As Aventuras Bizarras de Beta Fisk
12 Ele é meu irmão
Notas iniciais
Hora do almoço. Leonard se apressava pelas ruas, correndo entre a multidão. Não queria se atrasar ao mesmo tempo que queria vê-la logo. Ter aqueles cabelos negros e sedosos nos braços o reconfortava. Apenas pensar em olhar para aqueles olhos negros o deixava eufórico. Apesar de não gostar de comida japonesa, Leonard fazia um esforço para almoçar com ela. Valia a pena. Imaginou se ela já estaria a sua espera. O coração desacelerou quando entrou no restaurante e não a viu. Cheguei primeiro. Procurou por uma mesa no fundo do recinto, onde pudessem ficar a sós. Uma mesa japonesa no canto do restaurante foi onde se instalou. Colocou a bolsa ao seu lado e encarou o lugar vazio.
— Sinto tanto a falta dela.
De repente, duas mãos finas e delicadas cobriram a sua visão.
— Eu também sinto a sua. — a voz era doce e calma. Leonard a reconheceu imediatamente. Puxou-a de lado para que caísse em seu colo. Encarou aqueles olhos negros, o que lhe causou um formigamento. Então, beijou-a profundamente e apaixonadamente. O cheiro que sua amada carregava encheu suas narinas. O prazer os envolveu após tanto tempo sem se ver. — Leonard, estamos em público. — disse a mulher, recuperando o fôlego. — Contenha-se.
— Perdoe-me. Eu apenas sinto falta dos seus lábios. — Leonard sorriu. A mulher sentou-se adequadamente do outro lado da mesa e abriu o cardápio. Leonard fez o mesmo. — O que vai querer comer hoje? Eu vou de curry.
— De novo, querido?
— O que você sugere, então? — Leonard fechou o cardápio.
— Garçom. — a mulher chamou o homem que estava ali perto. Ele estava vestido à caráter, com um kimono medieval. — Nós vamos querer um barco. O maior que tiver. E saquê para acompanhar. — o homem assentiu e saiu, levando o pedido para o sushiman. — Como estão as coisas por lá, Leo?
— Normais. Lembra da Mona? — ela assentiu — Ela e Beta não estão mais juntos.
— Não?! — a moça arregalou os olhos.
— Não. Esse ano entrou uma caloura na fraternidade. Ela se chama Alice. — Leonard debruçou em cima da mesa. — Parece que essa menina mexeu com ele. — sussurrou.
— Finalmente. — a mulher riu. — Agora ele sabe como é.
— Sim... Agora temos um novo professor de Física na universidade. Ele parece uma criança.
— Tem cabelos brancos?
— Sim.
— Eu sei quem é. Eu conheço. Muito bem, até. — o garçom trouxe a bebida.
— Mas não vamos falar sobre isso agora. Vamos aproveitar nosso tempo juntos. — Leonard encheu os dois copos e ofereceu um à sua companheira. — Um brinde. À nós.
— À nós.
Enquanto a comida não chegava, os dois conversaram sobre tudo que puderam. Durante a refeição, a mulher ria com as caretas que Leonard fazia ao comer salmão e atum crus. Ela pediu desculpas várias vezes entre gargalhadas, mas Leonard as dispensava, dizendo que fazer aquele esforço por ela valia a pena. Ela continuou a rir até Leonard pagar a conta. Quando estavam do lado de fora, Leonard puxou a amada pela cintura até colagem os corpos.
— Quando vamos nós ver de novo?
— Quando estivermos seguros. — ela respondeu. — Eu lhe aviso uma semana antes. Como sempre fizemos. — ela olhou profundamente naqueles olhos castanhos que tanto amava. — Eu te amo, meu sol.
Leonard sorriu e a abraçou. Sussurrou em seu ouvido:
— Eu também te amo, Alfa.
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Hora do almoço. Elimona estava morta de sono. A última noite lhe custou a energia que seria gasta assistindo as aulas. Agora, perambulava pelo prédio em busca do banheiro para lavar o rosto e refazer a maquiagem borrada. Entrou no banheiro trombando na parede, pois estava dormindo em pé. Fez um belo estardalhaço ao fechar a porta de um dos boxes. Quando começou a desabotoar a calça, ouviu um gemido de choro. No box ao lado, havia uma mulher chorando. Por mais durona que Mona fosse, ela não aguentava ouvir alguém chorar. Subiu na privada para perguntar o motivo do choro. Mas, o motivo estava ali.
A cena era horrível. Um homem corpulento, com o cabelo vermelho, estava abusando da moça. Era uma menina loira. O rosto dela expressava pânico. A garota disse "socorro" sem emitir nenhum som. Mona desceu da privada e pegou o spray de pimenta na mochila. Subiu na privada de novo, dessa vez armada.
— Ei! — ela gritou. O homem virou-se assustado, os olhos amarelos arregalados. Mona agiu rápido. Ela espirrou o líquido ardido no rosto do agressor. — Corre! — a menina pegou a mochila, assim como Elimona, e as duas saíram correndo dali. — Você vai se esconder. Eu despisto ele.
— Obrigada. — a moça agradeceu e saiu correndo na direção oposta. A porta do banheiro foi escancarada pelo cara alto e corpulento. Seu rosto estava vermelho, não só do spray, mas, também, de raiva. Elimona nunca fora chegada em atletismo no ensino médio, mesmo com o incentivo do menino mais desejado da escola, mas todo aquele treinamento lhe ajudou neste momento. Ela correu como se não houvesse amanhã, cortando a multidão. De vez em quando olhava para trás para ver se o homem já havia desistido de correr. Mas ele não se cansava. Elimona ficou desesperada. Já estava perdendo o fôlego. Então, avistou Beta e Alice saindo do campus. Acelerou mais ainda para alcançá-los.
— Oi! — ela assustou o casal.
— Mona, você está toda suada! O que houve? — indagou Alice. Elimona grudou na amiga.
— Olhem para trás discretamente. Tem um homem de cabelo vermelho me seguindo. Ele estava tentando estuprar uma menina no banheiro, mas eu o impedi. — ela sorriu — Com spray de pimenta.
Beta e Alice se entreolharam, sabendo de quem Mona estava falando.
— Quer que eu faça ele parar? — indagou Beta.
— Sim, mas não aqui. Vamos ver se ele continua a nos seguir até a hamburgueria. Estou com fome.
— Eu concordo.
O ânimo de Beta murchou. Não queria parar o cara de forma passiva. No meio do caminho para a hamburgueria retrô, eles encontraram com Leonard e explicaram a situação para ele. O cara continuava seguindo-os, de longe. Ao chegarem na lanchonete, agiram normalmente. O maníaco sentou do lado oposto do grupo. Beta e Alice se esconderam atrás dos cardápios.
— Conto pra eles? — Beta sussurrou.
— Vai ter que contar. Mas, apenas que ele é seu irmão. — Alice respondeu. Os dois abaixaram os folhetos plastificados.
— Tá legal, prestem atenção. Eu conheço aquele cara.
— E quem é ele? — indagou Mona.
— Ele é meu irmão. — Beta engoliu em seco — E seu nome é Sigma.
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