As Brasileiras

20 A Estilista De Pernambuco


Notas iniciais
História de uma mulher que realiza um sonho e acaba ganhando vários inimigos.

Brasil... Nordeste... Pernambuco. Pernambuco tem uma área total de 98 311, 616 Km² e entre esses territórios os arquipélogos de Fernando de Noronha e São Pedro e São Paulo, que enchem os olhos de quase 8.800.000 habitantes. E entre as maravilhas que enchem os olhos desses habitantes, está a Praia de Boa Viagem e o Porto Das Galinhas, em seu litoral sul. Sua capital, Recife, é um dos principais polos médicos do país e é lá que existe a Kahal Zur Israel, que foi a primeira sinagoga da América do Sul. Já em Olinda, existe os famosos Bonecos De Olinda, várias ladeiras de sobe e desce e ela é uma cidade festeira, principalmente no carnaval. E é lá que começa a história da nossa heroína de hoje,
A Estilista De Pernambuco

(aparece o lindo dia clareando cada vez mais em Pernambuco)
Em Pernambuco, o dia já nasce sorrindo e os passarinhos cantando Carnaval, nem que seja na Páscoa ou no Natal...
(aparece as ladeiras e várias pessoas descendo e subindo)
Nesce sobe e desce se encontra a nossa heroína de hoje: Marina...
(em câmera lenta, mostra uma linda mulher subindo uma ladeira. Ela está com uma saia longa e leve, que voa com o vento. Usa uma camiseta rosa fresca)
Que no caso, é essa aí...
E quem vê essa deusa pernambucana não acredita no q ela passou...
(enquanto ela vai subindo, mostra-se várias cenas rapidamente, de Marina gritando e brigando com o marido... Cenas rápidas como mensagens subliminares...)
(ela para e entra numa casa com a porta verde)
Marina: Oiiii, cheguei...
(silêncio mortal na casa)
Marina: Alguém aí?
(ela anda tensamente até a sala)
Marina: Ah!
(ela vê Pedrinho, o filho do meio de Marina, de sete anos, vendo televisão na sala. O filho caçula de Marina, de nome Pietro, de quase um ano, no chão, brincando de massinha)
Marina: HEY, não me ouviram chamar não?
Pedro: Sim...
Marina: E por quê não me respondeu mininú?
Pedro: O Pietro ainda não sabe falar...
Marina: Mas você sabe... E muito bem!
(ela pega o filho mais novo)
Marina: Olha só! Oxi, ele podia ter comido essa massinha, engolido, morrido engasgado ou intoxicado!
Vocês podem perceber que exagero não é sua qualidade...
(Marina olha em volta)
Marina: Cadê sua irmã hein? Ainda não chegou?
Pedro: Chegou...
Marina: ...E...?
Pedro: ...e saiu cinco segundos depois...
Marina: E você não disse a ela que era para ficar cuidando de vocês?
Pedro: Como se ela escutasse... Ela estava com aqueles fones de ouvidos que parecem orelhas de elefantes...
Em geral, a humanidade está começando a se vestir como e com os animais...
Marina: Oxi, ela não tem jeito...
(ela coloca Pietro sentado no sofá, então ele começa a se divertir com um desenho animado na televisão)
Pedro: Ah mãe, achei esses desenhos seus de roupas e tal...
(pegando os papéis das mãos do filho)
Marina: Oxi, não mexa nos meus croquís!
(ela analisa seus próprios desenhos)
Marina: Ah, Pedro... Você pintou tudo...
Pedro: Com canetinha e lápis de cor...
Marina: Ownnnn... Vou ter que fazer tudo de novo...
(Vivi, filha de Marina, chega em casa, jogando a bolsa no sofá)
Marina: Viviane minha filha... Posso saber onde é que você estava?
Vivi(indo para o quarto): Não...
Marina(escandalosamente): OHHHH...
(Marina persegue a filha)
Marina: Como ousa falar assim com sua mãe?!
Vivi: Ah mãe, não faz drama...
Marina: EU?! DRAMÁTICA?!
Vivi(com voz de idiota): É mãe, você...
(Marina cruza os braços e respira fundo)
Marina: Pelo menos fez meu joguinho no sorteio?
Vivi: Que joguinho o que mãe! Só para perder dinheiro e ter falsas esperanças...
Marina: Viviane!
Vivi: É Vivi...
Marina: Pelo menos está com o jogo aí?
Vivi: Tô...
Marina: Oxi, então me dê!
(Vivi tira um papel da mochila e entrega à mãe, que sai de casa)
E lá foi nossa heroína, fazer seu jogo da sorte cheia de esperança, sem saber o que aconteceria no dia seguinte...
...Porque mal sabia ela que o destino tem várias surpresas... E surpresa boa é igual cheque sem fundo, aparece quando a gente menos espera...
(aparece o sol se pondo e a lua aparecendo, depois a lua se pondo e o sol nascendo, com um galo cantando)
(aparece Marina subindo a ladeira para sua casa, cheia de sacolas. Ela entra e vê os filhos brincando)
Marina: A Vivi ainda não chegou?
Pedro: Não...
(ela tira várias comidas e começa a preparar o almoço. Ela começa a picar a cenoura quando sua filha entra eufórica)
Vivi: MÃE! MÃE!
Marina: AI MINHA FILHA! Quase cortei o dedo...
(Vivi olha em volta)
Vivi: Oxi, não tem tecnologia em casa não?!
(a adolescente sai correndo e liga a televisão, procurando um canal)
Marina(secando as mãos num pano de prato): O que aconteceu?
Vivi: Está todo mundo comentando!
(ela acha um canal onde um repórter está falando)
Repórter: É isso mesmo! Estamos aqui em Pernambuco, mais detalhadamente em Olinda, aonde saiu o grande ganhador — ou ganhadora — do grande sorteio e que vai levar uma bolada de 800 mil de reais! Só que esse ganhador ainda não apareceu... Vamos falar com o dono da banca aonde saiu esse prêmio...
Dono: Oxi, estou muito feliz que saiu daqui esse prêmio... Pena que ainda não foi revelado quem seja esse feliz...
Repórter: E vamos repetir os números; 01-03-05-06-07-09-12-13-14-15-16-17-18-21-25!!!
(Marina cai no sofá)
Marina: Não é possível...
Pedro: O que foi mamãe?
Marina: Esses são meus números... Eu... Eu... EU GANHEI!
(ela começa a pular com a filha no meio da sala. Então depois, pega seus dois outros filhos, lhe dão um beijo, corre pela casa toda...)
Vivi: Maínha?
Marina(de alguma parte da casa): QUE FOI?
Vivi: Me dá um tablet?
(aparece vários prédios de Recife, o mar e todas aquelas coisas bonitas)
Apartir daí a vida de nossa heroína mudou, ela se mudou para a capital, Recife, e investiu no seu grande sonho: a moda!
(aparece um grande prédio e depois Marina, sentada numa mesa cheia de folhas de croquis. Agora ela já está mais “arrumada”, com calça social, salto alto e uma blusa branca, junto com um blazer)
Vivi: Maínha?
(Marina para de desenhar)
Marina: Entra minha filha...
Vivi: Tenho duas notícias...
Marina descobriu que estava bombando mais que as Torre Gêmeas no ataque terrorista... Só que no bom sentido, claro...
Vivi: A primeira é que nossa filial lá no Rio virou um sucesso! Suas roupas estão cada vez mais pedidas...
Marina: Oxi, que maravilha! E a outra?
Vivi: Tem um empresário aí querendo lhe ver...
Marina: Manda ele entrar...
(Vivi sai e logo entra um homem socialmente bem vestido)
Marina: Oxi, você não é o empresário de Joseph Ramón?
Robério: FUI empresário dele... Meu nome é Robério...
Marina: Ah claro... Sente-se... Bem, o que deseja?
Robério: Eu vim aqui para fechar um negócio com você...
Marina: Ave Maria, que negócio?
Robério: Uma parceria... Com a minha ajuda, você venderia muito mais!
Marina: Oxi, mas eu já tô bem...
Robério: Ficaria muito melhor com a minha ajuda...
Marina: Ah, será?
Robério: É só assinar isso aqui...
(ele tira de uma pasta várias folhas e uma caneta)
Robério: E aí, vai?
(ele aponta a caneta para ela)
Marina ainda ficou com pulga atrás da orelha, mas resolveu arriscar...
(Marina pega a caneta e assina as folhas)

***

(aparece Marina desenhando mais e mais)
(Vivi entra)
Vivi: O que aquele homem queria mãe?
Marina: Fechar um negócio...
Vivi: Oxi, mas ele já não fecha negócio com aquele estilista que você tem vários posters espalhados no seu quarto? Um tal de José Ramês...
Marina: Joseph Ramón... E ele fazia negócios com ele...
Vivi: Fazia? Não faz mais?
Marina: Não, agora faz comigo...
Marina ficou com medo que a filha achasse duplo sentido nessa última frase, mas já tinha dito!
Vivi: Oxi, evoluiu hein dona Marina... Vou indo, beijo...
Marina: Não, espera filha!
Vivi: O que foi?
Marina: Amanhã eu preciso que você saque lá no banco o dinheiro que os investidores de São Paulo mandaram para gente...
Vivi: Beleza, amanhã eu passo lá...
Marina: Obrigada... Ah, e leva a Carmen junto!
(Marina apaga com a borracha algum erro de um de seus desenhos e recomeça a desenhar)
(Carmen é a secretária de Marina)
(aparece o por do sol, a lua nascendo e depois vice versa)
(Marina esta no prédio, vestida com um vestido rosa leve e está verificando os tecidos)
Marina: Acho que um turquesa seria melhor e...
Vivi: MÃE, MÃE!
(Marina pula de susto e coloca a mão no peito)
Marina: Ai minha filha... O que foi?
(uma senhora entra logo atrás. Ela tem cabelos curtos e ruivos)
Carmen: Perdão dona Marina...
Marina: Ave Maria! Que isso? Você parece um defunto...
Carmen: Aconteceu uma tragédia!
Vivi: Uma tragédia não, uma CATÁSTROFE!
Marina: Fala logo...
Carmen: O dinheiro do banco sumiu... Tudo, tudo, tudo...
(Marina cai no sofá)
Marina: Como assim sumiu?!
(Vivi dá de ombros e mostra Marina caindo no sofá)
(mostra uma vista aérea da cidade e então Marina andando de um lado para o outro em sua sala, com a mão na cabeça)
Marina: Não pode ter sumido...
Vivi: Vai ver foi um hacker...
Marina: Oxi, que diacho de hacker o que! O banco disse que era seguro, não tinha como sair um centavo sem a minha permissão...
Vivi: Pode deixar que eu resolve...
Marina: Resolver, resolver O QUE?!
Vivi: Espera para ver...
(Vivi sai da sala)
Carmen: Quer uma água com açúcar dona Marina?
Marina: Quero...
(Carmen sai para buscar a água)
Marina: Não, não quero não. Volta aqui...
(Carmen volta. Marina se senta no sofá)
(a cena corta para altas horas da noite, com Marina debruçada sobre a mesa, pensando nos seus desenhos)
(um barulho na porta: TOC TOC TOC)
Marina: Hã?...
(ela levanta e vê que é Robério)
Marina: Ah, oi seu Robério... Precisa de algo...
Robério: É... Sim... Tenho uma notícia muito ruim...
Marina: Ah não... Você quer dizer mais uma notícia ruim...
Robério: Como?
Marina: Nada... Diga.
Robério: Nossa parceria infelizmente não deu certo... O que eu planejava não funcionou...
Marina: Oi?
Robério: Isso que você escutou... Uma boa noite...
(Robério sai e Vivi entra)
Vivi: Hey, o que ele queria?
Marina: O que ele não queria...
Vivi: Como?
Marina(se jogando no sofá): Nossa parceria... Está desfeita...
(Vivi coloca o dedo na boca e começa a refletir. Então ela se senta ao lado da mãe no sofá)
Vivi: É isso mãe!
Marina: Isso o que?
Vivi: Pensando que fosse algum truque de um rival seu no ramo da moda, eu comecei a investigar a vida dos estilistas... E vi que o Joseph Ramón tem uma irmã formada em artes...
Marina: E daí?
Vivi: E daí que esse Joseph, esse advogado de quinta e a irmã de Joseph fizeram um motim! Ainda não percebeu?
Marina: Percebeu...?
Vivi: A irmã de Joseph copiou a sua assinatura naqueles papéis e o advogado de quina usou a cópia para esvaziar nossa conta no banco!
Marina: Não pode ser... Joseph é uma pessoa do bem... Eu sepre vi na televisão!
Vivi: Mãe, aprenda... Televisão é uma coisa, vida real é outra coisa completamente diferente!
Tratando de informações, Vivi sabia mais que Jornal Nacional em sentença de bandido...
Marina: Será?
Vivi: Só tem um jeito de descobrir...
(aparece um grande muro de uma grande mansão e uma mulher caindo do muro bem em cima de um arbusto)
Marina: AI!
Vivi: Mãe, se quiser fazer o favor de não chamar a atenção dos seguranças, eu agradeço...
Marina: E aonde foi que você aprendeu a pular muro?
Vivi: A Sossô me ensinou lá em Olinda...
Marina: Belas companhias você tinha...
(elas passam pelo jardim da mansão)
(ao lado da janela do quarto de Joseph Ramón, as duas começam a escalar uma espécie de grade de madeira com plantas)
Marina: Ai, eu preciso malhar...
(com um pouco de sofrimento, as duas alcançam o topo e começam a ouvir o que Joseph Ramón dizia)
Joseph: Esse golpe foi explêndido! Agora aquela despirocada está sem um centavo no bolso... Quero que afunde! HA HA HA... E ainda tenho aquela surpresinha... Ai, Joseph, você é demais!
A maioria do povo da pá virada falam sozinhos...
(Marina vê Joseph entrando na suíte de seu quarto)
Marina percebeu que Joseph era mais falso que nota de três reais ou do que promessa de político...
Marina: Então foi ele mesmo...
Vivi: Eu te disse!
Marina: Tá bem, que seja! Você estava certa...
Vivi: Eu ainda estou certa... Vamos descer...
(elas começam a descer, quando ouvem um barulho)
Marina: Ave Maria, o que foi isso?
Vivi: Acho que...
(a grade de madeira se solta, junto com as duas. Elas caem em cima de arbustos e a grade se prende no telhado da garagem...)
Vivi: Não foi nesse sentido o meu descer...
Marina: Tô cansada de cair em arbustos...
Segurança: Hey, quem tá aí?
Vivi: Vamos mãe...
(as duas saem correndo, no meio da escuridão)
(no dia seguinte, Marina desenha várias roupas eufóricamente)
(Vivi chega)
Vivi: Mãe, o que você tá fazendo?
Marina: Oxi, o que parece que tô fazendo? Estou pondo meu negócio para funcionar... Tenho que investir, não tenho?!
Vivi: É, mas não temos a grana toda para investir... Esqueceu que o banco foi saqueado?
Marina: Joseph pegou o que tava no banco...
(ela se levanta e tira um quadro da parede)
Marina: Já ouviu falar em cofre?
(Vivi vê uma grande cofre na parede)
Vivi: Oxi mãínha! Você é louca? Não sabe que esconder grana em cofre é coisa do passado... Quero dizer, apesar de louca, você salvou tudo!
Marina: Eu sei... No banco só estava guardado poucos mil... Joseph de certo ainda nem viu que não é tudo que ele pensava...
(Marina coloca o quadro de volta bem na hora em que uma mulher vestida de branco entra na sala. Ela está com Pietro no colo)
Marina: Janaína? O que foi?
Janaína: Pietro não parava de chorar... Fez um barraco que queria a senhora... Só parou quieto quando viu a gente chegando aqui...
Marina: Tudo bem, vem com a mamãe...
(ela pega a criança)
Marina: E o Pedro?
Janaína: Já foi para a escola...
Vivi: Bom, eu vou dar um passeio... Beijo mãe...
Marina: Beijo... Bom Janaína, eu vou dar um passeio com o Pietro pelo prédio, depois eu te entrego ele...
Janaína: Tá... Ai droga, perdi meu brinco...
Marina: Aqui?
Janaína: É, eu senti ele caindo...
Marina: Procura ele... Se não achar pede ajuda para Carmen... Vou indo...
(Marina sai e Janaína a olha com uma cara de desprezo)
(a cena corta para Marina na recepção. Ela para e começa a falar com Carmen, que digitava algo no computador)
Marina: Carmen, como vão as coisas...
Carmen: De bom a melhor... As vendas estão lá em cima!
Marina: Ótimo...
Carmen: Ah dona Marina...
Marina: Sim?
Carmen: Sabe aquele Joseph Ramón?
Marina: Sim, o que tem?
Carmen: Ele soube que a senhora ia fazer um desfile dia 20, e adiantou o dele para dia 16... E marcou uma festa para o dia 19...
Marina: A meu pai, isso não vai prestar...
(ela fica séria, enquanto Pietro desarruma seu cabelo)
Marina sentiu uma faca enfiada nas costas... Talvez ela já soubesse que daqui a pouco, as coisas iam piorar...

***

(Marina está no sofá, vendo televisão. Vivi chega)
Vivi: Mãínha, não acredito que tá vendo a porcaria desse desfile do Joseph Ramón...
Marina: Ah minha filha, mesmo ele sendo um traste, cafajeste, sem vergonha, golpe baixo, falso, manipulador, esquizôfrenico, lambisgóio...
Vivi(olhando para televisão): E copiador...
Marina: Oi?
(Vivi aponta para a televisão)
Marina(se levantando): Não acredito!
(na passarela, belíssimas modelos desfilavam com belíssimos vestidos)
Marina: Esses são...
Vivi: Os seus vestidos...
(elas se olham)
As duas viram que Joseph era mais difícil de despachar do que macumba de terrero...
(a cena corta para as duas andando de um lado para outro da sala)
Marina: Como é que ele foi roubar os meus modelos?!
Vivi: Eu não sei... Primeiro você desenha os croquís, depois digitaliza no seu computador, passa para a Carmen, que manda para a fábrica...
Marina: Não pode ser...
(ela vai para a cozinha e pega um copo. Vivi senta-se no sofá)
Marina: Vou tomar um pouco de água com umas treze colheres de açúcar...
Vivi: Quatorze...
(elas se olham)
Vivi: Não gosto de número ímpar...
Marina: E o pior é que agora meu desfile está arruinado, porque todos os modelos dele foram roubados...
Vivi: Não dá para fazer outros?
Marina: Desenhar sim, mas até fabricar, não vai dar tempo...
Vivi: Não se preocupa, eu vou achar uma solução...
Vivi conseguia achar solução para tudo quanto é pepino, ainda mais os de Marina, que já tava imaginando era os tomates voando nela quando seu desfile fracassasse...
Marina: Ah, mas ele vai ter o que merece... Ah vai...
Vivi: O que vai fazer?
Marina: O que vamos fazer... Nós vamos provar que ele copiou tudo...
Vivi: Já para isso vai ser difícil uma solução...
Marina: Vamos falar com a irmã de Joseph...
Vivi: O quê? Para que?
Marina: Vamos conhecer a família do inimigo...
(aparece Marina e Vivi entrando num chique apartamento)
(no centro da sala está uma mulher loira, com bobis no cabelo, pepinos na cara e sentada numa cadeira giratória vermelha)
Marina: Oi Bárbara...
Bárbara: Quem é?
Marina: Marina...
Bárbara: Marina do que?
Marina: Trabalho no mesmo ramo que seu irmão: a moda...
(Bárbara levanta num pulo, fazendo pedaços de pepinos voarem para todos os lados...)
Bárbara: Ah, me desculpem... Sentem-se...
(Marina e Vivi se sentam em cadeiras brancas)
Bárbara: Então, o que desejam?
Marina: Éhhhh... A gente soube que você se formou em artes e coisa tal... E também que é irmã do grande estilista Joseph Ramón e acabamos até descobrindo que você mora aqui, nesse grande e luxuoso apartamento, perto da praia...
Vendo que a mãe tava enrolando mais do que fone de ouvido no bolso, Vivi resolveu ir direto o ponto!
Vivi: Nós queremos saber se você falsificou a assinatura dela para roubar dinheiro do nosso banco...
Bárbara: EU? AJUDAR O CRETINO DO MEU IRMÃO? NUNCA! ha ha ha... Faz-me rir...
Vivi: Como assim, cretino?
Bárbara: Ele me expulsou da casa dele quando descobriu que eu estava tendo um caso com o empresário dele... O Roberto...
Marina: É Robério...
Bárbara: Isso, isso...
Marina: Mas se não foi por você, como foi que ele conseguiu?
Bárbara: Conseguiu o que?
(Vivi e Marina se entreolham)
Vendo que a Bárbara não tinha culpa no cartório, Marina resolveu soltar os cachorros e revelou tudo...
Bárbara: Meu irmão, fazendo isso? Não acredito...
Vivi: Oxi, mas pode acreditar viu!
(Bárbara dá meia volta e começa a andar pela sala, com um sorriso malandro)
Bárbara: Tive uma ideia...
Marina: Que ideia?
Bárbara: Daqui a uns dias meu irmão dará uma festa, não?
Vivi: Exatamente...
Bárbara: Então, finalmente ele me convidou para alguma coisa... Enfim, o plano é o seguinte...
As duas então perceberam que Bárbara era o Macaco Loco de Pernambuco e que poderia render uma boa vilã de novela das nove...
(mostra-se que anoiteceu)
Marina: É agora...
(Marina e a filha começam a andar, quando Carmen as para)
Carmen: Dona Marina...
Marina: Nossa Carmen, o que foi?
Carmen: Os seus filhos, o Pedro e o Pietro, acabam de serem deixados na porta da empresa...
Marina: Oxi, e Janaína?
Carmen: Sumiu...
Marina: Ave Maria... Faz um favor pra mim, cuida deles que eu já volto...
(Carmen concorda e Marina sai com filha)
(aparece a mansão de Joseph, toda iluminada)
Vivi: É agora... Achou o que Bárbara disse que ia trazer?
Marina: Olhi ali ó!
(elas tiram um pedaço de pano e veem que Bárbara deixou uma moto)
Vivi: Uma moto?
Marina: Não faz mal, sobe aí...
(as duas montam na garupa da moto)
Marina: Vamos esperar...
(um carro — de um convidado da festa — para na frente da mansão e o portão se abre)
(aproveitando a chance, Marina e Vivi colocam o capacete. Então Marina liga a moto e acelera. Ela passa entre o pequeno vão entre o carro e o portão)
(logo ela está na metade do grande jardim, com seguranças gritando atrás dela para ela parar)
(ela acelera mais, até que avista uma plataforma de madeira perto da janela -uma plataforma deixada por Bárbara)
(Marina acelera até não poder mais)
(a moto passa voa ao atravessar a plataforma)
(Marina fecha os olhos e a moto atravessa a grande janela de cristal. As duas começam a percorrer a grande mesa de jantar)
(pessoas se perguntavam o que era aquilo)
(a moto chega ao final da mesa e as três — Marina, Vivi e a moto — caem no chão)
Marina: Ai!
Vivi: Oxi maínha, aonde que você aprendeu a dirigir moto?
Marina: Há 30 segundos atrás...
Joseph: MAS O QUE É ISSO? POR FAVOR SEGURANÇAS...
(seguranças agarram Marina e Vivi)
Marina: Não, me larga! Vamos conversar Joseph...
Joseph: Sobre o que?
Marina(com um olhar ameaçador): Você sabe muito bem...
Joseph: Tudo bem, solte-as... Vamos subir...
(Marina sobe junto com Joseph, enquanto Vivi fica em baixo)
Vivi: Hum, esse franguinho tá bom?
(a cena corta para Marina conversando com Joseph)
Marina: Só me explica como é que você copiou meu modelos?
Joseph: Eu não copiei nada...
Marina: Larga de ser falso... Só estamos nós dois aqui, me diz logo!
Joseph: Tudo bem, eu digo... Eu copiei sim e foi pela babá de seu filhotes...
Marina: A mentira do brinco perdido...
Joseph: Tanto faz a mentira do inferno que ela usou, o importante é que os vestidos são um sucesso e tudo às suas custas...
Marina: E a minha conta do banco?
Joseph: Ah, o velho truque de assinar sem ler...
Marina(quase chorando): Tudo bem... Só vim para saber isso... E para avisar que estarei saindo do ramo da moda... Adeus...
Joseph: Ah, por quê? De quem eu vou copiar agora?!
(Marina ignora a pergunta e sai do quarto. Lá me baixo, ela pega vê a filha, dá uma piscadinha e as duas saem)
(a cena corta para a casa de Marina e Vivi em seu notebook)
Marina: Não é que o plano deu certo?!
Vivi: Ele caiu direitinho... O vídeo já tá na internet... E bombando!
(aparece uma página na internet e um vídeo que Marina gravara com uma câmera escondida, aonde Joseph confessa que plagiou as roupas)
Hoje em dia, com a internet, você solta um pum na esquina e o bairro inteiro já fica sabendo...
(o dia amanhece e aparece Marina vendo televisão, onde o telejornal mostra Joseph Ramón sendo preso)
Vivi: Gostei de ver mãínha! Ah... Aquilo que disse de abandonar tudo é sério?
Marina: Oxi! Claro que não, ainda mais agora...
Vivi: Como assim?
Marina: Com Joseph preso, toda sua empresa de estilista e tudo mais foi herdado para a Bárbara, que acabou de fechar um negócio comigo...
Vivi: Ai mãínha, não acredito!
(as duas se abraçam e começam a pular)
Marina: Vamos dançar pra comemorar...
(Marina liga o rádio e as duas começam a dançar)
E assim, Marina e Vivi, descobriram que nem sempre as pessoas jogam limpo para obter sucesso, mas quem joga limpo e bomba de tanto sucesso, merece ser entitulada como vencedora... E que a vitória deve ser comemorada, assim como a vida e a alegria, mesmo que não tenha razões certas...

Notas finais
Na próxima quinta:
Ali no sul, pertinho de uma das maravilhas da natureza, mora Celina. Uma mulher mais vaidosa que Afrodite, a deusa da beleza para os gregos. E ela vive indo à salões de beleza para cuidar do que a natureza lhe deu. Só que certo dia, acaba por causar uma confusão no salão que deu o maior barraco. Com um visual nada vaidoso por causa desse barraco, Celina se desespera, pois dali a uns dias, uma importante festa vai acontecer. Mas seus dias parecem salvos quando ela compra uns produtos clandestinos nada elegantes e causa uma confusão atrás da outra. Conheça "A Vaidosa De Foz Do Iguaçu".