Notas iniciais
Enfim, o final! Confesso que não sentia essa sensação de concluir uma história há muito tempo. Desde que terminei o ensino médio e iniciei o ensino superior, não conseguia finalizar um livro. O Arthur é uma parte de mim, Vinícius, mas acho que ele também representa um pouco de todos nós, que seguimos em frente e acabamos abrindo mão de coisas que adorávamos fazer. A vida adulta é uma verdadeira montanha-russa. Agradeço a todos que acompanharam. Agradeço, em especial, à minha leitora esplêndida, Flaviele, que sempre comentou: com todo o respeito, você foi a minha Helena. Muito obrigado!

Dezembro de 2028. O frio do ar-condicionado na sala de Arthur era o mesmo, mas o cenário era completamente diferente. Ele não estava mais no quarto bagunçado da casa de sua mãe. Agora, morava em um apartamento em São Paulo, diante de uma estante que ia do chão ao teto, preenchida não apenas por livros de outros autores, mas por cinco volumes com o seu próprio nome na capa.


A Crônica do Reino Esquecido não era mais apenas uma fanfic. Sob a mentoria e o olhar clínico de Helena, Arthur transformara sua obra em uma pentalogia original. O sucesso fora meteórico. O público que o acompanhara por dez anos no fórum foi o primeiro a esgotar as edições físicas, e uma nova geração de leitores se apaixonou pela "intensidade bruta" que Helena tanto elogiara.


Naquela noite, Arthur digitava as últimas palavras de seu novo projeto — um conto de Natal encomendado por uma grande revista literária. Ele esticou os braços, ouvindo o estalo das articulações, e sorriu ao ver o cursor piscando. Não tinha mais medo do branco da tela; para ele, o vazio agora era um convite.


A porta do escritório se abriu e Helena entrou, trazendo duas taças de vinho. Estava elegante, com o cabelo curto em um corte moderno que realçava seu olhar audacioso.

— Cinco sucessos em dois anos — disse ela, entregando-lhe a taça. — Você se tornou uma máquina, Arthur. Às vezes sinto saudade daquele escritor tímido que gaguejava no café.

— Aquele escritor ainda está aqui — ele respondeu, levantando-se para envolver a cintura dela. — Ele só aprendeu que a vida é curta demais para hiatos longos. E ele tem uma editora que é muito... persuasiva.

— Como termina o conto? — ela perguntou, inclinando a cabeça para a tela.

Arthur virou o monitor. O parágrafo final dizia:

"O herói finalmente percebeu que o 'viveram felizes para sempre' não era um estado de repouso, mas uma sucessão de pequenos 'agoras', vividos com a coragem de quem não tem medo de ser lido."


Os olhos de Helena brilharam com o mesmo orgulho que ele vira no loft, dois anos antes.

— Ficou perfeito. Agora, apague a luz. O prazo acabou e eu tenho uma proposta muito mais interessante para a sua noite do que revisar textos.

Arthur riu e obedeceu. Ao fechar o notebook, vislumbrou o pequeno dragão de metal que ainda guardava em sua mesa. O Reino Esquecido agora era um império, e o autor que quase desistira era, enfim, o dono de seu próprio destino.

Ele percebeu que a leitora desconhecida não lhe dera apenas um final para sua história; ela lhe dera um começo para a vida. E, enquanto caminhava com ela, Arthur — ou simplesmente Rafael para sua doce e encantadora Helena — soube que, não importa quantos livros escrevesse, seu melhor capítulo sempre seria aquele vivido fora das páginas: entre beijos, risos e a deliciosa incerteza de um amor que jamais aceitaria um ponto final.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!