Arqueira perdida

27 A verdade doi, mas isso machuca mais!


Notas iniciais
Postei dois de uma vez para vocês não me xingarem.... sinto muito a surpresa desagradável nesse cap..

– Sam é você mesmo? Não... Não pode ser devo estar ficando louca... – Falou Hanna.

– Sim, sou eu mesmo, e não você não está louca, pode pegar se quiser. – Respondeu esticando o braço.

Meio hesitante Hanna foi conferir, e quando por fim tocou a pele quente e macia de Sam é que acreditou que aquilo acontecia de verdade, mas não entendia uma coisa, como era possível Sam estar vivo se ela mesma o viu morrer, e Meth onde estava Meth? Procurou por trás dele aos lados e até mesmo em algumas arvores, Sam percebendo o que ela fazia falou.

– Não Hanna ela não esta aqui, ela morreu mesmo...

– Mas como você esta vivo? Não é possível...

– Eu na verdade nem morto estava, recebi ajuda, a flecha foi só de fachada, era para parecer real... A de Meth estava envenenada.

– Como assim real? Eu vi você morrer, e como você sabe que a flecha de Meth estava envenenada?

– Porque eu mesmo a envenenei

– Aha, até parece, você não teria coragem...

– Como você é ingênua, na verdade sempre foi burra o bastante para pensar que eu era o mocinho, por que acha que nunca contei que é uma Deusa? Pra te proteger, é claro que não, foi pra me proteger...

– O.k, Sam pode parar com essa brincadeirinha, não tem a mínima graça, você deve estar com algum Eidolon ou coisa parecida.

Mas o sorriso de Sam só aumentou de tamanho, e não era um sorrido brincalhão era um sorriso maníaco, se fosse algum espírito Hanna sentiria, agora que aprendera a lidar com eles, mas não conseguia sentir nada de anormal naquele espaço.

– Você realmente acredita que eu sou aquele garoto idiota? Não mesmo, Lucy era só um fantoche, sequestrei a mãe dela para que pudesse me obedecer, mas a tolinha se apaixonou por mim, então tive que fazer ela me “matar” Enquanto a Meth? Não sinto o mínimo remorso de ter deixado seu corpo apodrecer em uma montanha, é o mínimo que ela poderia ter pagado por matar os pais não acha?

Aquilo que ele falava não penetrava de jeito nenhum na mente de Hanna, não sentia medo dele, mas começou a pensar que deveria. Como o garoto que viveu com ela a infância inteira pudesse ser um assassino? Ela acreditava, mas não queria, ficou sem palavras diante daquilo, sua garganta secou, suas pernas e mãos tremiam, seus olhos encheram de lágrimas, mas se recusava a deixá-las cair!

– Como?... Você... v-você, n-não, não pode ser. – Tentava controlar sua voz o Maximo para não chorar.

– As coisas nunca são do jeito que esperamos.

Hanna queria sair correndo, virou as costas, mas antes de dar um passo Sam já estava a sua frente, “como pode ser tão rápido?” pensou, mas antes que pudesse falar alguma coisa, Sam foi chegando perto, cada vez mais perto, e por fim só deu tempo de sentir uma enorme pontada abaixo de sua costela, sentiu a faca girando em sua carne e sentia o sangue quente sujar sua roupa, não teve forças para mais nada, seus olhos fecharam e seu corpo caiu inerte ao chão, com a respiração lenta.

Quando acordou, ainda estava na clareira, suas mãos amarradas e seus pés também, sua cabeça doía, tudo girava, tentou se mover, mas a faca ainda permanecia em sua costela, deu um grito de dor agonizante e voltou a ficar parada, sua capa não estava sobre seus ombros, por isso se sentiu nua, viu uma pequena movimentação vinda da mata, pensou por um segundo que era Fred, Emma ou Jorge, mas logo suas expectativas foram suprimidas, quem saia da clareira era Sam, com um pequeno jarro de água, o ofereceu para que Hanna bebesse, mas essa se recusou com um brusco movimento de cabeça que quase a fez cair.

– Muito bem então, não beba. Morra de sede.

– O que você quer de mim?

– Não sei, talvez vingança?!

– Do que você está falando? Nunca fiz nada pra você...

– Você não, seu pai sim, ele me prejudicou muito, me entregou a Zeus para que ele me matasse, pois jurava que eu era um grande mal para o mundo, mas minha mãe conseguiu me salvar, e me trouxe para o castelo, mas sempre me lembrava de que precisaria me vingar futuramente, então uma garotinha chegou ao castelo, era esquisita, ninguém nunca gostou dela, então logo juntei os pontos, e decidir usá-la para minha vingança pessoal.

– Você por acaso tem alguma coisa a ver com a profecia? Porque se não, nem vou me preocupar com você. – Hanna falou com o maior desprezo que conseguiu.

Ele deu uma pequena risada desdenhosa e bebeu mais um pouco de água, Hanna queria com todas as suas forças um pouco, mas não iria ceder tão fácil.

– Se você acha que tenho alguma coisa com suas três irmãzinhas? Bem, fiz um pacto com elas de que quando dominarem o submundo iria ter você Hades e Perséfone somente para mim.

– E você realmente acha que dá conta de três deuses? É meio ilógico não?

– Dois Deuses e meio né? Porque você não conta.

Sam foi se aproximando mais uma fez de Hanna, agachou em sua frente e passou à mão em seu rosto, essa o virou bruscamente, e logo se arrependeu, pois a faca penetrou mais fundo em sua costela, deu um grito de dor e Sam aumentou seu riso irônico.

– Esqueci da faca, deixe-me tirá-la.

Desceu as mãos lentamente para onde a faca estava, apertou ela mais um pouco e a reação de Hanna foi à mesma, um grito agonizante, até que por fim ele puxou a faca do ferimento e ficou a brincar com ela nas mãos.

– Me lembro de você ter falado que gostava de cicatrizes no rosto?

– Quando te falei isso?

– Quando um garoto estúpido me jogou no chão e bati minha testa em um carro de frutas, uma pequena cicatriz ficou lá, mas você me disse que gostava, levei na esportiva, mas o garoto não sobreviveu pra contar história...

– Seu monstro, imbecil. – Respondeu se debatendo.

– Shhhh, vai estragar toda a diversão.

Ele olhou mais uma vez para a faca e a colocou de leve um pouco acima da sobrancelha de Hanna, apertou com força e foi abaixando fazendo um grande corte até o meio de sua bochecha, Hanna queria gritar de dor, mas não o fez, deixou que Sam continuasse com sua brincadeirinha pessoal. Precisava achar um jeito de sair dali. O sangue escorria para seus olhos e a nova cicatriz doía e latejava.

– Pode me dar um pouco de água? – Perguntou.

– Aah, agora você quer não é mesmo?

Sam foi buscar o pote de água, mas acidentalmente esqueceu a faca no chão, Hanna a puxou com os pés amarrados e a levou até suas mãos, quando Sam chegou com o pote suas mãos já estavam desatadas, mas ele não percebeu e deu água a ela que quando terminou de beber cuspiu na cara dele e lhe deu uma rasteira, cortou as cordas dos pés e pegou sua capa e seu cinto e é claro o arco e a aljava. Sam já havia se recuperado da queda e limpava a água de seus olhos, Hanna foi mais rápida.

Pegou as facas no cinto e sem hesitar enfiou a menor na costela dele, esse gritou de dor e se contorceu. A facada de Hanna ainda doía, por isso foi menos precisa no próximo golpe, agachou e deu mais uma rasteira nele, posicionou a faca de atirar em sua garganta com tanta força que um fio de sangue começou a aparecer, pegou as cordas partidas, mesmo assim em um tamanho proporcional e amarrou as mãos e os pés de Sam. Olhou para ele um instante e disse.

– Pena que você ficou assim, ainda poderíamos ser grandes amigos. – E uma lágrima caiu de seus olhos.

– Você não pode me deixar aqui...

– Porque não? – Falou virando-se.

– Porque você me ama, e eu te amo.

– Sinto muito querido, a fila anda.

Jogou a faca dele no chão, não perto dele é claro. E saiu da clareira, andou por dez minutos e já se sentia cansada, pressionou o machucado com as mãos e andou mais rápido. “Já esta escurecendo” pensou “e Sam logo estará livre, sou uma estúpida por ter deixado aquela faca lá.” Com os machucados doendo a toda força finalmente em uma hora pode ver as tochas do castelo. “Porque ninguém foi me procurar? Eu poderia ter morrido” Quando finalmente saiu da floresta viu que Will dava comando para guardas.

– Vocês deveriam tê-la achado, voltem lá agora... Seus incompetentes.

– Não precisa Will, estou aqui...

Will virou o rosto tão rapidamente que parecia que iria sair do local, gritou Emma, Fred e Jorge e logo os quatro chegaram a Hanna...

– Como você faz isso com a gente. – Fred pergunta desesperado.

– Se vocês não perceberam, não estou em condições de falar.

Na verdade eles não haviam percebido mesmo, pois estava escuro, somente quando Emma pegou uma tocha com um dos guardas que puderam ver o estado dela. Espantaram-se, mas logo a estavam levando para um quarto, e claro as perguntas não paravam.

– O que houve?

– Quem vez isso?

– Porque você foi lá?

– Em uma forma bem resumida, Sam está vivo.

A cara de Will congelou e seus movimentos também, pois era ele quem estava limpando os machucados de Hanna e essa reclamou bastante quando ele parou, disse que explicaria mais tarde, quando Will terminasse os curativos, dito e feito, assim que ele terminou ela não teve tempo nem de respirar, se ajeitou na cama e contou detalhe por detalhe.

– Ah, eu mato aquele desgraçado. – Will e Fred falaram ao mesmo tempo.

– Acho que não vai dar. – Interrompeu Emma. – Porque ela o deixou escapar.

– Talvez ele ainda esteja lá!

– Claro, deve estar mesmo... Aah, pelo amor dos Deuses Hanna, como pode ser tão burra? E se ele tivesse se soltado a tempo de te pegar de novo?

– Mas não aconteceu o.k? Eu estou aqui, e ele em algum lugar. Queria ver se fosse com você, se encontrasse uma das pessoas que mais amou no mundo e que havia morrido, mas ai você descobre que ela está mais viva do que você.

Diante daquela declaração todos ficaram em silêncio, Fred fez uma careta de desprezo e virou a cara. O ferimento no rosto de Hanna ainda latejava, sua costela ainda doía e ela não conseguia achar uma boa posição para ficar, Pediu que todos a deixasse sozinha, Fred e Will hesitaram, mas foram. Quando fecharam a porta seus olhos encheram de água, deixou que as lágrimas caíssem sem impedir, acontecera tanta coisa naqueles meses que se ela mesma não estivesse vivenciando não acreditaria.

O quarto em que estava não tinha janelas, começou a se sentir sufocada, queria sair dali, quando ia se levantar a porta se abriu e Fred apareceu, vendo que ela queria se levantar foi correndo em sua direção e a impediu.

– Me deixe sair daqui, não tem janelas, quero ver as estrelas.

– Primeiro que não pode, segundo que mesmo que saísse não iria ver nenhuma, está chovendo lá fora e terceiro, vai que aquele maniaco que você tanto amou ainda está la fora?.

– Ah não, não me venha com essa crise de ciumes. – ela cruza os braços. – O que está fazendo aqui então?

– Ora, vim ver como esta, se está precisando de alguma coisa.

– Não, não preciso de nada, pode sair.

– O.k então.

Se levantou da cama, mas antes que pudesse se afastar Hanna puxou seu braço e fez com que se sentasse novamente ao seu lado.

– Desculpa, é porque estou nervosa.

– Entendo, também ficaria se fosse comigo.

Conversaram a noite toda sobre tudo, riram, brincaram, até que a conversa tomou um rumo desagradável para Hanna. Fred a perguntou por que gostava tanto de ver as estrelas, ela não sabia responder certamente, só achava que esses minúsculos pontinhos no céu fossem mais do que isso... Pontinhos. Sentia que havia muito mais a aprender sobre o universo do que alguém possa imaginar. Disse que quando crescesse iria viajar por todas as montanhas mais altas só para se sentir mais perto das estrelas.

– É bobagem eu sei, mas é o que eu sinto.

– Não, não é bobagem, você ficaria espantada com as minhas bobagens.

– Então me diz ai, qual é o seu maior sonho?

– Acho que eu posso dizer que é recuperar minha mãe antes que ela morra. Não sei se isso vai ser possível algum dia, mas ainda mantenho minhas esperanças.

Quando amanheceu Will veio trocar os curativos e xingou Fred por não ter deixado que Hanna dormisse, ele protestou, mas logo saiu do quarto, dando um beijo na testa de Hanna, deixando Will e ela sozinhos.

– Você me deixou preocupado.

– Eu sei... Desculpe-me, não tive a intenção.

– Eu também sei disso. Como você lidou com Sam?

– Foi difícil no início, mas logo percebi que ele nunca foi o que eu pensava e que nunca me pertenceu, acho que esse é o meu maior defeito, às vezes acho que só porque amo muito uma pessoa ela me pertence. Tenho que para com isso!

– Muitas vezes os nossos defeitos são as nossas maiores qualidades, e com o tempo podemos dar um rumo a eles, todos temos defeitos, mas cabe a nós torná-los qualidades.

Notas finais
e ai o que acharam? comentarios?