Notas iniciais
Olá Meninas

PDV Isabella Swan.

- Eu dirijo — disse ele, tirando as chaves do bolso traseiro da calça e abrindo a porta do passageiro para mim. Vi que ele estava na BMW preta, mas não comentei nada. Edward geralmente preferia dirigir o volvo prateado. Entrei no carro sem protestar, sentei no assento confortável e olhei o céu. A lua estava cheia. Ele sentou-se e a sua perna roçou na minha de leve, exposta pela fenda do vestido. Seu olhar desceu para minhas coxas e em seguida voltou ao meu rosto. Uma onda de calor passou pelo meu corpo. Se ao menos a presença dele não me perturbasse tanto... Cada centímetro da minha pele ansiava por ele, mas eu não podia ceder.

- Eu avisei para que ficasse longe do Newton, Bella.

A voz baixa e decidida pegou-me de surpresa, afastando-me dos pensamentos conflituosos. Me doeu a hostilidade dele. Seus olhos ficaram escuros e duros, numa expressão que havia me assombrado em pesadelos durante anos.

- Você me deve uma explicação.

Disse com firmeza. Fiz um esforço para manter minha voz neutra.

- Não aceitei o convite dele. Vim à reunião com a Alice, pois ela me afirmou que não gostaria vir sozinha, defendi-me.

- O que?!

Edward perguntou, achando que não ouvira bem.

- Você escutou Edward.

- Sim eu escutei e vou repetir mais uma vez para que você entenda. Não me importa o que a Alice, o xerife, Sue ou até mesmo o Papa vão dizer. Eu não quero que saia com Mike Newton, Isabella, ou com qualquer outro homem.

Frisou.

- Não pense que só porque concordei com a imposição ridícula de não haver sexo entre nós dois, vou ficar de lado vendo outros ocuparem o meu lugar.

- Isto é uma cobrança ou uma ameaça?!

- Entenda como quiser!

Desviei meus olhos para a paisagem lá fora e consegui responder sem me alterar:

- Eu não sou sua propriedade, Edward. Sou a mãe de sua filha. Sou adulta, maior de idade e sairei com quem eu quiser.

- Se quer ser tratada com adulta, então aja como tal!

Esbravejou enfiando o pé no acelerador, fazendo o carro derrapar no cascalho do acostamento.

- Pare!

Gritei.

- Qual é o problema?

- Diminua, droga!

Ele sorriu com escárnio.

- Não gosta de um pouco de velocidade?! É excelente para aplacar minha adrenalina!

Bradou acelerando o carro ainda mais. Me assustei ao verificar o velocímetro. Ele estava a 160 Km/h. Achei que o meu coração fosse sair pela boca e cair no meu colo.

- Pare, pelo amor de Deus! Nós temos uma filha e eu quero viver para poder criá-la, Edward!

Quando mencionei Renesmee ele diminuiu a velocidade imediatamente, ligando a seta e parando o carro no meio do nada na estrada que levava a colina. Os segundos começaram a se arrastar. Ele apertava a direção com força enquanto eu olhava pela janela tentando evitar um confronto.

- Preste atenção. Quero você como nunca quis outra mulher, e não vou ficar de braços cruzados vendo você dançar com Newton, Tyler ou com qualquer outro imbecil. Portanto se quer que eu respeite as condições que estabeleceu e fique longe da sua cama, respeite as minhas ou o nosso acordo está desfeito a partir de agora!

Argumentou, com os olhos semi-ocultos pela aba do chapéu.

- E se eu não aceitar que se comporte como meu dono, o que vai fazer? Ficar rondando à minha volta?

Ele moveu-se ferinamente, estendendo a mão forte e segurando meu braço.

- Não Bella. Não precisarei fazer isso. Sei muito bem onde fica seu quarto... Ao lado do meu. E pode apostar que eu vou estar lá. Todas as noites.

Abri a boca para revidar, mas ele aproximou-se muito rápido, deslizando a mão pelo meu pescoço me deixando arrepiada dos pés a cabeça, estremecendo. A outra mão segurou com firmeza na minha cintura, impossibilitando que eu me movesse. Os lábios quentes tocaram em minha pele, percorrendo o meu pescoço carinhosamente. Meu coração disparou e batia tão forte em meu peito que eu temia que Edward estivesse ouvindo-o. Quando nossas bocas se encontraram, senti-me arrebatada por emoções intensas e inebriantes. Cedi. Meus lábios moldaram-se aos dele. A exploração foi mútua. Meus lábios também estavam saudosos e famintos por ele. Edward levou a mão e acariciou levemente meus seios, começando a traçar uma linha com as pontas dos dedos, em direção ao meu ventre. Ele queria me dar uma lição, eu tinha consciência disso, mas miseravelmente, eu sucumbia e me desmanchava em seus braços. Neste instante um carro veloz passou por nós, dando sinal de luz. Ele interrompeu o beijo bruscamente, voltando à posição em que estava, dando a partida no motor, deixando-me atordoada. O carro moveu-se silencioso. Levei uma das mãos aos lábios sentindo-os inchados e suspirei alto. Todo o meu corpo tremia de desejo. Corpo traidor!

- Era a Alice, falou.

- Tem certeza?!

Perguntei com a voz tremulando.

- Sim. Essa estrada só leva a nossa casa. Ela era voando baixo no maldito Porshe.

- Edward...

Comecei a falar, mas ele me interrompeu.

- Não espere demais para se decidir. Você também me quer, acabei de provar isso. Estamos apenas perdendo tempo e adiando o inevitável, Bella.

Falou olhando para frente, subindo lentamente a encosta da colina. O silêncio no interior do veículo era opressivo, a atmosfera cortante. Não demos uma única palavra sequer e assim que ele estacionou o carro ao lado do volvo, eu desci e caminhei rapidamente em direção a casa, sem olhar para trás.

PDV Edward Cullen.

Ela estava novamente querendo fugir, mas eu não permitiria. Nós precisávamos conversar e ia ser agora, aproveitando a ausência de Renesmee e dos funcionários. Se Bella pensava que ia escapar, enganara-se. Ela já estava girando a maçaneta da porta principal quando eu a alcancei e a detive pelo braço.

- Não tão depressa.

- Solte-me!

- Não. Precisamos conversar.

Rebati vendo o seu olhar de gata furiosa.

- Eu não tenho mais nada para falar com você Edward Cullen!

Esbravejou tremendo. Meus dedos se fecharam em torno do seu punho como garras de aço.

- Mais eu tenho e se não concordar em vir comigo até a biblioteca, pode apostar que eu vou invadir o seu quarto!

Ela apertou os lábios numa linha fina e me fitou com raiva.

- Por que está tremendo?

- Quase morri de medo no carro, ainda há pouco.

Falou empalidecendo. Eu quase me chutei por aquilo.

- Desculpe pela brincadeira de mau gosto. Eu não queria assustá-la. Vai comigo à biblioteca?

Acabou aceitando. Segui na frente acendendo as luzes do corredor. Entrei na biblioteca, esperei que ela passasse por mim e depois fechei a porta. O ambiente amplo era totalmente a prova de sons, mas Bella não sabia disso... Ainda. Esperei que ela sentasse para começar meu discurso.

- O que diabos aconteceu hoje?!

Perguntei com frieza. Não havia esquecido a cena que vi assim que cheguei ao ginásio: O babaca do Newton com ela nos braços.

- Não sei ao que você se refere, disse dando de ombros.

- Passei uma semana fora, Bella. Peguei o primeiro avião assim que as negociações terminaram, enfrentei um tráfego enorme no aeroporto e vim para casa dirigindo como um louco, esperando chegar aqui e te encontrar, mas você não estava.

- Eu estava num encontro de ex-alunos na escola em que estudei aqui na cidade me divertindo com velhos amigos.

- Você sabia que eu chegaria hoje!

Exclamei irritado.

- E daí? Nós não somos um casal normal Edward. Eu sou sua hóspede lembra?! Você me obrigou a vir para cá, não foi?! Sua viagem foi de negócios, coisas de seu interesse, do seu trabalho.

- Também senti sua falta, ironizei dando um sorriso carregado de sarcasmo. Ela suspirou.

- Na verdade não estou com ânimo para discutir agora. Você se importa em deixar essa conversa para amanhã ou outro dia? Acho que já discutimos demais para uma única noite, retrucou pondo-se de pé. Andei até uma das mesas e me voltei para encará-la.

- O que realmente está acontecendo?

Perguntei. O olhar dela arregalou-se e rapidamente foi em direção ao cesto de lixo, à minha direita. Confuso, fitei-a, mas ela desviou o olhar para seus próprios pés, numa atitude bastante estranha. O que será que ela estava escondendo de mim?! Disposto a esclarecer tudo de uma vez, andei até o cesto em questão e peguei-o com uma mão, retirando um pequeno papel amassado de dentro, franzindo o cenho e olhando-a fixamente. Seus olhos castanhos quase saltaram das órbitas.

- Não!

- O que é isto Bella?

- Nada, apressou-se em responder.

- Nada? Tem certeza?

- Edward, eu não estou pronta para isso agora, por favor...

- Se não é nada porque tentou esconder?

- Não tentei esconder, droga! Eu apenas amassei e joguei aí no lixo!

Gritou estressada. Pude sentir o pânico invadindo-a. Desamassei com cuidado e li as breves linhas explicando a coloração do resultado. Tensão e felicidade tomaram conta de mim. Relutei um instante antes de tornar a encará-la.

- Com certeza é auto explicativo, ela falou num sussurro.

- E você estava planejando manter este segredo só para você? Estava planejando esconder de mim novamente sua gravidez?!

Ela levantou-se num salto.

- Claro que não! Eu fiz o teste hoje à tarde. Minha menstruação está atrasada, eu estou com náuseas, enjoada, mas achei que podiam ser sintomas relacionados ao estresse. E quanto a sua insinuação, eu iria sim conversar com você assim que colocasse os meus pensamentos em ordem!

- Será?

Minha voz era glacial como o oceano ártico.

- Acho difícil acreditar nisso.

Ela então abriu a boca para dizer algo, mas vacilou e caiu sentada no sofá. Praguejei baixinho e em três passos largos eu estava ao seu lado.

- O que foi?

- Nada. Murmurou baixinho. Meus olhos avaliaram-na rapidamente.

- Quando foi à última vez que comeu, Bella?

Questionei segurando o pulso delicado e verificando sua pulsação. Ela franziu o cenho como se estivesse se esforçando para lembrar. Praguejei alto desta vez.

- Não me diga que não comeu nada o dia inteiro?! Droga! Eu não posso me afastar nem por míseros cinco dias que você se descuida desse jeito! Merda!

- Não grite comigo!

Vociferou com os olhos cheios de lágrimas. Contei até vinte para recuperar meu autocontrole.

- Você vai ter que ser paciente comigo. Por um momento esqueci sua condição. Desculpe.

Eu sabia que mulheres grávidas ficavam muito mais sensíveis.

- Eu... Eu não lembro direito. Acho que minha última refeição foi no almoço.

Olhei para o relógio e fiz as contas mentalmente. Ela estava há mais de oito horas sem se alimentar.

- Fique aqui. Vou até a cozinha preparar alguma coisa para você comer e volto em dez minutos ok?

Ela assentiu e baixou-se para tirar as sandálias, enquanto eu levantava e saía porta a fora. Cheguei à cozinha, abri a geladeira e os armários, peguei vários ingredientes para fazer um grande e suculento sanduíche e uma caixinha de suco de pêssego, preparei tudo rapidamente e voltei para a biblioteca.

- Tome.

- É enorme, resmungou erguendo-se um pouco, recostando-se nas almofadas, fitando o sanduíche.

- Não reclame e coma tudo, falei num tom que não admitia discussão. Ela deu uma mordida, depois outra e mais outra. Fiquei aliviado enquanto Bella devorava o sanduíche com satisfação. Quando terminou, ela limpou os lábios com um guardanapo, colocou o prato de lado e me fitou pesarosa.

- Não sei quando aconteceu, disse.

- Pois eu sei. Ou no seu quarto na pousada ou aqui mesmo em frente à lareira, respondi tirando a camisa para fora da calça, gesto que ela acompanhou atentamente. Segui seu olhar e em seguida nossos olhares se cruzaram. Percebi que eu não era o único ali com segundas intenções na cabeça. Ela mordeu o lábio inferior nervosa. Eu estava deliciado com o que comecei a sentir diante daquela notícia. Era como se aquilo estivesse destinado a acontecer, como se o universo inteiro houvesse conspirado para que Bella voltasse para minha vida, para que eu desenvolvesse o senso de família que mamãe um dia me ensinou e junto com isso veio uma enorme vontade de dar o meu nome aquela criança, a nossa criança, ao nosso segundo filho. E isso me deixou meio bobo, meio perplexo.

- Escute, Edward, infelizmente aconteceu.

- Infelizmente?!

Mal sabia ela o quanto eu havia desejado aquela gravidez.

- Nós não podemos fazer mais nada em relação a isso a não ser aceitar o fato. E apesar de não desejar ter mais um filho nessas condições contraditórias em que estamos vivendo, eu já amo esse serzinho com todas as minhas forças, falou passando a mão sobre o ventre.

- Com quanto tempo você está?

- Cerca de oito semanas, respondeu.

- Mas ainda não foi ao médico?!

- Não. Como eu falei antes, fiz o teste apenas hoje.

- Bom, nós vamos cuidar de tudo, eu disse colocando minha mão sobre a dela.

- Edward...

- Bella...

Falei inclinando-me perigosamente sobre ela.

- Eu quero você como minha mulher, em minha cama, em minha vida.

Ela balançou a cabeça com tristeza.

- Para que, Edward? Para você acreditar na primeira mentira que inventarem sobre mim? Achar que eu sou uma mulher fácil cada vez que eu aceitar um convite amigo, como aconteceu hoje à noite? Estou farta das suas cobranças.

- Não Bella, escute...

- Não Edward, escute você. Quando você me fez mulher achou que eu só queria brincar com você. A garota rica e mimada se divertindo com o empregadinho da fazenda. Mesmo depois de saber que eu te amava acreditou em cada palavra nojenta e ferina que o meu pai te disse. Não estou disposta a sofrer mais uma vez. Eu não suportaria. Com certeza eu passaria a te odiar verdadeiramente e a nossa filha não merece isso, Edward.

Senti a garganta apertar nesse momento.
— Não vou permitir que os três saiam da minha vida.

Ela me fitou com os olhos marejados.

- Não posso negar o desejo latente que existe entre nós, mas prefiro não ceder aos apelos da carne, pois cada vez que isso acontece, me sinto como se fosse a sua prostituta de luxo.

Falou, o rosto de marfim empalidecendo. Queimou como ácido ouvir aquilo.

- Não repita tal palavra nunca mais Bella! Você é a mãe dos meus filhos e vai ser minha esposa perante os olhos de Deus e as leis dos homens assim que eu conseguir agilizar os papéis do casamento!

- Não me lembro de ter aceitado o seu pedido de casamento, retrucou.

- E você consegue ver outra alternativa?

Ela não respondeu.

- O que acha que Renesmee vai pensar quando souber que você está grávida e que ela vai ganhar um irmãozinho? Ela pode até se comportar como uma adulta às vezes, mas isto vai ser um pouco demais, Bella. Nós vamos nos casar sim!

- Casamento baseado em sexo está fadado ao fracasso antes mesmo de começar, Edward.

- E o que mais você quer Bella?

Falei trincando os dentes. Por que as mulheres sempre tinham que complicar as coisas?

- Respeito para começar. Você não é e nem nunca será meu dono, Edward. Quando vai entender isso?!

- Sou ciumento e possessivo com o que é meu, dardejei em resposta.

- Mas tudo tem um limite. E sua atitude hoje à noite mostrou claramente que você não admite ser contrariado. Agiu como um homem das cavernas, daqueles dispostos a encontrar a parceira e trazê-la para casa arrastada pelos cabelos.

Joguei a cabeça para trás e explodi numa sonora gargalhada, embora soubesse que ela tinha razão em determinados pontos de vista e que não estava achando nada engraçada àquela nossa conversa. Ela então levantou e eu deixei que fosse embora, mas antes que ela saísse da biblioteca eu falei calmamente:

- Não podemos pensar apenas no que nós queremos Bella. Você está carregando um filho meu no ventre e temos que pensar no que será melhor para Renesmee e para essa criança. Quer você queira ou não, isso não é mais sobre nós dois.

Ela não respondeu e saiu do ambiente, me deixando sozinho com meus pensamentos... “Você é minha, Isabella Marie Swan e não deixarei que ninguém tome o que é meu...”

Notas finais
Até amanhã Pessoal
Beijos
Kiki