As Crônicas De Zophiel
1 A decisão de Nelchael
Essa FIC foi desenvolvida para os leitores e fãs do universo criado por Eduardo Spohr.
Foi feita com muito carinho e dedicação. É um tributo ao celeste Zophiel que nasceu em meu coração, trazendo consigo suas histórias, contadas ao pé do ouvido a cada soprar de vento.
Não espere algo tão profissional, afinal é a minha primeira FIC.
Conto com a colaboração e apoio de todos os leitores que dedicaram seu valioso tempo a ler minha primeira obra.
O estilo da FIC enquadra-se em OC ("Original Character". É quando a fic possui algum personagem criado pelo autor da fanfic.), OOC ("Out of Character". Quando o personagem age de forma diferente do habitual.), e Darkfic (Fanfic abundante em cenas depressivas, atmosferas sombrias e situações angustiantes.).
Músicas ouvidas que inspiraram ao escritor: Bring me to life, My Immortal, Lithium, Like you, Forgive me, Missing; Evanescence. Outras, Sadnes and sorrow; Naruto; Numb, In the end, Faint, Somewhere I belong, Breaking the habit, From the Inside, Numb/Encore, What I’ve done, Iridescent, e New divide; Link Park
Desde já agradeço ao apoio dado pela colega do grupo Universo Celestial, Aline Nascimento, pelas orientações, paciência e incentivo, estimulo. Que Zophiel e Ellora possam ter um laço de amizade, bem como, as mentes por trás desse universo.
Obrigado a todos e boa leitura!
Atte. TigasDl
A decisão de Nelchael
Segundo céu, Gehenna, conhecido por ser um lugar de imensa escuridão e sinuosidade. Designada manter encarcerados e almas, e outros seres em penitência. Lá habita a casta de hashmalins, anjos da punição, verdadeiros torturadores, manipuladores de espíritos e das trevas.
Após o último embate travado contra o ataque surpresa de Asmodeus, o duque da Luxúria, onde vários seres aprisionados foram libertos juntando-se as tropas do infernal. Nelchael, arauto da casta, posicionou seus seguidores em vários pontos estratégicos pelo segundo céu a fim de resgatar alguns dos detentos que não aliançaram-se com o duque.
Procurando manter o controle e estabilidade, bem como o respeito dentro de seu reino, Nelchael, o celeste dos pés descalços reclusou-se no seu castelo que ficava ao centro da Gehenna, conhecido como Palácio do Julgamento, feito inteiramente de obsidiana, muito semelhante a castelos medievais, resistente, cercado por muralhas de pedras flamejantes, no seu interior um frio e rusticidade, sem luxo algum, ao seu redor dentro das muralhas destacava-se um imenso campo, o Vale do Filho de Hinom, sem vida, onde literalmente tudo exalava morte, castigo, depressão.
Sentando num trono de pedra turmalina preta, encontrava-se o jovem e atraente Nelchael, seu corpo era de um porte atlético excepcional, exibindo seus músculos não exagerados, vestia uma manta branca deixando aparecer o lado esquerdo de seu peitoral, seus cabelos curtos ao lado, subindo ganhando comprimento, bagunçado, de um negro azulado, seus olhos grandes e redondos muito lembravam um diamante negro. Sua pele morena clara recordava açúcar mascavo. Suas asas pendiam para trás do trono que possuía uma adaptação para que o mesmo não incomodasse ao superior.
Pensativo questionava-se os últimos eventos ocorridos. A aliança de Ellora e Asmodeus para mata-lo. O julgamento da celeste pelos Arcanjos, a punição que a arauto dos ishins fora submetida e a intervenção do diabo. O surgimento da aliança que separaria mais uma vez celestes e infernais, colocando-os em um novo grupo. Além disso, houve a procura de Lúcifer pelos irmãos, pedindo ajuda para manter a ordem no Sheol. O arauto do Julgamento ria sozinho ao recordar deste evento. A estrela da manhã humilhando-se, desesperada por ajuda. E a sua postura diante da ocasião, negando diante do seu superior, o Arcanjo Uziel, e os demais arcanjos a sua força para colaborar com Lúcifer.
No interior do castelo uma iluminação excêntrica chamaria atenção de qualquer pessoa comum. Mas se tratando do lugar nada mais era do que um atrativo aos olhos dos hashmalins, uma punição. Chamas vivas iluminavam o núcleo da fortaleza, corpos pendurados, a cena muito lembra a animais abatidos em frigoríficos, no caso pessoas, celestes traidores, entidades, demônios, via-se de tudo um pouco preso por correntes, incendiados por uma chama que nunca se apagaria, consumindo a matéria de forma tão lenta e dolorosa, pois atingia diretamente ao espírito. Outros seres espalhados por corredores apresentavam seus corpos sofrendo todo tipo de sofrimento, enquanto uns purgavam seus pecados em longas penitências, outros sofriam o desespero eterno.
Levantando-se de seu trono de poder e autoridade o arauto partiu em direção a uma masmorra que tinha vista para todo horizonte do Segundo Céu. Apoiou-se ao para peito da mesma recordando-se dos dias de luz, do dia em que despertou em seu intimo um sentimento nobre, chamado amizade. Nelchael apesar de forte era submisso apenas a uma coisa, o saudosismo. E muita das vezes seu capataz o atormentava com lembranças que certas vezes o faziam respirar fundo despertando de momentos bons, outras vezes, afligindo-o com recordações enfadonhas.
A brisa do vento trazia ao arauto além do odor do medo, ira, depressão, o desejo de correr atrás, atrás de algo demasiado importante para o mesmo.
Devaneio. . .
Festa nos céus!
Quinto céu, palácio celestial. Celebração da conclamação dos Arautos!
Arcanjo Miguel, Lúcifer, Rafael, Gabriel e Uziel em seus supremos tronos aguardavam o momento exato de anunciar os grandes celestes que a partir daquela ocasião guardariam uma palavra e seriam visto único e exclusivamente como subordinados dos Arcanjos. O quinto céu tornou-se pequeno diante da multidão celestial presente naquele lugar aguardando a proclamação dos tais alados. Dos tronos notavam-se claramente as castas divididas, cada uma com o ego inflado, alegres, extasiados, um barulho ensurdecedor preenchia aquele lugar, efeito da animação dos anjos, então se seguiu um silêncio repentino que como um leão devorou aos poucos a balbúrdia.
Levantou-se a Estrela da Manhã, estendendo a mão direita como quem acena a alguém, tomando a palavra disse:
– É com grande alegria e prestígio que hoje o Arcanjo Miguel juntamente com meus irmãos e eu decretaremos os Arautos das castas, representantes que terão submissão apenas a nós a partir deste momento. Passo a palavra ao meu irmão o Arcanjo Gabriel que comunicará a todos vós os eleitos.
Sentando-se novamente o filho do alvorecer cruzou as pernas e apoiou seu queixo sobre a mão esquerda aguardando o término do evento. O arcanjo Gabriel por sua vez esboçará um sorriso verdadeiro e autenticidade declarando primeiramente os arautos dos querubins.
– Celestes guerreiros, fortes e perceptivos, apresentem-se. Chamo para compor a bancada dos arautos: Abasdarhon, Kafziel, Morael, Salatiel e Tartys.
Nesse momento uma chama de fogo intensa desceu dos céus, uma coloração composta de um azul claro, laranja, vermelho, violeta e dourado. Eram os intitulados que uniram suas magníficas espadas forjadas de poder e como uma torre de fogo caiu em direção ao centro do hall da fortaleza, juntos representavam naquele momento a força destrutiva que provém da união. Os demais querubins que assistiam a cena levantaram também suas espadas e bradavam gloriosos pela honra de terem sido declarados primeiros pelos soberanos. Em um dos tronos o Marechal Dourado colocava-se de pés e com orgulho santo empunhava a sua esplendorosa espada.
Gabriel acenara aos celestes para que mantivessem os ânimos pois a grande cerimônia estava apenas começando. Retomando a palavra citou.
– Nobres, políticos, excelentes administradores, ilustre na arte da estratégia. Ah! Os serafins, grandes mestres em tudo o que condiz a mente. Apresentem-se: Asasel, Asmodeus, Dumah, Mikael e Zophiel.
Então presenciou-se um objeto branco surgir diante de todos, na altura do mais alto trono, o de Miguel, muito parecia com um imenso ovo de um branco tão intenso que a própria luz se refletia nele. Desceu lentamente e antes de tocar o chão rachou-se revelando os cinco alados que expandiam suas asas que antes segredava seus corpos. Estavam todos de mãos dadas em formação circular, mostrando que assim como um círculo que não possui início e fim, para os celestes daquela casta a mente não havia limitação. Logo palmas educadas tomaram o local, os serafins matearam acima de tudo a postura.
Por não ser interrompido continuou o arcanjo a revelar os arautos da seguinte casta.
– Hábeis em disfarçar-se como boneco de barro – disse Gabriel deixando escapar um sorriso irônico – e eleitos para direcionar ao homem o caminho em que devem andar, unindo-se aos mesmo e convivendo no que se entendo por sociedade chamo aos elohins: Zehanpuryu, Yofiel, Sagnessagiel, Naaririel e Kokabiel.
Em meio a palmas espalhafatos apresentaram-se sem mais delongas diante dos gigantes e tomaram suas posições.
– Vocês que são demasiado bondosos cheios de amor e paz, que evitam combates e zelam pela unidade, alegria e o bem estar dos humanos. Outorgamos como arauto dos mesmos: Damabiah, Quemuel, Hasdiel, Iaoth e Jael.
Carismáticos e cheios de prestígios seguiram os cinco de cabeça baixa envoltos a um manto tão alvo quanto à inocência dos mesmo, seus pés aparentemente não tocavam ao chão. Admirados pelos irmãos de casta que respondiam afetuosamente iluminando todo o recinto. Percebeu-se que por um instante o Arcanjo Rafael levantou-se e aplaudi-os, em seu semblante tremenda alegria. Mas logo se apercebeu do que fizera e recompôs-se no acento.
– Filhos do Julgamento, aqueles aquém foi dado à autoridade de punir a todos aqueles que desobedecem aos estatutos da LEI. Habilidosos por controlarem maus espíritos, habitantes do Segundo Céu, hasmalins. Elegemos como arautos: Henoch, Barquiel, Halaliel, Nelchael e Orifiel.
Do chão emergiu uma densa negritude, tão densa que nem mesmo a luz local poderia dissipa-la. Seres de aparência séria e sem sentimentos elevaram-se dali tomando forma à medida que as trevas sumiam. Nessa hora até mesmo o vento decidiu silenciar-se. Lúcifer olhando-os sorriu admirando a entrada da casta dos hashmalins.
Gabriel um tanto surpresa pelo que vira, arrumou suas madeixas que estavam por sobre seu rosto, passando-as para trás continuou.
– Água, terra, vento e fogo, bem como suas ramificações. Tudo está sujeito a vocês. Responsáveis por manter o equilíbrio elementar, ajudantes do Pai da Vida na constituição do quarto dia. Manifestem-se: Ellora, Pahiel, Sizouze, Sandalfon e Rogziel.
À medida que Gabriel anunciava tais arautos os mesmo exibiram-se, declarando ali a importância da casta como dito pelo arcanjo para a construção do mundo dos homens. Do chão brotou uma imensa rosa e do centro dela saiu uma mulher trajada de folhas silvestres e com os cabelos enfeitados de diversas flores que exalavam seu perfume pelo lugar, então dos céus caiu uma imensa bola de fogo que apesar de ardente não destruiu o lugar e nem afetou aos presentes e de lá outro celeste surgiu, com isso começou a chover em um ponto especifico do recinto e das aguas que se formaram ao chão surgiu uma menina translucida que tomara forma instantes depois, um estrondo rasgou os céus e em meio a um clarão oriundo de um relâmpago apareceu um homem de olhos eletrizantes, por ultimo da terra surgiu um grande gigante de barro que arrancando a bela rosa dos chãos a cheirou, diminuindo revelou-se ser o maior de todos ali, os ishins. Enquanto revelavam-se sua casta manobrava os elementos revelando um show jamais visto em outro lugar.
Assim sendo o Arcanjo Miguel tomou a palavra passando a frente do seu irmão.
– Os malakins também possuem seus arautos, todavia não puderam se fazer presente devido à imensa responsabilidade que possuem com o universo. Isto posto, declaro os citados arauto das respectivas castas. A partir de então vocês devem responder somente a mim e meus irmãos estando sujeitos a nossas ordens. Irão compor a bancada dos arautos situada no palácio celestial, elaborada pelo Arauto Asmodeus.
Celebremos ao grande poderio celestial!
Então houve nos céus uma grande festa durante trinta dias comemorando assim a cada arauto escolhido. E foi assim que deu-se início a história dos arautos.
A intercessão do discípulo
Recuperando-se assalto feito por seus pensamentos Nelchael lamentava o modo como às coisas seguiram celestes caíram, outros se afastaram ao ponto de não serem nunca mais vistos. Alguns foram mortos nas grandes batalhas etéreas. E foi a partir dai que a bancada dos arautos deixou de ser tão importante para muitos.
– Em pensar que até você partiria para o outro lado, serafim! – Tirando do bolso uma pena branca tão alva quanto à neve. – Você que um dia disse que jamais se apartaria dos céus. Você que cresceu comigo. E me fez declarar um amor do qual nem mesmo Yahweh foi digno. Por quê? Por que fizestes isso contra mim? – Lágrimas negras escorriam pelos olhos do celeste e mancharam a pluma angelical. – Onde estarás agora? Será que te arrependes?
Voltando ao castelo passa por várias cadeias, nos corredores alguns hashmalins faziam a segurança, vistoriando para que nenhuma criatura escapasse da fortaleza do Julgamento, à medida que o arauto avançava os celestes o reverenciavam, uns cessavam a conversa e mantinham a postura, enquanto no fundo das celas presos exprimiam-se, sem dúvidas uma superlotação.
Partindo da fortaleza Nelchael caminhou até o Vale do Filho de Hinom, ao contrário do que muitos imaginam, o campo morto e sem vida figurava o tormento para quem ali vivia, arvores secas, terra cinza e céu alaranjado, não havia luz, nem sinal de esperança. No centro do jardim uma estátua do príncipe Hashmal empunhando uma lança que perfurara o corpo do que parecia ser uma entidade, recordação das guerras etéreas. Sob a mesma uma estrela de cinco pontas marcando os pontos cardeais. Olhando para todos os lados procurando alguém que observasse a cena que prosseguiria e não encontrando a ninguém, o anjo manifestou densas trevas que envolveram por completo o monumento, ao passo disto os olhos da estatua celeste brilharam revelando um vermelho intenso e demoníaco recolhera a lança do peito da criatura, o chão ali tremera e revelando uma passagem secreta subterrânea oculta entre as esculturas.
Descendo pelas escadarias da oculta caverna avançava Nelchael de modo que chamas revelavam-se iluminando o caminho enquanto o mesmo prosseguia. Sombras corriam pelo interior da cova, mas nada mais eram do que efeito do arauto passando por entre a iluminação. Chegando ao fim da cavidade um altar feito de pura ônix resguardava um objeto estranho sobre si, em cada ponta velas negras acesas que não se consumiam.
– É da natureza celestial não perceber o real valor de uma coisa, ao menos que a percam. – Disse uma voz quebrando o silêncio presente no lugar.
– Zaraki! – Disse Nelchael esboçando um sorriso amarelo.
– Um sorriso pode te tirar de uma situação difícil, mesmo que seja falso. Mas pelo pouco que lhe conheço sei que mascaras algo que lhe incomoda a tempo. Por favor, não tente me enganar.
– Como chegou até aqui? Pensei ter vendado a abertura da câmara.
– É isso que me preocupou senhor. O vi saindo sorrateiramente do castelo e achei estranha sua atitude. Ocultei-me em meios às sombras do vale e então quando as trevas estavam encobrindo o ornamento em memória do grande príncipe Hasmal entrei furtivamente sem que me percebesse.
– Tenho uma missão a cumprir. Preciso que fiques e tome conta de tudo nas redondezas de Hinom. E não reveles a ninguém a entrada deste lugar e nem mesmo que partir. É secreto. Posso confiar em você?
– Secreto?! – Franziu o cenho com a postura do seu senhor – Me leve junto, talvez possa...
– Basta Zaraki! – Embravecido andou na direção do seu seguidor, lançando a mão no pescoço do hasmalim o suspendendo. – Não me questione! Coloque-se no seu lugar, eu sou arauto... Arauto – gritou Nelchael – Você consegue compreender isto? Não lhe devo satisfação do faço ou deixo de fazer! – Lançando o servo contra a parede.
– Você tem responsabilidades como todos nós, mas se não consegue confiar nos seus irmãos, – referindo-se a própria casta — então não está cumprindo o seu papel.
Nelchael após ouvir as palavras de seu fiel discípulo ficou estático. Turbilhões de pensamentos passaram por sua mente, então respirou profundamente, expirando o ar pela boca.
– Como posso continuar sendo um arauto se não puder salvar nem mesmo um amigo? – Sorrindo amargamente continuou — Viver é doloroso se você perde seus sonhos e se ninguém precisa de você. E existir sem razão e o mesmo que estar morto.
Erguendo-se do chão o jovem hashmalim que sofrerá leves escoriações com o repentino ataque silenciou-se a procura de uma resposta, algo que pudesse mudar o caminho do Arauto do Julgamento.
– As pessoas não podem mudar o que são por mais que tentem. Zophiel é um traidor e merece ser punido. Merece ser punido por todos nós hashmalins, não suje suas mãos com aquele imundo, ele não é digno de ser apreendido pelo senhor mestre. – Sua intenção era de ao elogiar a Nelchael desperta-lo da cegueira causada pelo desejo de ir atrás do serafim. – Permita-me ir e lhe trarei o medíocre para que escarneçamos dele juntos e todos vejam o quanto somos poderosos.
De costas para Zaraki, Nelchael abaixara sua cabeça sinalizando negativamente.
–...Lutar por aqueles que você perdeu e por aqueles que tem medo de perder talvez seja assim que todos devam viver... Se você ama alguma coisa, proteja-a com os seus dois braços nem que tenha que arriscar sua própria vida.
— Voltou-se para o hashmalim -Não, você não entendeu você acha que entendeu o que não quer dizer que entendeu. Entendeu? Bom já me alongou demais por aqui!
Nesse momento todas as chamas que iluminavam o macabro recinto apagaram-se.
– Me desculpe, por favor! – Disse uma voz em meio às trevas e logo depois um ensurdecedor grito abafado pela caverna que no momento não possuía entrada e saída. Nelchael usara de sua divindade ilusão assassina em seu subordinado, deixando-o inconsciente pela gravidade do ataque. Após isso enfiou seu dedo no abdômen do celeste, com as mãos manchadas de sangue cobriu o altar que possuía escrituras indistinguíveis. Do seu bolso tirou um pomo multicolorido, única lembrança que possuía materialmente de Zophiel, ganhará do mesmo em Veneza posterior a uma excursão a terra onde Nelchael sem intenção o ferira. Numa reconciliação oculta nos fundamentos de Veneza o serafim lhe dera o objeto místico com as seguintes palavras, “Se pensarmos em uma pessoa, de qualquer modo, chegaremos a ela”.
Presente de grego
Despertado do pensamento que lhe prendera em Veneza, o arauto colocou o pequeno objeto no centro do altar junto com a pluma já não mais branca de Zophiel corrompida por lágrimas, concentrou-se em apenas uma coisa...
– Zo..phi..el! Zo..phi..el!
Um misterioso vento tomou aquele lugar tão forte e destrutível que muito lembrara um furacão, as chamas das velas que não se desgastavam cresceram, e línguas de fogo tomaram o teto da caverna. Da parede da caverna que ficava em frente ao altar surgiu algo horrendo. Uma aberração de rosto disformo sem olhos, boca e orelha estendeu-se do muro revelando-se até a cintura, Nelchael não se mexeu tão pouco fora notado pelo ser que erguera suas mãos revelando bocas na palma de cada membro. Sobre o altar a criatura estendeu suas mãos que começaram a pronunciar.
– O que nem olhos virão, nem ouvidos ouvirão... Caminhos altivos e pensamentos bem maiores do que os nossos... O que nem olhos virão, nem ouvidos ouvirão... Caminhos altivos e pensamentos bem maiores do que os nossos... – Desordenadamente o ser dizia isto, sua voz diabólica e cheia de furor tomava a cova e em menos de um segundo tudo voltará ao normal.
Olhando para todos os lados o arauto questionara a si mesmo o que teria acontecido ali, o que seria aquele ser jamais visto, qual a razão por trás de tais palavras. Logo o pomo levitou exibindo seis asas sendo seus pares de cores distintas. Dele uma forte luz irradiou de maneira que por um instante o arauto ficara cego, ouviu-se um barulho como de um trovão.
Nelchael desmaiara!
Olhos abertos
– Ah! Minha cabeça... Onde estou? – tateava o chão Nelchael a procura de algo para se levantar, sua visão estava embaçada, ouvia distante o som de pássaros cantarolando, o sol iluminava o local, a brisa corria, e as arvores, elas pareciam cantar e andar...
Após conseguir ficar de pés e recuperar a visão Nelchael deparou-se com uma visão celestial, o paraíso, não o paraíso que ele conhecia um lugar que ele jamais vira antes. Atônito com toda aquela cena impactante o hashmalim ao mesmo tempo em que espantara-se regozijava-se por contemplar tamanha beleza jamais visto até mesmo nos céus.
Na floresta ninfas bailando dançavam junto com as arvores, as minúsculas fadas cuidavam das flores que enfeitavam a mata, atrás de certas arvores gnomos e anões escondiam-se observando o desconhecido que invadira o recinto, sem dúvida.
– O tecido... o tecido simplesmente não existe aqui! – Andando em direção a um desfiladeiro o anjo deparou-se com um imenso mar de águas cristalinas, a brisa marinha trazia canções , olhando para as bravas aguas que chocavam-se contra os rochedos percebeu que ali havia mulheres, belas mulheres, tão lindas quanto, não ainda mais linda do que as sacerdotisas de Afrodite. Cantavam e insinuavam-se para que o celeste se entregasse aos prazeres etéreos.
– Oh lindo alado por que não desces e vem nos fazer companhia, estamos tão sozinhas, carentes, com frio. Venha para nossos braços. – Falou uma das filhas das águas. Acariciavam-se, outras tocavam-se e olhavam para Nelchael. – Venha conosco enviado dos céus. Faremos tudo o que você desejar!
– Calem-se! – Disse Nelchael. – Acham que vou cair nessa armadilha tão baixa? – Seus olhos nesse momento ficaram amendoados, fitou uma das marinas e perguntou. – Diga-me monstro onde estou?
As marinas riram e mergulharam ignorando a pergunta de Nelchael que a essa hora ardia em raiva por não ter sido respondido. Alçou voo e dos altos observou todo o terreno. A floresta estendia-se a perder de vista, a única solução era aventurar-se mata adentro, procurar informação com os seres que ali habitavam e encontrar o que estava procurando.
Voando cerca de quinhentos metros planou sobre os galhos das imensas arvores milenar. De lá observou o terreno. Lançou-se ao chão fazendo uma aterrisagem invejável. Andou atentando a diversidade da flora e fauna do lugar então desconhecido. Encontrou após uma longa caminhada um riacho fruto de uma cachoeira que lançava dos altos aguas esverdeadas. Abaixou-se para saciar a cede e lavar o rosto, o calor era intenso e mesmo com o passar das horas parecia que o dia não findara ali. No instante que lavaria o rosto pela segunda vez viu uma criatura semelhante a uma mulher surgir das águas, tão próximo dele que recuar não seria uma alternativa.
– O que fazes aqui, celeste? Como chegastes a este lugar, santo e imaculado? – Falou a entidade do riacho.
– Estou à procura de outro celeste, acredito que ele esteja aqui. Como cheguei bom não sei ao certo. Foi tudo muito rápido e acredite, ainda estou confuso com tudo isto. Mas diga-me onde estou? Que dimensão é esta? – Ergueu-se o arauto mais confiante ao ver que a entidade não o via como inimigo.
– Você está num lugar tão distante que nem mesmo os alados e irmãos etéreos conhecem. Estranho realmente vê-lo aqui. Um grande manto protege este lugar o ocultando a bilhões de anos. Depois de várias guerras etéreas onde irmãos foram disseminados, muitas criaturas refugiaram-se aqui. Nosso grandioso deus tem nos guardado da aparência de todo o mal desde então.
– Sim! Mas que lugar é este? Quero saber o nome!
Saindo das aguas claras a mulher de corpo translucida tomou forma à medida que entrara em contato com a terra. Seu corpo fora coberto por um manto verde da cor das folhagens, seus cabelos voavam constantemente mesmo não havendo corrente de vento, uma mistura de verde claro e marrom e verde musgo, balançando ao ar. Seu rosto era coberto por uma máscara que deixava a mostra apenas sua boca. Suas mãos eram grandes para o corpo, o que deixava desconfortável olha-la. Alta e encurvada, era mais linda nas águas do que fora delas concluiu Nelchael. Tocando nos ombros do hashalim andaram até uma arvore perto do riacho. Batera na mesma a entidade como alguém que soca uma porta a espera que abram. Uma portinha da copa do grande carvalho abriu e de lá uma pequena fada surgiu planando em direção à criatura.
– Minha querida, conduza o alado até ao vale do alfa e ômega. — A fada espantou-se e no que testemunhava o arauto a pequeninha temia acompanhá-lo até o lugar determinado pela entidade de poder assombroso. — Não temas criança nada de ruim acontecerá. Deixe-o e volte a sua morada.
– Meu nome é Anku! — Falou a nanica alada deprimida, passando a frente de Nelchael.
– Acho que ela não gostou muito da ideia! — Confessou o hashmalim.
– Essa floresta tem suas belezas, mas também esconde vários perigos para forasteiros. A envio para que não cruzes caminhos indesejáveis. Ela será precisa.
Virando-se para a entidade Nelchael fez uma pergunta que já o incomodava desde quando a conversa iniciou.
– Qual é o seu nome?
– Meu nome é Pinikir. Vá homem, não perca mais tempo!
Nelchael seguiu o caminho em direção de Anku que a essa hora já estava distante. Olhou para trás e despediu-se da deusa Pinikir que mantinha uma aparência serena. Já distante o arauto ouvira uma voz trazida pelos ventos.
"Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito."
O corpo de Nelchael tremeu diante daquelas palavras. Respirando fundo aquele ar campestre o hashmalim dizia para si mesmo "Só porque é o destino, ou só porque não pode ser mudado… pare de ficar se lamentando por isso." Era uma forma dele amenizar a insegurança que o porvir promovia em seu eu.
– Eu sobrevivi até aqui para este momento! — Relatou Nelchael.
– Hum?! — Indagou Anku pensando que o alado tivesse falado com ela.
– Falta muito para chegarmos? Já faz três horas que estamos andando, ou melhor, que eu estou andando.
– Não tenha pressa o que for pra ser será. No tempo certo chegaremos ao vale do fim.
Nelchael compreendera que alfa e omega eram termos sinônimos ao início e o fim.
– Vamos parar para descansar. Prosseguir pela noite é arriscado. E você não quer arriscar sua jornada. Quer?!
A pequenina era sabia ao usar suas palavras. Aproveitara da inocência do anjo quanto ao lugar para fazer a parada. No entanto, não mentia ao relatar que o lugar escondia elementos que poderiam intervir no caminho dos dois.
Nelchael deu um riso cansado.
– Você sabe usar as palavras. Tens razão. Estou andando tanto que já perdi a noção de tempo neste lugar. Onde podemos encontrar comida e descansar?
Anku explicara a Nelchael que aquela dimensão era iluminada durante cinco dias e que a noite era longo estendendo-se a dois dias. Mas que o fato de haver essa discrepância não afetava a fauna e flora etérea.
No que parecia a fada já parecia ter se conformado a chata missão de guia o estrangeiro ao destino informado, mesmo o arauto sendo de um caráter duro e áspero, a pequena conseguira descontrair o mesmo talvez por ser brincalhona, talvez pela magia ou quem saiba a paz que emanava naquele desconhecido lugar.
– Nelchael! Nelchael!- Anku próxima de um pomar apontava para a frondosa fruta – Podemos comer a essas!
– Já não era sem tempo, nanica!
Sentou-se o alado junto a arvorezinha e deliciou-se com aquelas frutas. No seu ombro, sentada estava Anku esbaldando-se.
– Nelchael, vamos subir a copa da sequoia. Iremos dormir lá em cima. De lá podemos ter a visão de tudo a nossa volta. Estaremos protegidos dos perigos terrenos.
Após comerem ambos escalaram a gigantesca arvore acomodando-se entre as folhagens. Dos altos o arauto observava tudo a sua volta enquanto já Anku dormia coberta por uma folha. Não demorou muito e a imensa bola de fogo que iluminava durante cinco dias a dimensão deu lugar a duas luas gêmeas que se revelaram à medida que o sol cobria-se com o manto de trevas. Nelchael, deitou-se e observou o gigantesco céu estrelado, as estrelas cadentes corriam nos céus e as constelações exibiam a história dos céus em diversas figuras. Distinguia-se a constelação de camelopardalis, fornax, monóceros dentre outras. Refletiu sobre o dia seguinte e dormiu.
No meio da longa noite o arauto desperto por uma música observou do alto da sequoia uma claridade que dançava em meio as arvores, olhou para Anku e viu que a fada continuava a dormir, não resolvendo incomoda-la lançou-se da gigante. Se embrenhando em meio a mata aproximou-se consideravelmente da claridade dançante, se tratava de uma grande fogueira cujas labaredas balançavam pelo soprar do vento. Ao seu derredor faunos, púcas, selkies, sátiros, ninfas, minotauros, anões e gnomos, abarimons, tellens e basajaunaks. Dançavam e cantavam em volta da floresta. Uma festa.
Analisando a cena atentamente o celeste considerou por um momento que a supremacia angelical por muitas eras ultrapassou limites que agora eram irreversíveis, guerras, morte, deuses pacífico que foram enterrados junto com suas crenças. A troca do quê? Segurança?!
Os anões, seres de 1,50m, estavam sentados sobre um grande tronco, observavam as ninfas bailando ao redor da fogueira acompanhando a melodia que produzia a flauta, banjo e pandeiro dos faunos que agitavam aquele lugar, enquanto os sátiros na companhia dos demais seres tomavam bebidas fermentadas. Sobre algumas arvores um grupo de abarimons riam ao ver que um dos anões já porre cairá de costas sem equilíbrio para levantar-se , surpreendente era ver que essas criaturas possuíam os pés voltados para suas costas, já os tellens de feição envelhecida e pele de um cinzento azulado e cabelos tão secos e brancos quanto a palha de um milho, cuidavam do que parecia ser a comida a ser servida em instantes. Os minotauros junto com os basajaunaks promoviam a segurança daquele lugar rodeando o campo a céus aberto, atentos a toda e qualquer aproximação indesejada.
Mas adiante pássaros voavam o que fez o anjo deduzir que algo aproximava-se da festa e rápido. As ninfas pararam de dançar e os faunos encerraram a música alegre, os abarimons saltaram das arvores e todos ali olhavam apenas para uma direção. Do meio da mata saltou um mostro quadrupede com dentes tão grandes que o impossibilitavam de fechar a boca, olhos negros, cabelos brancos que cobriam apenas a cabeça e sua coluna, garras longas e afiadas, nos membros superiores um par de algemas quebradas indicava que a criatura estava anteriormente presa, wendigo. Atrás dele soltara outro ser um homem alto, ossudo, uma criatura humanóide com longas pernas desproporcionais, a ponto de chegar seus joelhos acima de sua cabeça quando se agachava. Com a cabeça e as patas de cavalo, tikbalang acompanhado de um ser que não possuía cabeça, uma berração que possuía olhos e boca nos peitos, blemmyes.
Wendigo partiu ferozmente para cima de um abarimom, numa investida selvagem abocanhou o pescoço da criatura lançando-a contra a arvore, os sátiros deram o sinal para que os seres indefesos deixassem o campo imediatamente, armaram-se de seus arcos que em nenhum momento os abandonava e alvejaram as costas do indomável wendigo, os anões, ninfas, faunos e tellens partiram o mais rápido que puderam em direções distintas diante do pânico que instaurava no lugar. Em meio ao desespero, chuvas de flechas, púcas e gnomos eram devorados friamente por blemmyes, arrancando primeiramente a cabeça dos seres indefesos para depois subtrair seu fraco corpo. Do outro lado um minotauro forte media forças com seu rival tikbalang, duas vezes maior que ele, por trás armava-se um basajaunak com seu imenso porrete acertando o grande joelho do cara de cavalo.
Nelchael vira a tudo, uma chacina. Wendigo já havia devorado completamente o ser de pés ao contrário, e correu ameaçadoramente atrás do que escapavam quando foi impedido por uma sombra que surgira a sua frente disferindo um violento golpe no queixo da criatura fazendo-a cair sem jeito ao chão diante do ataque surpresa. Nelchael entrara na batalha. Por um momento todos ali olharam o alado que emergira das trevas. Aproveitando o descuido do tikbalang o minotauro inclinou-se procurando apoio ao chão e saltou contra o peito do humanoide acertando o peito do mesmo com seus longos chifres. Atordoado pelo golpe caiu ao chão sendo em seguida morto pelo forte golpes que levara na cabeça pelo terrível basajaunak. Ao tempo que a morte de tikbalang ocorria blemmyes apressava-se na direção contraria ao campo, fugira declarando que a batalha a seu ver estava perdida, ao menos satisfeito por ter devorados alguns gnomos e púcas não fez questão de ajudar aos colegas, dando-lhes a costa, mas fora alvejado por dez flechas envenenadas que cortaram o ar decretando a sentença do ser. Restava apenas o maldito wendigo que rosnava na direção de Nelchael que estava frívolo, cheio de raiva e com desejo de punição. Abriu suas asas brancas e transformou-as em trevas, encarou o monstro e num gesto tão rápido quanto um piscar de olhos quebrou os ossos da aberração assassina com seus tentáculos moldados pelas trevas do ambiente. Aproximando-se da criatura agonizante levou seu dedo indicador a cabeça do ser disferindo uma ilusão assassina, o silêncio da noite fora quebrado pelo aterrorizante grito que o mostro deu, wendigo estava morto.
– Como chegaste aqui, alado? Não és bem vindo neste lugar! – Falou basajaunak, alto forte de pelos que saiam de sua manta. Sua voz cheia de furor inconformado com a visão celestial.
Três sátiros apontaram suas flechas em direção ao coração do alado. Aguardavam o consentimento para desferir o ataque. Mas foram impedidos pelo minotauro, lucido.
– Calados! Não veem que ele nos ajudou. Se quisesse nos matar já o teria feito. Não é de agora que ele estava a nos observar. Poderia ter nos atacado a muito tempo. – o cabeça de boi revelava saber da aproximação do arauto a muito tempo.
– Relaxem! Eu não vim para causar-lhes mal algum. Estou aqui a procura de outro celeste.
– Vai confiar nele?! – Disse o desconfiado sátiro não acreditando nas palavras do anjo.
– Então você está na direção certa, mostro!- falou basajaunak. – No vale do fim se encontra...
– Calado amigo! Não podemos cita-lo. Aquele cujo nome não podemos mencionar está em todo lugar, seus olhos e ouvidos estão atentos a tudo que menciona-o. – Adiantou o sátiro.
– Vá anjo e não espere que agradeçamos por sua ajuda. No passado muito dos seus ceifaram a vida de nossos pais, irmãos e amigos. Raça de monstros. Vá e cumpra sua tarefa!
Notando que dos presentes ainda no campo não conseguiria informação alguma o hashmalim seguiu de volta a grande arvore, deitou-se novamente.
– A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O celeste que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada.
κοιλάδα Αλφα και το Ωμέγα
– Conforme o sol negro afunda. Os raios de um amanhã claro começam a brilhar. – Comentou Anku.
Depois de andarem duas noites e pararem três vezes para descansar, alimentarem-se, beber agua e observar criaturas que Nelchael nunca vira. Os dois enfim avistaram ao longe um imenso vale banhado por duas cachoeiras gêmeas cujas aguas enquanto de um descia de outra subia indo contra as leis da gravidade. Ao redor do vale belas cerejeiras, ipês adicionavam beleza ao lugar. Do chão, enormes pedras de cristais coloridos refletiam os raios solares formando assim um jogo de luz que invadia os céus.
– Então esse é o vale onde Pinikir acredita estar o celeste a quem procuro. Mas como ela tem tanta certeza? Até onde sei essa dimensão está escondida de todos os seres, até mesmo de outros etéreos.
– Acredite nela. A verdade é todos temos certeza de que existe um celeste neste vale. No entanto apenas o grande deus compreende a razão disso tudo. E se você veio a procura de um celeste só pode ser a este. Aqui é a morada do escolhido de deus. Jamais alguém tentou romper as fronteiras por respeito as ordem do criador.
– Vocês tem medo dele?
– Não Nelchael! Não temos medo. Temos respeito pelas palavras do escultor, por suas ultimas palavras. É verdade que muitos discordam. Nem todos aceitam a presença de um celestial aqui. Apesar de ser único.
Os dois olharam em direção ao vale. Era chegada a hora de se despedir.
– Obrigado, nanica!
– Não precisa agradecer Nelchael. Estava apenas cumprindo ordens. – Sorriu a fada tentando descontrair o clima chato que pairava no ar. – Se cuide forasteiro, daqui pra frente é com você!
– Eu sei me virar sozinho. Sou um arauto. Outrora conhecido como Executor dos Céus. Bom... deixe-me ir. Enfim é chegado o momento tão esperado.
– Nelchael! Você está em Nammu. Uma dimensão protegida pelo deus Zuri, senhor do equilíbrio entre as dimensões. Adeus anjo negro, que seus objetivos sejam tão fortes quanto a sua determinação.
Então num feixe de luz Anku sumira deixando Nelchael sozinho de frente para o vale.
O hashmalim atravessou o terreno de pedras preciosas e arvores florida até se deparar com um imenso portão de ouro gravado com palavras sumérias.
“Vale Alfa e Ômega. O inicio e o fim!”
Conforme o arauto aproximava-se da entrada sagrada do vale o portão abria-se silenciosamente. Desde a sua chegada às proximidades do vale o anjo sentira um poder tão formidável quanto ao seu. Sem dúvida era este o lugar em que estava a quem procurava. O portão então fechou-se atrás de Nelchael e a paisagem que estava fora do portão havia simplesmente desaparecido. Deixando um completo vazio, enquanto no seu interior entre duas cerejeiras, sentado no centro de um riacho formado pelas cachoeiras gêmeas estava um homem de cabelos loiros cumpridos, pernas cruzadas umas sobre a outra, coluna reta, ombros puxados para trás, a mão direita repousando dentro da esquerda ao nível do umbigo, as palmas das mãos viradas para cima com a extremidade dos polegares em contato, olhos fechados. Trajando uma túnica greco-romana.
– Árdua sua chegada ao Vale Alfa e Ômega? – Disse o homem quebrando o silêncio provocado pela tensão.
– Quem é você? Onde está Zophiel? Disseram-me que aqui habita um anjo assim como eu. Diga-me onde ele está? O que fizeram com ele? – Furioso Nelchael deixou detalhes tão pequenos passar despercebido.
O homem misterioso sorriu.
– É admissível não saberes quem sou. Eu sou o que bem quero ser. Mas para você, sou Zophiel o Espião de Deus. Arauto da Exclamação Divina, serafim sobre todo o serafim.
– Não me engane. Eu sei como é Zophiel. O conheço a muito tempo e sei que você não é ele.
Nelchael indignadamente corre em direção ao jovem, materializando uma longa espada de trevas, saltando em frente ao dito anjo, disfere um golpe em direção a cabeça do inimigo. Mas fora bloqueado por uma força telecinética que o prendera ao ar. A espada estava a um centímetro de atingir o celeste.
– Aceite Nelchael, este sou eu. Essa é a minha verdadeira imagem. O que você virá nos céus, na terra, e nos demais lugares onde estivemos juntos nada foi do que a minha consciência personificada. Pense. Por que eu seria chamado Espião de Deus se não tivesse a verdadeira imagem oculta. Devo tudo isso a Estrela da manhã que trabalhou sobre meus poderes e a Miguel que me concedeu usa-los para que pudesse aperfeiçoa-los.
O corpo de Nelchael foi lançado violentamente contra uma pedra de cristal que espatifou-se ao choque do corpo.
Continuou Zophiel.
– Não vejo porque razão veio aqui. Ah! Então usastes o pomo que lhe dei de presente. Sinceramente jamais pensei que o arauto dos hashmalins viesse procurar por mim. Que belo presente de grego. Usado contra mim.
Levantando-se e já crente de que aquele era o serafim Nelchael pôs-se a falar.
– Não entendo por que você traiu ao Marechal Dourado. Por que resolveste se aliar a aliança, se juntando a Asmodeus, Dumah e a Ellora. Você acredita que tudo isso terá realmente um significado? Zophiel, você está decretando sua sentença de morte e por isso vim aqui. Para resgatá-lo de si mesmo. Você perdeu o juízo!
– Eu existo para lutar apenas por mim mesmo, amar somente a mim mesmo e matar todos além de mim! – Conforme falava levitou e ficara de pés no centro a porção de terra onde meditava.
– Por que você diz isso? Você está desequilibrado!
Segredos apenas entre nós dois!
– As flores nascem e depois murcham... As estrelas brilham, mas algum dia se extingue... Comparado com isso, os viventes não são nada mais do que um simples piscar de olhos, um breve momento. Nesse pouco tempo, as pessoas nascem, riem, choram, lutam, são feridas, sentem alegria, tristeza, odeiam alguém, amam alguém. Tudo isso em um só momento. Aquele que me criou nunca perguntou se eu queria existir. Por isso, eu não posso perdoá-lo, não posso perdoá-los. Nada importa para mim!
– Não importa o que você diga! O que você faça... Eu te levarei para os céus e começaremos tudo novamente.
– Eu passei muito tempo com você e isso o fez acreditar que somos amigos, agora você acha que pode intervir na minha vida.
Mas no seu intimo Zophiel sabia que o único significado de Nelchael estar ali era o valor da amizade.
– Você para mim se torno insubstituível, alguém que me ajudou a ver o mundo de maneira diferente, o único ser que posso chamar de melhor amigo!
O vento soprou forte levando consigo os cabelos loiros do serafim.
– Você tem certeza disso, Nelchael?! Então faça melhor do que isso, não se prenda ao passado. Viva sem a necessidade da minha existência. Se você então não tiver mais motivos para viver, então morra! Eu não voltarei contigo. Eu não necessito de você e tudo o que vivemos nada passou de uma ilusão sem valor algum para mim!
As mãos do serafim ergueram-se em direção as gigantes pedras que faziam parte do jardim as espatifou de em pequenos pedaços lançando-os contra Nelchael. O hashmalim manteve-se parado, hesitou diante do ataque e não para sua surpresa o serafim havia parado também. O livrando da investida.
– Não importa o quão grande seja a sua dor, eu continuarei seguindo-o mesmo que para isso eu tenha que carregar toda sua aflição, nem que para isso eu tenha que ir atrás dos seus agressores. Até que minha aura deixe de existir eu não descansarei de você... Porque você se tornou alguém que posso chamar de amigo!
Os objetos lançados caíram ao chão. No rosto do serafim a via-se a tristeza encarnada. Lágrimas cristalinas escorriam. De repente o anjo caiu nos chão de joelhos, com rosto no pó da terra.
– Eu estou cansado de tudo isso. Você tem que ir Nelchael. Sua presença na minha vida não pode ser real, me deixe sozinho. Minhas feridas não podem ser saradas e a dor que elas me causam me recorda da realidade que me atormenta.
– Quando eu chorei você enxugou minhas lágrimas, quando eu gritei você estava lá para me proteger dos meus medos, você segurou minhas mãos por todos esses anos, você tem tudo de mim. Você me cativava com sua luz ressoante. Deixe-me lhe proteger!
– Deixe essa vida para trás. Você agora só assombra meus sonhos que um dia foi agradável. Nelchael, você tirou de mim toda a sanidade. Esse é o meu adeus a você, e viverei todos os dias dizendo que você se foi embora ainda esteja aqui comigo. – com a mão esquerda sobre o seu coração. – Viverei até o final dos tempos despedaçado por esse sentimento.
Uma voz soou na mente do serafim dizendo “Mate-o. Cumpra o que lhe foi ordenado, Enkidu.”. A expressão do serafim mudou repentinamente. Levantou-se, sacudiu a poeira de suas vestes. Juntou suas mãos e com isso uma grande energia espalhou-se no ambiente. As aguas do riacho foram expulsas pela devastação que a energia causara.
– Você teve sua oportunidade de continuar sua vida e ainda assim a desperdiçou vindo até aqui. Prepare-se hashmalim, pois no panteão de Dilmun será seu túmulo.
O serafim levitou cinco metros sobre o chão retomando a posição de meditação. À sua frente Nelchael viu três seres que surgiam de um feixe de luz. Suas faces assemelhavam-se a de Zophiel, no entanto um possuía os cabelos negros, outro vermelho cor de sangue, já o terceiro era aquele que Nelchael julgava ser o verdadeiro serafim, de cabelos cor de prata. – Morra Nelchael! – Disse os quatro Zophiel, cada essência de sua personalidade.
– Você é apenas um idiota que nasceu com uma genética boa! – gritou o hashmalim — Eu jurei que cuidaria de você, e que suportaria o peso de seu futuro nos meus ombros. Se preferes assim então prepare-se!
O serafim de cabelos pretos tomou a frente do ataque enquanto os dois ficaram a retaguarda guardando o corpo original. Nelchael questionou se aquilo tratava-se de uma ilusão até sentir a potência do ataque que vira em sua direção, ao esquivar-se viu o golpe de seu inimigo acertar uma das grandes arvores milenares que decoravam o panteão ser destruída com o toque do adversário. O arauto do Julgamento voou, mas logo foi segurado pela mesma força que antes o prendera. O anjo de cabelo cor de sangue o segurava telecineticamente jogando-o contra o chão. Ao passo que o senhor da Gehenna tornou seu corpo em trevas para evitar a agressão física, mergulhando seu corpo na terra.
– Você não pode se esconder por muito tempo, Nelchael. Agora é tarde demais para fugir! – Falou Zophiel de cabelos cor de prata.
Do chão brotou laminas negras destruindo o plano chão do lugar em direção ao verdadeiro Zophiel. O serafim de cabelos pratas projetou um escudo em volta dos três impedindo a penetração das lâminas.
– É preciso mais do que isso arauto para me atingir! – continuou o serafim. – Bom... Vamos logo terminar com essa distração.
O serafim de cabelos prata concentrou-se. Rastreava ao hashmalim que não poderia ocultar sua mente do mesmo.
– Então você está ai! – Riu. – Choque mental!
Após isso o serafim negro planou na direção do hashmalim soterrado. Concentrou seu poder telecinético nos punhos e jogou-se dos seus velozmente em direção ao chão destruindo-o a sua volta. Nelchael estava soterrado em meios as pedras, desacordado. O as lâminas negras sumiram, bem como o escudo do serafim. Com isso o celeste de cabelos vermelhos o levitou a distância
– Droga... Droga... Então é isso mesmo. Estás mesmo tentando me matar. Você está decido Zophiel – A mente de Nelchael dizia.
– Eu deixei você sobreviver por um simples capricho meu, e agora por um simples capricho meu, vou te matar! – Friamente o serafim de cabelos escuros aproximou-se. – Antes de te matar vou lhe contar um segredo. Um segredo que ficará apenas entre nós dois.
Os três serafins sumiram restando apenas em cena o hashmalim e Zophiel. Que levitou até a direção do arauto que continuava desacordado sobre efeito das habilidades do celeste. Continuou
– Nelchael, você entende qual a razão de nós arautos existirmos? Como você sabe os arautos são os anjos mais fortes dos céus depois dos arcanjos. Aqueles que alcançam o sexto ciclo recebem o titulo de “machon” o vulgo arauto. Estamos acima até mesmo dos príncipes, ditos lideres de casta, mesmo pertencendo a nossa casta não fazemos mas parte da mesma, estamos acima dela, estamos ligados apenas as palavras que guardamos, nada além disso.
– Eu sei de tudo isso! – Sussurrou o arauto do Julgamento.
– Então você realmente está me ouvindo. – Sorriu cinicamente o serafim. – Mas a verdadeira questão de arautos serem nomeado é a hipótese de um poder ameaçador explodir dentro de cada um, ameaçando até mesmo aos arcanjos. Ao contrário dos demais anjos nós os arautos, não todos é claro, podemos usar o que os Malakins descobriram ser os “caminhos”. Um poder devastador se bem utilizado. Não é a toa que estamos subordinados único e exclusivamente a eles, os arcanjos. Isso porque nossa própria casta se tornou inferior a nós. Ah! A bancada dos arautos. Poupe-me! – Zophiel andava de um lado para o outro inconformado com a idiotice dos demais arautos. – Em pensar que tem muitos machons acreditando ser realmente especial. Muitos desconhecem a existência dos tais caminhos e os poderosos arcanjos não querem realmente que essa descoberta aconteça.
– Cale a boca! – Gritou Nelchael interrompendo o serafim. – Cale a boca! Cale a boca! – gritava o hashmalim enquanto sua aura expandia-se consideravelmente. Então houve uma explosão de treva e Dilmun ficou no escuro. – Eu cansei de ouvir suas idiotices. Nem parece o serafim que andava comigo! Que ria comigo. – Não era possível enxergar absolutamente na cúpula negra formada pela aura de Nelchael. — Aguilhões do desespero! – Bradou o arauto e com isso espinhos surgiram da capsula negra prendendo o serafim lá dentro.
Nelchael arrancou um cordão com três contas muito parecido com um terço do seu pescoço e os jogou na terra e de lá um mago e duas entidades escravas do arauto surgiram.
– Não pense que eu vim despreparado para lhe enfrentar serafim. — Virando-se para o mago ordenou para que o mesmo realizasse um feitiço que bloqueasse os ataques mentais de Zophiel. E mandou que as duas entidades se preparassem para o ataque a qualquer momento.
A cúpula negra deu lugar a luz deixando claro o serafim preso nos aguilhões de trevas de Nelchael. Apesar de tentar se defender da investida Zophiel foi atingido, estava trancafiado nos espinhos, sua roupa estava completamente rasgada, deixando seu corpo a mostra. De sua testa escorria um filete de sangue, descendo pelo seu rosto, encontrando seus lábios.
O bruxo, um velho enrugado, corcunda, narigudo de olhos vivos e alerta, vestia uma batina preta cujo capuz cobria o rosto deixando a mostra seus pelos grisalhos, ao redor de sua cintura uma corrente de prata, em suas mãos um cajado. Invocara um livro de capa preta com um estrela de cinco pontas no centro de um anel de cobre. O livro flutuara e então o feiticeiro começou a murmurar palavras desconexa. Enquanto falava uma insígnia queimava a nunca de Nelchael. A runa de proteção mental estava feita, e o arauto protegido.
– Lembre-se Nelchael, essa runa lhe protegerá de ataques mentais. O efeito dela é de apenas trinta minutos. Se você quer realmente vence-lo deve ser dentro desse tempo. – falou o mago de voz roca devido ao pigarro provocado por anos de fumo.
– Certo! – concordou o arauto. Virou-se para uma das entidade de chifres, corpo de homem, armadura de ossos, e corrente nas mãos. – Mastema, acorrente-o e prenda a sombra dele para que seus movimentos sejam impedidos. Azza! – um ser magro de corpo nu cujo sexo não era distinguível, possuía os olhos completamente brancos e pouco cabelo, seu corpo possuía vários cortes, muito se assemelhava a um homem que fora escaldado em águas ferventes.- Quando ele acorrenta-lo quero que você arranque uma pena do celeste e manche-a no seu próprio sangue e traga imediatamente para mim.
– Sim grande mestre! – Disseram as tenebrosas criaturas.
– O que você planeja com tudo isso, amo? – murmurou o mago.
– Assim que ele trouxer a pena de Zophiel com seu sangue você bloqueará todas as divindades do serafim. Após isso deixe o restante comigo.
A todo o momento as mãos de Nelchael estavam unidas, de forma que isso mantinha os espinhos negros aprisionando o celeste.
– O que ele esta fazendo? Por que ainda não se livrou desses ferrões? – Disse um telespectador que observava o embate desde que Nelchael chegara ao panteão, através de sua taça de ouro adornada com pedras preciosas.
– Será que o teu amado irá te trair logo agora meu rei? Logo agora em que seus planos estão próximos de serem cumpridos? – Falou uma segunda pessoa que acompanhava tudo através do cálice de vinho.
– Não! Ele não tem motivos para me trair. Ele não pode me trair! – Disse o rei misterioso no desconhecido.
Com isso Mastema correu na direção dos aguilhões que prendiam o anjo nu. Girou sua corrente sobre a cabeça e a lançou contra Zophiel, acorrentando-o. Em seguida Azza entrou pelas brechas que davam os espinhos a fim de pegar a pena do serafim.
Foi então que um raio dourado atravessou os céus acertando em cheio a área espinhosa. Era o báculo de Zophiel que manifestou-se em Dilmun, uma explosão telecinética destruiu todo terreno, ainda cravando a cabeça da entidade junto ao chão. O invocado de Nelchael, Azza estava morto. Com o impacto do báculo Mastema liberou o serafim da corrente que o prendia.
A poeira baixou.
Um som abafado!
Zophiel teleportou-se para trás de Mastena, impôs suas mãos contra a cabeça do ser e a explodiu enquanto olhava o hashmalim, espalhando os miolos da criatura pelo chão, o sangue jorrava conforme o corpo do monstro encontrava o chão, formando uma grande poça vermelha. O corpo da entidade tombara. Desesperado o feiticeiro ergueu seu cajado pronto para conjurar um feitiço, quando Zophiel arrancou das mãos do bruxo seu cajado, levitou-o e sem pensar duas vezes enfiou boca a baixo do velho, tão violentamente que o bastão penetrou o chão de modo que o corpo do velho não caiu.
Nelchael vira a tudo o que aconteceu. Tudo tão rápido que ele procurava realmente ver se tinha perdido alguma coisa.
– Quando descobri que você era igual a mim, eu fiquei muito aliviado. Fiquei feliz também. Eu pude falar com você durante muito tempo. Nós éramos solitários. Então descobrimos um ao outro. A primeira vez que vim a terra foi ao seu lado. Coliseu. Naquele dia jurei ser seu amigo. E também decidi que você seria o meu rival. Reconhecia sua força, competência e compromisso. Além da solidão que nos acompanhava, outro sentimento nos atrelava irmão! – Nelchael arregalou seus olhos com as palavras do serafim – Nós não gostamos de fracassar! Eu confesso Nelchael que por um momento eu quis ser você, e fiz de ti minha inspiração. É por isso que eu quero lutar contra você.
– Fuja disso Zophiel, ainda há tempo. Abra os olhos! Enxergue que o caminho que estas seguindo não te levará a lugar algum. Suas escolhas estão todas erradas, você está vivendo uma verdadeira ilusão!
– Para sobreviver, nos agarramos em tudo o que sabemos e entendemos e chamamos isso de realidade! Essa é minha realidade! Não podemos evitar, mas sim entender, que ninguém por sua natureza nunca entenderá um aos outros.
– Olhe só você, gritando como uma pobre vitima por mim você pode reclamar o dia inteiro, não passa de um covarde.
Caminhos diferentes
Ninguém pode mudar o passado. Mas o futuro podia ser diferente. E tinha que começar em algum momento.
– Há coisas que não se pode mudar! Não me importa o que você me diga eu já tomei a decisão. Não podemos escolher de onde viemos, mas podemos escolher para onde vamos. Prepare-se Nelchael, agora é serio! – falou Zophiel com um sorriso blasé. Juntou as mãos, e materializou sua armadura revestindo seu corpo desnudo. – Por você vale apena descobrir os meus limites!
– Não julgue a maneira que demonstro meus sentimentos. É estranho, é diferente, mas é verdadeiro. – Passou as a mão no rosto limpando o sangue que espirrara em sua faça quando o velho mago fora atacado. – Mas eu já disse e não voltarei atrás com minha palavra. Te levarei para os céus onde é o seu lugar, nem que para isso tenha que socar seu rosto, quebrar seus braços, pernas e suas asas, te deixar inerte. Se for preciso farei.
Com isso o hashmalim estendeu suas mãos ao chão que revelou um anel negro a sua volta. Continuou o arauto do Julgamento.
– Você não é o único com segredinhos, amigo. – do chão emergiu uma gosma negra que tomara forma ao encontrar o corpo de seu invocador, tratava-se da armadura de Nelchael, usada uma única vez nas guerras etéreas, numa batalha contra deusa hindu Mahadeva, derrotando-a sem suporte de coros e legiões.
As asas do celeste arauto dos hashmalins ficaram negras como as trevas, uma couraça de aparentemente resistente revestia seu corpo do alta da cabeça as plantas dos pés, de cor fúnebre, seu capacete possuía dois chifres grandes que davam duas voltas. De sua armadura vibrava o desejo do castigo. Em sua mão direita uma foice que ultrapassava sua altura dez centímetros.
– Me esqueci de lhe falar que também sou conhecido como, o demônio celeste!
Logo que concluirá sua fala partiu em direção de Zophiel que vendo a cena armava-se para o contra-ataque. O corpo de Nelchael desaparecerá nas trevas que dele emergia, reaparecendo atrás do serafim, ergueu a foice desferindo o golpe a costa do anjo. Zophiel rapidamente virou conforme a arma de aproximava-se ricocheteando-a com sua telecinese, vendo seu ataque bloqueado, o hashmalim imediatamente disfere um soco que acerta o rosto do serafim o lançando longe o suficiente contra a cachoeira. Nelchael sai correndo para o próximo ataque com o rosto sério, fitando o rival.
Emergindo das águas claras o arauto da Exclamação Divina balança sua cabeça desfazendo-se da tontura provocada pelo ataque de seu inimigo. Quando sentiu a forte presença de Nelchael que surgira em cima de si com sua lança de lâmina curva pronto para reparti-lo ao meio. Pela proximidade do oponente o serafim só teve tempo de elaborar um escudo, enquanto Nelchael desferia golpes violentos um atrás do outro para quebrar a defesa do alado.
– Isso Nelchael, esse é quem realmente você é! – o serafim sofrendo os ataques imediatos ainda sorri. – Mas ainda é preciso mais se queres me derrotar! – Expandiu seu escudo de modo que tudo a seu redor era destruído, inclusive as cachoeiras gêmeas que ao sofrerem o ataque formaram um enorme lago cobrindo todo o panteão de Dilmun.
O hashmalim afastou-se e pairou sobre as aguas observando Zophiel furiosamente.
– Você não viu nada ainda! – completou Nelchael.
– Não se limite, amigo!
A energia que protegia Dilmun da visão dos habitantes fora do portão desfez-se fazendo com que as águas escorressem pelo vale Alfa e Ômega encontrando a grande floresta. Conforme as aguas baixavam os celestes se aproximavam do chão lamacento por causa da umidade.
Encaravam-se como dois leões presos em gaiolas sem alimentar-se, sedentos por um ataque preciso, sem falhas, fatal. O céu estava nublado, uma grande tempestade prometia desabar sobre aquele imenso campo. As nuvens escuras, carregadas, escondiam o sol trazendo com sigo um ar triste ao que seguia. De um lado um celeste que a todo custo procurar recobrar a lucides de seu amigo alienado, enquanto do outro um anjo que lutava por si mesmo no que parecia, enfrentado até mesmo seu único amigo a quem um dia jurou proteger.
Os dois correram prontos para o ataque! Os dois chocaram suas armas uma contra a outra explodindo suas auras, seus olhos não desviam do outro, saltaram para trás afastando-se dois metros de distância. Zophiel apontando para o arauto procura afetar a mente do mesmo com mais um de seus ataques psíquicos mas fora impedido pela runa do mago que ainda o protegera. Enquanto isso ocorria Nelchael correra novamente em direção do serafim, o arauto das asas negras trazia no seu rosto marcas da determinação mas deixava claro a tristeza que sentia a cada investida. O que fez o serafim por um momento desligar-se da peleja admirando o rosto do hashmalim, preso num devaneio.
Nelchael ergueu seu equipamento aos altos e atacou com toda sua força física, gritando o nome do serafim perdido em seus pensamentos, o que fez o celeste despertar apesar de ser tarde demais para uma investida. Ainda assim o serafim ergueu levantou seu báculo a fim de bloquear o ataque e foi isso que evitou de certo algo pior. O impacto provocou um choque devido o encontro das armas de modo que o báculo do serafim foi lançado longe.
A foice de Nelchael estava parada rente a garganta do serafim que estava estático olhando para seu executor. Que hesitara na sentença.
Atrás das cortinas um dos espectadores impactado com o acontecido derramou a metade de seu vinho devido ao sobressalto. O jovem loiro sem camisa, de corpo atlético, deixou o trono inconformado.
– Vamos Zophiel! O que estás esperando? Você quer morrer? Você não pode se entregar! – Disse o jovem Rei.
– Vamos para casa, serafim? – Disse Nelchael com a arma pronta para desferir o golpe de misericórdia.
– Por favor, por favor, me perdoe! – falou calmamente o serafim. – Mas não estarei em casa de novo. Talvez você inconsciente olhe para cima um dia, se questionará, está faltando alguma coisa aqui?! Você não vai chorar a minha ausência, eu sei. Eu sou assim tão importante? Eu sou insignificante!
– A morte é um cobrador muito sério. Não dá documento, mas só recebe uma vez. – Afastou a foice de modo que a lâmina voltasse as sua direita e o cabo da mesma ficasse seguro na esquerda, desferindo um violento golpe contra o queixo do serafim, arrancando-o do chão. — Eu jurei que cuidaria de você, e que suportaria o peso de seu futuro nos meus ombros. Não vou mata-lo.
Ainda no ar, jogado pelo golpe. O hashmalin segurou o pé de Zophiel o puxando de contra o chão. Da palma de sua mão um sabre de trevas projetou-se. – Vou começar por suas pernas, para que não possas correr. – Prendeu a foice nas costas e armou-se para cravar o sabre na perna do serafim estirado ao chão.
– Não me menospreze! – Teleportou-se para trás do hashmalim, chutando-lhe a nuca, o que fez Nelchael perder o equilíbrio e ficar tonto. Correu atrás do mesmo dando-lhe vários golpes com as palmas das mãos, seu ataque não era para atingir o corpo físico, mas sim destruí-lo de dentro para fora. Por último concentrou sua telecinesia atingindo dessa vez o peito de Nelchael jogando-o a quinze metros de altura. Atacava rápido para que o mesmo não passasse ao estado de sombras. Zophiel, como um fotógrafo que procura o ângulo certo com as mãos, enquadrou ao arauto. Agarrou-o com a força de sua mente jogando-o agressivamente de contra ao chão. – É assim que se faz! – O impacto do corpo do anjo ao chão abriu uma cratera escondendo o corpo no fundo da mesma.
– Ele realmente está querendo me matar. – Falou Nelchael levantando-se dos escombros com certa dificuldade. Apertou seu peito. – Não pensei que teria que ir tão longe com isso.
O corpo do hashmalim tornou-se uma sombra, apenas mantendo a foice no estado físico e preso às costas do ser. Subitamente estava na frente do serafim. Que estava impedido de ataca-lo pelo mesmo estar na forma de sombra e pela runa que guardava sua mente. Nelchael incrivelmente deu um soco no estomago de Zophiel que se acreditara que o braço atravessara o anjo, que cuspira uma bolsa de sangue, não satisfeito continuo a bater na cara do serafim, que desnorteado voou buscando afastar-se da Sombra.
– O que você está querendo? – Gritou Zophiel com a boca cheia de sangue, rosto ferido devido aos socos. – Me deixe em paz!
Da sombra apenas via-se nitidamente dois olhos ruborizados.
– Um amigo! Resgatar um amigo de suas loucuras, de si mesmo! Eu vou lhe impedir...
Nelchael saltou rapidamente para perto do serafim continuando a golpeá-lo violentamente. Dando-lhe cinco socos novamente na barriga, a ponto do celeste sair do chão donde pousara a distância, terminando a sequencia com um chute certeiro no queixo. Voou por baixo do serafim, segurou suas pernas e arremessou-lhe contra o chão. Pousou em cima do celeste, agarrou-o pela armadura.
– E agora você acordou? Senão vou continuar a te esmurrar até te deixar imóvel.
– Cale-se! – sussurrou o serafim. – O que alguém como você sabe sobre mim? Não preciso de sua amizade! Não quero sofrer por você! Por que estáis fazendo tudo isso por mim?
– Se você se for... Para mim... Será o mesmo que estar sozinho! Não vou desistir... Você está mentindo pra si mesmo. – Ergueu-o jogando-o contra uma pedra grande de jaspe. — Se não apreciamos a amizade, não teremos interesse em preservá-la. Não estou disposto a perdê-lo.
– A vida é um piano. Teclas brancas representam a felicidade e as pretas à angústia. Com o passar do tempo você percebe que as teclas pretas também fazem música. Conviva com isso!
– Parece que é inútil te dizer as coisas!
– A partir de agora acabou a conversa!
Saltou da pedra o serafim. Abriu suas asas e delas olhos surgiram, ao todo seis.
Nelchael correu em direção do serafim. Os movimentos do celeste eram acompanhados a todo o momento pelos olhos misteriosos nas asas do arauto. Conforme os ataques do hashmalim partiam, Zophiel defendia-se. Socos, chutes, esquivos. Existe algo que todo serafim pode fazer, mas nem todos são iguais, Zophiel era um dos poucos envolvidos em guerras diretas tomando praticamente a linha de frente, ataques a deuses, assim como suas visitas a terra. Nisso ele aplicou o que os capacitado de telepatia chamam de memória eidética, é a capacidade de armazenar e processar vastas quantidades de informação em sua memória, dando a ela uma capacidade de aprendizagem sobre-humana, essa habilidade pode torna seu usuário num verdadeiro gênio. O serafim aprenderá a arte das artes marciais assim como outros truques.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Ambos estavam sérios.
O corpo de Nelchael voltava ao seu estado normal. Então ele entendeu que o serafim estava alterando o tecido da realidade, deixando-o tão denso que o hashmalim não conseguia manter sua forma sombria.
Já no seu corpo celeste a única alternativa de Nelchael era manter seus ataques que estavam desgastados aos olhos do serafim que ao ver uma abertura na defesa do arauto acertou um soco em cheio na cara do mesmo, lançando ao chão. O hashmalim contorceu-se de dor.
As habilidades de ambos estavam encerradas devido à densidade do tecido que dificultara a utilização de suas divindades.
O serafim andou em direção ao corpo do hashmalim jogado ao chão com as mãos junto ao rosto em posição fetal. Encarou-o. O chutaram na barriga inúmeras vezes que o arauto não resistindo vomitara sangue. Zophiel inclinou-se ante o arauto encurvando suas grandes asas. Segurou Nelchael pelos cabelos e arrastou-o até a cratera que o hashmalim formara ao cair pelo ataque do celeste. O lançou lá dentro.
– Bem, no mundo real os talentosos ofuscam os barulhentos! – Falou Zophiel! – Este será o seu tumulo.
Nelchael estava inerte. Sem reação. Quase sem vida.
O tecido finou-se, voltando à forma dantes, como se não existisse naquele lugar. Uma porção da terra levitou conforme as mãos do serafim comandavam. Nelchael fora enterrado.
Zophiel virou as costas para a sepultura, suspirou fundo. Descansou o corpo da rígida batalha. Continuou a andar de cabeça baixa. As asas encurvadas demonstravam a aflição do celeste.
– Aquele que trabalha duro pode superar um gênio, mas de nada adianta trabalhar duro se você não confia em você mesmo…
O serafim parou. Não acreditava.
– Nelchael!
Do tumulo uma enorme massa negra expandia-se para fora. Zophiel estirou a mão para tornar denso novamente o tecido. Mas Nelchael foi mais rápido. As trevas partiram em direção do serafim tomando forma de longas lanças negras que perfuraram todos os olhos das asas do celeste.
A sepultura explodiu revelando o corpo de Nelchael.
O hashmalim retirou de suas costas a sua ferramenta de combate apontando para Zophiel. Seus olhos eram negros e sua aura assombrosa tal qual a de um demônio sedento pelo mal. De sua arma várias almas partiram contra o serafim agarrando-o de modo que ele não conseguira se mover...
Nelchael desapareceu em meio às trevas que contornava sua presença surgindo da frente de Zophiel.
– Estendam o corpo dele! – Falou aos espíritos que logo obedeceram. Das suas costas surgiram dez tentáculos perfurando todas as pernas, braços, e as seis asas do serafim.
–Aaaaaaaaaaaah! – gritou o serafim não suportando a imensa dor. – Me soltaaaaaa!
Nelchael voou exatamente cinquenta metros de altura. Colocou as mãos na altura do peito formando um circulo com as mesmas juntas. Aos poucos trevas surgiam a sua frente. O hashmalim manipulara as trevas formando uma gigantesca esfera negra. Sustentava a imensa bola na palma de suas mãos, lançou-se na direção de Zophiel. Os espíritos que o prendiam recuaram ao recipiente. O serafim caíra de joelhos.
– Eu preciso chegar a tempo. Esse grande poder... Então é esse o verdadeiro poder de um arauto em combate. Não posso demorar!
Zophiel esforçava-se ao máximo para manter-se em pés usando sua telecinese para sustentar seu corpo e parar a hemorragia.
– Não existe outra solução a não ser esta!
O serafim então abriu seus olhos Conforme os revelava ao mundo um brilho intenso tomava o lugar, como se seus olhos fossem dois sois. Explodindo psionicamente a sua volta num raio de trinta quilômetros, causando uma destruição equivalente a seis bombas atômicas. Em meio a grande destruição que ocorria Nelchael e sua massiva esfera negra foram envolvidos. De dentro do caos o serafim observara Nelchael.
Zophiel abriu sua mão esticada na direção do hashmalim, a fechou e a bomba negra detonou-se dentro de sua energia psionica destrutiva. Teleportou-se aparecendo junto ao corpo de Nelchael, apontou os dedos em direção ao coração de Nelchael, que o fitava, tendo sua armadura, arma e as asas destruídas devido a explosão que se alastrava pelo lugar, preparou-se para desferir o golpe levando o ataque fatal contra o coração pulsante do arauto do Julgamento. Ao aproximar-se do órgão da vida celestial do hashmalim antes que o perfura-se, fechou o punho acertando o peito do celeste.
Adeus
O corpo de Nelchael estava estirado ao chão. Repousava um sono eterno. Aparentava ter encontrado a paz que procurava num mundo além da compreensão até mesmo de um telepata.
“Eu não quero ver você chorar. Também não quero ver você triste ou sofrendo, quero sempre ver você sorrindo, e quero te fazer sorrir, mas dói, a verdade é que eu quero cuidar de você, mas não posso.”
Recordou-se das palavras do amigo na catedral de Veneza. Sentiu uma forte dor em todo o seu corpo ferido caindo de joelhos ante ao rosto do arauto.
– He..no...ch! Você tentou! Amigos podem seguir caminhos diferentes!
Começou a chover... Parecia que o céu chorava vendo contemplando a cena. As nuvens deram lugar ao sol. Um feixe de luz iluminava aos dois... Mas logo desaparecerá.
– Eu fechei meus olhos há muito tempo, meus objetivos são outros. Sempre houve uma coisa pesada no meu coração, que me fez sofrer. Mas eu olhei muito tempo para um abismo, agora o abismo me olha e me chama, me atrai.
Levantou-se.
– Adeus!
Em sua mente vários pensamentos traziam a memória os dias vividos ao lado do hashmalim. Coliseu, Veneza, Monte Everest, Rússia, Suíça, dimensões etéreas.
Olhou para cima. “Você não está sozinho!” Sorriu. Do interior de suas mãos tirou um pomo. E jogou-lhe sobre o corpo do hashmalim. A chuva molhava seu rosto. “Volte para sua casa!” Balançou a cabeça procurando se livrar dos pensamentos que o prendiam ao passado.
– Por que não o matou? — falou o jovem loiro que surgirá atravessando o nada a seu frente sentado sobre um trono de ouro maciço.
– Eu sabia que você estava acompanhando a tudo. Senti seu olhar sobre mim. Desconfiado de minha palavra? Eu não sou homem para me arrepender de minhas palavras, tão pouco filho do homem para que minta.
O jovem rei olhou a sua volta e não viu nada além de destruição. Floresta, vidas, lagos. Tudo a volta do campo de batalha tinha sido destruído.
– Eu sabia que podia contar com você celeste!
– Não me chame assim!
– Assim como?
– De celeste. Não pertenço a eles. Não mais segundo o seu desejo.
–E este desejo não é seu também?! Ser Deus!
O serafim calou-se...
– Você está muito abatido. Vamos! Meus servos irão lhe curar.
Trinta minutos. A runa desfez-se desprotegendo a mente inerte de Nelchael.
Olhou novamente para o corpo do hashmalim conforme o misterioso homem entrava com ele numa fenda que surgira no além.
– O sol já se foi, agora só nos resta às memórias daquela luz, Nelchael!
Resgate
- Quem são vocês?! — Esbravejou Zaraki. – Que lugar é esse?
- Acalme-se! Acalme-se, por favor! – Disse uma criatura aparentemente feminina. Cabelo Chanel, olhos mais puxados do que uma japonesa bem como sua boca, dentes amarelos, e pele avermelhada e nariz achatado. – Lhe encontrei jogado perto de um penhasco. Senão chegasse a tempo seu corpo seria arrastado pelas dríades. Me chamo, Semiesca! Você está em Nammu. Estava completamente ferido e com um corte profundo na barriga. Usei algumas ervas para fortalecer seu corpo. Já faz três dias que você dorme!
Zaraki observava a mulher de feição tão feia que refletira o quão misericordioso foi para alguns infernais o ato de continuarem muitos “belos”. Levantou de uma cama de palhas. Tinha o corpo coberto por ervas. O paladar era de puro mato. Ervas curandeiras. Ia ser auxiliado por Semiesca, mas talvez por medo da criatura ou até mesmo por ser “ingrato” ou de sua natureza, a chutou fazendo-a cair por sobre sua estante com potes com ervas e raízes.
- Não me toque monstro! Saia da minha frente! Tenho coisas a resolver.
O mostro levantou-se sem graça. Possuía uma imensa corcunda que lhe atribuía mais estranhes. Abriu a porta de sua casa que ficava dentro de uma árvore velha.
- Fiz a minha parte em ter lhe resgatado jovem alado! Fique a vontade pare ir embora. – Falou a mulher de voz desentoada.
- O que foi?! Quer que eu te agradeça infeliz? Não fizeste mais do que sua obrigação criatura ridícula, e asquerosa.
Passando isso o hashmalim voo partindo em direção a aura que sentia a distância. Ao ponto de sentir auras poderosas em conflito.
- Eu preciso chegar a tempo. Esse grande poder... Então é esse o verdadeiro poder de um arauto em combate. Não posso demorar!
Então de longe viu uma imensa massa de energia que invadia a floreta destruindo tudo e a todos. Para evitar que o ataque o atingisse o mesmo voou sobre a esfera destruidora, de lá comtemplou raças, culturas, e uma diversidade de fauna e flora sendo destruída. Não podia fazer nada. Não queria fazer nada.
Logo após o assalto Zaraki sentiu um terceiro poder no terreno que superava as duas auras em combate. Instantes depois não sentia nada mais do que um resquício de energia que ao pouco dissipava-se no universo. Deslizou pelos ceús esforçando-se ao máximo para chegar a tempo de salvar um de seus tutores.
Aproximando-se viu a Nelchael jogado ao chão, lavado em sangue. Uma cena terrível. Seu corpo estava completamente dilacerado. Ajoelhou-se e gritou repetidamente pelo nome do arauto.
- Nelchael! Nelchael! – Procura com isso que o hashmalim recuperasse a consciência e lhe dissesse o que havia ocorrido.
- O sol já se foi, agora só nos resta às memórias daquela luz, Nelchael! – Disse Zophiel, suas palavras ecoavam distante na mente de Nelchael.
A chuva molhava o corpo do hashmalim esparramado ao chão, junto com ela seu sangue regava a terra formando um imenso lamaçal. O efeito da runa havia desaparecido. O celeste agoniza de tanta dor. Suas asas, armadura, arma... seu corpo, completamente destruído pelo feroz ataque do serafim. Sua mente em choque deixava de reagir mesmo antes estado protegida pela runa que sem dúvidas o livrará de algo pior.
- O que fazer? Se ele ficar aqui irá morrer! – Olhou para o pomo que estava sobre o corpo do mesmo. Recordou-se da forma como o arauto havia usado da primeira vez. Concentrou-se no Segundo Céu, Palácio do Julgamento. Pegou o pomo multicolorido com as mãos manchadas do sangue do arauto. Com isso um forte furacão formou ao redor deles e dos céus um forte raio despencou sobre os tais.
Estavam na sala oval desacordado!
Fale com o autor