Armadilha Do Destino.
47 Capítulo 47 – Bebê Cullen.
PDV Edward Cullen.
A espera na clínica indicada pelo ginecologista foi grande, mas valera à pena. Depois de passar quase duas horas sentados ansiosos, na sala de espera do bem decorado Centro de Imagens, nossa vez havia chegado. Entramos, fomos recebidos pelo médico e por uma assistente, que conduziu Bella até um vestuário à parte, no lado oposto da sala, onde ela tirou as roupas e vestiu uma bata azul clara. Em seguida a assistente a trouxe de volta, ajudando-a a deitar na mesa para ser examinada.
O médico havia acabado de passar um gel transparente sobre a barriga de Bella, permitindo que o aparelho deslizasse facilmente por todo o ventre. Ele fazia perguntas rotineiras como se ela estava enjoada, se havia sentido algum sintoma incomum, tontura, azia, etc. Perguntou se ela estava se alimentando corretamente, fazendo algum tipo de exercício, dormindo bem e outras coisas mais. Eu estava escutando tudo o que eles diziam, mas com os olhos fixos na tela à minha frente, quando um pequenino ser apareceu.
-Olhem, ali está o bebê de vocês. Aqui é a cabeça, aqui estão os braços, as perninhas, o tórax, o estômago, a coluna vertebral...
Enquanto o médico falava senti as lágrimas inundarem meus olhos diante do milagre da vida. A procriação. Aquele ser tão pequeno era o fruto do nosso amor. Um amor que havia sido provado, que enfrentara diversos obstáculos e sobrevivera ao tempo. Certo, eu já era pai. Mas como posso explicar?! Eu não havia acompanhado o crescimento da Nessie, nem o desenvolvimento do ventre de Bella, ou as consultas do pré-natal, então tudo aquilo era novo para mim. Observar o bebê através do monitor era fantástico, maravilhoso e perfeito.
-Olhem só, ele está com o dedinho na boca, disse.
-É mesmo. Veja, Edward. Nosso bebê está chupando o dedo.
A imagem no monitor do aparelho era bem nítida. O bebê estava sugando o minúsculo dedinho polegar.
-Eu nunca chupei dedo na vida, falei apressado. Queria que ele herdasse as minhas qualidades, não aquilo.
-Eu também não, Bella disse sorrindo.
-Vai ver que foi o Emmett, emendei. Meu irmão sempre fora esquisito quando éramos crianças. E como ele era mais velho, eu não saberia dizer.
-Bom, acho que posso fazê-lo gostar de uma chupeta no lugar do dedo, afirmou Bella rindo.
-Ele é normal, doutor?
-Perfeitamente normal senhor Cullen. Vocês estão querendo um menino? Questionou o medico por sobre os óculos Rayban de aro grosso.
-Tanto faz, disse Bella. – Nós só queremos que ele tenha saúde.
-E nós já temos uma menina, eu disse.
O médico deu um sorriso complacente.
-Quantos anos têm a filha de vocês?
-Nove, respondemos ao mesmo tempo.
-Nove? Então vocês esperaram bastante para encomendar o segundo, concluiu fazendo anotações na ficha que segurava em suas mãos.
-O senhor nem faz idéia, devolvi pegando a mão de Bella e levando até meus lábios. Ela sorriu com os olhos em resposta.
-Querem saber o sexo?
Perguntou tornando a mexer o bastão contra o ventre dela, subindo e descendo.
-Claro!
-Por favor.
Bem, vejamos... É um menino. Olhem aqui os testículos.
-Um menino?!
Minhas lágrimas desceram.
-Que maravilha!
-Vamos ter um filho meu amor, um filho! O que acha de Edward Thomas Cullen Júnior, Bella?!
-Adorei o nome, ela disse. – A escolha não poderia ser mais perfeita.
-Parabéns aos dois.
-Obrigada Doutor.
-Obrigado, respondi emocionado.
-A senhora está com dezessete semanas de gestação.
-Tudo isso?!
-Sim. Mas não engordou muito pelo que eu estou vendo.
-O que significam “dezessete semanas”?
-Estou grávida de quatro meses, Edward.
Bella respondeu. Franzi o cenho. O médico tinha razão quanto ao peso. Ela não havia engordado quase nada.
-Isso é preocupante, doutor?
-Não necessariamente. Algumas mulheres engordam mais do que outras, mas eu gostaria que a senhora passasse a fazer seis refeições por dia, senhora Cullen. Introduza lanches como frutas, cereais, sucos e iogurtes nos intervalos entre as principais refeições. Geralmente os bebês ganham mais peso a partir do quarto e quinto mês. A senhora ainda não está na faixa de risco.
Ficou bastante claro que ela teria de começar a se alimentar melhor ou o meu filho nasceria raquítico.
Vocês tem mais alguma dúvida em relação a gravidez?
-Sim. E quanto às relações sexuais?
Questionei vendo o rosto de Bella adquirir nuances variadas ante de se tornar totalmente rubro. Percebendo o quanto ela estava desconfortável ele sugeriu que ela fosse se trocar.
-Já pode ir se vestir senhora Cullen, falou calmamente. Bella levantou e saiu em direção ao vestiário sem olhar para trás uma única vez.
-Não há problemas em ter relações sexuais durante a gravidez, senhor Cullen. Pelo menos por enquanto.
Explicou retirando o lençol onde Bella havia deitado e jogando num cesto ao seu lado esquerdo.
-O que quer dizer com “Por enquanto”?
-Sua esposa está entrando no segundo trimestre da gestação, então não haverá nenhum problema. Mas à medida que a gravidez avança, ela poderá sentir algum desconforto ou desenvolver problemas rotineiros como o útero vier a baixar, a maturação precoce da placenta, contrações antes da hora, sangramentos, entre outros.
-O senhor está me assustando, respondi arrancando um enorme sorriso dele.
-Não se preocupe. Deixe que eu me preocupo se for o caso e quando chegar a hora, está bem?
-Ok, doutor, muito obrigado, respondi satisfeito com os esclarecimentos e a atenção dedicada por ele a nós. Bella retornou já vestida, nós nos despedimos e saímos de lá. Assim que entramos no carro...
-Eu não acredito que você fez aquela pergunta!
Esbravejou colocando o cinto de segurança.
-Que pergunta?
Me fiz de doido.
-Não se faça de bobo, Edward! Eu quis sair dali correndo. Desaparecer! Ser engolida pela Terra. Fiquei morta de vergonha! Onde já se viu expor a nossa intimidade dessa forma?!
-Meu amor, eu quero foder você todas as noites e até então não sabia se isso era possível. Agora eu sei que posso. E já que tudo foi esclarecido, se prepare porque eu vou exigir muito de você, carinho.
Repliquei levando uma tapa no ombro.
-Comporte-se!
-Relaxe. Meu humor está em alta por saber que podemos transar à vontade. Aproveite o momento.
Falei piscando um olho.
-Edward Cullen, você é incorrigível!
Exclamou sem conseguir segurar o riso.
-Por que você me ama, falei dando um beijo na ponta do nariz delicado. O estômago dela roncou alto.
Franzi o cenho fingindo estar intrigado com o barulho.
-O que foi isso?! Será que vem chuva por aí?!
-Pare de bancar o engraçadinho! Você sabe muito bem que foi o meu estômago. Eu e o seu filho precisamos comer.
Revirei os olhos fazendo uma careta engraçada. Ela desatou a rir.
-Palhaço!
-Gostaria de me ver no picadeiro de um circo?
-Não. Quero ver você ao meu lado. Sempre.
-E vai ver. Isso é uma promessa, falei dando a partida no motor e manobrando o carro para fora do estacionamento da clínica. Quinze minutos depois nós entrávamos na lanchonete mais famosa da cidade. O lugar estava apinhado de jovens e casais de namorados. Era alta estação e as férias estavam começando na maioria das escolas. Não era um dos meus locais favoritos, mas eu o havia escolhido por ser mais próximo. Bella tinha que se alimentar bem, já que estava comendo por dois e eu não queria arriscar que ela passasse mal por demorar a se alimentar.
Em uma mesa mais afastada, Mike Newton e Jessica Stanley conversavam tomando Milk Shakes. Eles viraram as cabeças em nossa direção, cumprimentando-nos. Vi rejeição, desprezo e um rastro de ódio refletirem nos olhos de Jessica, mas fiz questão de ignorar. Eu nunca havia prometido nada a ela anteriormente, portanto ela que lidasse com aquilo sozinha. Confesso que a possibilidade de um envolvimento maior chegou a passar pela minha cabeça, mas isso foi antes de eu reencontrar Isabella. Bella acenou para eles. Mike devolveu o cumprimento amistoso e eu não gostei. Era apenas um aceno, mas me incomodou o suficiente para desviar do salão lotado e procurar uma mesa num canto mais discreto. Uma garçonete sorridente apareceu e arregalou os olhos quando me viu. Bella fechou o semblante, apertando minha mão com força. E moça aproximou-se nos recebendo um pouco mais calorosamente que o necessário. Disfarcei um sorriso, sentindo a tensão de Bella crescer. Aquilo seria bem interessante.
-Mesa para dois?
Sua voz era sedutora, quer fosse intencional ou não. Vi os olhos dela faiscarem quando me avaliou demoradamente.
-Sim, por favor.
Respondi enlaçando Bella pela cintura. Com o contato ela relaxou a postura, enquanto a garçonete pareceu ficar desapontada. A mulher devia ter por volta de quarenta anos. Tinha pele clara e cabelos loiros, usava o cabelo preso num coque extravagante. Ela nos conduziu para uma mesa enorme logo mais à frente. Era uma mesa redonda com oito cadeiras, no piso central da lanchonete. Senti Bella pisar duro no chão e achei melhor interferir.
-Gostaria de algo mais reservado, falei em voz baixa entregando discretamente uma nota de vinte dólares a ela, que foi extremamente solícita.
-Mas é claro, que cabeça a minha. Vocês querem ficar mais à vontade.
Respondeu parecendo estar surpresa com o pedido.
-Exatamente, falei dando meu sorriso torto e levando um chute na canela. Trinquei os dentes com a dor, vi estrelas rodando em meu cérebro, mas cerrei os lábios engolindo o sonoro palavrão que quase escapuliu e continuei caminhando atrás da moça.
-Aqui está bom?
Perguntou sorridente mostrando uma mesa quadrada com apenas duas cadeiras, parcialmente oculta por uma divisória lateral.
-Está perfeito, respondi dando outro sorriso torto. A mulher pareceu ficar boba por alguns segundos, mas recompôs-se sacudindo a cabeça e dando um pigarro discreto.
-Acomodem-se, por favor. Aqui estão os cardápios. Volto já para anotar os pedidos de vocês, disse tentando ser simpática. E saiu fazendo questão de rebolar seus quadris.
-Está satisfeito?
Sua voz era gelada.
-Satisfeito com o que?
Perguntei com inocência.
-Em deixar a moça tonta dessa forma!
Rebateu ácida.
-Eu deixei a garçonete tonta?!
Meus olhos refletiam meu espanto.
-Com certeza ela está arfando na cozinha agora mesmo!
Se olhar matasse, com certeza eu teria caído no chão estirado e duro.
-Pare de bancar o inocente ou vai dormir no quarto da Nessie, hoje à noite!
Falou dando mais um chute na minha canela dolorida.
-Ai!
-Isso é para você aprender a não ser engraçadinho com outras mulheres, despejou com desdém.
-Não precisa ficar com ciúmes, amor. Eu só tenho olhos para você, esqueceu?!
Falei levando a mão à perna e sentindo o galo que havia se formado no local em que Bella me chutara por duas vezes seguidas.
-Sei que você me ama, Edward, mas não quero te ver jogando charme para outras, entendeu?! Você sabe muito bem o efeito que causa nas pessoas!
-O efeito que eu causo nas pessoas?!
Perguntei confuso.
-Nas mulheres. Você as deixa deslumbradas com esse seu sorriso, constatou emburrada.
Me inclinei para frente em sua direção.
-Eu deixo você deslumbrada?
-Você sabe que sim, respondeu baixinho. A volta da garçonete interrompeu o nosso momento.
-Já escolheram?
-Sim, um Big picanha duplo com porção extra de fritas e bacon, pedi.
-Um sanduiche natural de ricota com cenoura e frango.
-Só isso? O médico disse que você precisa engordar alguns quilos, Bella, retruquei.
-Eu estou bem.
-Pense no nosso filho, insisti.
-O bebê está bem, ela disse me ignorando mas deixando claro para moça que nós iríamos ter um bebê.
-E para beber?
A garçonete perguntou polidamente.
-Suco?
Perguntei.
-Pode ser. É mais saudável que refrigerante, completou Bella.
-Dois sucos de laranja com açúcar e gelo, por favor.
-Voltarei logo com os pedidos, disse sem desviar os olhos do bloco com as comandas de pedidos.
-Assim está melhor, falei.
-Quem sabe agora ela aprende a não dar em cima dos homens alheios, Bella disse me fitando diretamente.
-Adoro quando você fica brava. É sexy.
-Não mude de assunto.
-Sou seu. De corpo, alma, coração e mente.
-Então comporte-se como tal ou eu vou acabar aceitando o convite do meu amigo Mike Newton para conhecer a sua loja, falou dando um sorriso angelical.
-Vai porra nenhuma!
Falei zangado. Ela abriu um amplo e satisfeito sorriso, fazendo com que o meu sangue fervesse apenas em ouvi-la mencionando o nome do moleque atrevido. Como diz o ditado “O feitiço virou contra o feiticeiro”.
Notas finais
beijos Até mais
Kiki
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