitir.

Ela ouviu o som de água caindo. Sentia doce cheiro das flores trazido pela brisa leve e morna do verão. Com delicadeza, roçou a palma da mão na grama se deleitando com o simples prazer de estar viva. Lana abriu os olhos e viu o céu caleidoscópio brilhando em tons maravilhosos de azul purpura. Estrelas pontilhavam o horizonte por onde quer que olhasse e uma lua vermelha roubava a cena já que possuía três vezes o tamanho normal.

Ela ergueu os braços e se espantou, conseguia ver através de sua pele azul fantasmagórica, mas por algum motivo sentiu-se estranhamente nostálgica como se há muito estivera ali antes e só agora retornasse após uma longa jornada. Então estou morta, ela concluiu e uma espécie de paz a tomou por inteira.

As árvores arroxeadas emitiam uma luz fraca pulsante iluminando o campo repleto de cogumelos florescente formando uma trilha para o interior além da clareira. Lana se levantou sentindo-se atraída de forma que não podia explicar e a seguiu por um tortuoso caminho pelo que pareceu uma eternidade passando por riachos e morros sem nunca olhar para trás ou descansar. Não sentia necessidade de beber água ou dormir, a noite não ia embora, era como se o tempo estivesse congelado.

Finalmente a trilha se abriu na entrada de uma estranha caverna de rochas esverdeadas cobertas por videiras. Descansando a sua frente uma enorme criatura permanecia deitada, embora esguia, deveria ter uns três metros de cumprimento fácil, pele coberta por uma armadura de escamas azul metálicas e focinho de lagarto, no entanto era o primeiro lagarto que via que possuía asas retrateis. Seus dentes se projetavam para fora da bocarra e das patas, garras saltavam semelhantes a espadas.

Avatar Lana, é um prazer conhecê-la finalmente, o dragão se fez ouvir em sua mente, sou conhecida como Azbe, a Mentora. Fui designada para guiá-la em sua jornada ao mundo espiritual quando estivesse pronta para aprender sobre sua verdadeira natureza, seu real dever.

Onde estou? Eu morri? Lana perguntou, embora não tivesse voz

Estamos no mundo espiritual, o lar dos espíritos ela fez um gesto abrangente com suas gigantescas patas E não, minha querida, você não está morta, longe disso na verdade, não é errado dizer que está finalmente vivendo da forma que nasceu para fazer, está finalmente completa.

E eu não estava antes? Lana indagou confusa como uma criança. Não consigo lembrar de nada do que houve. Pode me ajudar a entender?

A Mentora assentiu.

Quando retornar ao mundo humano suas memórias estarão de volta, todas elas.

O que pode dizer sobre a missão do Avatar? Por favor, não sei o que fazer! Ela implorou, sentia que podia se abrir com aquele ser de uma forma que nunca conseguiria com um humano. Me sinto perdida, não sei mais o que é certo e o que é errado, o mundo não é tão preto no branco quanto pensava.

A sua missão está longe de terminar, minha menina. É uma jornada de dor e sacrifícios que a aguarda, mas no fim sei que vai fazer o que é certo, como já fez inúmeras vezes antes. Algo semelhante a um sorriso maternal se formou nas feições do espírito se é que era possível. Nosso tempo aqui é curto, Lana, venha me ver quando estiver preparada para aprender a se conectar com o estado Avatar, até lá só posso observa-la de longe.

Azbe tocou a testa de Lana com sua garra e de um momento para o outro ela já não estava mais no mundo espiritual.

Suando, acordou num quarto que nunca vira antes. A mobília era de madeira escura ao estilo imperial, estava deitada em um futon e enrolado com grossos cobertores macios. Quando dobrou o corpo uma toalha úmida caiu da testa. Ela imaginava por quanto tempo apagara e se a ida ao mundo espiritual havia sido apenas uma alucinação da febre.

Empoleirado do outro lado do quarto estava um Kaijin adormecido jogado contra a parede totalmente apagado. Lana não pôde deixar de sorrir, ele parecia tão em paz, fazia eras que não o via dormir daquele jeito. Vencemos! A Senhora caiu... Os flashes de memória vieram sem aviso, uma imagem embaçada de uma luta, uma luta contra Dalai. Lembrava de tê-lo derrotado e...

Ela se livrou das cobertas e tentou se levantar — uma má ideia, quase caiu com a vertigem que atingiu. Sua visão flutuava entre embaçada e nítida e havia certa dificuldade em respirar. Levando a mão a cabeça sentiu uma parte de cabelo chamuscada e arregalou os olhos assustada. Yuzushi me acertou um raio! Meu deus...

— Bem vinda de volta ao mundo dos vivos, Lana — Kaijin disse com um sorriso de cumplicidade e ela retribuiu. — Tivemos que cortar para que não reparassem. Gosto mais deles curtos, fica bem em você.

Lana cruzou o quarto e se deixou deslizar pela parede ao seu lado e acertou uma pancadinha de leve.

— É, eu fico linda de qualquer jeito — ela disse e apoiou a cabeça no ombro dele.

Ambos permaneceram em silêncio por um bom tempo, mas não era aquele silêncio nervoso dos últimos meses, era um silêncio de realização como se finalmente pudessem entender bem o outro.

— Vencemos, não é? — Lana perguntou, tinha que ouvir isso de alguém para acreditar que não era mais um sonho louco.

Kaijin a envolveu nos braços.

— É, vencemos — ele afagou seus cabelos — Restauramos a paz no mundo, bom trabalho senhora Avatar. A Senhora do Fogo vai ser exilada e Raidou e os outros oficiais serão depostos dos cargos, e finalmente Dalai será mandado de volta para Valu de onde nunca deveria ter saído.

— Ainda bem, achei que tivesse matado ele — ela suspirou aliviada se aconchegando.

— Não dessa vez. Acho que foi sorte.

— Kaijin, eu não quero mais machucar ninguém…

— Eu também não…

Finalmente seria feita a justiça por todos aqueles que perderam suas vidas nessa guerra, o pesadelo teria um final feliz. Lana não conseguiu conter as lágrimas, fingira de forte durante aqueles meses de pressão, a culpa a remoera, todas as pessoas que matara não seria a toa, havia um propósito. Kaijin a puxou mais para si e deixou que ela botasse para fora tudo que a atormentava.

Mais tarde foram encontrar o mestre Fírion no jardim. O mestre estava sentado num dos bancos de pedra que permaneceram intactos logo abaixo de uma cerejeira que desabrochava e cobria o chão de folhas rosadas com a brisa. O velho mestre parecia encarar antigos fantasmas da juventude pois fitava o nada com uma expressão de serenidade.

— Nunca pensei que fosse voltar a pisar nesses jardins após tanto anos — ele disse quando os dois se aproximaram sem nunca tirar os olhos do vazio como se enxergasse uma lembrança dourada do passado — Sonhava com o dia em que espalharia meus ideais por minha terra natal, nunca me passou pela cabeça que um dia conseguiria. — Ele virou-se para o Avatar — Agradeço do fundo do coração por essa chance, Avatar Lana. Estamos a mais um passo de acabar com as guerras no mundo.

Lana assentiu com a cabeça.

— Estava apenas cumprindo meu dever, mestre.

— E você Kaijin, seu avô teria orgulho de ver o homem que se tornou, não vejo ninguém mais digno de vestir o manto quando seu avô se for — Fírion disse ao jovem tribal — Agradeço pelo bom serviço e prevejo um futuro grandioso pela frente.

Um sorrisinho de desdém se formou nos lábios do jovem, era engraçado que o velho mestre o enxergasse agora.

— Obrigado pelas palavras, mestre Fírion, mas do jeito como ele é cabeça dura acho que meu avô ainda vai ficar muitos anos no comando da tribo. — Kaijin disse, mas havia uma ameaça quase sublime — Não acho que o mundo esteja pronto para perdê-lo.

— Sem dúvidas esperamos que o velho Kan permaneça conosco por muitos anos. — Ele salientou sem dar importância ao comentário — O mundo está em harmonia, garotos. Esse e o meu legado para o futuro. — e de repente pareceu envelhecer dez anos, parecia frágil como um avô.

Yuzushi entrou com toda a dignidade e a manteve até o instante em que a porta se fechou atrás dela. Jee ainda estava jogado no colchonete que lhe trouxeram roendo os ossos da refeição do dia anterior, contudo logo se endireitou quando notou o comportamento estranho da tia. Yuzu respirou fundo e se deixou escorregar pela parede cobrindo o rosto com as mãos em concha. Ela ainda estava coberta de sangue, ele percebeu.

— Hoje eu fiz algo terrível — ela disse por fim, era a primeira vez que ele a via desse jeito. Sua vulnerabilidade o surpreendeu. — Espero que um dia possam me perdoar pelo que fiz.

Jee não se comoveu.

— Do que está falando? — ele indagou se sentando, as correntes chacoalhando com o movimento.

Ela não conseguiu encará-lo, não conseguia olhar nenhum dos irmãos nos olhos.

— Você estava certo. No fim, meu sonho, tudo pelo que lutei todos esses anos...foi em vão. — ela disse quase num sussurro — Eu falhei outra vez, assim como falhei com seu pai. Eu só queria tornar nossa terra num lugar melhor, queria viver feliz com minha família, será que isso era pedir muito?

— Você fez o que achou melhor. Você tentou do seu jeito e não funcionou.

Yuzushi sacudiu a cabeça

— Todos contavam comigo, me viam como uma espécie de símbolo. Eu tentei, Jee, juro que fiz tudo que podia para manter essa imagem, ser o que precisavam que eu fosse. Mas...

— Eu te disse não foi? Que esse era o plano de Fírion desde o começo, lembra?

Ela assentiu.

— Não sei mais o que fazer, garoto. Se eu tentar qualquer coisa contra ele o maldito vai machucar pessoas inocentes e eu não posso simplesmente deixar que outro ditador destrua tudo que conquistamos com sangue e suor. — ela admitiu frustrada

Jee quase sentiu vontade de ir até ela.

— O que houve com a minha noiva?

— Eu não fiz mau a ela — Yuzushi disse — Ela é uma boa garota. Lian Fu, certo? Me faz lembrar de mim quando era mais jovem. Espero mesmo que você agarre essa daí com unhas e dentes.

Ele deu um sorriso.

— Eu a amo.

— Eu sei, eu sei...

Ela se levantou com cuidado e deu uma última olhada para seu sobrinho. Ela queria poder soltá-lo, mas o perigoso não passara, ainda mais com Fírion em sua cola, não, ele iria ficar ali por mais algum tempo. Quando Yuzushi abriu a porta, Jee disse:

— O que você precisa agora é de rebeldes de confiança. Tome de volta o que é nosso.

Era isso que ela iria fazer.