Armadilha Do Destino.
27 Capítulo 27 – Saia Justa.
Notas iniciais
PDV Edward Cullen
Ela entrou no ambiente observando tudo com cautela. Os tons pastéis de lilás, verde e bege, traziam uma tranquilidade quase imediata a quem entrasse ali. Mantendo a compostura inalterada e sua expressão indecifrável, ela examinou todo o quarto, dando uma volta em torno do seu próprio eixo. Como o ambiente era quase duas vezes o dobro do tamanho do quarto que ela ocupava na Pousada Weber, eu achei que seria apropriado.
- Vai servir, disse dando de ombros.
- Aquela porta é do banheiro, indiquei com um gesto de cabeça. Ela ainda não sabia, mas aquele era o trunfo escondido na minha manga. Bella foi até lá, abriu a porta e entrou no espaçoso banheiro. As cores eram suaves, em tons de verde e creme. Eu havia escolhido pessoalmente cada peça. Havia duas pias hexagonais com bancadas separadas, armários com portas de correr guardavam toalhas, roupões, e produtos de higiene, espelhos refletiam as nossas imagens por todos os lados, um chuveiro com uma ducha potente e uma banheira com jatos de hidromassagem gigante. Ela olhou na direção do balcão e franziu o cenho intrigada.
- Mas o que?!
Todos os meus objetos pessoais estavam dispostos sobre a bancada: perfumes, loção após barba, barbeador elétrico, lâminas, creme para barbear, escovas de dentes, creme dental, shampoo, condicionadores, uma nécessaire de viagens de couro preta, dois dos meus relógios favoritos, uma corrente de ouro branco, pente e escova de cabelos, etc. Todos estavam organizadamente ordenados. Aquele também era o banheiro privativo do meu quarto, exatamente ao lado do que ela ocuparia.
- Este é o seu banheiro, Edward, não o meu.
Disfarcei um sorriso. Eu não a enganei em momento algum. Desde que lhe dei um ultimato exigindo que Bella viesse residir na mansão eu desejava sua presença em minha cama. Em verdade, por detrás da frase "Traga nossa filha e venha morar comigo", estava claramente subentendido, “Traga nossa filha e partilhe a minha cama, durma comigo, seja minha mulher".
- Ele é nosso. Meu quarto fica ao lado e nós dois iremos compartilhar o banheiro Bella.
Eu havia enfrentado dias terríveis de frustração sexual, tendo que aplacar o meu desejo violento de tê-la novamente sob o meu corpo com longos e desagradáveis banhos gelados, durante as noites e madrugadas. As lembranças da nossa última noite juntos no chão da biblioteca perturbava minha concentração. Eu agora vivia atormentado, obcecado pela excitação selvagem e memórias libidinosas de sua rendição e participação ardorosa, quando rolamos nossos corpos no tapete, em frente à lareira.
- Não.
- Sim.
Bella era teimosa, mas chegara à hora de aceitar seu destino. Ela seria minha outra vez. Ela me fitou com um olhar pesaroso e aquilo me surpreendeu. Eu esperava que ela fosse afiar as garras de leoa e me enfrentar de igual para igual.
- Não vai funcionar, disse com tristeza.
- Vai sim, retruquei habilmente.
- Edward, seja realista.
- Estou sendo, Bella.
- Então admita que isto...
Falou abrindo os braços num gesto amplo referindo-se ao banheiro.
- Não vai funcionar nunca.
- Não vejo por que não, rebati.
- Você sabe exatamente o porquê, resmungou baixinho.
- Qual o seu problema Bella?
- Soa até irônico você me perguntar isso, respondeu.
- Não confia em você mesma?
Questionei com suavidade, aproximando-me por trás e segurando uma mecha dos longos cabelos escuros entre meus dedos. Ela não respondeu, mas ficou rígida. Vi nitidamente quando os pêlos de sua nuca eriçaram. Eu de pé, atrás dela, muito próximo. Nossa imagem nos espelhos dispostos em vários ângulos pelo banheiro. Minha respiração acariciando sua pele alva e aveludada. Seu perfume confundia meus sentidos. Eu a queria agora mesmo. Num esforço crucial ela respirou fundo e andou até o lado aposto, mantendo uma distância segura entre nossos corpos.
- Vai ter de confiar em mim.
- O que?!
- Confie em mim. As coisas vão se ajeitar, eu prometo.
Ela suspirou.
- É alguma piada ou apenas humor negro da sua parte?!
Fiz uma careta.
- Não ouviu o que eu disse?
- Ouvi perfeitamente, respondeu cética.
- Mas não acredita em mim. E também não confia em mim.
Concluí.
- Não.
Foi a minha vez de suspirar.
- Acho que não posso condená-la por isso, afinal não lhe dei motivo para que confiasse na minha palavra.
- Correto. Não confio em você e afirmo que toda essa situação está errada.
Nossos olhares se cruzaram.
- Já pensou que o que talvez seja certo para você não seja o certo para mim?!
- Não vou dormir com você, disse cruzando os braços sobre o peito.
- Não lhe pedi isso, devolvi.
Ela revirou os olhos. Tudo bem que eu havia armado aquela história do banheiro partilhado na esperança de surpreendê-la a qualquer hora, mas eu não iria recuar de forma alguma.
- Eu concordei em vir viver com você para permanecer ao lado da minha filha, Edward. Não aguento mais nenhuma ameaça! Não vou ceder a mais nenhum tipo de chantagem. Vim para sua casa sob pressão e vou ficar aqui o tempo que você me obrigar. Mas...
Disse tentando manter a calma, os dedos ansiosos movimentando-se sobre os braços.
- Não vou dormir com você.
- Eu jamais precisei obrigar uma mulher a dormir comigo Bella. Você melhor que ninguém deveria saber disso. E dou a minha palavra de que nunca farei nada que você não queira.
- Droga, Edward, eu...
Seu autocontrole desandou e ela mal conseguiu completar a frase, desabando num choro convulsivo.
- Inferno!
Esbravejei correndo até ela e envolvendo-a em meus braços.
- Calma, calma, vai dar tudo certo, falei passando a mão em seus cabelos querendo que ela se acalmasse.
- Estou no meu limite, não suporto mais ser pressionada assim, eu...
- Tudo bem Bella. Levei você ao limite, mas nós podemos resolver tudo. Por favor, acalme-se. Vamos resolver isso, juntos.
- Não.
Sua voz era quase inaudível.
- Por favor, tente se acalmar... Você está tremendo e Nessie está aqui perto. Ela não vai entender porque você está nesse estado, descontrolada.
Insisti. Ela respirou profundamente.
- Você me obrigou a isto, retorquiu.
- Você não me deu escolha. Quero as duas na minha vida.
Repeti com suavidade.
- Isso não é normal Edward!
- Eu errei Bella, você também, mas não vou jogar fora algo tão bom.
- Isso é insano, descabido.
- Só você pensa desta forma.
- Não posso jogar minha vida e a minha carreira fora. Não posso fazer de conta que o tempo não passou, me enfiar nesta casa, e desistir de tudo.
- E não precisa fazer isto.
Falei deliciado por ela não ter decidido se afastar de mim outra vez.
– Mas tente ao menos entender o meu ponto de vista sim? Nós vamos partilhar nossa filha, vamos conviver nesta casa, então precisamos nos dar bem Bella. Precisamos nos relacionar bem.
Ela me fitou desconfiada.
- Ou então vamos prejudicar a personalidade de Renesmee. Ela vai terminar sentindo-se dividida entre os pais, acabará sofrendo por nossa causa... O que não seria justo.
PDV Isabella Swan.
Sentir os braços dele me envolvendo era desconcertante. E também era muito bom. Por mais que eu estivesse no limite ansiava por ele desesperadamente. Queria que ele me beijasse, me confortasse, me fizesse esquecer que o mundo existia lá fora. Louca! Minha razão bradava ferozmente. Eu estava confusa com tantas emoções conflitantes me bombardeando ao mesmo tempo. Eu ainda não o havia perdoado por ter me condenado e acreditado nas palavras de papai sem ao menos se arriscar a ouvir o meu lado da história. Ele não tivera uma gota sequer de confiança em mim e no amor que tinha lhe declarado. Eu gostaria de gritar um monte de acusações em sua face, mas de que adiantaria, após tanto tempo? Derramar o ultraje que ainda jazia trancafiado em meu peito neste momento não provaria nada, nem alteraria as circunstâncias em que nós nos encontrávamos.
Eu não confiava em Edward. E nunca poderia haver nada entre nós dois sem confiança. Mas por que eu estou imaginando que pode existir algo entre nós, droga?! Recriminei-me internamente fungando, meu nariz pregado na camisa que ele vestia. Aquela conversa de termos o banheiro partilhado era uma cilada, uma armadilha. Eu sabia na hora em que vi todos os objetos pessoais dele disposto no local. E o pior é que o meu corpo traidor ansiava por ele como as abelhas buscam freneticamente pelo mel. Minha razão e o meu corpo duelavam e honestamente eu estava exausta demais para me preocupar com quem sairia vencedor daquela batalha desgastante.
A pesar de toda confusão mental, eu consegui entender o que ele estava dizendo, o que ele estava querendo e me propondo. Nós dois deveríamos apresentar uma frente unida a Nessie. Reconheci que ele tinha razão naquele caso. Por mais que eu odiasse estar ali e o meus sentimentos e vontades fossem válidos e importantes, também tinha consciência de que assistir a brigas sem fim entre os pais iria trazer danos emocionais graves à minha filha, isto é, a nossa filha. Nessie era apenas uma criança inocente que sofreria numa luta de poderes se eu e Edward não conseguíssemos entrar numa espécie de acordo.
E eu me recusava a fazer minha única filha sofrer. Especialmente agora que ela havia encontrado o pai e se mostrava tão contente com isso. Eu nunca, jamais me permitiria ceifara felicidade dela. Me veio a mente a lembrança do brilho em sua face e em seus olhos quando entrou na mansão nos braços do pai... Delirante por estar morando num palacete e estar no colo da figura paterna sempre ausente em sua jovem vida. Ela amava Edward e ele também já a amava com loucura. Eu simplesmente não poderia destruir a felicidade deles dois.
- Mamãe?
Escutei a voz dela me chamando e rapidamente me afastei dele.
- Aqui filha.
Respondi retornando ao meu quarto com Edward me seguindo logo atrás. Meus lábios se repuxaram num pequeno sorriso de escárnio. Até parece que ele está preocupado que eu vá fugir...
- Oi.
- Oi meu amor.
- Esse é o seu quarto?
Perguntou entusiasmada.
- É sim, filha. Você gosta?
Edward respondeu antes de mim.
- Nossa! É muito legal pai. Você gostou mamãe?
Os olhos verdes refletiam toda a sua felicidade.
- Sim, vai servir.
- E agora vocês dois vão se casar?!
Meus olhos se arregalaram e quase saltaram das órbitas com a pergunta inoportuna.
- Nessie!
Recriminei sem arriscar olhar na direção do Edward que com certeza deveria estar achando tudo aquilo muito divertido.
- Ué! O que foi? Eu não posso perguntar nada?
- Claro que pode filha, é que você pegou sua mãe desprevenida. Foi só isso, ele falou tranquilamente. Seria minha imaginação ou ele realmente estava se controlando para não explodir numa gargalhada?! Meu sangue ferveu com a raiva.
- E então?!
Ela insistiu.
- Então o que?
Perguntei para ganhar tempo.
- Vocês vão se casar ou não?
Ela me olhava fixamente esperando uma resposta e eu comecei a sentir o suor brotando na palma das mãos.
- Filha, as coisas não são simples assim, falei torcendo para que ela se satisfizesse com a resposta vaga e meia.
- Por quê? O Edward é o meu pai. Você é a minha mãe. Nós estamos morando aqui na casa dele, juntos.
- Meu amor nem todos os pais hoje em dia são casados, retruquei ponderando.
- Mas pais separados não moram juntos, ela falou com rapidez. Revirei os olhos e contei até dez respirando fundo. Finalmente olhei na direção dele que me deu um enorme e amplo sorriso, fazendo o meu coração bater mais forte e a minha raiva aumentar.
- Vocês se amam né?!
Despejou.
- Cof, cof, cof, cof....
Tive um acesso de tosse devido ao nervosismo. Ela então olhou para Edward.
- Pai você é casado com outra mulher?
Ele gargalhou desta vez.
- Não filha, eu não sou casado. Eu nunca me casei.
- Mas vai casar agora não é? Com a mamãe?
Cristo, que situação mais constrangedora! Só quem tem filhos passa por uma saia justa dessas!
- Se ela me aceitar como esposo, é claro que eu caso filha!
Estreitei meus olhos em fenda arquitetando mil e uma maneiras de tirar aquele sorrisinho ridículo do rosto dele de uma maneira bem cruel e dolorosa. Eu poderia amarrá-lo ao para choques do meu carro e sair arrastando Edward pela colina toda. Poderia arrancar cada uma das suas unhas com o meu super amolado alicate de cutículas ou até quem sabe usar o alicate para furar aqueles olhos verdes lindos e ao mesmo tempo detestáveis?!
- Viu só mãe? É só você aceitar então!
Gritou apertando as mãos uma na outra. Respirei profundamente. Mais uma vez. E mais uma em seguida.
- Meu amor, as coisas para os adultos não são assim tão simples como são para as crianças. Eu vou conversar com seu pai sobre o assunto numa outra hora ok?
- Promete?!
- Sim.
- legal! Isso é que maneiro mãe!
- Agora que tal irmos todos até a cozinha e ver que delícias deixaram preparadas para nós, hein?!
- Oba!
Renesmee gritou e saiu correndo porta a fora. Quando dei por mim ela já estava pulando os degraus escada a baixo.
- Devagar, menina! Você pode cair...
Minhas palavras se perderam no vazio.
- Bella, olhe para mim.
A voz dele parecia veludo, quente e acariciante.
- Não estou com fome. Vocês dois podem ir comer sem mim, respondi tentando me esquivar da sua presença por um tempo.
- Bella, olhe para mim.
Tornou a pedir e eu quase me desmanchei inteira. Por que ele tinha de ser tão sensual e tão sedutor, droga?! Ele segurou o meu queixo e me forçou a encará-lo.
- Seus olhos são lindos. Escuros como a noite, misteriosos, enevoados e cheios de promessas e segredos.
- Não comece, Edward.
Eu disse tentando me livrar do seu toque, mas ele não permitiu.
- Tudo o que eu disse a Nessie é verdade. Quero fazer de você minha esposa. Quero dividir com você minha vida.
- Você disse que não iria mais me pressionar. Consegui falar aos tropeços, sentindo um nó em minha garganta.
- É verdade e vou cumprir minha promessa. Mas é só para que você saiba o que eu desejo. E não estou pensando em qualquer comida no momento.
- Não?
- Não. Só consigo pensar na maciez dos seus lábios, no cheiro dos seus cabelos, na expressão seu rosto quando estava sob o meu corpo na biblioteca na outra noite...
- Edward, por favor...
Supliquei sabendo que se ele investisse, eu não iria resistir.
- Venha cá, Bella.
Falou enquanto me enlaçava pela cintura e baixava a cabeça enterrando-se no vale dos meus seios. Minhas pernas fraquejaram, um intenso arrepio me percorreu de cima a baixo. Os lábios dele subiram devastando meu pescoço, mordiscando, sugando e massageando a pele sensível. Um calor familiar começou a me tomar. Logo depois os lábios dele subiram e se apossaram da minha boca. Abri os lábios para recebê-lo melhor. Nossas línguas duelaram na busca do prazer. Correspondi com ardor e senti suas mãos em meus seios, esfregando meus mamilos me fazendo gemer e suspirar contra seus lábios.
- Deus, como eu te desejo, mulher!
- Edward, nós não podemos... Nossa filha...
Balbuciei desconexa.
- Eu sei, eu sei, droga!
Falou fechando os olhos um instante.
- É melhor nós descermos, consegui pronunciar. Ele me deu um olhar carregado de desejo. Estremeci.
- Nós ainda não acabamos esta nossa conversinha.
Disse enquanto segurava na minha mão e me puxava em direção das escadas. Aquilo seria uma promessa velada?! Engoli em seco, meu coração disparou, minha calcinha ficou completamente molhada. Edward queria me possuir ainda hoje? E pior, eu cederia?!
Notas finais
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Renesmee e danadinha em, e Edward vai aproveitar muito desta traquinagens dela.
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Bem meninas até mais.
Beijos
Kiki.
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