As Companhias

4 Setembro,1994


Mais uma mulher era tomada por problemas de saúde, adivinha? Sra. Odaléia. Isso mesmo tia de Nênia, mulher que haverá ficado no lugar de Heidi, mãe dos jovens. Nesse caso foi mais natural para eles, ela estava em um hospital, me lembro bem de ter visto Amina dizer que eu não chegaria até lá, ela tentava impedir da garotinha chamada Nênia acreditar que eu estava próxima! Que raiva!! Já ouviram dizer que eu só chego para quem não me chama? Pois é. Mas vejam pelo lado bom, as pessoas aqui nunca estão satisfeitas uma com as outras, sempre achando que mães e pais, tias e tios querem o pior para eles, adolescentes tolos, que não viveram nem duas décadas completas e já acham que sabe de tudo da vida, e que já tiveram todas experiências. Enfim, entrei naquele hospital, com tantas pessoas me chamando, e muitas me temendo, queria apenas uma, apenas aquela companhia desejada, eu até hoje não entendo porque ela chorou, ela achava que a tia a odiava... Sinto muito que ela tenha pensado assim, aquela mulher só queria o melhor para ela, ou oque pelo menos ela achava melhor para Nênia. Envolvida de tubos, máquinas, agulhas nas veias e tudo para tentar mantê-la com vida. Confesso, que respirei fundo e sentei em uma poltrona, ela tombou a cabeça para meu lado e sorriu minimamente como se estivesse me saudando, foi ali que eu percebi que já estava na nossa hora, levantei-me e a tomei nos braços ela não se mexeu, apenas fechou os olhos e envolveu os braços em meu pescoço segurando-se, fomos para casa. Ali não prestei atenção em mais nada, apenas percebi rapidamente que uma enfermeira entrou no quarto desesperadamente.

Voltemos a falar sobre as amigas, conhecidas, ou algo assim de Nênia, eu estava a falar sobre Amina, e agora relatarei um pouco sobre Felipa. Já relatei que sou totalmente enfurecida por ela me chamar tanto né mesmo? Até parece que ela não percebe que tem muito o que aprender ainda, acha mesmo que eu vou trazê-la para ser minha companhia sem saber metade da vida? Pode tirar o seu unicórnio da chuva que do jeito que tá, vai ficar ai bastante tempo.

Humanos... Pergunto-me porque amam tão rápido, apenas com um “oi”, ou um “tem certeza que está tudo bem?” se apaixonam, poupe-me dessas tolices humanas, totais babaquices da parte de quem diz isso...

Pulando de New York para Coréia do Sul, depois do acontecimento com a Odaléia, tia da Nênia, eu soube que uma nova mulher, titulada madrinha veio de longe cuidar deles, Zorah, e assim as coisas começaram a mudar, regras e mais regras, proibições e novos problemas familiares sobre a pequena Nênia...

Naquele tempo, que faz muito pouco que aconteceu isso, Nênia ainda namorava Elma, uma relação de distância homoafetiva, a madrinha acabou descobriu, e assim proibiu das duas se envolverem, elas tentaram novamente, mas alguns conselhos foram o suficiente para eles caírem em si que isso não podia continuar! Naquele dia Nênia e Elma me chamaram, as duas estavam tão próximas de si e de mim, eu sentia aquele cheiro de garotinhas assustadas e tristes, aquele cheiro de juventude...

Pensam que foi fácil me controlar? Não foi, mas naquele momento eu não queria novas companhias, eu estava bem.