Arqueira perdida
21 Ganhamos uma missão
Notas iniciais
A manhã de segunda estava gelada, o que agradou muito Hanna, pois não gostava de dias quentes, achava eles irritantes de mais, suava muito, ficava irritada, e mesmo que pensando na hipótese de que o tio que a deu o arco e flecha fosse Apolo, não deixava de desgostar do sol e do calor.
— Bom dia pra você. – Disse Emma enquanto Hanna entrava no chalé de Hefesto que estava impregnado de coisas de homens e homens.
— Bom dia. Só uma pergunta, como você aguenta viver no meio de tanto homem, sem nenhuma menina pra te fazer companhia?
— É bastante simples, é só ignorar o assunto bobo deles que você acaba acostumando. E mais. –Disse em um som quase inaudível que Hanna teve que se aproximar pra escutar. – Você fica sabendo de coisas que acontecem por aqui, já que meninos não são cuidadosos com segredos.
— Um exemplo...
— Que o Fred levou um fora da filha de Afrodite.
— Sério?! – Falou quase gritando de alegria.
— shhhhh, sim sério.
O resto da manhã ela não parava de sorrir, ficava até constrangedor em certas ocasiões, um exemplo disso foi quando uma filha de Ares tinha caído em uma pegadinha (provavelmente de Fred e Jorge) esbarrara em Hanna e ela estava com um sorriso de orelha a orelha, o que a filha de Ares pensou ser uma gozação e meteu um soco em seu nariz.
Foi correndo pro banheiro lavar o nariz que sangrava igual a uma fonte, lavou ele e quando saiu, deparou com uma garota, muito bonita por sinal, nunca vira ela antes, pensou que fosse novata, mas já era mais velha, pouco menos de 30 anos. Foi só depois de reparar nos belos cabelos loiros e cumpridos, olhos cor folha, pele branca como neve, que viu que uma multidão as cercavam. Não sabia muito bem o porquê, mas ai antes que pudesse fazer alguma pergunta a garota começou a falar.
A voz que saia de sua boca era fria e suave ao mesmo tempo e a medida que foi falando saia fumaça verde de sua boca e olhos, Hanna não sabia o que pensar daquilo, pensou que fosse uma pegadinha, até ouvir o que a garota falava:
“Ao submundo deve penetrar.
Para isso onde viveu deve voltar
A filha do fogo um papel defender.
Os gêmeos carregam consigo o sinal.
E somente vencerão quando a morte acolher um afinal.”
Aquilo fora completamente assustador, quem era aquela garota? Porque disse aquelas palavras bizarras?
— Hanna, venha comigo, agora! – Seus pensamentos foram interrompidos por Quiron chamando-a
— O que foi aquilo? – Disse quase dando um surto frenético.
Estavam agora na Casa Grande, Hanna ainda não conseguia assimilar aquilo que acontecera, cada palavra ecoava em sua cabeça como se estivesse acabado de ouvi-las, mesmo que já tivesse se passado duas horas, sim Quiron a deixou sozinha pra se acalmar, então decorrido esse tempo ele reaparece no local.
— Está mais calma agora?
— Não vou ficar enquanto alguém não me explicar o que foi aquilo.
— Aquilo Hanna, foi o espírito de Delfos, ela é um oráculo, e somente aparece fora do porão quando tem uma profecia para recitar, e no caso levar três pessoas para uma missão. E essa foi pra você, já que ela falou na sua frente, mas a questão é, ela falou não de três, mas de quatro pessoas, e essas quatro cabe a você escolher. – Ele fez uma pequena pausa para que ela pudesse digerir aquilo, então com um aceno de cabeça o incentivou a continuar. – Você já tem uma idéia?
— Sim tenho. – Disse se recuperando do susto.
— Quem?
— Emma, Fred e Jorge.
— O.k vou mandar chamá-los. Argos, por favor, busque Emma, Fred e Jorge.
— Sim senhor. – Respondeu
Hanna nunca tinha visto ele pelo acampamento, era igualmente bizarro ao oráculo, tinha olhos em todas as partes do corpo, todas mesmo. Esperou o que pareceu uma eternidade, mas foram apenas quinze minutos. Emma, Fred e Jorge apareceram no interior da Casa Grande, os três igualmente espantados, não pelo fato de um oráculo ter feito uma profecia, porque parecia que nem tinham sabido disso, e sim porque tinham feito uma coisa que Hanna soube o que era quando levou um soco no nariz aquela manhã.
— Vocês sabem por que estão aqui?
— Não, senhor. – Responderam em uníssono
— O oráculo recitou uma profecia para Hanna, e ela escolheu os três para irem a uma missão.
— Mas senhor. – Interrompeu Fred. – Somente três vão a uma missão, e nós somos quatro.
— Eu sei, mas como você não deixou terminar. Hanna por favor recite a profecia.
Ela que estava calada até aquele momento, fez uma grande força pra se levantar da cadeira em que sentara, raciocinou por uns dois minutos procurando as palavras certas que o oráculo ditara, então parecendo achá-las falou por fim.
— “Ao submundo deve penetrar. Para isso onde viveu deve voltar. A filha do fogo um papel defender. Os gêmeos carregam consigo o sinal. E somente vencerão quando a morte acolher um afinal.” Acho que é isso.
— Vou deixá-los sozinhos por um tempo para discutirem.
Saindo da Casa Grande, Quiron deixou os quatro lá olhando um pra cara do outro feito idiotas. Hanna nunca tinha ido a uma missão, não sabia como discutir o assunto. Estava mais perdida que um arqueiro sem arco e flecha.
— O.k alguém tem alguma idéia do que se fala nessa profecia? – Jorge quebrou o silêncio.
— Não.
— Não.
— Mais ou menos.
— Como assim mais ou menos?
— Bem, é que enquanto estava vindo para cá, meu instrutor de arco e flecha me falou que eu corria grande perigo, e mais meia dúzia de pessoas disseram isso, meus amigos Sam e Meth me tiraram a força do castelo e não me explicaram, nem nunca vão fazer isso. Mas isso não vem ao caso, o que importa é que as duas primeiras frases eu entendi.
— E o que elas dizem?
— É meio obvio não? Já que cada parte da profecia é encarregada a um, eu tenho certeza que a minha é a primeira, porque sou filha de Hades e ele mora no submundo.
— E quanto à parte do “deve voltar aonde viveu”?
— Minha casa? O castelo? Dã
— Ahh. – Falaram Fred e Jorge em uníssono
— E as outras partes? – Perguntou Emma.
— Isso eu já não sei.
E mais uma vez ficaram olhando um pro outro com cara de idiotas, não tinham a mínima ideia do que fazer. Só a ideia de voltar aonde cresceu e rever Will a animavam, mas não queria contar a ninguém que deixou Sam e Meth para morrer, não que ela soubesse que isso iria acontecer, até porque se pudesse teria evitado, mas por dentro não conseguia sentir remorso ou culpa, simplesmente aceitava o fato de terem morrido.
Então uma súbita raiva veio em seu peito, como poderia pensar desse modo de seus amigos? Era cruel pensar assim, egoísta, mas não conseguia parar de pensar assim, queria fugir, sair correndo e reencontrá-los, mas ao mesmo tempo tinha ódio deles, por terem feito aquilo com ela.
— Hanna? – Falou Fred.
— Sim?
— Quem é Sam e Meth.
— Meus antigos amigos.
— Como assim antigos?
— Do tipo não são mais.
Agora ela tinha percebido que estava sozinha com Fred. Emma e Jorge tinham saído seja lá pra onde. Isso deixou ela um pouco vermelha de vergonha, devia ter feito caras e bocas na frente dele e nem percebeu. Até que seus pensamentos foram interrompidos mais uma vez por ele
— E esse Sam, era só seu amigo?
— Não. – Pensou fazendo uma brincadeirinha com ele. Estava dando o troco pelo encontro com a filha de Afrodite.– Ele era muito mais que isso.
— Ah. – Disse triste.
Hanna ia desmentir a história, mas Emma e Jorge apareceram com Quiron em suas costas, não podia deixar de achar a cena engraçada, já que Quiron era mais alto que os dois e tinha o dorso de um cavalo, isso deixava a cena cômica. E Fred ainda estava com as orelhas vermelhas, o que deixou o clima pesado.
— Então, o que foi resolvido?
— Bem, já que Hanna nem participou da conversa. – Começou Emma. – Decidimos que iremos voltar ao lugar onde ele cresceu primeiro, depois trataremos de entender as outras partes da profecia.
Agora que Emma falara Hanna nem notara que estava no meio de uma conversa enquanto seus pensamentos a matavam por dentro, se sentindo envergonhada por isso, decidiu colocar um ponto final antes que mais criticas viessem em cima dela.
— Então vamos?
— Calma aê garota. – Falou Jorge. – Já esta de noite, se você não percebeu, vamos dormir primeiro, amanhã de manhã saímos o.k?
— O.k
E essa foi à terceira coisa que não tinha percebido, já estava de noite. “Eu fiquei aqui tanto tempo assim?” pensou. Saíram os três do aposento e cada um dirigiu-se ao seu respectivo chalé. Emma foi a primeira, relutando bastante em deixar os três sozinhos. E Fred e Jorge logo depois.
— Boa noite.
— Boa noite. – Somente Jorge respondera.
— Boa noite pra você também Fred.
— É tanto faz.
Hanna e Jorge se entreolharam sem entender nada, claro que Hanna sabia que Fred estava com raiva dela, mas não era pra tanto era?.
Deitando na cama sem ao menos trocar de roupa adormeceu, não teve nenhum pesadelo aquela noite, somente sonhava com os rostos de Sam e Meth, rindo dela e brincando com ela, e disso ela podia ter certeza, era bem melhor ter um pesadelo do que se lembrar de Sam e Meth nos melhores momentos de suas vidas.
POV Will.
Como Will era o arqueiro vivo mais famoso do reino de Araluen e das fronteiras do mesmo, logo seu filho virou assunto principal do lugar. Não se ouvia falar em outra coisa.
Os dois riram por um longo momento, era uma risada boa, e Will sentia que com Alyss podia ser ele mesmo, porque além de sua esposa, foi e sempre será sua melhor amiga, Quando pararam ficaram olhando um para o outro, como se estivessem se vendo pela primeira vez na vida.
Envolveram-se em um grande beijo, que foi ficando mais feroz, cada um com uma necessidade de quero mais, suas línguas travavam uma batalha gostosa e sensual, Will começara a levantar o vestido de Alyss e ela começara a tirar sua blusa, os ouvidos de Will zumbiam de excitação, não era sua primeira vez (o filho em Alyss provava isso), mas sempre se sentia nervoso quando estava na cama com Alyss.
Minutos depois os dois estavam sem roupa na cama com somente um lençol fino tampando seus corpos, Alyss dormia levemente, seus cabelos caiam em sua testa e sua boca as vezes se mexia delicadamente, mesmo estando um pouco mais gordinha a esposa continuava linda e sensual.
Dois dias depois, parecia que mais pessoas sabiam do primogênito, presentes e mais presentes chegavam ao quarto deles, eram tantos presentes que tiveram que colocar alguns em outros cômodos. Alguns vendo que não havia necessidade de tê-los davam aos mais pobres do reino, claro sem deixar suspeitas, imagine se algum dos remetentes descobrisse? Iria ser uma zona.
— É, acho que o resto vamos ter que aturar por enquanto.
Ao falar isso Alyss sentiu um grande enjôo uma vontade enorme de vomitar, saiu correndo para o banheiro mais próximo, vomitou um pouco, e depois voltou aonde estava.
— Está tudo bem querida?
— Sim, sim tudo ótimo.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Alyss percebera um pequeno presente que lhe chamara atenção. Ela não o vira antes, se bobeasse nem iria ver, era tão pequeno que ficava invisível em meio a tantos presentes enormes
— Parece que é pra você Will
Pegando o pequeno embrulho e desembrulhando-o com o maior cuidado possível, era tão pequeno que tinha medo que quebrasse, quando por fim abriu a caixinha minúscula viu um pingente com o símbolo de um arco e flecha, pelo que parecia era de ouro, e embaixo do estofado da caixinha havia um bilhete:
“Não passamos mais tanto tempo juntos tanto quanto eu gostaria, mas estou lhe enviando uma pequena lembrança minha e de minha esposa, não esquecemos de você Will, só estamos muito ocupados, espero que você também não tenha nos esquecidos. Cumprimentos aos pais de Horace e Cassandra.”
Colocando o pingente na camisa e fechando o bilhete guardando-o no pequeno bolso de sua capa, uma tímida lágrima escorria por suas bochechas, e quando as limpou percebeu que Alyss não estava ao seu lado, foi procurá-la em todos os cômodos, e quando a achou viu que estava vomitando novamente.
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