Notas iniciais
Olá Garotas....

Continuação Bella...

Desesperada pela falta de notícias e pela ausência dele, pedi a Jasper que fosse até a casa dos Cullen num bairro afastado da cidade e procurasse saber alguma informação do que teria acontecido com Edward, mas não havia ninguém por lá. A casa parecia ter sido abandonada da noite para o dia. Soubemos meses depois que Emmett havia assumido um excelente emprego em outra cidade e fora embora de Caldwell levando a mãe, D. Esme, excelente costureira, consigo. Minha angústia crescia desenfreada. Dias mais tarde decidida, resolvi obter uma resposta concreta sobre o paradeiro dele. Ainda lembro-me das palavras de Charlie no dia em que o questionei sobre Edward. Estávamos na cozinha terminando o almoço.


“...-Papai, você viu Edward Cullen esses dias?

Ele alisou o bigode negro sobre seus lábios, me fitando com atenção, demorando mais do que de costume para responder.

– Não, por quê?

– Pedi a ele que me falasse um pouco sobre o que é ser agrônomo. Quem sabe eu não me interesse em seguir essa carreira também? Seria bom para a fazenda.

Aleguei sem conseguir encará-lo diretamente.

– Cullen mandou seu irmão aqui no sábado pela manhã para pegar o pagamento semanal.

– Emmett?

Questionei confusa, franzindo a testa sem entender.

– Sim. Ele tem outro irmão?

– Não que eu saiba.

– O rapaz me disse que houve uma emergência com um parente distante e que o Cullen estava indo embora da cidade naquele mesmo dia. Eu paguei o que devia pela semana de trabalho e ele saiu. Já contratei outro para ficar no lugar dele, um com mais experiência. E a propósito, seria ótimo se você resolvesse fazer agronomia, respondeu com um meio sorriso.

Poucas vezes vi o meu pai sorrir, mas naquela hora, ele poderia ter ficado de ponta cabeça que eu não notaria. O ar me faltou. Meus pulmões arderam. Meu mundo ruiu. Meu castelo desmonoronou. Respirei fundo tentando juntar meus pedaços, tentando não desmaiar. Balbucei qualquer coisa sem nexo e pedi licença, saindo em disparada para o meu quarto, caindo sobre a cama e chorando até não ter mais forças. Por quê?! Por que ele fez aquilo comigo?! Por que foi embora sem se despedir, sem avisar nada? Por que Edward mentira para mim?! Por que meu Deus?!

Arranquei a correntinha do meu pescoço com força, rompendo o fecho jogando-a o mais longe possível. Minutos depois engatinhei pelo quarto desesperada procurando a jóia, cega pelas lágrimas até encontrar o objeto delicado. Me recriminando mentalmente, abri uma gaveta dentro do meu closet, pegando uma caixa de veludo vermelha escura que pertencera a mamãe e jogando-a lá dentro. Aquela era a prova de que tudo havia sido real, de que eu tinha vivido um sonho mágico, que tinha amado um homem e que despertara da pior forma possível para a realidade.

Era lá que a corrente estava até hoje, esquecida e escondida no fundo daquela caixa.

Meu coração havia sido arrancado fora. Eu sobrevivia a cada dia vegetando. Minha vivacidade tinha evaporado por completo. Chorei cada noite até completar um mês. Descobri que o meu príncipe encantado havia virado sapo. Falso! Maldito! Canalha! Aproveitador! Mentiroso! Ele tinha me usado e me jogado fora. Edward não tinha sentimentos. Ele não passava de um bastardo cruel e sem coração que pediu demissão da nossa fazenda aparentemente sem nenhuma explicação plausível e foi embora de Caldwell para sempre. Ele me abandonou. O pior de tudo foi descobrir um mês depois que estava grávida e ter de enfrentar Charlie Swan sozinha.


“...– Posso conversar com você um minuto?

Falei diante da pesada escrivaninha de madeira do escritório. Papai me fitou com seriedade e uma dose de impaciência.

– O que foi agora?

Questionou com a rispidez de sempre.

– Preciso lhe contar uma coisa.

Ele dobrou o jornal, jogando o calhamaço de papéis finos sobre o tampo de madeira e me encarou, esperando.

– Pode falar, Bella.

Que Deus me ajudasse.

– Eu...

– Você...

– Eu...

Ele suspirou pesadamente.

– Estou ocupado com as planilhas da fazenda e as notícias da cotação das frutas, não tenho tempo para conversa fiada agora, falou bruscamente.

– Eu estou grávida.

Despejei a bomba de uma só vez. Seu rosto perdeu a cor. Ele levantou abruptamente e me fitou como se um alienígena estivesse diante dele. Seu rosto ficou rubro, roxo, verde, amarelo, laranja, cinza. Minha garganta se fechou, eu tremi e achei que fosse desfalecer. Supus que ele teria um ataque do coração, uma síncope ou qualquer coisa do tipo. Repeti baixinho o que já havia dito. Era um fato e nada poderia mudar isto. Mas minha voz soou estranha aos meus ouvidos.

– Eu... Eu estou grávida, pai.

O soco que ele deu na mesa deixou-a torta, afundando uma parte do pesado tampo de madeira. Ele respirou profundamente várias vezes, me olhou como se quisesse me matar, me estrangular, remover todo o meu sangue, gota a gota. Eu estava rígida, paralisada, estática. Que Deus me ajudasse.

– Me diga, por favor, que o pai é Whitlock, Isabella. Que ao menos você se envolveu com uma pessoa decente, de princípios, com uma educação igual a sua e com a qual eu teria o maior orgulho em casar minha única filha.

Seu tom era ameaçador. Involuntariamente me encolhi. Nós não mandamos no coração, quase respondi. Quase. Jasper era uma pessoa maravilhosa sim, mas não passava de um amigo muito especial e muito querido.

– Não, papai, Jasper não é o pai do meu filho.

Sussurrei temendo que ele se tornasse violento ou fizesse algo contra mim. Esperei pela pergunta fatal: E quem é o pai desta criança?! Mas ela surpreendentemente não veio.

– Você vai embora daqui.

Falou taxativo. Arregalei meus olhos assustada. Seu tom de voz era frio, desprovido de qualquer emoção.

– Ir embora daqui?

Retruquei aturdida.

– Sim. Ainda esta semana você vai para Lexington, morar com a Senhora Weber e sua filha Ângela. Pagarei todas as suas despesas enquanto estiver morando lá, claro. Ela era a melhor amiga de sua mãe e me deve alguns favores. Seu marido morreu há pouco e não vai ser difícil para ela conseguir acomodar você.

O ar ficou escasso. Eu iria morar com estranhos?! Só havia visto à senhora Weber uma única vez, embora Lexington ficasse a apenas uma hora de Caldwell, e sequer conhecia a sua filha.

– Mas eu nasci aqui!

Exclamei nervosa. Ele me fitou irritado.

– Cresça Isabella.

– E se eu não quiser ir?

Respondi sentindo a raiva começar a me invadir. Ele recuou na cadeira, me fitando com ceticismo e frieza.

– Você não tem escolha. Sou o seu pai. Você é menor de idade e eu decido exatamente o que será melhor para você.

– Acontece que esta casa também é minha!

Ele sorriu com deboche.

– Um dia tudo aqui em Twilight será seu, Bella. Mas por enquanto você não passa de uma adolescente tola e inconsequente que abriu as pernas para o primeiro conquistador barato que surgiu em sua vida!

As palavras foram como uma chicotada em minha face. Cambaleei, caindo sentada sobre a cadeira de veludo negro.

–Você quer aquilo que será melhor para você pai, não para mim, consegui dizer aos tropeços.

Ele me deu um olhar gélido. Nesse instante me dei conta da importância que eu tinha para ele: Absolutamente nenhuma, mesmo sendo a sua única filha. O que ele pretendia me casando com Jasper era manter a tradição, as terras e o nome imaculado da família. Senti-me enojada.

–É óbvio que quero melhor para a nossa família. Não quero que você seja apontada nas ruas como mãe solteira, nem que vire o centro das fofocas aqui em Caldwell. Também não quero um neto bastardo vivendo e sendo criado dentro de minha casa. Você vai para Lexington. Está decidido e ponto fina!”

–---

Acordei com uma enxaqueca enorme, parecia que o mundo inteiro estava martelando dentro da minha cabeça.

– Ai...

Gemi involuntariamente, levando as mãos até as têmporas que latejavam, massageando de leve.

– Mãe?!

A vozinha inquieta e aguda me atingiu em cheio.

– Oi querida. Bom dia.

– Bom dia, mas parece que para você não está tão bom não, retrucou com perspicácia. Não pude deixar de sorrir, embora a dor lancinante estivesse me consumindo. Renesmee era uma criança muito inteligente e bastante precoce para sua idade.

– Estou com dor de cabeça filha, respondi beijando seus cabelos escuros.

– Grande ou pequena?

Curiosidade típica das crianças.

– Gigante.

– Puxa! Eu queria tanto que você fosse comigo até o lago...

Falou emburrada. Era sábado e ela esperava ansiosa pelo final de semana, para que juntas fôssemos passear.

–Vamos deixar para outro dia, ok? Pode por favor, pegar duas aspirinas para mim ali no banheiro?

Ela concordou e saiu correndo como um furacãozinho, retornando segundos depois.

– Aqui está, disse entregando-me os comprimidos e um copo d’água.

Engoli e o gosto amargo dos remédios ficou em minha boca.

– Acordei há horas e não tem nada para fazer...

Resmungou cruzando os braços sobre o peito. Suspirei. Crianças sempre impacientes e em busca de algo para fazer.

– Já fez as tarefas filhas?

– Sim, todas.

Assenti sorrindo. Era sempre fora uma excelente aluna.

– Que horas são agora?

Perguntei ainda desorientada.

– Já passam das nove, respondeu balançando a cabeça, me fitando com os olhos verdes intensos iguais ao do pai. Engoli em seco.

– Temos hóspedes?

– Dois, mas só vão passar o dia, respondeu prontamente.

– Já que hoje é sábado, a tia Ângela vai fazer um bolo com certeza. Por que não se oferece para ajudá-la enquanto eu vou me vestir? Prometo que desço daqui a pouco, para encontramos juntas, algo que você possa fazer.

Falei me espreguiçando e sentindo uma enorme pontada na cabeça. Parecia mais que eu havia bebido até cair na noite anterior e estava com uma ressaca brutal.

– Bolo?

Questionou com os olhinhos verdes brilhando, engoli em seco diante da vívida lembrança do dono daqueles olhos intensos e devastadores.

– Isso.

– De chocolate?

Perguntou batendo palmas agitada.

– Não sei. Você vai ter de negociar isso com sua tia, retruquei sorrindo e me arrastando para o banheiro. Meus pés pareciam pesar toneladas.

– Oba!

Gritou e saiu correndo escadaria abaixo. Ela sabia que Ângela Weber minha sócia e melhor amiga não resistia a fazer nada que a minha filha quisesse. Suspirei e abri o chuveiro, resolvida a tomar uma ducha revigorante, ansiando ardentemente que juntamente com a água que descia abundante, todas as lembranças do meu passado escoassem pelo ralo e desaparecessem para sempre.

Saí do banho, me sequei, coloquei uma legging preta confortável e uma blusa soltinha estampada em tons de azul por cima, ajeitei os cabelos no costumeiro rabo de cavalo e dei uma olhadela no espelho antes descer, aprovando o visual.

– Bom dia.

Falei entrando na cozinha minutos depois.

– Bom dia, respondeu Ângela me fitando séria.

– Onde está Nessie?

– No quintal pisando nas poças de lama. Alguém por aqui precisa se divertir, não acha?!

Respondeu voltando sua atenção para o almoço, ajeitando os óculos sobre o nariz fino e arrebitado.

– O que teremos para o almoço?

Fiz questão de perguntar. O cheiro estava ótimo.

– Risoto de frango com salada caesar, respondeu com secura.

Suspirei pesadamente. Eu sabia que ela queria conversar sobre alguma coisa.

– Diga.

Retruquei sentando-me numa das cadeiras dispostas ali.

– Não sei como não pegou uma pneumonia ontem à noite, respondeu irritada.

Oh, oh... Terreno perigoso, minha mente alertou.

– Não quero falar sobre isto, ok?

Ela jogou a colher de pau na pia com raiva.

– Até quando você vai ficar assim Bella?! Dez anos já se passaram!

Sua voz agitada reverberou como um trovão na pequena cozinha.

– Ângela, por favor, minha cabeça está estourando de dor.

Respondi massageando as têmporas com os dedos.

– Você é uma jovem de vinte e cinco anos, não uma velha de setenta! Não sai de casa, não relaxa, não se diverte e tampouco se permite ser feliz. Estou cansada de ver você assim, por isso já tomei minhas providências, falou indo até a pia, abrindo a torneira e lavando a colher.

Ao contrário de mim, que nunca havia dormido com outro homem na vida além do pai da minha filha, Ângela saía, flertava, namorava, se divertia e fazia sexo casual de vez em quando. Por isso, quando ela proferiu aquelas palavras, eu gelei.

– A que tipo de providências você está se referindo?!

Perguntei respirando profundamente. Ela rolou os olhos como se tivesse que explicar alguma coisa muito óbvia a uma criança pequena.

– Um encontro.

Paralisei. Estaquei mortificada. Olhei para ela achando que não havia escutado direito, mas sua expressão me convenceu de que eu havia escutado perfeitamente bem.

– Não.

– Sim, retrucou fitando a comida na panela.

– Ah, não!

– Ah, sim!

Apertei os lábios numa linha fina, colocando as mãos na cintura pronta para a briga.

– Eu não vou.

– Vai sim, e nem faça essa cara de mosca morta, porque você vai sair sim. Seu encontro é hoje à noite no barzinho novo.

Respondeu tranquila. Eu já havia perdido a conta do número de encontros fracassados que ela tinha me arranjado ao longo dos últimos dois anos. Um geólogo alto e careca que só falava na ex-esposa, um pianista temperamental que queria dormir comigo no primeiro encontro, dizendo que se inspirava para compor novas músicas após o sexo sem compromisso; um caminhoneiro sarado e sexy que queria me levar embora com ele para o Alaska; um loiro artificial ator de comerciais de TV que vivia insistindo em que eu deveria tingir meu cabelo de loiro para combinar com o dele e formarmos um par perfeito; um professor alto e moreno da Universidade local que vivia metido em confusão, pois se envolvia frequentemente com suas alunas, todas elas sendo dez anos mais jovens que ele; um pesquisador bonito e aventureiro cujo maior sonho era ir morar na Floresta Amazônica, na América do Sul, entre outros. Depois do último eu havia jurado a mim mesma que jamais sairia com alguém que não fosse eu mesma que escolhesse. E justamente hoje ela me vinha com aquela idéia maluca!

– Pode desmarcar. Não vou de jeito nenhum.

– Para onde mamãe?

Perguntou uma Nessie coberta de lama dos pés a cabeça, entrando na cozinha e limpando os pés no pano de chão. Eu e Ângela não contivemos o riso diante da figurinha suja e curiosa.

– Sair hoje à noite meu bem, respondi

Renesmee fez uma cara desapontada. Aproximei-me afagando de leve seus cabelos grudados pela lama.

– O que foi filha?

– Por que você não quer sair com ele? Caius é legal mãe, falou espontânea. Enrijeci ao escutar aquilo.

–Caius? Que Caius? O seu dentista novo? Mas o que é que está acontecendo aqui afinal?!

Questionei fuzilando Ângela Weber com o olhar. Eu tinha levado Nessie a este dentista porque o Odonto pediatra que a atendia anteriormente, o Dr. Felix, havia se mudado para Houston. Para minha desgraça eu havia dito a minha sócia quando voltei da consulta que ele era um homem até interessante. Não sei por que abri minha boca, droga!

– Bom, filha, olha... É que...

Como eu iria explicar para ela? “Meu amor, seu pai me magoou tão profundamente que eu não quero mais me envolver emocionalmente com ninguém. Ele destruiu meus sonhos e dilacerou meu coração! Sua mãe agora é apenas uma mulher de carreira”. Suspirei tentando encontrar uma explicação plausível para a cabecinha de nove anos, mas não tive chance. Ângela interferiu, aliás como sempre.

– Sua mãe está nervosa porque “acha” que não tem um vestido novo para sair hoje, linda.

Disse sorrindo para Nessie. A palavra “acha” piscou como uma bateria de luzes em minha mente. Estreitei os olhos e coloquei as mãos na cintura, fitando-a. O que ela estaria pretendendo agora?! Nessie devolveu o sorriso.

– Está tudo bem mamãe, eu e a tia Angie compramos um vestido maravilhoso para você ontem à tarde.

Bufei enquanto meu olhar ia de uma para a outra. Então eu estava à mercê de um complô dentro de minha própria casa.

– Vamos mostrar a ela assim que você tomar um banho gostoso Nessie, disse minha manipuladora amiga.

– Certo, disse minha filha que agora mais parecia uma boneca de lama, disparando em direção ao banheiro.

Esperei que ela desaparecesse nas escadas e me virei para Ângela furiosa.

– Como pôde fazer isso?!

Bradei indignada.

– Fazer o que? Salvar sua vida sem graça e monótona? Fazer com que você desperte dessa letargia infame e descubra que está viva?! Fazer com que você relembre o quanto é bom ter as mãos e a boca de um homem espetacular como Caius em seu corpo?! É sempre um prazer, você sabe. E não precisa nem me agradecer depois, basta sair com ele outras vezes, fazer um sexo louco e selvagem, quebrar de uma vez por todas essa sua concha ridícula de proteção anti-homem e se divertir um pouco.

Apertei meus lábios numa linha fina quando ela terminou seu discurso.

– Não somos vampiros para vivermos eternamente minha amiga. A vida é muita curta Bella. Aproveite antes que você envelheça, sua beleza e juventude desapareçam e seja tarde demais.

Ergui as mãos para os céus, porque eu sabia que de nada adiantaria argumentar.



Notas finais
Bem vamos aos agradecimentos da semana:
mccm.
letty_cristina.
Colorada.
simoneipua.
pcwinter.
Rayannereis.
carla-santiago.
FlaviaCullen.
Tiane.
Obrigado Meninas, vocês são ótimas...
Encontro vocês amanhã la no barzinho kkkk vamos sabotar o encontro do Caius.
Beijos
Kiki