Artigo 205

3 CAPÍTulo 3: Cigarros E Espelhos


No carro de Leo o silêncio reinava e isso me incomodava,abro o porta luvas e em meio a alguns papeis e embalagens de comidas encontro o que procurava uma carteira de cigarros tiro um coloco na boca,vasculho de novo e pego o esqueiro com o seu nome gravado acendo o cigarro encho meu pulmão de fumaça e solto lentamente pela boca."Dá para abrir o vidro eu não gosto que meu carro fique com cheiro de nicotina" reviro os olhos e aperto o botão para abaixar o vidro,enquanto dou outro trago ''do que você está rindo?'' disse co um semblante mais sério que o normal, ''Nada,é só que...(tento escolher as palavras com cuidado) eu não tinha noção do quão esnobe você tinha se tornado" e continuo com um sorriso que parece incomodá-lo tanto. Leo solta o ar pela boca de modo que o barulho me faz repara-lo.

Leo era o tipo de homem que chama a atenção,um típico latino americano de pele bronzeada geneticamente já que o céu cinza da nossa cidade impedi qualquer pessoa de tentar ficar com a cor parecida com a dele,ombros largos que preenchem quase todo o encosto do banco de seu carro alemão recém comprado.A essa altura estavámos perto do cemitério e mesmo dentro daquele carro eu conseguia sentir o cheiro das coroas de flores que tem um cheiro particular, um cheiro só delas, um cheiro de morte.

Desço do carro vagarosamente,bato a porta,escuto Leo acionar o alarme ele apresenta o seu braço, (como os cavalheiros faziam para as damas nos bailes dos vilarejos no milênio passado) encaixo meu braço direito no esquerdo dele e isso me dá forças para encarar mais um enterro.

"Você não falou muita coisa desde que entrou no carro,se não era para me desconcentrar eu entendo,mas agora não estamos na estrada então você não tem mais desculpa" diz Leo enquanto aperta meu braço de forma carinhosa.Caminhamos em direção a cerimonia que é perceptível de longe, pois reúne muita gente, tantas pessoas que fico imaginando onde elas estavam quando Patricia mais precisava.

"Nada é só que...(suspiro) eu tenho ido em muitos enterros e... as vezes eu acho que essa rotina só vai acabar quando for eu em um caixão''.

Leo solta meu braço,cerra os dentes,olha para os lados,me puxa pelos cotovelos para trás de uma estátua da virgem Maria carregando o menino Jesus a poucos metros da cova de Patricia mas surpreendentemente ninguém nos nota.

"Do que você está falando" sussurra enquanto coloca suas duas mãos no meu rosto,seus polegares nas minhas bochechas e os demais dedos no meu pescoço."Olha pra mim(encurva seu rosto para mais perto do meu) eu não vou deixar que nada aconteça com você,nós dois passamos por muita merda mas eu não vou deixar que você desista não depois desse tempo todo"

Naquele momento me vi nos olhos dele e me envergonhei de coloca-lo naquela posição,mas ele era igual a mim ele sabia exatamente o que eu precisava ouvir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.