As Crônicas da Tempestade
18 Capitulo 16 - Batalha de Kyoshi Parte 2
Capítulo 16 — Batalha de Kyoshi parte 2.
Laya viu sua vida passar diante dos seus olhos. Cada pedacinho, seus momentos felizes, o dia em que seu pai a levara ao cinema pela primeira vez, a vez em que fugira de Zaofu para uma aventura no deserto e quando conheceu um jovem delinquente chamado Dalai. Seus momentos tristes jorraram sob seus olhos em flashes aleatórios: a morte sua mãe, seu casamento, a noite de núpcias. Mas o pensamento que dominava sua mente era o medo de perder seu filho. O ódio que sentia do Avatar a mantinha consciente, qualquer fraqueza seria o suficiente para tirarem seu bebê. Não, ela se manteria bem acordada.
A voz dos médicos soava distantes e deformadas, as luzes da enfermaria piscavam acima de sua cabeça. Não, não toquem nele! Não, afastem-se! Ela tentava gritar, mas não conseguia. Seu corpo fazia força para expelir seu bebê, porém sua mente queria mantê-lo junto dela.
Encostada na parede, a silhueta do Avatar a espreitava com os olhos sem vida, preparada para dar o bote.
Lana não se arrependia, tão pouco sentia remorso por seus atos. Já fazia cerca de três horas que a rainha entrara em trabalho de parto, mas ainda não parira a maldita criança. Seu tempo estava acabando, o tempo já batia por volta de 17:30 da tarde, logo iria escurecer. Nesse ritmo não tinha certeza se chegaria antes do prazo. Apesar de todo o desprezo que a rainha nutria por ela, Lana não podia evitar de admirar a força de vontade da mulher a sua frente, por mais que odiasse admitir isso.
Lian Fu sinalizou com as mãos para os esquadrões dando início à operação. Eram ao todo 4 grupos de 6 pessoas que se dispersaram pela multidão, agindo pela cidade feito sombras disfarçadas. A cidade era composta por 4 torres de rádio situadas em cada polo de seu território que estabeleciam conexão entre a ilha e o resto do Reino da Terra, era fundamental a queda de toda a comunicação antes que a tropa principal do general Raidou chegasse em algumas horas. Por isso entrariam disfarçados nas torres e as tomariam sem a necessidade de um combate, o objetivo da missão era a neutralização da comunicação garantindo a preservação das torres para o futuro após a tomada de Kyoshi
— Jee, quadro da situação...
O tenente Jee olhou seu relógio de pulso.
— Duas horas até a chegada da frota aérea. Temos de nos apressar.
Chegaram à torre Oeste sem problemas, não era incomum a circulação de soldados pelas ruas nesses tempos de guerra, e para muitos os soldados eram apenas cadáveres ambulantes, logo não davam muita importância. Outro fator que os favoreceu foi a falta de coordenação existente entre os soldados que compunham o exército inimigo, sendo em sua maioria feita por homens da Nação do Ar que até pouco tempo vivam isolados dos demais exércitos e desconheciam seu padrão de ação. Alguns meses atrás a ideia de um exército de Monges do Ar seria impossível já que suas raízes repudiavam a guerra com todas as suas forças. Sendo assim a guarnição das torres não lhes causou problemas maiores.
— Obrigado pela ajuda, companheiro — Lian Fu agradeceu ao guarda na entrada fazendo uma saudação da Tribo da Água.
— Apenas passem logo, não queremos problemas com a Tribo da Água — o nômade disse ao grupo. — Consertem logo o problema e depois partam, mestre Yako não permite a entrada de estranhos nas torres.
— Sem problemas, vai levar apenas um minutinho — Jee garantiu, para ele era molezinha parecer um técnico, fazia isso todos os dias — Valeu pela ajuda irmão, sabe como são esses chefes, sempre te arranjando mais trabalho no fim do expediente.
O guarda acenou, indiferente. Quatorze andares compunham a torre até a sala de controle no topo do edifício. Quatorze malditos andares até seu objetivo. Toda vez que esbarravam com um monge do ar no corredor Lian Fu abaixava o boné para ocultar os característicos olhos dourados da Nação do Fogo, qualquer erro poderia ser fatal.
Não demoraram muito para deixarem os corredores mais populosos e entrarem no elevador de serviço que se abriu em um enorme cômodo de teto de vidro em formato de cúpula espelhada por monitores que lhe dava um aspecto de globo de espelhos. Uma dúzia de soldados operava transições de comunicação com as tropas da União Libertadora que agiam no fronte em cidades chaves como Omashuu e Cidade República.
Com uma troca de olhares Jee compreendeu o pedido e agiu nos botões do elevador travando-o no último andar e impossibilitando reforços imediatos. Enquanto a equipe se espalhava pela sala sem chamar a atenção. 3...2...1... A capitã contou com os dedos e deu o sinal. O esquadrão se moveu como se fossem um, armaram o dispositivo de interferência nas paredes na qual passaram a gerar uma interferência na frequência dos rádios inimigos e apagando a energia do andar.
— Todos pro chão! — gritou o soldado Fang — Pro chão, agora! Sem gracinhas! Pro chão, papa vegetal.
Pegos de surpresa, os soldados nada puderam fazer se não obedecer.
— Qualquer movimento suspeito e a eliminação será imediata — Lian Fu anunciou para seus novos reféns. Depois se virou para Jee — Faça a sua mágica.
Jee abriu o sistema operacional central e começou a fazer o que sabia de melhor. A fase 2 do plano estava quase concluída, a torre estava neutralizada e o processo de invasão da frequência e códigos inimigos iniciada, mesmo se invasão falhasse ainda teriam informações vitais do inimigo em suas mãos.
Foi aí que tudo deu errado.
O som da sirene ecoou por todo o prédio avisando aos Nômades do problema. Um dos soldados acionara o alarme embaixo da mesa, a porcaria de um alarme!
— Capitã, temos um problema! Preciso de no mínimo 15 minutos para terminar a operação. — Jee informou, para completar a desgraça.
Lian Fu enfiou um pontapé no desgraçado que acionou o alarme. Depois se virou para seus homens:
— Arrastem os móveis para as entradas e armem barricadas. Precisamos nos preparar, temos de conseguir tempo! Suas vidas a partir de agora não pertencem mais a vocês, pertencem ao seu povo! Morreremos hoje para que Jee possa terminar a operação, não temos escolha. Então preparem-se homens pois a coisa vai ficar feia e bem rápido.
Laya sentiu sua cabeça rodopiar quando os médicos lhe sedaram. Viu luvas de borracha agarrem seus pulsos e empurrarem sua barriga, seu bebê estava nascendo, ela podia senti-lo, era forte, como o rei que um dia seria. Do outro lado do cômodo os olhos frios do avatar ainda cravados feito facas. Sentiu seu menininho deslizar para fora de si e ouviu seu choro, parecia tão distante, mas ainda assim partia seu coração.
— Shau! Devolvam meu menino! — Ela balbuciou antes de entrar em uma dormência profunda.
— Limpem-na e me tragam uma cadeira de rodas. Cuidem da criança como se suas vidas dependessem disso. Estamos de partida — o Avatar ordenou.
Os médicos a fitaram perplexos.
— Senhora, a rainha ainda está fraca, movê-la agora poderia matá-la. Ela perdeu muito sangue durante o parto! — um dos médicos argumentou.
— Façam os preparativos, ela virá comigo. Essa mulher é mais forte do que aparenta, ela vai sobreviver! — Lana disse em tom autoritário e logo suas ordens foram cumpridas.
A garota empurrou a cadeira de rodas até o estacionamento do complexo onde ficavam os carros oficiais. Lá arrombou a porta de um e colocou a rainha no banco de trás e tomou seu rumo para as docas. Enquanto dirigia Lana respirou fundo e refletiu sobre o que acabara de fazer. Foi preciso! Não havia mais alternativas! Repetia para si esperando que em algum momento pudesse realmente acreditar. Ela tremia, estava apavorada, nunca pensara que se tornaria dessa forma um monstro como ele.
Não demorou muito para chegar, afinal de contas Kyoshi nunca fora exatamente uma ilha muito grande. Era por volta de 18:34 da noite quando estacionou do lado de fora do cás combinado, saltou para fora e ergueu a rainha da terra sob os ombros e a colocou novamente na cadeira de rodas que trouxera consigo.
— Lá vamos nós! — ela suspirou rezando para que não fosse tarde demais e empurrou a porta.
A porta se escancarou revelando três figuras distintas. Uma mulher de vestido verde, com cabelos castanhos e olhos dourados. A seu lado estava o Filho da Tempestade vestindo calças folgadas e regata branca com um capuz. Em sua mão segurava as correntes as quais prendiam Kaijin que jazia amarrado ao seu lado.
Lana agradeceu aos deuses por ele estar ileso.
— Kaijin! — Lana exclamou
O herdeiro da Tribo da Água lhe lançou um olhar de advertência.
— Lana, sai daqui enquanto ainda dá tempo! Não ouça esse psicopata, fuja com a rainha da terra!
Foi quando o punho de Dalai se afundou em seu estomago.
— Fique quietinho aí, ninguém te perguntou nada! — O Filho da Tempestade uniu o indicador na boca — Se comporte direitinho.
Foi quando ele reparou em sua rainha e fúria tomou conta de si.
— O que fizeram com ela? — Ele deu um passo à frente, mas parou quando o avatar recuou um passo pronta para agir se preciso.
— Para trás! Não se aproxime. Como vou saber que isso não é uma armadilha? — Lana indagou se colocando na frente da rainha.
— Não sei se percebeu, mas estamos apenas nós aqui, creio haveria um pouco mais de gente se fosse uma armadilha, além disso eu não devolveria seu amado companheiro. Vamos avatar passe-a para cá...
Foi quando o corpo dormente da rainha deslizou para o chão, seus olhos vermelhos cheios de lágrimas.
— Eles o pegaram! Pegaram meu filho! — Laya repetiu em estado catatônico fraca demais para gritar estendendo a mão para Dalai.
O rosto do rapaz se fechou à medida que as peças se encaixavam, com ódio no olhar ele amaldiçoou o avatar. Como ela pôde? Até mesmo um bebê inocente!
— Isso não fazia parte do acordo!
— Não posso abrir mão do menino, ele é nossa garantia. O fim da guerra pode chegar mais rápido do que imagina, com este bebê podemos encerrar a matança.
— E violência e sequestro é a resposta? Hein? Se é assim que será a nova ordem mundial que idealizam, prefiro não fazer parte dessa palhaçada! —o Filho da Tempestade disparou dando um passo à frente.
— Não tem moral alguma para me dizer o que é necessário para a paz! Eu sou o Avatar! — Lana rebateu decidida sustentando seu olhar sem se intimidar.
De repente o som de uma explosão estremeceu o ar da noite fazendo chover pedaços de reboco. As labaredas irromperam pelo buraco aberto pela força esmagadora da explosão colorindo o céu noturno visto pelas janelas com chamas alaranjadas.
— Isso vem das torres de comunicação... — Lana exclamou tão perplexa quanto todos os outros
Finalmente, aqui está a minha chance! Kaijin reuniu o que restara de suas forças e se jogou sobre Dalai e lhe atirando ao chão bem a tempo de dar uma rasteira em Mizu antes que esta pudesse processar o que acontecia. O herdeiro da Tribo da Água conectou-se com as gotículas de água existentes no ar e as moldou em uma lâmina que desceu como uma foice sob as correntes as partindo em pedaços.
— Corra para o carro Lana, tire a rainha daqui! Eu vou segurá-los! — ele gritou e se virou a tempo de se esquivar de uma rajada de ar.
Lana agarrou a Rainha da Terra e a jogou sobre o ombro.
— Não vou te abandonar novamente! Temos de chamar reforços!
Mas Dalai já se levantara, e ele estava a ponto de explodir. O dominador de água moldou a água em uma espada curta que se alongou avançando com uma estocada que facilmente foi desviada por uma lufada de ar de Dalai como se não fosse nada. O Filho da Tempestade comprimiu o ar em volta de seu punho e socou o chão derrubando todos com a força da ventania.
— Ninguém vai a lugar algum! Me devolvam a Laya!
Lian Fu derreteu uma lança congelada que mirava sua cabeça e contra atacou com o punho em chamas em uma sequência rápidas de socos, derrubando um dominador de água da Aliança Libertadora. Isso não terá fim! Ela pensou ao dar um passo atrás e dar de cara com a cratera na lateral da torre. Um novo inimigo surgiu por trás e lhe acertou uma rajada de ar que lhe atirou do outro lado da câmara. Uns metros dali o restante do esquadrão tentava impedir o avanço dos soldados pelo corredor em um fogo cruzado intenso!
— Jee! Termine logo essa merda! — Lian Fu gritou da pilha de destroços onde fora parar. Ofegante, a capitã se despiu das fardas azul esfarrapadas e tirou o cabelo que grudara na testa e se levantou erguendo a guarda.
— Estou quase lá, mais quatro minutos! — Jee respondeu concentrado
O dominador do ar atirou outra rajada, mas Lian Fu rolou para o lado e tomou impulso para trás de uma coluna para evitar outro golpe furioso. A capitã respirou fundo e deixou sua proteção esquivando de uma saraivada cortante com uma finta veloz e agarrou o inimigo para em seguida jogá-lo por cima do ombro e depois esmagar sua garganta com um pisão violento.
— Não temos 4 minutos! Estamos no limite! Já perdemos Dun Fei e Kano, estamos vulneráveis pelos dois flancos! Temos de sair daqui agora! — ela gritou de volta.
Foi então que a barricada veio à baixo com o golpe de um maciço bloco de gelo do tamanho de uma coluna. Soldados da Tribo da Água entraram e eliminaram os membros do esquadrão que guardavam a barricada e cercaram Jee e sua capitã colocando-os entre eles e o buraco. Os dois lados se encararam por um momento.
— Estão cercados! Rendam-se agora e serão poupados! — Um soldado gritou
— Sinto muito, mas não vai acontecer — Lian Fu disse sem tirar os olhos dos inimigos.
Em uma fração de segundo a capitã puxou a energia do universo. A melhor sensação do mundo, todo aquele poder percorrendo suas veias. A energia serpenteou todo o seu corpo tomando forma de relâmpagos. Lian Fu sorriu com os olhos amedrontados de seus inimigos quando lançou seu raio para baixo literalmente cortando o chão a sua volta, separando onde estavam do resto da câmara. A camada de poeira levantada lhes deu a cobertura que precisavam para escapar das rajadas de ar e água vinda os soldados. Lian Fu e Jee caíram no andar de baixo com um banque surdo e dolorido. Os soldados os fitaram de cima ameaçadores, alguns prestes a pular.
— Temos de sair daqui! Vem! — Jee exclamou passando o braço da capitã pelo pescoço a ajudando se mexer e cambalear para o elevador de serviço e apertou alguns botões. A porta se fechou. Isso lhes daria algum tempo. — Meu deus! Por que diabos fui deixar a oficina? Eu devia estar louco quando quis vir a campo! Ei, capitã, acorde! Não, não, Lian Fu, abra os olhos! — ele deu uns tapinhas no rosto da mulher.
Lian Fu piscou algumas vezes até seus olhos voltarem ao foco. Devia ter batido a cabeça quando caíram.
— Jee... Onde estamos? — ela indagou passando a mão pelo cabelo pegajoso de sangue.
— No elevador de serviço, estamos bem por enquanto. Logo vão nos achar, temos de chegar ao ponto de encontro.
A capitã tentou firmar a perna no chão e logo se arrependeu.
— Devo ter torcido o tornozelo na queda... Ah, não vou conseguir sair, você tem que me deixar aqui Jee e terminar a missão. — ela continuou ainda sem foco.
O elevador parou com um tranco.
— Não vou embora sem você, capitã — Jee falou apanhando a faca que levava na perna e lhe deu um sorriso — Não posso deixá-la para trás.
Antes que Lian Fu pudesse discutir, a porta superior do elevador foi arrancada e um dominador de água entrou. Mais rápido do que o mecânico pôde perceber, o soldado lhe jogou contra a parede e dobrou a água como um dardo em sua direção. Jee se jogou para o lado para evitar virar espetinho, mas o dominador já estava sobre ele com um chute lateral em suas costelas.
— Jee! — a capitã gritou.
Jee cambaleou sem ar e foi atingido mais uma vez no ombro por dardo manchando as paredes com seu sangue. O mecânico urrou de dor e avançou sobre seu inimigo que facilmente se esquivou para o lado e se preparou para dar um soco no quase derrotado oponente. No entanto, Jee virou as costas da mão em um golpe violento e atirou seu inimigo contra a parede, onde em seguida lhe agarrou pela garganta e o suspendeu no ar. O soldado tentou se debater, mas Jee enfiou a faca em seu pescoço.
O soldado parou de se debater e caiu para o lado morto.
— Jee! Jee! — Lian Fu lhe chamou forçando-o a olhar para ela — Você tem de sair agora! Precisa completar a missão!
Jee respirou fundo e arrancou o dardo do ombro.
— Que parte de não saio daqui sem você a senhora não entendeu?
O tenente pulou para a porta superior e em seguida a içou. Jogando a capitã nas costas, o mecânico desceu pelos cabos.
Lana viu a rajada de ar lhe arremessar ao chão e derrubar a cadeira de rodas. Quando levantou a cabeça viu a forma furiosa de Dalai lhe agarrar pelos cabelos. Ela tentou lutar, mas ele era mais forte. Ele a ergueu bem próxima do rosto, onde ela pôde ver bem fundo em seus olhos verdes.
— Vou perguntar apenas uma vez. Onde está o bebê?
— Vá se foder! — Lana cuspiu em seu rosto.
Dalai limpou o rosto com as costas da mão e sorriu. Você quem pediu princesa! Comprimindo o ar envolta da mão direita, o Filho da Tempestade arremessou o avatar contra a parede das docas, tamanha fora a violência do rapaz que a garota atravessou o concreto, um buraco se abriu jogando o avatar do lado de fora do armazém.
— Então como vai ser? Estou cansado de joguinhos garota! — Dalai urrou e em seguida desviou instantes antes de Kaijin lhe atacar com um facão de gelo — Sai do meu caminho, desgraça! — Dalai comprimiu o ar nas pernas e deu um pisão em Kaijin lhe jogando do outro lado do armazém. — Quantas vezes já não mandei ficar quietinho aí?
O Filho da Tempestade caminhou até sua presa sem pressa. Lana tentou fugir, cambaleou em direção à rua, mas o rapaz a agarrou novamente. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, uma figura encapuzada chamou sua atenção. Dois imensos olhos amarelos lhe encarando.
— Parece que estou atrasado para a festinha — Olhos de Tigre sorriu.
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