Ars Olins, estado de guerra
10 Capítulo 5° — Sorrir e rir
Notas iniciais
Jormungand Ouroboros — oni — dias antes do prólogo
Desejar violentamente a destruição de outra pessoa, coisa ou ideia? Riu.
— Eu pareço o tipo de demônio que odiaria o que quer que seja? Tem umas perguntas engraçadas, senhora imortal — levou a taça a boca e sorveu o líquido. Gelado, doce e deixava um amargor residual para trás. Baixou o recipiente de prata e, teatralmente, levou uma mão ao peito esquerdo, ergueu o rosto um tanto para o alto e fechou os olhos. — Sou devidamente adepta de fazer o que quer que seja pelo bem da minha humilde dose de felicidade. Nada de desagradavel há de guiar meu pobre coração perverso.
— Entendo. Foi bobo da minha parte esperar um ouvido compreensível de você — Ea, a boca uma linha dura, os olhos fitando a oni de cima devido a uma inclinação do queixo, e pôs-se de pé. — De todo modo, obrigada pelo seu tempo…
A mão do demônio fechou-se ao redor do punho da mulher. Ela, que se levantara, era uma entidade ruiva e de íris douradas trajando um terno com blazer aberto, sem camisa por baixo, o que deixava o centro de seu tronco nu a vista.
— Me magoa que pense em mim como alguém insensível. Fazer o mundo queimar? Eliminar quem te prendeu nesse buraco? — a voz da oni era melodiosa, macia e um arrepio agradável passeava a pele da mulher sob cada palavra dita. O toque da criatura demoníaca era firme e morno. — Normalmente pessoas vão atrás de vingança, se enchem de ódio e esquecem o mundo ao redor caso ele nada converse com isso — o demônio colocou-se em um súbito movimento erguida de joelhos sobre a cadeira, ficando com a boca a altura do ouvido de Ea. O braço da pequena figura estendeu-se por cima dos ombros da mulher. — Mas fazê-lo é pouco esperto. Se destruir esse homem trará algo diferente da alegria advinda da satisfação e a euforia excitante da caça, por quê se incomodar? Sorrir e rir, ok? Independente do que queira fazer, como queira ou onde queira.
A mulher soltou uma breve risada.
— Você é uma hedonista desgraçada… — virou o rosto para encarar a pequena oni, bocas ficaram a centímetro uma da outra e a mão de Ea envolveu a lateral esquerda do quadril dela. Fedia a álcool e violetas. As respirações ligeiramente frias tocavam as faces de ambas enquanto as íris intercalavam suas atenções entre os lábios e os olhos daquela a frente de si. — Mas suas palavras melhoraram o meu humor, a agradeço.
O demônio a soltou devagar, os dedos deslizando sobre a pele da mulher até chegar no limiar entre ela e o espaço vago.
— Desejo-lhe sorte — a oni, baixando as pálpebras, e então deu de ombros. — Ou ao menos uma morte interessante sobre a qual eu possa ouvir mais tarde.
Ea saiu da taverna esboçando um tchau com as costas da mão.
A próxima vez que o demônio ouviu falar acerca daquela mulher foi sobre como trouxera ruína a dezenas de países e a um sujeito milenar chamado Adão.
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