Capítulo 3

Socorro!

J’onn J’onnz, como sempre, monitorava todos os acontecimentos da Terra a partir da sala principal da Torre da Liga. A coisa toda seria totalmente normal, se não fosse por um chamado inesperado:

- J’onn! Me socorre aqui!!

- Flash? – o marciano estava surpreso. – Você não estava de folga?

- Bem que eu gostaria, verdão...! Mas preciso de uma ajuda sua, e URGENTE!!

- O que há de tão grave?

- Preciso que você use sua telepatia pra achar o Bat-Bebê, ou era uma vez o Flash! A Princesa e o Morcegão não podem saber disso de jeito nenhum!

- O que houve com o bebê?

- Ele foi raptado de alguma forma. Alguém aproveitou uma distração minha e carregou embora o moleque. Quando voltei de comprar um picolé, só a uns passos de distância de onde tava o Bat-Bebê, não vi mais ele ali! Por favor, J’onn, me socorre dessa furada!!

- Tudo bem. Espere um momento e já passo as coordenadas.

J’onn se concentrou e após alguns instantes achou a criança. Pelo comunicador auricular, passou as coordenadas a Flash. Este, após memorizar rapidamente o local onde o bebê poderia estar, agradeceu ao marciano e pediu, mais uma vez, para que guardasse absoluto segredo do fato, para que Batman e Mulher Maravilha não soubessem.

Wally já estava caracterizado, cedendo lugar a Flash, com o uniforme vermelho saindo de seu anel. Ele saiu correndo rumo ao local indicado pelo marciano. Em dois minutos, chegou ao local: um galpão abandonado.

- Vê lá se isso é um lugar apropriado para um bebê... – murmurou. – Hora de entrar de fininho e saber quem foi o raptor do Bat-Bebê.

Flash circulou o entorno do galpão, a fim de procurar alguma entrada pra se adentrar no local sem ser notado. Encontrou uma porta destrancada. Meio suspeita, mas era uma porta destrancada. Entrou devagarzinho para não se denunciar.

Ao se ver dentro daquele galpão, o herói velocista olhou para os lados, procurando algum vestígio da presença de alguma forma de vida. Tudo o que viu foi alguns ratos passando por ali.

- Isso tá quieto demais... – murmurou. – Ainda acho que tem algo muito suspeito por aqui.

Nessa história toda havia um lado bom. Os pais do Bat-Bebê não haviam ligado depois que ele saíra para o passeio no parque. Mas... E se ligassem pra mansão? Seria melhor se fizessem comunicação direta com ele, porém, como se supunha que estivesse em dia de folga, logicamente não faria uso de seu comunicador auricular. Seria mais fácil de dar uma boa desculpa e fazer um teatrinho.

Mas não era hora de pensar em desculpas ou em ligações telefônicas. Era hora de descobrir o paradeiro daquela criança que estava sob sua responsabilidade. Ou descobria, ou iria se ver com Batman e com a Mulher Maravilha. E não sabia qual deles poderia aplicar o pior castigo.

Só de pensar nisso, sua espinha gelava. E, mesmo não tendo superpoderes, o Morcego dava um pouco mais de medo do que a Princesa.

Precisava encontrar Heracles Wayne de qualquer maneira. Será que a telepatia de J’onn estava certa? Ou o marciano teria sofrido alguma interferência, como um aparelho de TV com a antena mal posicionada?

Aquela tensão começava a dar nos nervos. Pensou em tentar um novo contato com o marciano, porém...

- MENINO MAU!! MENINO MAU, QUASE QUEBROU MEUS DEDOS!!

Flash, em um impulso, chegou à fonte do grito esganiçado. Acabara dando de cara com a dona da voz, segurando um bebê que ele conhecia muito bem. A mulher era Arlequina, cujos dedos foram impiedosamente agarrados pela criança, a qual se recusava a soltá-los.

- Aiaiaiaiai...! – ela se queixou.

Ignorando as queixas da “namoradinha” do Coringa, o bebê começava a rir, parecia se divertir com o que estava fazendo.

Com rapidez, Flash tirou o bebê dos braços da jovem e se afastou alguns metros em fração de segundos. Qual não foi a sua surpresa ao ver que o herdeiro Wayne estava era se divertindo com a corrida de Flash.

- Aí, garotão! – elogiou. – Tá mais pra “Bebê-Maravilha” do que pra “Bat-Bebê” agora, não é?

A comemoração não durou muito tempo, porque uma rajada de raio laser quase atingiu aos dois. Coringa dera as caras com uma metralhadora que aparentemente parecia inofensiva ao soltar uma bandeirinha escrita “BANG!”. Mas da bandeirinha é que saíam os tiros de raio laser que tentavam atingir o velocista.

Enquanto ele se preocupava em proteger a criança, acabou quase atingido por mais um tiro. Embora não tivesse sido atingido, ao desviar-se do último disparo acabou tropeçando e caindo, e o bebê foi mais uma vez parar nos braços da Arlequina.

Flash levantou-se rapidamente, a fim de recuperar mais uma vez o garoto. Mas o maior problema foi que dessa vez a companheira do palhaço tinha uma arma apontada para o bebê.

- Agora ferrou...! – murmurou.

- Escuta aqui, vermelhinho – Coringa se fez ouvir. – Eu sei que esse pirralho é filho daquele morcego enxerido, então chama ele pra vir aqui acertar as contas aqui comigo.

- Peraí! – ele disse, iniciando seu “teatro”. – De onde você tirou essa viagem? Eu vim resgatar esse bebê pro meu amigo que me chamou!

- Não te interessa, moleque! Apenas chama aquele morceguinho pra cá!

- Desculpa, mas não tenho o número do “bat-celular” dele. E eu não trouxe o meu! Sinto muito, mas não posso ajudar!

- Deixa de besteira e usa seu comunicador!! – agora era o palhaço que apontava sua arma para o bebê. – Ou você vai ver, ao vivo e a coras, minha maior piada contra o Batmanzinho!

- Definitivamente você não serve pra animar festinhas infantis... Você é o palhaço mais feio e sem graça que já conheci! E as suas piadas são de péssimo gosto!

- Oh, é mesmo? Faça o que mando, ou estouro os miolos do moleque aqui! Arlequina, segura bem esse pirralho!

- Sim, Pudinzinho! – ela respondeu e agora passava a segurar a metralhadora que Coringa lhe passara.

- Tudo bem... – Flash cedeu. – Não façam nada ao bebê, eu chamo!

Flash se via completamente impotente ante aquela ameaça. Não podia deixar que fizessem qualquer dano ao bebê. Afinal, era uma criança que corria perigo.

Levou a mão direita ao comunicador auricular.

- Tem como vocês dois virem aqui? Um palhaço metido a engraçadinho aqui me deixou de mãos atadas. Sinto muito ter que chamar vocês aqui, mas é algo muito importante... Principalmente para o bebê. Venham e não contem pra ninguém, ok?

Por alguns instantes, Flash encarou Coringa e Arlequina.

- Já estão vindo, podem comemorar!

Coringa estava tão ansioso em reencontrar seu velho arqui-inimigo, que nem percebeu que um sorriso debochado se esboçava no rosto de Flash. Alguma coisa ele tinha em mente...

Notas finais
Continua...