As Crônicas De Um Futuro Robótico

2 Capítulo 2 - um par de olhos de cores diferentes


300 anos depois...

3415, algum dia da primavera, Australia.

♦ Luca ♦

Uma música do Michael Jackson soou repugnantemente alto no MP846 no bolso da jaqueta de um garoto ruivo dos olhos cansados e o com os ombros e o nariz descascando por causa do sol maléfico dos últimos tempos. Ele mascava um chiclete ignorantemente e levantava o nariz quando alguém cruzava sua frente o olhando nos olhos. Luca colocou as mãos nas costas e se alongou. Olhou por cima do ombro direito cuspiu no chão e pensou consigo mesmo. “Isso vai ser divertido”. Sobrepôs sua cinza e azulada capa no seu rosto ríspido e pálido, ajeitou suas luvas de couro artificial e foi pisando forte em direção ao menino ruivo.

Passou esbarrando em quem estivesse no seu caminho sem que o capuz caísse de sua cabeça, tampando seus olhos negros e sombrios. Logo parou ao lado do ruivo que desencostou da parede de uma construção inacabada para mostrar o quanto era alto. Luca falou de um jeito ríspido e obscuro.

— Soube que vocês têm. – Luca não deixou que o garoto ruivo visse seus olhos e observou o garoto com a rouca visão destampa do capuz. Uma calça jeans azul escura, uma camisa branca e uma jaqueta vermelha. Todas as peças muito bem passadas. Diferente das pessoas que andavam naquela rua suja que usavam roupas de malha furadas.

O menino ruivo olhou para Luca com desdém, encostou-se de volta na parede mascando o chiclete. Olhou para o céu e depois bateu na porta mal feita da construção inacabada. Quatro batidas. E uma voz grossa apareceu por trás da porta.

— Onde esta o pote dourado? – perguntou a voz.

— Não existe pote dourado. – respondeu o garoto ruivo entre as mordidas barulhentas no seu chiclete. E um pequeno barulho de correntes ecoou atrás da porta e ela se abriu.

Uma criança de aproximadamente sete anos colocou sua cabeça no pequeno espaço que fora aberto da porta. Ele tinha os cabelos loiros quase brancos ele levou seus olhos para um lado e para o outro procurando por algo. Depois levantou sua cabeça e disse:

— Quem é o cliente? – sua voz era extremamente grossa, nada normal para uma criança pequena.

— Esse do capuz. – Disse o garoto ruivo olhando para a rua. Com desdém e obviamente, mascando chicletes.

— Entre. – disse a criança abrindo mais a aporta. Luca obedeceu a ardem da criança e entrou sem mostrar medo ou hesitação. – E Staff, cuspa esse chiclete ou eu vou ai e arrancarei seus dentes um a um e rasgarei a sua gengiva com as minhas unhas para que você nunca mais masque isso como uma vaca come capim.

Staff, o ruivo, revirou os olhos e cuspiu o chiclete na direção das pessoas que passavam.

— Excelente. – disse o menino batendo a porta com uma força absurda para uma criança.

A sala era escura, mal planejada e cheirava a cimento úmido e ferrugem. Não havia nenhuma janela naquela sala e estava abafada. Depois de um tempo seus olhos se acostumaram com a luz daquele lugar.

— Siga-me. – disse a criança. Sua voz ecoou por toda a sala, dando a sensação dela ser muito mais grave do que é. Ia atrás daquele menino.

A criança o guiou até o outro lado da sala, onde havia uma porta de aço gigante. Ele bateu novamente na porta. Quatro toques. Esperamos alguns instantes e escutamos três toques em resposta e então o menino disse:

— Espadas de sangue cortam mais fundo.

E a porta se abriu e uma escadaria com incontáveis degraus seguiam a nossa frente. Um adolescente gordo e cheio de espinhas estava atrás da porta segurando uma arma simples. Olhei para ele com desdém e pena de sua fragilidade. Era visível que ele estava tremendo. Não me contive em mostrar nojo, ele não conseguia ver meus olhos por causa do capuz. E então segui a criança loira até o fim da escada.

Havia uma sala bem arejada, ampla e iluminada. Meus olhos arderam com a claridade daquele ambiente. A sala era feita de mármore branco. Com colunas, uma mesa de centro, milhares de armários, estantes de livros e na parede a minha esquerda um vitral. A criança sentou-se em uma das cadeiras da mesa de centro e fez um sinal para eu sentar-me também.

— Sou Nicholas. – disse ele me olhando com seus pares de olhos, verde e vermelho. — Então, o que você procura? – disse o Nicholas apoiando o queixo na sua mão direita e sorrindo maleficamente. Permaneci em silêncio. O garotinho estreitou seu olhar e desmanchou seu sorriso. – Não irei perder meu tempo com alguém tão trivial como você. É melhor que me de um bom motivo para estar aqui.

— Procuro uma Ares Light Fire 700 – X. Com a versão especial do Bullet. – disse por fim. Não mostrei que minha respiração estava um pouco ofegante.

A criança olhou nos meus olhos tampados por um instante, estremeci. Depois ela deu um pulo para tentar descer a cadeira de mármore na qual estava sentado. Não havia reparado, mas a criança usava um short preto com um suspensório e uma blusa branca de babados, com meias até o joelho brancas e um sapato sépia. O que aumentava o ar de inocente envolta dele.

— Diga-me porque procura uma arma do século XXI? – disse a criança indo em direção aos armários. Ele estendeu sua pequena mão infantil e assim que encostou um de seus dedos no armário, apareceu um grande painel de controle superficial na altura dos seus olhos. E manuseou os comandos precisamente.

— Apenas procuro. – Tentei dar resposta objetivas.

— Que estranho. Estamos no século XXXV. Já foram inventadas armas com muito mais capacidade que essa. – disse o menino desconfiadamente com sua voz grave e olhar sério e frio encarando o painel de controle. – é um colecionador?

— Não. Talvez um admirador. – respondi.

O menino faz um cara de desgosto. E então a arma saiu de uma das prateleiras e foi para suas mãos. O painel sumiu e ele veio caminhando até a mesa. Sentou-se ainda abraçando a arma com ambos os brancos.

— Antes de negociar com você, tire o capuz. – respondeu ele sério. Tive a súbita impressão que ele tentava engrossar a voz. Refreei. Não podia ser precipitado em uma situação assim.

Os pés do menino balançavam no ar nervosamente como quem estava começando a ficar impaciente. E graças a deus, Fleur entrou bombardeando a sala com uma arma em cada braço.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.