Arqueira perdida
19 O grande desafio
Notas iniciais
Então era isso, Hanna encontrara um novo lar, novos amigos, pessoas novas. Enquanto andava ela ia percebendo coisas ao longo do caminho, havia vários chalés em formato de U quando terminou de contar viu que eram treze, o do centro pensou Hanna era o de Zeus, o do seu lado era de Poseidon e do outro o de Hades, em seguida vinham os de Demeter, Ares, Atena, Apolo, Artemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dionisio. (sim Hera não tinha chalé nesse tempo, pois era uma deusa que não tinha filhos por tanto seu chalé não existia)
– Então... Esses são os chalés, entendeu tudo que te expliquei? – perguntou Fred.
– Aan? O que... Claro que sim.
Ela não havia escutado nem uma palavra do que ele falara, mas antes que pudesse fazer alguma pergunta, três pessoas caminhavam em sua direção, um pelo que via de longe era um centauro, provavelmente o que cuidava do acampamento, os outros dois ela não distinguia, pois estava escuro e não conseguia ver, mas ao se aproximarem mais conseguiu enxergá-los.
– Olá, Quiron, Emma, Jorge... – cumprimentou-os Fred.
– Oi Fred. – responderam em uníssono.
A garota, Emma, era de uma beleza estonteante, morena dos cabelos cacheados, olho castanho claro avelanado, o Jorge, era completamente igual Fred, com apenas uma diferença, os olhos eram azuis piscina não verdes. Quiron já aparentava certa idade, seus cabelos também cacheados eram balançados pelo vento, seu dorso de cavalo continha pelos castanhos.
– AAh, quase me esqueci, essa é Hanna pessoal. – falou Fred.
– Sabia que ela viria Fred, por isso mandei você vir buscá-la.
– Ah só.
– Porque não pude vir junto? – protestou Jorge.
– Porque você estava treinando comigo esqueceu? – Respondeu Emma com um pequeno tom enciumado.
Por mais estranho que pareça, Hanna pensou ter visto Meth e Sam por um momento passearem pelos campos de morango, olhando para cada lado como se os procurasse tomou a atenção de todos por um momento.
– Desculpem, pense ter visto alguém que conheço por aqui.
– Bem isso não vem ao caso, Hanna você já sabe quem é seu pai ou mãe olimpianos?
Ela já iria responder a pergunta com um grande sim, só que as palavras de Will ecoaram em sua cabeça. “você não deve em hipótese alguma contar de quem é filha, isso se resolverá no seu primeiro jantar.” Então se lembrando disso balançou a cabeça em um sinal negativo, então Quiron falou.
– Ok, vamos para a fogueira então?
– Sim. – Responderam Emma, Fred e Jorge.
– E quase que me esqueça, prazer Hanna, meu nome é Emma Kenway.
– E eu sou Jorge Sutter, e esse claro é meu irmão Fred Sutter.
– Como já sabem meu nome é Hanna, Hanna Campbell. – Acabara de inventar aquele sobrenome, alguma coisa lha dizia que não deveria contar que é uma “Deusa”
– Já que estão todos apresentados, vamos andando então.
Aquele lugar era enorme, várias crianças corriam de um lado pro outro, Ouvia-se barulhos de espadas colidindo umas com as outras, vários alvos de Arco-e-fleha (parte que Hanna gostou muito) então chegaram ao pavilhão do refeitório, uma grande fogueira brandia as chamas quentes no ar gélido da noite, havia ao todo treze mesas no pavilhão, algumas estavam completamente vazias outras faltavam transbordar de tanta gente.
– Hanna você ficara nessa mesa por enquanto tudo bem? – Quiron havia apontado para a mesa mais lotada o pavilhão.
– Sim tudo bem.
– Vamos, te acompanhamos até lá, afinal ficamos nela também.
– Mas e a Emma? Onde ela vai ficar?
– Na mesa do pai dela é claro. –respondeu Fred.
– Que é?
– Hefesto.
Emma com pequena relutância se juntou a uma das mesas cheias, havia pelo menos dez meninos nela e somente ela de menina, todos morenos de olhos castanhos como ela. Então se juntando a mesa mais cheia, Hanna foi saudada com vários apertos de mão.
– Prazer, Pedro... –disse um deles.
– Sou o Carlos... – falou mais um.
– Sou a Jill.
Era tanta gente que Hanna nem conseguia ouvir o nome de todos ali presente. Cada um com seu jeito diferente, uns com cabelos ruivos, outros loiros, pretos, marrons. De cores variadas também, e tinha uma coisa em comum em todos eles, tinham um Q de maldade no rosto, não maldade de ser mal e sim de ser brincalhão, se é que entendem.
– Só por curiosidade, de quem é essa mesa? – Hanna perguntou.
– Ora, de Hermes é claro. – Respondeu Jorge.
E com esta resposta Hanna instintivamente olhou para mesa e Hefesto e viu o olhar de Emma fuzilando-a, como se fosse possível ver fogo sobre aqueles orbes castanhos. Desviando o olhar rapidamente para não se queimar com aqueles olhos em chamas, Hanna teve uma súbita impressão de que um dia seriam grandes amigas. “Parece que ela será melhor do que Meth” pensou para si mesma com certa melancolia. Então seus pensamentos foram interrompidos por um som de uma corneta.
– Pessoal, atenção, por favor, como todos já perceberam, temos uma nova companhia hoje. – Falou apontando pra Hanna. – Então como costume, alguém irá travar uma batalha contra Hanna para que receba a benção de seu pai ou mãe olimpiano. Então quem vai querer ser seu oponente?
Por aquilo Hanna não esperava nem um pouco, não sabia batalhar corpo a corpo com uma espada, nunca conseguira antes, na verdade nunca treinara com uma espada. Seguiu-se um momento constrangedor entre a platéia, até que uma garota, para desgosto de Hanna levantou-se da cadeira e disse.
– Eu Emma Kenway, aceito uma batalha com Hanna Campbell.
Aquelas ultimas palavras saíram com um pequeno tom de desafio, como se Emma duvidasse de que Hanna iria batalhar com ela. Então foi isso que despertou fúria em Hanna e antes mesmo de Quiron dizer alguma coisa ela já se punha a frente de Emma e disse:
– Aceito o desafio.
Então ouve um grande murmúrio entre os campistas, Hanna não sabia por que daquilo, mas então tentou apurar seus ouvidos e ouviu Jorge cochichar com Fred.
– Cara... Ela ta na maior enrascada.
Hanna não sabia, mas acabara de aceitar uma batalha com o melhor espadachim do acampamento. As duas por um momento ficaram se encarando, até que o silencio cessou e seguiu então a grossa voz de Quiron.
– Então todos para a Arena de Combates... – Várias pessoas saíram correndo em uma direção, então Quiron chegou perto de Hanna e perguntou. – Você tem uma espada?
– Sim, tenho sim.
Então todos seguiram para a arena de batalha, quando Hanna entrou viu uma pequena cópia do coliseu, não tão pequena, mas menor do que o original. As arquibancadas estavam sendo ocupadas por pessoas de camisetas laranja, outras pessoas eram verdes e outras tinham pernas de bode. Tinha somente um problema, Hanna não tinha armadura para se defender, apesar de não saber nem um pouco como manejar uma espada, pensou que uma armadura poderia ajudá-la.
– Senhor, não tenho uma armadura.
– Sem problemas, ali nos vestiários têm várias, pode ir lá se trocar.
Hanna foi descendo as escadas, chagou a um quarto mal iluminado, com teto baixo, porém bastante espaçoso. Ainda dava pra ouvir as conversas das pessoas do lado de fora enquanto procurava uma armadura que servisse, até que se deparou com uma completamente preta, que combinava com sua espada e lha caia bastante bem. Vestiu a armadura e se sentiu completa. Não tão completa quanto se sentia com uma capa de arqueiro, mas por a mesma estar em baixo da armadura a confortava. Colocou o elmo preto na cabeça e tornou a subir as escadas.
A arquibancada estava mais cheia, e ainda chegava mais e mais pessoas. Quando chegou à arena todos se calaram, não sabia por que, mas o fizeram, deparou com sua oponente Emma já de pé no centro da arena, ela usava uma armadura simples, mas bastante engenhosa e em sua mão pendia um escudo de bronze com um fogo que parecia crepitar para fora do memso . E para seu desgosto Quiron anuncia.
– Preparar armas. – Deu um olhar significativo para Hanna e ela imediatamente entendeu que estava sem arma alguma.
– Ah, sim desculpe.
A platéia riu com aquele comentário, então se lembrando do pomo o tirou da armadura e girou-o duas vezes para direita, suas asas se uniram e uma espada preta aparece em sua frente, mais uma vez a platéia se silenciou então um urro de uma corneta transpassou seus ouvidos, e Hanna entendeu aquilo como o inicio da batalha.
Emma vinha em sua direção com aquela espada enorme com um lado prata e o outro dourado. Hanna não sabia o que fazer, não sabia manejar uma espada, preferia o eu arco que encaixava bastante bem em suas mãos, mas somente por ter o arco em mente não percebia que a espada fazia o mesmo.
Emma agora desferiu o primeiro golpe, em uma tentativa inútil de bloqueá-lo Hanna joga sua espada pro lado, percebendo seu erro assim que a lamina quase feriu seu peito, só não o fez pela proteção da armadura. Caia um silencio torturante na arena, sendo possível ouvir somente o tilintar das espadas brandindo uma com as outras. Agora era questão de vida ou morte, tinha que demonstrar coragem naquele momento, não iria deixar Emma lhe vencer, não mesmo. Então foi esse sentimento de orgulho que fez Hanna desferir um golpe atrás do outro em Emma.
Percebia que ela estava ficando desequilibrada, mas não iria agüentar mais tanto tempo naquele ritmo, tinha que tirar a espada de Emma da mão dela, impedindo que se defendesse. Esses pensamentos distraíram Hanna então antes que pudesse tomar conta de si Emma já tinha recuperado o controle e começou a atacar, era muito boa com espada, muito boa mesmo, mas Hanna não iria deixar que ela vencesse. Não mesmo.
– O que foi? Esta com medo? – Emma falou.
– Não mesmo.
E a luta continuou naquele ritmo por uns dois minutos, até que Hanna não aquentava mais, porem sua oponente estava firme e forte, como se nem estivesse em uma batalha corpo a corpo, Emma girou a espada em cima da própria cabeça em sentido anti-horário, e quando pensa que não ele ataca com a espada bem nas costelas de Hanna, essa se desequilibra, pelo peso da armadura e cai no chão. Decidia a fazer uma loucura que poderia ser um suicídio ela despe a armadura e fica somente com a capa verde e preta de arqueiro.
“Agora quero ver você entrar no meu jogo garota” pensou para si mesma, e para seu contentamento conseguira o efeito que queria, Emma estava tão desnorteada com aquilo que nem se deu conta que a figura que estava a poucos momentos, caída no chão e sangrando havia sumido. Então aproveitando esse momento Hanna desfere um golpe com a haste da espada bem próximo ao ouvido da oponente, que pelo barulho do metal se chocando com metal ficou desnorteada, tirando o fato de que não conseguia mais ver quem a atacava, pois sua oponente havia sumido, não por completo, mas o fez.
Então com um movimento definitivo, e também não decidido a machucar fatalmente sua oponente, Hanna com somente um golpe bate com a lamina da espada na coxa de Emma que cai no chão e joga sua espada longe sem conseguir se levantar. E com um único movimento Hanna coloca a ponta da espada em seu pescoço impedindo que fugisse. Ouviu-se o urro da platéia com aquele grande feito de Hanna, e por um momento ela sentiu que aquele era seu lugar.
Estendendo a mão para poder ajudar Emma a se levantar, que no momento não sabia se chorava de dor, ficava vermelha de raiva ou por mais estranho que pareça sentisse alegria por aquela novata tê-la vencido. E então em sua mente se formou um pequeno pensamento. “poderíamos ser grandes amigas um dia”
– Bom trabalho novata. – falou se levantando.
– Obrigada, foi bastante difícil devo admitir.
As duas começaram a rir, e derrepente o ferimento na perna de Emma começava a latejar, percebendo o movimento de colocar as mãos na coxa Hanna entra em desespero, havia machucado alguém fatalmente pela primeira vez na vida. Então com um grito para Quiron fala
– AJUDE ELA AQUI, RÁPIDO.
Tres garotos filhos de Apolo surgiram de um canto da arquibancada com uma maca para poderem levar Emma para a enfermaria, e junto deles vinha Jorge e Fred. Fred abraçou Hanna, e quando Jorge iria fazer o mesmo ela o impediu e logo em seguida disse.
– Acompanhe Emma, ela precisa mais de você do que eu.
Então ela pode ver certo tom de compreendimento no rosto de Emma que agradeceu silenciosamente.
– Caramba que luta Hanna que luta, por um momento pensei que você iria perder, um golpe de gênio o que fez com a capa, sério mesmo.
– Obrigada Fred, fico feliz que gostou.
Então toda a arena silêncio novamente, dessa vez Hanna não via motivos pra isso, até que deparou com o rosto de Fred em sua cabeça, olhou pra cima e viu com grande orgulho um Elmo fantasma flutuar sobre ela, e pra seu espanto o mesmo estava rodeado de flores, o que ela pensou ser de sua mãe, mas parece que ninguém havia notado porque logo em seguida todas as pessoas que ali estavam se curvaram diante dela, o mesmo fez Fred. Então se pode ouvir a voz de Quiron mais alta do que antes.
– Salve Hanna, filha de Hades, deus dos mortos e do submundo.
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