Are we there yet?

1 Capítulo único: Are we there yet?


Notas iniciais
N/A: Crepúsculo não me pertence. Olá! Essa fic faz parte do Projeto One-Shot Oculta, um amigo oculto entre autoras do fandom de Crepúsculo. Confira as regras e todas as participantes na página bit (ponto) ly (barra) POSOffnet Você também encontra o link diretamente no meu perfil, na aba de Favorite Authors. Essa fanfic é dedicada à minha amiga oculta, TS Nascimento. Amiga, antes de tudo, preciso começar me desculpando. Sei que embarcar nesse projeto foi um passo maior do que eu imaginava, e sei também que você merecia algo muito melhor. Fiz tudo o que pude para entregar o meu melhor, mas ainda sinto que não estava à altura desse desafio tão especial. Dito isso, quero que saiba que essa história foi feita com todo o carinho do mundo. Mesmo com todas as minhas inseguranças, coloquei meu coração em cada linha. Obrigada por ser minha inspiração nesse projeto com combos tão interessantes, o meu escolhido foi o 1. Dolly Parton, a Bella dando as cartas e o Edward tímido já ganharam um lugar no meu coração.

Pov Edward

Eu me lembro exatamente da primeira vez que vi Bella. Era meu primeiro mês na empresa, e eu ainda estava tentando me adaptar ao ritmo e às pessoas. Sempre fui mais reservado, então mantinha minha cabeça baixa, focado em planilhas, achando que assim ninguém ia perceber que eu estava ali.

E então, ela entrou. Não na minha sala, exatamente, mas no meu campo de visão. Caminhava pelo corredor com passos firmes, como se o prédio inteiro fosse um palco e ela estivesse completamente à vontade sob os holofotes. Era impossível não notar.

Eu estava ajeitando alguns papéis na mesa, mas perdi o fio da meada assim que ela parou para falar com alguém próximo. Não consegui ouvir muito do que disse — só o suficiente para saber que tinha uma voz confiante, quase desafiadora, que parecia exigir atenção.

Quando finalmente olhou na minha direção, meu coração deu um salto. Não sei se ela percebeu o meu nervosismo, mas se percebeu, não deu a menor importância. Ela apenas caminhou até a minha mesa, deu uma olhada rápida no meu crachá e me pediu ajuda com alguma coisa. Algo sobre números e relatórios, mas a verdade é que mal lembro dos detalhes. Lembro, sim, da postura dela: prática, direta, como se soubesse que seria atendida sem qualquer hesitação.

Foi só isso. Nada de extraordinário, na verdade. Mas, de alguma forma, ela conseguiu transformar aquele momento banal em algo que parecia maior. Como se eu tivesse sido puxado para a órbita dela sem nem perceber.

No começo, tudo parecia estritamente profissional. Eu era o gerente que ficava no meu canto, e ela, a estrela da equipe, com sua presença que chamava atenção de todos. Trabalhar com Bella era, ao mesmo tempo, inspirador e desconcertante, mas eu ainda achava que estávamos apenas colaborando, que isso ficaria no nível das planilhas e reuniões intermináveis.

Era difícil precisar o momento exato em que a dinâmica entre nós começou a mudar. Talvez tenha sido algo sutil, acumulando-se aos poucos em gestos e olhares que ficavam tempo demais, até que, de repente, parecia impossível ignorar. Mas eu me lembro de uma noite específica, que percebi que estávamos em um território diferente. Era tarde, e a maioria das luzes do escritório já estava apagada. Estávamos revisando alguns detalhes de um projeto, mas, de alguma forma, a conversa foi parar em nossas vidas fora dali. Quando me dei conta, ela estava sentada na ponta da minha mesa, com o salto pendurado no dedo, e eu mal conseguia prestar atenção no que ela dizia porque estava hipnotizado pelo jeito que seus lábios se moviam.

E então veio o primeiro toque, tão casual que quase pareceu acidental. Mas não foi. E Bella não era do tipo que fazia nada sem intenção.

Depois disso, era como se um botão tivesse sido apertado. Nossos encontros passaram a ter uma tensão constante, quase elétrica, que nunca era mencionada, mas estava sempre lá. Não demorou para que isso se traduzisse em algo mais concreto. Passamos a nos ver fora do trabalho, sempre sob algum pretexto banal. Um café rápido aqui, um jantar ali. Mas, em pouco tempo, não havia mais espaço para desculpas.

Logo já não precisavamos de desculpas, não era sobre trabalho ou qualquer outra coisa. Foi inevitável, e me deixou sem chão. Não era só desejo — embora isso fosse impossível de ignorar. Era a maneira como ela parecia tomar conta de todos os meus sentidos, de todos os espaços

Eu sabia que estava envolvido. Mais do que isso, eu sabia que estava perdido.

Meses se passaram, eu mantive a esperança de que as coisas poderiam mudar, mas nada mudou. Eu estava sempre nas sombras, escondido. Eu tinha quebrado muitas barreiras com ela, para ser honesto, a vida que levamos hoje é a de namorados, exceto pelo principal: a constante recusa dela de tornar nossa relação oficial. E é o que nos traz a esse momento: a festa da empresa. Em uma das minhas diversas tentativas patéticas, tentei convencê-la a vir à festa comigo. O que ela negou com o mesmo argumento de sempre, de que não achava adequado, mesmo que ela saiba que a empresa não tem nenhuma política contra relações entre funcionários, e até temos alguns casais na empresa. Não vir com ela já tinha me machucado, mas eu não estava preparado para o que estava me esperando…

A música, as risadas altas das pessoas, o tilintar de copos ao longe… Tudo soa como um pano de fundo indistinto, porque minha atenção está presa nela. Bella, com outro homem. Não importa o quanto eu tente, meu olhar sempre volta para ela, como se minha mente precisasse do lembrete doloroso de que ela está fora do meu alcance. Eu me sentia como um adolescente lidando com seu primeiro coração partido.

Ao meu lado, Aro continua falando, mas é como se eu estivesse ouvindo através de um vidro. Tudo parecia abafado pelos sentimentos que me dominaram ao vê-la entrar na festa com aquele homem.

"Então, Edward, o que acha? Está tudo certo para a viagem com Bella?"

A pergunta me puxa de volta. Eu balanço a cabeça, tentando parecer concentrado. "Sim, claro. Já revisei os pontos principais, e tudo está alinhado."

Aro sorri, satisfeito, mas continua: "Ótimo. Quero que vocês façam isso dar certo. Vocês dois formam uma equipe excelente, e o cliente vai perceber isso de cara. Só espero que o tempo juntos ajude vocês a fortalecer ainda mais essa dinâmica."

Eu sei que ele está falando do trabalho, mas não consigo evitar a ironia das palavras dele. Tempo juntos. Não sei se isso vai nos fortalecer ou me destruir por completo.

"Você está bem, Edward? Parece distraído."

Forço um sorriso. "Só pensando em como vamos apresentar a proposta. É um projeto grande, e quero ter certeza de que não vamos deixar nada de fora."

Aro volta a falar, mas eu nem ouço. Meu olhar escapa novamente, como sempre, procurando por ela. E lá está Bella, do outro lado do salão, com aquele sorriso que faz meu coração apertar.

Ela está com outro homem, e eu não sei o que é pior: o fato de ele estar recebendo a atenção dela ou o fato de eu não conseguir odiá-lo por isso. Ela parece tão à vontade, tão confortável ao lado dele, como se não houvesse nada em jogo.

Mas há.

Eu sei disso porque cada risada que ela dá, cada gesto dela ao lado de outro me arrasta ainda mais pra esse abismo.

Não dá mais.

Eu pensei que poderia suportar, que poderia continuar nesse jogo onde ela define as regras e eu me adapto. Mas hoje, aqui e agora, eu percebo que não posso.

Pov Bella

Emmett era um homem espaçoso. E não apenas porque era uma montanha de músculos de quase dois metros. Ele tinha essa habilidade única de preencher tudo: minha agenda, minha casa, e, inevitavelmente, minha paciência.

Eu tinha tirado uma semana de folga antes da viagem, já que tudo no trabalho estava perfeitamente alinhado. Não havia motivo para preocupação. Mas, de alguma forma, mesmo com uma folga planejada, Emmett monopolizou tanto o meu tempo que acabei quase não falando com Edward.

Não que isso fosse algo totalmente fora do comum na nossa dinâmica. Eu nunca fui o tipo de pessoa que é boa em manter contato. Não sou de mandar mensagens com frequência ou fazer ligações só para conversar. No dia a dia, isso nunca tinha sido um problema, porque a gente sempre acabava se cruzando na empresa. Às vezes só um olhar rápido no corredor já bastava. Mas, naquela semana, com a minha ausência e Emmett ocupando todos os espaços possíveis, as coisas saíram um pouco do eixo.

Nossas conversas foram raras, e eu precisei admitir algo que me incomodava mais do que deveria: senti falta dele. Não aquela saudade simples e prática, mas uma que parecia insistir em me lembrar o quanto ele me fazia falta. Era desconfortável, quase infantil, pensar nisso. Como se eu estivesse me apegando mais do que deveria.

Mas hoje era o dia da festa. Eu me prometi que seria uma noite leve, divertida, sem complicações. Um momento para relaxar e, claro, para finalmente reencontrar Edward.

Só que qualquer expectativa que eu tinha foi rapidamente substituída pela surpresa de encontrá-lo com aquele olhar. Não era o sorriso caloroso que eu esperava. O que me recebeu foi algo mais sério, quase duro.

Ele estava bravo. E foi aí que eu soube que a noite tinha acabado de ficar muito mais complicada.

Enquanto a noite corria tentei me manter calma e não deixar meus pensamentos me dominarem. Mas sempre que meu olhar cruzava com o dele fez me sentir incomodada. Quando cheguei ele estava conversando com o Aro, e até então eu não tive uma boa oportunidade de falar com ele. Questionar o pq de ele estar agindo de maneira tão esquisita.

Edward agora estava encostado no bar, a postura tensa, os olhos fixos em algo que eu não conseguia identificar. Só que não era o olhar tranquilo de sempre. Era algo… diferente. Mais pesado. E aquilo me incomodou mais do que deveria.

"Tá tudo bem?" A voz de Emmett cortou meus pensamentos. Ele me olhava com aquela sobrancelha levantada, já percebendo que eu estava distante.

"Claro, por que não estaria?" Respondi rápido, mais para afastar a sensação estranha do que para convencê-lo. Peguei uma taça de espumante da bandeja que passava e dei um gole.

"Você tá esquisita, Bella. Desde que chegamos. Tá me escondendo alguma coisa?" Ele insistiu, o tom provocador.

"Para com isso, Emmett." Dei um sorriso forçado. "Vai lá socializar e me deixa em paz. A Jessica Stanley, do financeiro, não para de olhar pra você."

Ele hesitou por um momento, franzindo o cenho, como se quisesse confirmar de quem eu estava falando. Acenei levemente com a cabeça em direção à Jessica e acrescentei: "A de vermelho."

"Belos peitos." Emmett falou, agora bem mais animado com a perspectiva de conhecer minha colega de trabalho.

Eu o repreendi com o olhar, mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele deu de ombros e foi direto para um grupo de mulheres onde Jessica estava.

Fiquei ali, observando enquanto ele cruzava a sala, mas minha mente continuava presa em Edward. Ele não tinha nem olhado na minha direção. Isso era estranho. Ainda mais vindo dele.

Depois de alguns minutos me perguntando se devia ir até lá, percebi que estava cansada de ficar inventando desculpas. Respirei fundo e atravessei o salão.

"Oi." Minha voz saiu um pouco hesitante quando parei ao lado dele.

Ele virou o rosto para me encarar, e o olhar que ele me deu fez meu estômago revirar. Era sério, quase… frio. Não parecia com ele. "Achei que você nem ia me cumprimentar hoje."

Aquilo me pegou de surpresa. "Por que eu não cumprimentaria você? Que absurdo?"

Ele deu um sorriso curto, cínico, e virou para o balcão, pegando o copo. "Não sei, Bella. Talvez porque você me pareceu ocupada hoje."

"Que? Você não está fazendo sentido." Falei genuinamente confusa, o que ele queria dizer com isso. Será que ele estava chateado pela minha ausência durante a semana? De repente comecei a me sentir tensa.

Ele apenas deu de ombros, sem nem me olhar.

"Edward, para com isso. A gente precisa conversar." Minha voz saiu firme, mas, por dentro, eu já estava nervosa. Ele não era assim, não comigo.

"Tem razão. A gente precisa." Ele finalmente me olhou, e o peso daquele olhar me deixou sem chão por um momento. Ele parecia magoado. De verdade. "Sala de reuniões?"

Assenti, meu coração disparando. Ele começou a caminhar na frente, e eu esperei alguns segundos antes de seguir. Minhas mãos estavam geladas, meu peito apertado.

Eu mal entro na sala, e Edward já me segue, fechando a porta atrás de nós com um estalo seco. O som ecoa nas paredes, me fazendo virar de repente, encontrando seu olhar. Ele está frustrado. Magoado. Aquele olhar fez meu estômago se revirar. Aquele olhar amargo não lembrava nada o olhar tímido e dócil habitual dele. Aquilo me deixou desconfortável.

"Eu posso saber o que deu em você?", pergunto, cruzando os braços e tentando parecer firme. Mas minha voz sai mais afiada do que o necessário. Eu odeio discussões. Ainda mais nessas situações.

Ele passa a mão pelos cabelos, um gesto tão dele que eu já sei o que significa: irritação. E não demora para confirmar.

"O que deu em mim? Bella, você se recusa a assumir nossa relação e vem esfregar outro homem na minha cara em uma festa do trabalho. E você quer saber o que deu em mim?"

Meu corpo inteiro fica tenso. Sinto o calor subindo pelo pescoço, meu coração disparando com a raiva acumulada. "Edward, ele é meu primo." Olhei pra ele simplesmente incrédula, é absurdo que eles esteja me cobrando isso."O Emmett! Eu te falei semana passada que ele estaria por aqui!"

Ele solta uma risada curta, vazia. Uma que eu não conhecia e não gostei de ouvir.

"Você quer saber? O problema não é você estar com outro homem ou não." Ele me encara, e eu sinto o peso das palavras antes mesmo de saírem. "O problema é que eu não estou com você."

As palavras dele são como uma facada. Não tem outra forma de descrever. Eu tento abrir a boca, me defender, mas não consigo.

"O problema é que eu não posso fazer parte da sua vida." Ele continua, sua voz falhando por um segundo, mas firme o bastante para me deixar sem reação. "O problema é que você não vai me apresentar para o seu primo, porque ele nem sabe que eu existo. Porque, na sua vida, eu não existo. Eu sou só um colega de trabalho. Um colega distante." Ele faz uma pausa, como se pesasse o que estava prestes a dizer. "Mas já deu pra mim."

Eu sinto meu peito apertar. Cada palavra dele me atinge de um jeito que eu não esperava. Ele está certo, e é exatamente por isso que eu não sei o que dizer. Não sei como rebater o que, no fundo, eu sei que é verdade.

"É isso, Bella." Ele dá um passo para trás, a distância entre nós se tornando real. "Se eu não posso fazer parte da sua vida, então não tem por que eu estar nela."

Eu me afastei de Edward, o som da festa girando ao meu redor como um redemoinho. As luzes piscavam, e a música vibrava, mas minha mente estava longe, presa na discussão que acabara de ter. O jeito como ele levantou a voz, como se quisesse desenterrar algo que eu já havia enterrado, me deixava inquieta. Que direito ele tinha de mudar a dinâmica que eu estava confortável? Eu me recusei a dar o braço a torcer.

Emmett apareceu, sua expressão curiosa cortando meu turbilhão de pensamentos. Ele sempre teve uma habilidade irritante de saber quando algo estava errado.

"Então era aquele?" Ele pergunta, o sorriso brincando em seus lábios, mas eu percebo uma sombra de dúvida em seu olhar.

"Aquele o quê? Do que você está falando?" Minha voz sai mais cortante do que eu pretendia, o tom desafiador escapando.

"O seu namorado."

A palavra me irrita como um alfinete. "Namorado? Emmett, você passou tanto tempo longe que não tá me reconhecendo? Você sabe muito bem que eu não namoro." A última palavra saiu como um sussurro entre os dentes, quase um rosnado.

Ele arqueia uma sobrancelha, o olhar dele avaliando a situação. O sorriso se desvanecia, dando lugar a uma expressão de preocupação.

"Exceto por aquela vez, e que foi claramente um grande erro. Erro que, por sinal, eu não pretendo repetir." Minha voz é firme, mas sinto um tremor que trai minha certeza.

"Bella, eu te conheço há quanto tempo?" A insistência dele provoca um nervoso no meu estômago.

"A vida toda. E é justamente por isso que você deveria saber que eu não namoro." Mantenho a postura, mas as mãos se fecham em punhos, como se assim pudesse segurar a verdade.

"Eu vi vocês dois, e aquilo era claramente uma briga de casal." Ele persiste, e eu sinto meu rosto esquentar de embaraço e raiva. "Mas não é só por isso. Quando liguei a TV na sua casa, estava num canal de beisebol."

"Eu sou filha do Charlie! Nós somos grandes fãs de esportes." A defesa sobe, mas a irritação brota como se eu estivesse tentando convencer a mim mesma.

"Besteira. Vocês gostam de futebol. Eu nunca vi o tio Charlie assistir um jogo de beisebol na vida. E tem mais, vi uma camiseta masculina no seu banheiro." O tom dele é provocador, e minha vontade é desviar o olhar, mas me recuso.

"É minha! É confortável pra dormir." A defensiva surge, e minha voz se eleva um pouco mais do que o necessário, como se eu estivesse me protegendo de uma ameaça invisível.

"No dia que cheguei, você estava trocando mensagem toda boba." O olhar dele é perscrutador, e eu sinto meu sangue ferver.

"Era com a Alice." A resposta sai rápida, um reflexo do meu desejo de mudar o foco da conversa.

"Tá bom, Bella. Você não namora. Só me responde uma coisa." Ele muda de tom, e uma tensão no ar me faz hesitar.

"O que?" A curiosidade se mistura à resistência.

"Seria tão ruim assim? Namorar com uma pessoa que você claramente se importa?"

A pergunta paira no ar, um desafio que me faz piscar, um nó se formando na minha garganta. "Sim, acho que seria ainda pior do que com uma pessoa que eu não me importasse."

Pov Bella

"Eu tava pensando: por que não fazem motos com rodinhas? Se eu ganhasse na loteria, abriria uma fábrica de motos com rodinhas. Também deveria ter motos com hélices, tipo um drone, e aí…"

"Você sabe o que eu estava pensando?" interrompi, antes que ele seguisse com essa viagem que não ia levar ninguém a lugar nenhum.

"Não. O quê?" Emmett perguntou, parecendo realmente curioso.

"Por que diabos você não cala a boca?"

"Porque você finge que não gosta, mas no fundo ama a minha falação", ele respondeu, tão cheio de si que eu quase ri.

"Eu amo, sim", concordei, pausando só o suficiente pra ele achar que estava certo. "Amo os poucos momentos em que você tira pra respirar e eu finalmente consigo aproveitar o silêncio."

"Alguém acordou de mau humor hoje. Tudo isso porque brigou com o namoradinho?"

"Pra isso ser verdade, eu teria que ter um namoradinho."

Apesar da minha resposta seca, aquilo tinha doído mais do que eu gostaria de admitir. De fato, eu não tinha um namorado e, aparentemente, também não tinha mais seja lá o que fosse que eu tinha com Edward.

Como numa provocação do destino, eu o vi.

Emmett tinha voltado a tagarelar, mas honestamente, eu não fazia ideia do que ele estava falando. Minha atenção agora tinha sido roubada completamente. Ela tinha um dono.

Edward.

Ele estava próximo ao portão de embarque, conversando com Rosalie. Os dois pareciam saídos de um comercial da Ralph Lauren, como sempre. Ela, com aquele ar de superioridade habitual; ele, impecável e tão perfeitamente distante que eu me perguntava como nós tivemos alguma coisa. Edward era tímido, extremamente educado e gentil. Um garoto de família rica que falava manso e era extremamente sério e responsável. E eu, bem, eu era eu. Expansiva, exagerada, impaciente, desbocada e bastante caótica.

Então, não foi uma surpresa pra mim quando eu conheci Rosalie e ela pareceu me detestar instantaneamente. Eu era tudo que uma pessoa como ela não iria querer para o irmãozinho.

Mas hoje, pela primeira vez, eu acho que entendo o olhar de descontentamento de Rosalie.

Assim que ela me viu, seu sorriso evaporou, dando lugar a uma expressão de puro desprezo. Não era nem ódio explosivo, mas algo mais frio, calculado.

Rosalie nunca escondeu que me odiava. Mas agora, sabendo o quanto eu tinha machucado Edward, eu finalmente entendia. Eu era a pessoa que ela mais temia: alguém que chegou perto demais, só pra acabar estragando tudo.

"Quem é a loira?" Emmett perguntou, me tirando dos pensamentos.

"Rosalie."

"Ah, entendi. Ela é namorada dele? Porque, não sei se você reparou, mas ela tá te fuzilando com os olhos."

Revirei os olhos, tentando ignorar a sensação de que o olhar dela realmente era letal.

"O quê?! Não! Rosalie é irmã dele, não namorada."

"Hm." Ele olhou de novo, com aquele sorriso preguiçoso e malicioso que eu sabia exatamente onde ia dar. " E ela é solteira?"

"Está…", respondi, por mais estranho que parecesse uma mulher como Rosalie ser solteira, se você conhecesse ela mesmo que superficialmente era fácil de entender. Ela era inegavelmente deslumbrante, mas também era uma megera capaz de intimidar qualquer um sem muito esforço. Ela quase conseguiu comigo, mas eu também sabia ser uma megera quando eu queria.

"Interessante." Ele falou pensativo.

"Emmett, a Rosalie comeria você vivo no café da manhã."

"Nossa, que delícia", ele disse, com um sorriso presunçoso que me fez revirar os olhos de novo.

Foi nesse momento que Edward começou a caminhar na nossa direção.

Ele estava impecável, como sempre. Cada passo dele parecia medido, cada movimento calculado. Mas o olhar… o olhar era polido, educado e ao mesmo tempo frio.

"Bella", ele disse, com um aceno quase imperceptível de cabeça.

"Edward."

Eu tentei soar neutra, mas o nome dele ainda tinha um peso estranho quando saía da minha boca.

Edward desviou os olhos para Emmett, avaliando-o rapidamente, antes de iniciar uma apresentação, mas foi interrompido por Emmett.

"Emmett McCarty, primo da Bella", disse Emmett, tomando a dianteira como sempre e estendendo a mão calorosamente.

"Edward Cullen."

Edward apertou a mão dele, breve e controlado, sem perder aquele ar distante.

Depois de uma despedida calorosa e exagerada por parte de Emmett, ficamos só eu e Edward.

O sorriso educado que ele tinha dado ao meu primo desapareceu. Ele gesticulou levemente em direção ao portão de embarque.

"Melhor irmos."

Assenti, pegando minha mala e caminhando ao lado dele. O silêncio entre nós era denso, quase sufocante, mas também parecia uma bolha protetora que ninguém se atreveria a estourar.

Por algum motivo, eu não sabia se queria ser a primeira a quebrá-lo.

Quando organizei essa viagem, parecia natural sentar ao lado do Edward no avião. Fazia sentido. A gente sempre foi assim, juntos, mesmo sem precisar de muitas explicações. Claro, eu não estava planejando nada romântico, nem de longe. Era trabalho, afinal. Mas também não era só isso.

Eu gostava da companhia dele. Era confortável, sabe?Edward sempre foi… fácil de estar perto. Ele não era do tipo falando, mas sempre que falava ele me impressionava. Era um ótimo ouvinte e sempre me fazia sentir a vontade com ele. Pelo menos era o que eu achava.

Agora, o olhando , impassível, todo focado no nada, começo a me perguntar se fui eu que interpretei errado esse tempo todo. Ele nem parecia incomodado com o silêncio entre nós, enquanto eu estava ali, remoendo tudo e nada ao mesmo tempo.

Era engraçado, porque na maior parte do tempo, ele sempre foi o mais emocional, o que queria falar sobre sentimentos, sobre nós. E agora? Agora parecia que era eu quem estava tentando decifrar o que ele estava pensando, enquanto ele não parecia nem um pouco afetado.

Passei a mão pela alça do cinto de segurança, tentando me distrair. Não era como se eu estivesse esperando um grande momento entre nós nessa viagem. Só… Eu não esperava isso. Esse vácuo.

Voltei o olhar pra janela, mas não adiantou. Meu cérebro continuava preso no mesmo ciclo. Talvez toda aquela emoção tenha sido só uma fachada, eu sei do que os homens são capazes pra levar uma mulher para cama. Talvez eu tenha sido ingênua. Ou talvez, e isso era o que mais me irritava, ele realmente não se importasse mais, talvez ele só tenha se cansado de me esperar.

Balancei a cabeça. Não, não era isso. Ele não era o tipo de pessoa que simplesmente desligava os sentimentos. Pelo menos não era o Edward que eu conhecia. Mas agora, olhando pra ele, me pergunto se eu realmente o conhecia.

A voz do piloto interrompeu meus pensamentos:

"Senhoras e senhores, estamos nos aproximando do nosso destino. Por favor, ajustem seus assentos e cintos de segurança."

Suspirei, ajustando o meu cinto como se aquilo pudesse fazer alguma diferença no peso que estava no meu peito. A viagem inteira tinha passado num silêncio sufocante, e agora estávamos quase lá, sem termos trocado uma palavra sequer.

Isso não era normal. Não pra mim, pelo menos. Eu sempre tive algo a dizer, algum comentário bobo, alguma piada sem graça. Falar era a forma como eu ocupava os espaços, como eu preenchia os silêncios desconfortáveis. Mas com ele, agora, eu simplesmente… não conseguia.

E isso me deixava mal. Me fazia sentir pequena. Imatura, até. Como se eu não soubesse como lidar com a situação. Eu nunca tinha gostado dessa sensação. Essa coisa de não ter controle, de não saber o que fazer ou dizer, de não ser capaz de consertar as coisas com um sorriso ou uma piada.

Olhei pela janela, os primeiros sinais da cidade surgindo lá embaixo. Uma parte de mim queria encontrar uma desculpa, um jeito de justificar o silêncio, mas outra parte sabia que não havia explicação. Não dessa vez.

Edward continuava ao meu lado, impecável e impassível, como se nada disso o afetasse. E talvez não afetasse mesmo. Talvez o problema fosse só meu.

Essa ideia fez meu estômago revirar. Era um peso novo, desconfortável, que eu não sabia como carregar.

O pouso foi tranquilo, mas ainda assim tive que me segurar pra não rolar os olhos quando Edward levantou da poltrona com aquela precisão mecânica, puxando sua mala de mão como se cada movimento tivesse sido ensaiado. Ele sequer olhou pra mim enquanto descia do avião, e eu segui atrás, sentindo aquela mistura irritante de frustração e insegurança.

Mas meu tempo de autocomiseração acabou rápido. O motorista já estava esperando por nós, segurando uma plaquinha com o nome da empresa. A viagem de carro até a cidadezinha no interior do Wisconsin demorou mais duas horas, e Edward, claro, aproveitou pra mexer no celular o tempo todo. Enquanto isso, eu me distraía observando os campos e o céu absurdamente azul, tentando esquecer que estávamos indo juntos, mas separados.

Pov Edward

Nosso destino era uma fábrica de queijos que parecia ter saído de um comercial perfeito demais pra ser real. A Château Fromage era famosa por produzir queijos artesanais de alta qualidade, algo que só os chefs mais renomados e os gourmets mais metidos tinham acesso.

Porém, a nova herdeira da família, uma garota de pouco mais de vinte anos, tinha decidido que era hora de mudar isso. Ela queria levar a marca para um nível maior, expandindo a produção e distribuindo para mercados de luxo em todos os Estados Unidos. Um plano ambicioso, considerando que o charme da fábrica sempre foi sua produção em pequena escala e quase nenhuma dependência de tecnologia.

Era aí que nossa empresa entrava. Meu trabalho como gerente de vendas era convencê-los de que nossos sistemas podiam fazer essa transição acontecer sem perder a essência artesanal que fazia os queijos deles serem tão desejados. E Edward, claro, era o responsável pela parte técnica: implementar, customizar e garantir que tudo rodasse perfeitamente.

Pelo menos, em teoria, tínhamos um bom time. O problema era que eu estava começando a perceber que viajar com o Edward depois de tudo o que tinha acontecido entre nós talvez não fosse a ideia brilhante que tinha parecido meses atrás, quando comecei a organizar essa viagem.

Quando finalmente chegamos na cidadezinha, um lugar com ruas de paralelepípedo e fachadas que pareciam ter sido desenhadas à mão, não pude evitar um suspiro de alívio. Talvez o charme do interior e o cheiro de queijo fresco ajudassem a distrair meu cérebro.

Ou talvez só me lembrassem que Edward estava no banco ao lado do motorista, a dois metros de mim, e mesmo assim parecia estar a milhas de distância.

"A cidadezinha parecia saída de um cartão postal. Ruas de paralelepípedos, fachadas antigas, vitrines pequenas cheias de produtos artesanais que exalavam um charme nostálgico. Normalmente, eu teria achado o lugar encantador. Mas, naquele momento, tudo parecia um pano de fundo indistinto. Nada conseguia atravessar a muralha que eu tinha construído desde que nos encontramos no aeroporto.

Ao chegarmos ao hotel a porta da recepção rangeu levemente quando entramos, e o som da campainha foi abafado pelo burburinho baixo de vozes vindo do corredor ao lado. Tudo no hotel parecia cuidadosamente planejado para ser acolhedor, com um toque rústico e luxuoso. O cheiro era de madeira encerada e flores frescas, o que, para mim, não combinava em nada com o caos que era estar ali com Bella.

"Boa tarde! Bem-vindos!" Uma jovem com olhos brilhantes e um sorriso largo nos cumprimentou por trás do balcão. Ela parecia animada demais, o que só aumentou meu desconforto.

Ela pegou a reserva e, enquanto digitava no computador, nos olhou com uma curiosidade quase infantil.

"Ah, que fofos! Casal?" disse ela, como se estivéssemos em algum tipo de comédia romântica.

"Não somos um casal" cortei imediatamente, minha voz saindo mais dura do que o necessário.

Bella, ao meu lado, revirou os olhos, mas não disse nada. A recepcionista apenas sorriu, sem se deixar abalar pela correção, e puxou uma chave de uma prateleira atrás dela.

"Tudo bem, então! O quarto de vocês é o número 24, no segundo andar. Espero que aproveitem muito!"

Peguei a chave da mão dela, mas não me movi.

"Tem algum outro quarto disponível?" perguntei, tentando soar casual, mas a tensão na minha voz era inegável.

A moça arregalou os olhos, parecendo surpresa pela pergunta.

"Outro quarto?" Ela olhou para a tela do computador e digitou algo, antes de balançar a cabeça com um sorriso que parecia um pouco triste. "Infelizmente, não. Estamos lotados por causa do Festival de Queijos da cidade. É um evento bem especial, sabe? Gente de todas as partes vem pra cá! É uma delícia conhecer pessoas de cidades grandes."

Enquanto ela falava, gesticulando como se fosse a coisa mais incrível do mundo, a memória veio como um soco: Bella tinha reservado o quarto há semanas, quando as coisas entre nós eram… diferentes. Bons termos. Boas intenções. E agora, as coisas definitivamente não estavam boas.

"Você só pode estar brincando" murmurei, mais para mim mesmo.

Ao meu lado, Bella bufou audivelmente.

"Ai, meu Deus, Edward, você não vai mesmo insistir nisso, vai?" Ela se virou para mim, os braços cruzados. "É um quarto. Não faça disso algo maior do que é."

Eu encarei, tentando entender como ela conseguia agir com tanta indiferença, como se dividir um quarto comigo fosse o equivalente a pegar carona até o mercado.

"Talvez eu só prefira um pouco de… espaço" retruquei, minha voz carregada de ironia.

"Espaço?" Bella soltou uma risada incrédula. "Edward, pelo amor de Deus, nós somos adultos."

Eu engoli em seco, apertando a chave entre os dedos. Eu estava extremamente frustrado com a perspectiva de ter que dividir quarto com Bella, e a reação dela não estava fazendo as coisas mais fáceis.

"Essa não é minha questão." comecei, mas ela me interrompeu, jogando as mãos para o alto.

"Ah, então o quê? Qual é a grande tragédia de dividir um quarto? Não é como se eu estivesse planejando te assassinar enquanto você dorme, sabe?" O tom dela era sarcástico, quase desafiador.

Eu a encarei, e por um segundo a tensão no ar era quase palpável. Ela parecia tão confiante, tão no controle, enquanto eu sentia o peso da situação me esmagando.

"Claro que não está" murmurei, virando-me para o corredor antes que ela pudesse ver o quanto aquilo estava me afetando.

Abri a porta, revelando um espaço pequeno, mas absurdamente charmoso. As paredes de madeira clara tinham detalhes talhados à mão, e o chão de tábuas polidas refletia a luz suave do abajur ao lado da cama. A única cama, só uma. Eu tentei disfarçar, mas senti o peito apertar. Era como se aquele colchão enorme e convidativo estivesse zombando de mim. A última coisa que eu precisava era ser colocado em uma posição tão… íntima com ela.

Bella parou na entrada, olhando para a cama por um segundo antes de soltar uma risadinha. Então passou por mim, balançando os quadris com aquela naturalidade irritante, e jogou a bolsa no sofá.

"Perfeito." disse se sentando na beirada da cama, como se não tivesse nada a temer.

Eu fiquei parado na porta, tentando ignorar o calor no meu rosto e o aperto incômodo no peito. Até que finalmente reuni forças pra falar:

"Eu dormirei no sofá."

"Você tá brincando comigo, não é? Edward isso é uma cama, ela não vai te morder." Ela apontou para a cama, a voz carregada de sarcasmo.

"Isso não deveria ser um problema pra você." Eu devolvi, tentando soar indiferente, mas a tensão no meu corpo dizia outra coisa.

Ela bufou, revirando os olhos como se eu fosse o patético da história. "Ah, claro que não. Eu amo situações absurdas. Especialmente quando envolvem você."

"Ótimo." Eu cruzei os braços e mantive distância, embora estivesse ciente de cada movimento dela.

"Porque eu vou dormir no sofá."

"Edward, isso é ridículo. Esse sofá é minúsculo. Você mal vai caber nele."Bella parou e me encarou, aquele sorrisinho de desdém surgindo no canto dos lábios. "Você por acaso está querendo bancar o mártir? Ou você está com medo de alguma coisa?"

Eu senti a raiva borbulhar, mas mantive o controle.

"Não é sobre isso, Bella."

"Então é sobre o quê?" Ela se inclinou para frente, e pela primeira vez naquela tarde, parecia genuinamente curiosa. "Você acha que eu vou te seduzir? Ou é você que está preocupado em não conseguir resistir?"

A ironia dela me acertou em cheio. Não era ela que eu temia. Era eu mesmo.

O silêncio que seguiu foi denso, carregado. Ela estava brincando, mas havia algo no olhar dela, algo que dizia que, talvez, ela quisesse saber a resposta.

Tentei responder da forma mais coerente possível, diante do meu momento não tão eloquente:

"Isso não tem nada a ver com você."

"Ah, não?" Ela se aproximou, cruzando os braços como se quisesse me desafiar. "Então me explica, porque, honestamente, tá parecendo que você tá com medo de ficar perto de mim."

Eu desviei o olhar para a janela, fingindo estar mais interessado na vista do que na proximidade dela.

"Algumas coisas mudaram, Bella."

"Ah, é?" Ela riu, seca. "Você tá agindo como se nós fôssemos dois adolescentes descontrolados."

Ela não estava errada. Meu controle já estava por um fio desde que a viagem começou. Estar tão perto dela, ouvir sua voz, sentir seu perfume… era como um teste que eu não sabia se passaria.

"Eu não tô fazendo drama." Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava.

"Então para de agir como se essa cama fosse um campo minado." Ela deu um passo mais perto, e eu quase recuei, mas me forcei a ficar onde estava.

"Não é tão simples assim."

"Não? Porque pra mim, parece bem simples."

Ela falou irritada e então continuou:

"Você acha que eu tô aqui, desesperada, esperando a primeira oportunidade pra transar com você? Você fez sua escolha, eu aceitei. Nós dividirmos o mesmo quarto ou a mesma cama não muda nada."

"Não foi isso que eu disse."

Ela suspirou, balançando a cabeça como se estivesse exausta do meu teatro. "Você quer dormir no sofá? Dorme. Mas sabe de uma coisa? Eu não vou pedir desculpas por estar aqui. Eu não sou o problema, Edward."

Ela virou as costas e foi até a cama, sentando-se na beirada com uma naturalidade que me deixou inquieto.

Eu sabia que ela estava certa. Ela não era o problema. O problema era como meu coração batia mais forte só de vê-la ali, como minha mente traía todo o meu autocontrole com pensamentos que eu não deveria ter.

E o pior de tudo? Ela sabia disso."

POV Bella

A manhã foi um desastre controlado, e o dia já parecia pronto pra competir pelo mesmo título. Depois do circo no check-in do hotel, fomos direto pra visita à fábrica de queijos, porque, claro, não dava tempo nem pra respirar.

A fábrica ficava a poucos quilômetros do hotel, cercada por campos verdes impecáveis e vinhedos que pareciam saídos de um cartão-postal. Quando chegamos, Eliazar nos esperava na entrada com um sorriso largo, mais jovial do que qualquer pessoa de sessenta e poucos anos tinha direito de ser. Ele nos cumprimentou calorosamente, apertando a mão de Edward e, claro, me lançando aquele olhar de quem já entendeu que o clima entre nós era mais carregado que uma tempestade.

"Sejam bem-vindos! É um prazer recebê-los aqui na nossa pequena joia de família!" Ele abriu os braços, indicando o prédio de pedra antiga com detalhes modernizados. "Estamos muito animados pra mostrar o que fazemos de melhor."

Edward assentiu educadamente, mas eu notei como ele ainda evitava me olhar diretamente. Aquela máscara de indiferença dele estava o começando a falhar, especialmente depois do fiasco no hotel. Ele sabia que eu percebia. Eu sabia que ele sabia. Era um jogo implícito que a gente jogava o tempo todo.

Dentro da fábrica, Eliazar nos conduziu por corredores impecáveis, cheios de máquinas reluzentes misturadas a técnicas artesanais. Ele falava com paixão, mostrando as diferentes etapas da produção dos queijos. "Aqui misturamos tradição e inovação. Nossos queijos são maturados por pelo menos seis meses, e cada lote é testado individualmente. As pessoas dizem que podem sentir o terroir em cada mordida."

A explicação dele era interessante, mas eu estava distraída. Edward andava ao meu lado, e a proximidade dele era um lembrete constante de tudo o que eu estava tentando enterrar. Mas o olhar dele, especialmente quando Eliazar se empolgava falando sobre os queijos, já não era tão distante como no avião. Ele não estava tão frio, tão indiferente. Eu ainda mexia com ele, e ele sabia disso tanto quanto eu.

Depois de alguns minutos, fomos apresentados às filhas de Eliazar. Tanya, Irina e Kate. As três eram lindas, de um jeito clássico, quase irritante. Tanya, em particular, tinha aquele jeito de quem sabe exatamente o impacto que causa.

"É um prazer conhecer vocês!" Tanya sorriu, cumprimentando Edward com um aperto de mão que durou dois segundos a mais do que o necessário. Ela começou a fazer perguntas sobre o trabalho dele, inclinando-se levemente na direção dele enquanto falava.

Edward respondeu educadamente, mas não parecia tão desconfortável quanto eu gostaria. Minhas unhas estavam praticamente cravadas no couro da bolsa que eu segurava. Que inferno.

"E você, Bella?" Kate perguntou, tentando incluir-me na conversa. "O que você achou da fábrica?"

"É impressionante. O cuidado que vocês têm com cada detalhe realmente faz diferença." Minha voz soou controlada, mas eu estava à beira de revirar os olhos com força suficiente pra deslocar algo.

A visita continuou, e Tanya não perdeu nenhuma oportunidade de jogar charme pra cima de Edward. Ele parecia alheio, mas eu não era boba. Sabia reconhecer quando alguém estava testando terreno. E, pior, sabia que ele estava tentando não reagir — o que, de alguma forma, era mais irritante do que se ele tivesse retribuído.

No final da visita, Eliazar nos levou para uma sala de degustação, onde pequenos pedaços dos queijos eram servidos com vinhos locais. Eu deveria estar focada no trabalho, mas minha paciência estava em frangalhos.

"Vocês formam uma ótimo par," Eliazar comentou, olhando entre mim e Edward.

"De fato nós somos." Concordei com um sorriso tão falso que doeu. Edward permaneceu em silêncio, mas eu senti o olhar dele queimando de lado.

No caminho de volta pro hotel, eu estava a um passo de explodir. Cada risinho de Tanya ecoava na minha cabeça, misturado à frustração de saber que, por mais que eu odiasse admitir, Edward ainda tinha um efeito esmagador sobre mim.

"Você gostou da visita?" perguntei, mais pra testar o humor dele do que qualquer outra coisa.

"Foi interessante," ele respondeu, com aquele tom neutro que só me deixava mais irritada.

Eu revirei os olhos e me afundei no banco do carro, cruzando os braços. Aquilo ia ser um longo dia.

Quando voltamos para o quarto, meu humor ainda estava em frangalhos. Cada detalhe da visita, cada risada irritante de Tanya, só reforçava o caos que parecia ser estar perto dele de novo. E o pior de tudo é que, por mais que eu tentasse ignorar, Edward Cullen continuava a ser um problema que eu não sabia resolver.

Pov ed

"Eu estava sentado na poltrona perto da janela, observando Bella enquanto ela se arrumava. Ela tinha acabado de sair do banho, e o cheiro do sabonete floral dela ainda pairava pelo quarto. Era um cheiro que eu conhecia bem, quase reconfortante, mas hoje parecia mais perturbador do que qualquer outra coisa.

Ela estava parada diante do espelho, ajeitando o vestido azul que abraçava suas curvas de um jeito que eu preferia não notar. Os cabelos ainda úmidos caíam sobre os ombros, e ela os prendia em um coque meio desfeito, deixando algumas mechas soltas. Sempre linda, mas havia algo diferente hoje. Talvez fosse o fato de que, pela primeira vez em muito tempo, ela parecia estar se esforçando.

"Está encarando por quê, Cullen?" Bella perguntou, sem desviar os olhos do reflexo. A voz carregava o sarcasmo usual, mas a pontinha de um sorriso brincava em seus lábios.

"Nem todo mundo consegue ignorar o caos que você deixa espalhado pelo quarto," menti, apontando para os saltos largados de qualquer jeito no canto.

Ela revirou os olhos, mas vi o canto da boca se levantar. Era algo que eu adorava nela: aquele jeito de jogar tudo para o alto, como se nada a afetasse, mesmo quando eu sabia que afetava. E hoje, depois da visita guiada, eu tinha provas disso.

O ciúme dela, tão mal disfarçado, tinha sido impossível de ignorar. Toda vez que Tanya falava comigo ou ria de algo que eu dizia, Bella apertava os lábios. Seus olhos se estreitavam, e o jeito como ela cruzava os braços era um livro aberto para quem quisesse ler.

Por mais que fosse cruel admitir, isso mexeu comigo de um jeito que não deveria. Por muito tempo, eu quis que ela me enxergasse como mais do que uma distração, que ela assumisse o que tínhamos. Só que Bella nunca quis. Sempre evitou rótulos, mantinha a relação na superfície, como se eu fosse descartável. Saber que ela sentiu ciúmes… bem, isso era um acariciado o ego, eu era só um homem afinal. Mas parecia deslocado, enquanto estávamos juntos ela nunca ligou para as mulheres que pareciam se interessar por mim. O que sempre fez eu sentir como se ela não se importasse, mas hoje ela mostrou o contrário.

"Você está muito quieto," ela comentou, se virando para me encarar enquanto colocava os brincos.

"Só estava pensando."

"Pensando em quê?"

"Se você vai usar isso mesmo para o jantar." Era uma provocação óbvia, e o sorriso dela se transformou em uma careta falsa de indignação.

"Cullen, eu sou a visão do bom gosto. Se você não está preparado para isso, o problema é seu." Ela disse dando uma voltinha.

"É claro que é," murmurei, desviando o olhar para o lado, mas não antes de notar como o vestido realçava o tom da pele dela. Ele era de um azul profundo, mangas longa e costas nuas, era bonito. Mas principalmente, parecia ter sido feito pra exaltar cada pequeno detalhe dela. Era difícil lembrar que estávamos aqui por trabalho, que havia uma linha que não deveria ser cruzada. Difícil, mas necessário.

Bella pegou os saltos no canto e começou a calçá-los, ainda resmungando algo sobre como homens não entendiam moda. Só que tudo que eu conseguia pensar era no quanto ela parecia confortável naquele papel. Bella sempre tinha um jeito de comandar a atenção, de ser o centro sem nem tentar. E isso me deixava louco – de frustração e de desejo.

"Pronto," ela anunciou, endireitando-se e olhando para mim com um brilho travesso nos olhos. "Podemos ir? Ou você precisa mais um tempinho para lidar com o fato de que estou deslumbrante?"

Eu soltei um suspiro pesado e me levantei, ajeitando o paletó. "Vamos acabar logo com isso."

Saímos juntos do quarto, o corredor silencioso ecoando nossos passos. Eu estava focado em não dizer nada que pudesse estragar o frágil equilíbrio que tínhamos alcançado durante a viagem. Mas enquanto ela caminhava ao meu lado, falando sobre como achava que Eliazar ia tentar empurrar mais um dos queijos dele para nós, eu não conseguia evitar o pensamento.

Se Bella estivesse disposta a me dar metade da atenção que deu ao ciúme de Tanya hoje, talvez essa viagem fosse diferente. Talvez nós fôssemos diferentes."

Pov Edward

Quando chegamos à entrada da casa de Eliazar e Carmen, percebi que eles tinham o mesmo senso de charme da fábrica, só que elevado a outro nível. O casarão tinha uma arquitetura campestre sofisticada, com vigas de madeira expostas e janelas enormes que deixavam a luz do entardecer entrar. O aroma do jantar já pairava no ar, algo que misturava ervas frescas e pão recém-assado.

Eliazar estava parado na entrada, usando um sorriso que parecia tanto genuíno quanto um pouco malicioso, como se ele já estivesse arquitetando algo. Carmen estava ao lado dele, mais discreta, mas com a mesma energia calorosa.

"Ah, meus queridos! Bem-vindos! Bella, você está ainda mais bonita hoje. E Edward, claro, impecável como sempre," Eliazar disse, nos puxando para um abraço. Havia algo no jeito como ele olhou para nós que me deixou desconfortável, como se pudesse ver mais do que eu gostaria que vissem.

Bella sorriu educadamente, mas não deixou de revirar os olhos quando ele virou de costas para nos conduzir para dentro.

"O que foi isso?" perguntei baixinho, inclinando-me em sua direção.

"Nada," ela respondeu, mas o canto da boca dela tremia em um quase sorriso.

Assim que entramos, vi que não estávamos sozinhos. As filhas de Eliazar – Tanya, Irina e Kate – estavam reunidas na sala de estar, com taças de vinho nas mãos. Elas nos receberam com sorrisos, mas foi Tanya quem deu o primeiro passo, quase como se estivesse esperando por mim.

"Edward, que bom que você veio," Tanya disse, estendendo a mão. O sorriso dela era largo e cheio de intenções que ela não se preocupava em esconder.

"Claro," respondi, apertando a mão dela de forma breve e educada, enquanto Bella se afastava em direção a Carmen e Eliazar. A ausência dela deixou um vazio estranho ao meu lado.

"Espero que tenha gostado da visita guiada hoje," Tanya continuou, inclinando-se um pouco mais perto do que necessário.

"Foi muito informativa," respondi, mantendo a voz neutra.

Enquanto ela falava, meus olhos involuntariamente procuraram Bella. Ela estava no outro canto da sala, rindo de algo que Eliazar disse. Mas não era um riso de verdade; eu conhecia o suficiente para saber que era forçado, quase automático.

Tanya, no entanto, parecia alheia à minha distração. Continuava falando sobre os planos para expandir a empresa, mas sua postura – e o modo como ela tocava meu braço a cada dois segundos – deixavam claro que sua agenda era muito mais pessoal.

"Você realmente não para, não é?" A voz de Kate cortou a conversa, carregada com uma mistura de desgosto e exasperação. Ela se aproximou de nós, os braços cruzados e uma sobrancelha arqueada enquanto olhava diretamente para Tanya.

"Desculpa?" Tanya piscou, fingindo inocência, mas o sorriso em seus lábios hesitava.

"Você não sabe o quanto é desagradável – e contra os valores da nossa família – ver você se atirar em um convidado nosso. Está deixando ele desconfortável." O tom de Kate era afiado, cada palavra escolhida para não deixar espaço para argumentos.

Tanya abriu a boca, talvez para retrucar, mas Kate ergueu a mão, interrompendo-a. "Acho que Edward já entendeu tudo o que precisava sobre os planos da empresa. Talvez você devesse se dedicar a outro assunto."

Eu não conseguia evitar o leve sorriso que ameaçava aparecer nos meus lábios. Kate era conhecida por sua franqueza, mas ver isso sendo usado contra Tanya naquele momento foi, no mínimo, satisfatório.

Tanya endireitou os ombros, tentando manter alguma dignidade. "Claro, Kate. Sempre tão… sensata." Ela lançou um último olhar para mim antes de se afastar, sumindo entre os outros convidados.

Quando meus olhos procuraram Bella novamente, nossos olhares se encontraram. Ela estava observando a cena, e havia algo ali – um brilho de satisfação em seu rosto. Era irritante, mas também absurdamente gratificante.

O jantar foi servido em uma longa mesa rústica, decorada com simplicidade, mas com um toque de elegância. Carmen, como boa anfitriã, garantiu que todos se sentissem à vontade. Eliazar, por outro lado, parecia estar jogando com as posições dos assentos.

"Edward, por favor, sente-se aqui ao lado de Bella," ele disse, apontando para o lugar ao lado dela. "Eu acho que vocês formam uma dupla excelente."

Bella me lançou um olhar de advertência, mas eu apenas ergui as sobrancelhas e me sentei.

"Você está gostando?" murmurei para ela, enquanto os outros ainda se acomodavam.

"Do quê? De você sendo o queridinho de Tanya ou do plano de Eliazar de fazer a gente casar antes do jantar acabar?"

"De ambos," respondi, com um sorriso discreto.

Ela balançou a cabeça, mas a sombra de um sorriso brincava em seus lábios.

O jantar começou com uma série de pratos elaborados, cada um com queijos produzidos na fábrica. Eliazar fazia questão de explicar cada detalhe, mas sempre encontrava uma maneira de incluir comentários sobre compatibilidade e parcerias.

"Acho que a química é o segredo para tudo, não é mesmo? Seja nos negócios ou na vida pessoal," ele disse, olhando diretamente para nós.

"É mesmo," Bella respondeu com uma doçura fingida.

Enquanto a noite avançava, Tanya tentava, de tempos em tempos, puxar minha atenção de volta para ela. Mas cada tentativa era mais desajeitada do que a anterior. Em um momento, ela deixou escapar um comentário sobre como seria interessante trabalhar mais de perto comigo, o que fez Bella quase engasgar com o vinho.

"Você está bem?" perguntei, lutando contra um sorriso enquanto ela se recompunha.

"Perfeitamente," respondeu, com os olhos brilhando de algo que eu só podia descrever como raiva contida.

Quando a sobremesa foi servida, senti uma mudança no ar. Bella estava mais quieta, mas havia uma energia nela que eu não conseguia identificar. E, apesar de tudo, senti uma faísca de algo parecido com esperança. Ela tinha ciúmes. Ela se importava. E, por mais confuso que isso fosse, eu queria me agarrar a isso.

Mesmo que fosse só por essa noite.

Pov Bella

Quando atravessamos a entrada do hotel, senti meus ombros relaxarem pela primeira vez em horas. A noite tinha sido exaustiva – não só pelo jantar em si, mas pelas intrigas, os olhares cruzados e os sorrisos educados que escondiam uma montanha de emoções. Mas, apesar de tudo, o dia não tinha sido um desastre completo. Talvez isso fosse um progresso.

Eu olhei para Edward enquanto ele entregava a chave do quarto na recepção. Ele parecia cansado, mas ainda impecável, como sempre. O paletó estava desabotoado, e a gravata solta dava a ele um ar mais casual, quase despreocupado. Quase.

Seguimos para o elevador em silêncio, mas não era mais aquele silêncio carregado do início da viagem. Não havia tensão sufocante, só um cansaço compartilhado. E talvez… um pouco de alívio.

Quando chegamos ao quarto, Edward foi direto para a poltrona perto da janela e começou a tirar os sapatos. Fiquei no meio do quarto, observando enquanto ele se inclinava para desamarrar os cadarços. O gesto era simples, mas algo nele me prendeu. Talvez fosse o jeito como ele parecia tão confortável e, ao mesmo tempo, distante.

"Você vai dormir aqui?" perguntei, apontando para o sofá ao lado da poltrona.

"Não se preocupe, Bella. Eu durmo bem em qualquer lugar," ele respondeu sem levantar os olhos, a voz calma, mas um pouco fria.

Revirei os olhos. "Edward, não seja dramático. A cama é grande o suficiente para nós dois."

Ele finalmente olhou para mim, arqueando uma sobrancelha. "Não acho que seja necessário."

"Eu acho que é." Cruzei os braços, decidida. "Olha, quando viemos pra cá, as coisas estavam estranhas. Ok, muito estranhas. Mas conseguimos sobreviver ao dia sem matar um ao outro, e o jantar não foi tão ruim assim. O que quero dizer é… o clima já está menos horrível."

Ele soltou um suspiro, encostando na poltrona. "Isso não significa que devamos dividir a cama."

"Edward, você vai mesmo querer dormir nesse sofá desconfortável?" Apontei para o pequeno sofá de dois lugares. "Isso é ridículo. Você vai acordar todo dolorido."

"Não seria a primeira vez," ele rebateu, mas a resistência na voz dele parecia menor.

Suspirei, tentando manter a paciência. "Escuta, eu sei que… que a gente não existe mais. Mas isso não quer dizer que não podemos ser, sei lá, civilizados. Amigáveis, até."

Ele me olhou como se quisesse discordar, mas desistiu. A exaustão parecia estar vencendo o orgulho.

"A cama é grande," continuei, aproveitando o momento. "A gente pode dormir sem sequer se encostar. Vai ser como dividir um espaço, nada além disso."

Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, me observando com aqueles olhos que pareciam enxergar além do que eu queria mostrar. Finalmente, ele se levantou da poltrona e caminhou até a cama.

"Se você insiste," ele disse, sem olhar diretamente para mim.

"Eu insisto," murmurei, aliviada.

Enquanto ele tirava a gravata e a camisa, virei de costas, tentando dar a ele algum espaço. Comecei a me preparar também, mas não conseguia evitar sentir o peso de sua presença tão próxima. Por mais que eu quisesse manter aquilo casual, não era fácil ignorar como ele ainda tinha um efeito sobre mim.

Deitei primeiro, virando para o lado oposto, com as mãos sob o travesseiro. Senti a cama afundar um pouco quando ele se acomodou do outro lado, o movimento sutil, mas impossível de ignorar.

Por alguns segundos, o silêncio foi absoluto. A escuridão do quarto criou um ambiente quase íntimo, mas eu não sabia o que dizer. Talvez nem fosse necessário dizer nada.

"Boa noite, Edward," murmurei, quebrando o silêncio antes que ele se tornasse insuportável.

"Boa noite, Bella."

Fechei os olhos, mas não consegui dormir imediatamente. Havia algo reconfortante – e ao mesmo tempo inquietante – em tê-lo tão perto novamente. Era estranho. Familiar e estranho ao mesmo tempo.

Enquanto a respiração dele ficava mais lenta, indicando que ele estava caindo no sono, eu me peguei pensando no quanto havia mudado – e no quanto ainda não fazia sentido.

Quando acordei, levei alguns segundos para entender onde estava. O quarto estava silencioso, exceto pelo som baixo do ar-condicionado. Foi só quando tentei me mexer que percebi o peso do braço de Edward ao redor da minha cintura.

Ele estava me abraçando.

Fiquei completamente imóvel, sentindo sua respiração calma contra a minha nuca. Por um instante, eu não quis me afastar. Era confortável, familiar… natural, até. Como se não fosse algo estranho, como se fosse exatamente onde eu deveria estar.

Mas a sensação trouxe uma pontada de tristeza. Nós não éramos mais "nós". Não no sentido que importava. E, mesmo assim, momentos como esse faziam parecer que tudo poderia voltar a ser como antes, se quiséssemos.

Antes que eu pudesse afundar mais nesses pensamentos perigosos, senti Edward se mexer. Ele se afastou devagar, provavelmente percebendo a posição em que estávamos.

"Desculpa," ele murmurou, a voz rouca de sono.

"Tá tudo bem," respondi, ainda sem me virar. Meu coração parecia um pouco pesado, mas eu sabia que era melhor assim.

Silêncio. Então, arrisquei olhar para ele. Ele estava sentado na beirada da cama, esfregando o rosto com as mãos, claramente sem saber o que dizer.

"Bom dia," tentei, sorrindo de leve, mesmo que meio sem jeito.

"Bom dia," ele respondeu, lançando um olhar rápido na minha direção antes de desviar. "Dormiu bem?"

"Sim. E você?"

"Melhor do que no sofá," ele disse, um leve sorriso surgindo no canto dos lábios.

"Então…" Ele começou, claramente buscando algo para dizer. "A gente tem que se arrumar. Eliazar disse ontem que o festival de queijos começa cedo."

"O festival de queijos," repeti, tentando manter a voz leve. "Uau, que programa empolgante. Mal posso esperar para ver quantos tipos de queijo existem."

Ele finalmente me olhou, com aquele sorriso discreto que parecia carregar algo além das palavras. "Você devia levar a sério, Bella. O queijo é praticamente o orgulho dessa cidade."

Revirei os olhos, mas acabei rindo. "Claro, é uma questão de honra local. Acho melhor escolher a roupa com cuidado para não ofender os queijeiros."

Edward se levantou, pegando a camisa que havia jogado sobre a cadeira na noite anterior. "Definitivamente. E acho que deveríamos evitar piadas ruins sobre queijo enquanto estivermos lá. Não queremos ser expulsos da cidade."

"Você acha que vão nos julgar se não soubermos a diferença entre camembert e brie?" perguntei, erguendo uma sobrancelha.

"Com certeza," ele respondeu, com uma expressão séria fingida. "Esse tipo de ignorância pode ser imperdoável."

A conversa fluía mais fácil agora, e por um momento, o constrangimento da manhã parecia ter ficado para trás. Era assim que sempre deveria ser entre nós: leve, natural, sem o peso das coisas que ficaram no passado.

Enquanto nos arrumávamos, trocando piadas sobre queijos e planejando como sobreviver ao festival, senti uma pontada de algo que poderia ser esperança. Talvez, só talvez, ainda houvesse espaço para momentos assim entre nós. Mesmo que fossem pequenos e fugazes.

Pov Bella

O caminho para o festival era uma mistura estranha de silêncio confortável e momentos de conversa fiada. A estrada era ladeada por campos verdes e casinhas isoladas, o tipo de cenário bucólico que parecia perfeito para cartões-postais, mas que, na prática, me fazia bocejar.

Edward dirigia com a expressão relaxada, mas seus dedos batiam de leve no volante ao ritmo de uma música qualquer que tocava no rádio. Era um hábito tão tipicamente dele que, por um momento, me perdi observando, me perguntando como algo tão mundano podia parecer tão hipnotizante.

"Está animada para o festival?" ele perguntou, quebrando o silêncio.

"Ah, super," respondi, sarcástica. "Quem não ama degustações de queijo às nove da manhã?"

Ele riu baixo, balançando a cabeça. "Você nunca vai admitir que gosta dessas coisas, não é?"

"Eu gosto de queijo, Edward. Só não sei se gosto o suficiente para chamá-lo de evento."

Ele lançou um olhar rápido na minha direção, um sorrisinho brincando nos lábios. "Vamos ver. Talvez você seja convertida."

Quando chegamos ao centro da cidade, já era impossível ignorar o clima de festa. As ruas estavam decoradas com bandeirinhas coloridas, barracas montadas em fileiras perfeitas exibiam placas desenhadas à mão e, claro, o cheiro de queijo no ar era quase avassalador.

Eliezer estava esperando perto da entrada, como prometido, com aquele sorriso largo e caloroso que parecia destinado a agradar qualquer pessoa. Ele era do tipo que fazia amigos em qualquer lugar, o que, em situações normais, eu admiraria. Hoje, no entanto, me incomodava um pouco mais do que o habitual.

Ele se aproximou com passos largos, os braços já estendidos para cumprimentar Edward, ignorando completamente minha presença por alguns segundos. Não que eu me importasse, é claro.

"Edward! Bella!" ele disse, finalmente se virando para mim e acenando como se eu fosse uma velha amiga. "Que bom que vocês vieram! O festival está incrível este ano."

"Pelo cheiro, posso acreditar," murmurei, mas ele nem pareceu ouvir.

Minha irritação aumentou um pouquinho quando ele começou a explicar todas as "atrações imperdíveis" do festival diretamente para Edward, ignorando completamente minha falta de entusiasmo óbvia. Mas o que realmente fez meu humor azedar foi a lembrança de Tânia.

Era questão de tempo até que ela aparecesse, como sempre fazia, com aquele jeito sorridente e a habilidade sobrenatural de estar em cima de Edward sem parecer totalmente indiscreta. Eu já conseguia visualizar a cena: ela rindo de algo que nem era engraçado, colocando a mão no braço dele como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Tentei afastar o pensamento, mas o incômodo estava lá, crescendo em algum lugar no fundo da minha mente. Não era como se eu tivesse direito de me sentir assim, mas, mesmo assim, a ideia me deixava levemente irritada.

"Bella, está tudo bem?" A voz de Edward me trouxe de volta, e percebi que ele me olhava com uma sobrancelha arqueada.

"Claro," respondi rápido demais, forçando um sorriso. "Só tentando me preparar mentalmente para a experiência cultural de degustar cinquenta tipos de queijo."

Ele riu, mas ainda parecia me estudar por um segundo a mais do que o necessário. Eliazar, por sua vez, continuava a falar como se ninguém mais existisse além dele e Edward, e eu sabia que a paciência que eu não tinha para aquele dia estava prestes a ser testada.

"Sabia que ia te achar aqui." A voz de Kate veio de trás de mim, com um tom casual, quase leve demais para o tanto que a presença dela parecia sempre dominar o ambiente. Ela se aproximou, segurando uma taça de vinho branco e equilibrando um pratinho com cubos de queijo. "Edward fugiu de você já?"

"Ele não fugiu, foi arrastado pelo Eliazar," retruquei, dando um pequeno sorriso.

"Eu não havia reparado nas outras oportunidades que nos encontramos que o Edward era um entusiasta por queijos." Ela disse curiosa.

"Ele não é."Eu falei simples de, por que era a verdade. E Kate me lançou um olhar questionador. " Ele é educado demais para deixar transparecer que não liga tanto assim."

Kate riu e se encostou na bancada ao meu lado, olhando para o movimento ao nosso redor. "E como tá a experiência cultural até agora? Já virou fã de queijo ou ainda tá na resistência?"

"Vou te falar que a resistência é forte." Peguei um pedaço pequeno do prato dela e fiz uma careta de propósito. "Mas pelo menos tem vinho pra compensar."

"Essa é a chave," concordou ela, erguendo a taça. "Irina que me ensinou isso. Ela é uma sommelier amadora incrível?"

"Parece o tipo dela," comentei, lembrando do jeito sempre tão composto e sério de Irina.

"Irina é a mais centrada de todas nós. Acha que o mundo inteiro devia funcionar no ritmo dela, casamento, filhos e essas coisas. A Tanya, claro, faz questão de ser o caos."

"Mas e você Kate?" perguntei genuinamente curiosa.

"Bem, eu tento não me deixar leva de pelos surtos delas, mas normalmente eu não sou bem sucedida."Kate soltou uma risada curta, mas logo mudou de assunto. "E você, Bella? Solteira ou também tem alguém te esperando em algum lugar?"

"Solteira," respondi, talvez rápido demais.

"Hmm." Kate me olhou com curiosidade. "Confesso que achei que você e Edward tivessem alguma coisa."

"Eu e o Edward? Não, não." Neguei com a cabeça, tentando não soar defensiva. "Somos só amigos."

"Interessante." Ela tomou mais um gole de vinho, e o olhar dela ficou mais brincalhão.

Mas nossa conversa foi interrompida por Eliazar que vinha acompanhado de Edward.

"Kate eu vou roubar a Bella só um pouquinho, ela precisa conhecer o outro lado da feira. Quer juntar-se a nós querida?" Eliazar questionou a filha.

"Por mais empolgante que possa parecer a ideia pai eu vou ficar por aqui, tenham um bom passeio" Kate disse gentilmente. Deixei Kate a contragosto, não que eh não gostasse de queijo, mas nesse ponto eu definitivamente preferia beber.

Nossa, miga, foi mal demais! Você tem toda a razão, não faz sentido nenhum ela ser jovem, ainda mais nesse contexto todo tradicional. Pera aí, deixa eu corrigir isso do jeito que merece.

Saímos da barraca onde Kate ficou, e Eliezer liderava o caminho, animado como sempre, falando sobre os "melhores queijos da feira". Edward e eu caminhávamos lado a lado, e eu já estava distraída com os sons e cheiros do festival, quando uma senhora baixinha, de cabelos grisalhos presos em um coque, surgiu do nada.

"Ah, vocês dois! Não podem passar por aqui sem provar o queijo do destino!" disse ela, com um sorriso misterioso e uma bandeja nas mãos.

"Queijo do quê?" Edward perguntou, claramente confuso, enquanto olhava para a bandeja.

Ela riu como quem já tinha contado aquela história centenas de vezes. "O queijo do destino. Quem divide uma fatia dele com alguém especial está destinado a ficar junto pra sempre. É a lenda mais antiga desse festival!"

"Ah… não, a gente não é—" comecei, mas ela me interrompeu com uma velocidade impressionante pra alguém da idade dela.

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"O destino não liga pra essas formalidades, querida. Se estão juntos aqui, é porque já tem algo."

Senti meu rosto esquentar, e quando olhei pro Edward, ele tava olhando fixamente pra senhora, claramente tentando formular um jeito educado de escapar. Ele abriu a boca pra falar, mas a velha foi mais rápida de novo, já pegando uma fatia do queijo e estendendo pra gente.

"Prova. É só uma tradição! Quem sabe o que o destino reserva, não é?"

Antes que eu pudesse bolar uma desculpa, Eliezer entrou na conversa, rindo. "Ah, Bella, você tem que experimentar. A Dona Mirna é praticamente uma lenda do festival. E, olha, ela já acertou mais de três casamentos só no ano passado. Vai que, né?"

"Isso, garoto! Conta pra eles!" Dona Mirna bateu as mãos animada, como se tivesse acabado de ganhar um prêmio.

Eu olhei pro Edward de novo, tentando buscar alguma solidariedade, mas ele só deu aquele sorriso nervoso e resignado, do tipo vamos acabar logo com isso. Eu respirei fundo e peguei o pedaço de queijo.

"Ótimo! Agora, um alimenta o outro. É assim que funciona!"

"Não, peraí, o quê?!" Meu tom saiu um pouco mais alto do que eu pretendia, mas a senhora só cruzou os braços e esperou, com um sorriso que dizia vai ser do meu jeito.

Edward deu uma risadinha de canto, e eu quase quis estrangulá-lo. "Parece que não temos escolha."

Com as bochechas queimando de vergonha, parti um pedaço pequeno e estendi pra ele. Edward pegou com uma delicadeza que eu não esperava, e por um momento, nossos olhos se encontraram. Foi rápido, mas o suficiente pra fazer meu coração dar um salto idiota.

Ele fez o mesmo por mim, e, enquanto mastigávamos o queijo mais constrangedor da história, Dona Mirna bateu palmas como se tivesse presenciado um casamento real.

"Pronto! Agora estão unidos pelo queijo do destino. Não tem volta, meus queridos!"

Eliazar deu uma gargalhada atrás da gente, enquanto eu tentava me convencer de que o calor no meu rosto era por causa do sol e não por causa daquele momento absurdo.

Edward inclinou a cabeça na minha direção e sussurrou: "Bom, parece que estamos oficialmente destinados agora."

Eu revirei os olhos, mas não consegui evitar um sorriso. "Ótimo. Vou mandar o convite do casamento pelo correio."

Depois de quase uma hora acompanhando Eliazar pra lá e pra cá – ouvindo sobre processos de cura, maturação, texturas e sabores –, eu já não sentia mais minhas pernas. Nem minha paciência. Edward parecia igualmente entediado, mas tinha aquela habilidade irritante de disfarçar tudo com um sorriso educado e algumas perguntas casuais que só prolongavam a tortura.

"E esse aqui, qual é o tempo de maturação?" ele perguntou, como se realmente estivesse interessado. Eu quis socar ele na hora.

Finalmente, quando Eliazar foi chamado por um grupo de turistas animados querendo saber mais sobre os "queijos premiados", Edward aproveitou a chance pra cochichar:

"Vamos dar o fora daqui antes que ele volte."

Eu não pensei duas vezes. "Pelo amor de Deus, sim."

Caminhamos rápido, quase correndo, como fugitivos de um crime. Quando já estávamos a uma distância segura, eu soltei um suspiro dramático e disse:

"Se eu comer mais um pedaço de queijo na minha vida, pode me internar. Eu tô oficialmente traumatizada."

Edward riu. "Você tá sendo dramática."

"Dramática? DRAMÁTICA?" parei no meio do caminho, olhando pra ele. "Eu comi queijo com cheiro de chulé, Edward. De chulé! Eu vou sentir isso no meu paladar pra sempre."

"Tá bom, tá bom," ele levantou as mãos, fingindo se render. "Sem queijo. Nunca mais."

Só que, nesse momento, como que numa ironia cósmica, uma senhorinha adorável – tipo aquelas que a gente vê em comerciais de margarina – apareceu na nossa frente com um sorriso doce e uma bandeja cheia de… queijo.

"Queridos, vocês precisam provar esse. É da minha fazenda, feito com a receita da minha avó. Uma tradição de gerações."

Eu congelei. Não tinha coragem de recusar. A senhorinha parecia tão orgulhosa, tão cheia de carinho. Então, peguei um pedaço pequeno, respirando fundo, e coloquei na boca.

Era horrível. Pior que o chulé. Parecia, sei lá, borracha derretida com um toque de mofo. Mas, claro, eu não podia dizer isso pra ela. Forcei um sorriso e disse:

"Delicioso. Nossa, muito… único."

Edward, ao meu lado, percebeu na hora. Ele mordeu o lábio, tentando segurar o riso, mas os ombros já estavam tremendo. A senhorinha foi embora satisfeita, e assim que ela sumiu de vista, Edward explodiu numa gargalhada alta.

"Você devia ter visto sua cara!" ele disse, quase se dobrando de tanto rir.

"Você é um idiota," retruquei, cruzando os braços. "Eu tava tentando ser educada."

"Educada? Você parecia que ia chorar," ele continuou rindo, e eu não consegui segurar. Dei um empurrão nele, que só o fez rir mais.

"Tá, muito engraçado," resmunguei, mas já sentindo um sorriso surgir no canto da boca. "Agora você me deve uma. E não vale ser outro queijo."

"Fechado," ele disse, ainda rindo. "Vem, vamos pra parte dos vinhos. Acho que você merece algo melhor."

E, olha, ele tava certo. O vinho foi uma ideia genial.

Caminhamos até a parte do festival dedicada às vinícolas locais, com barracas cheias de garrafas brilhando ao sol e taças sendo servidas sem economia. Edward foi direto ao balcão mais próximo, pedindo duas taças de um tinto que, segundo o atendente, tinha "notas de frutas vermelhas e um final amadeirado".

"Olha só você, todo entendido de vinho agora," eu disse, pegando minha taça e erguendo uma sobrancelha.

"Não é questão de entender, é sobrevivência," ele respondeu, dando um gole. "Depois do que você passou com o queijo, achei que merecia algo decente."

Eu ri, finalmente relaxando. O vinho era realmente muito bom, e a leveza da bebida começou a quebrar o clima pesado do dia. Aos poucos, fomos provando diferentes vinhos, rindo de nossas análises totalmente amadoras.

"Esse aqui tem gosto de… sei lá, madeira molhada," eu disse, depois de experimentar um branco mais forte.

"Madeira molhada? Que tipo de madeira você anda comendo por aí?" ele respondeu, rindo.

"Você sabe o que eu quis dizer!" retruquei, tentando não rir, mas já era impossível.

Depois de algumas taças, o ambiente parecia mais leve, mais divertido. Caminhamos sem rumo pelo festival, com Edward fazendo piadas ruins sobre os nomes dos vinhos e eu tentando não derrubar minha taça enquanto ria.

Em algum momento, paramos perto de um pequeno palco onde uma banda local tocava algo animado. A música era tão contagiante que algumas pessoas começaram a dançar, e eu não consegui resistir.

"Vamos, Edward!" puxei sua mão com entusiasmo.

"Espera, o quê?!" Ele parecia genuinamente em pânico.

"Dançar! Anda logo, não é opcional," insisti, já o arrastando para o meio da pequena multidão.

"Eu não sei dançar!"

"Nem eu," respondi, rindo, enquanto começávamos a nos mover ao ritmo da música.

Ele tropeçou nos próprios pés uma ou duas vezes, mas eu só ria mais, segurando firme na mão dele e girando desajeitadamente ao som da melodia. Era impossível não se divertir, mesmo que nenhum de nós estivesse acompanhando o ritmo direito.

No final da música, já estávamos sem fôlego, as bochechas doendo de tanto rir. Ele me olhou com aquele olhar tranquilo que eu começava a reconhecer.

"Viu? Não foi tão ruim assim."

"Você só tá dizendo isso porque não viu minha performance de perto," Ele retruquei, ainda sorrindo.

"Na verdade, vi. E foi ótimo," eu disse, com uma sinceridade que me pegou de surpresa.

Ficamos ali por um momento, apenas curtindo o clima descontraído, o som da música ao fundo, e o calor suave do vinho nas veias. Algo naquilo parecia… certo.

"Então, mais vinho?" ele perguntou, quebrando o silêncio.

"Mais vinho," eu concordei, rindo, enquanto seguíamos para a próxima barraca.

Pov Edward

Eu nunca imaginei que esse festival ia terminar assim. Quando saímos do hotel, tudo o que eu queria era experimentar aquele queijo, rir um pouco, me perder no vinho e nas piadas bobas de Bella. Não achava que iria me sentir tão… bem. Com ela, tudo parecia mais leve, mais natural. Eu não tinha planejado isso, mas não conseguia parar de pensar em como ela parecia cada vez mais próxima, mais real.

A noite, o vinho, a música… era tudo uma mistura que deixava a tensão entre nós um pouco mais fácil de lidar. À medida que a noite passava, os toques que antes pareciam acidentais começaram a se tornar mais frequentes, mais deliberados. Ela tocava meu braço ao rir de alguma piada, ou encostava na minha perna quando se inclinava pra pegar outro gole. O que eu queria, o que eu realmente desejava, era que ela olhasse pra mim como alguém com quem poderia estar, sem precisar de disfarces ou desculpas. Mas essa barreira que ela sempre levantava quando falávamos sobre a gente… isso me deixava em dúvida.

A Bella sempre foi uma mistura de sorrisos e evasivas. Ela ria, me olhava, mas quando o assunto se aprofundava, ela se fechava. E eu… bom, eu ficava ali, tentando entender onde exatamente ela me via. Como se pudesse gostar de mim, mas sem ter coragem de dizer isso em voz alta. E eu, querendo mais, mas sem saber se ela estava realmente disposta a ceder.

Eu não sabia como seria quando chegássemos no hotel. Talvez fosse o vinho, ou talvez fosse a química, mas havia algo no ar entre nós, uma tensão que só aumentava a cada passo. Quando passamos pela porta do hotel, o silêncio entre nós dois era palpável. Os risos, as brincadeiras, tudo parecia ter parado, e agora a única coisa que restava era a sensação de que algo poderia acontecer, mas eu não sabia exatamente o quê. Ela me olhou por um instante, como se estivesse tentando medir o que estava prestes a acontecer, e foi aí que percebi: a linha entre o que éramos e o que poderíamos ser estava mais tênue do que nunca.

Eu olhei pra ela, tentando ler sua expressão, mas o brilho no olhar dela me dizia mais do que as palavras poderiam. Ela não estava mais tentando se esconder, mas ainda havia um medo em sua postura, algo que me fazia pensar que talvez ela estivesse tão fora de si quanto eu.

"Bem, chegamos," ela disse, quebrando o silêncio.

Eu dei um sorriso meio nervoso, sentindo uma onda de calor subir pelo meu corpo. Não conseguia mais fingir que não sabia o que estava acontecendo. A proximidade entre nós agora era muito mais intensa do que qualquer conversa superficial sobre trabalho, vinho ou até queijo. E, por mais que eu tentasse afastar aquele pensamento, a verdade era que eu queria mais.

O ar estava denso, e a cada passo que dávamos em direção ao nosso quarto, parecia que a distância entre nós ia diminuindo ainda mais. E o que era só uma noite de risos e bebida agora parecia muito mais. Eu sabia, naquele momento, que havia algo entre nós que estava prestes a mudar. A única questão era: será que ela estava pronta para isso também?

Assim que a porta do quarto se fechou atrás de nós, o silêncio caiu pesado, carregado de um jeito quase tangível. O som do nosso riso, que minutos atrás ecoava pelos corredores, ficou para trás, substituído por algo muito mais denso. Eu podia sentir o olhar de Bella em mim, e mesmo sem coragem de encará-la diretamente, sabia que ela sentia o mesmo.

Ela largou a bolsa sobre a poltrona, os movimentos um pouco desajeitados depois do vinho, mas a postura ainda carregava aquela confiança que ela sempre exalava. Eu fiquei parado perto da porta, tentando decidir se deveria dizer alguma coisa ou simplesmente me afastar antes que a noite tomasse um rumo do qual eu sabia que talvez me arrependesse.

Mas aí ela virol a a mim, e foi como se o ar no do quarto tivesse sumido.

"Você vai ficar aí plantado ou vai dizer alguma coisa?" ela perguntou, os olhos semicerrados, um sorriso leve dançando nos lábios.

Eu ri, sem graça. "E o que você quer que eu diga, Bella?"

"Sei lá, Edward," ela respondeu, cruzando os braços e inclinando a cabeça de lado. "Talvez algo como

'boa noite'? Ou quem sabe... um pedido de desculpas por ter rido da minha cara a noite inteira?"

"Eu não ri da sua cara!" rebati, embora fosse óbvio que ela sabia que eu estava mentindo. "Tá, talvez um pouquinho, mas foi engraçado. Você precisava ter visto a sua expressão quando experimentou aquele queijo."

Ela fez uma careta de indignação, mas eu vi o bril''e divertimento no olhar dela. "Voce e um idiota," ela disse, mas a risada dela escapou, quebrando qualquer fachada de raiva que ela estivesse tentando manter.

E foi nesse momento, enquanto ela ria, com as bochechas levemente coradas e os olhos brilhando, que eu percebi que estava perdido. Porque tudo o que eu queria fazer era cruzar a distância entre nós e acabar com aquele jogo de empurra-empurra que parecia ter nos definido nos últimos meses.

"Você sabe que eu não consigo ficar longe de você, né?" murmurei, sem pensar, a voz saindo mais rouca do que eu esperava.

Ela congelou por um segundo, o riso desaparecendo enquanto o sorriso hesitava. Seus olhos me encararam, e eu vi algo mudar neles, algo que fez meu peito apertar.

"Então por que você insiste em tentar?" ela perguntou, e a voz dela era tão baixa que mal consegui ouvir.

Eu não tive uma resposta. E acho que ela também não esperava uma. Antes que eu pudesse processar, estava me movendo, atravessando o espaço entre nós. Minha mão encontrou sua cintura, e em um segundo, nossos corpos estavam próximos demais para ignorar.

"Bella," eu sussurrei, mas foi tudo o que consegui dizer antes de sentir os lábios dela nos meus.

O beijo começou urgente, quase desesperado, como se tentássemos compensar o tempo perdido. As mãos dela foram para o meu pescoço, puxando-me para mais perto, enquanto eu a segurava firme, como se temesse que eu fosse desaparecer. Era um caos, um turbilhão de emoções que a gente vinha evitando há tanto tempo, mas agora parecia impossível segurar.

Quando ela mordeu de leve meu lábio inferior, um gemido escapou de mim antes que eu pudesse controlar, e aquilo parecia incendiar tudo entre nós. O beijo se tornou mais intenso, mais profundo, até que eu a pressionei contra a parede ao lado da cama. As mãos dela deslizaram pelo meu peito, puxando minha camisa com uma força que quase me fez rir.

"Você é tão irritante," ela murmurou contra meus lábios, mas o tom dela era cheio de provocação.

"E você é impossível," retruquei, antes de beijá-la de novo, explorando cada movimento, cada suspiro que ela soltava.

"Por que você tem que complicar tudo?" ela murmurou, os olhos fechados, a cabeça tombando levemente para trás enquanto eu deixava um rastro de beijos pela curva do seu pescoço.

"Eu complico?" perguntei, com um sorriso que ela não podia ver, mas com certeza sentiu, porque suas unhas deslizaram pelo meu ombro em resposta. "Quem é que insiste em fingir que isso aqui não significa nada, Bella?"

Ela abriu os olhos e me encarou, e o silêncio que veio depois disse mais do que qualquer resposta. Eu sabia que estava provocando algo que talvez ela não quisesse admitir — ou não estivesse pronta para enfrentar.

Mas naquele momento, parecia impossível não arriscar.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ela se moveu, invertendo nossas posições e me empurrando contra a parede com um sorriso desafiador. "Cala a boca, Edward," ela sussurrou, e os lábios dela encontrar os meus de novo, dessa vez com ainda mais urgência,como se estivesse decidida a silenciar qualquer pensamento que tentasse se intrometer.

As mãos dela estavam em todo lugar

— meu peito, meu cabelo, descendo pela minha cintura — e eu me vi correspondendo com a mesma intensidade, minhas mãos explorando a curva de suas costas até encontrarem a barra da blusa fina que ela usava. Puxei o tecido para cima, lentamente, deixando espaço para ela recuar se quisesse, mas Bella não hesitou. Ela se afastou o suficiente para me deixar tirá-la, os olhos fixos nos meus, desafiadores e decididos.

"O que foi?" ela perguntou, com aquele sorriso provocador.

"Você é um problema," respondi, a voz rouca, puxando-a de volta antes que ela tivesse v nce de me fazer o controle mais ainda.

Nós nos movemos sem pensar, tropeçando em direção à cama como se o mundo inteiro tivesse desaparecido, e tudo o que restasse fosse o calor entre nós. Cada toque parecia mais urgente, cada beijo mais profundo, como se tentássemos alcançar algo que sempre escapava por pouco.

Bella me empurrou para o colchão e subiu por cima de mim, os cabelos bagunçados caindo ao redor do rosto dela, e eu juro que nunca tinha visto algo tão perfeito. Ela estava sorrindo, mas havia algo nos olhos dela, algo que me fez hesitar por um segundo.

"Bella," eu comecei, mas ela balançou a cabeça, trazendo os dedos até os meus lábios para me calar."Não agora," ela disse, e a voz dela era baixa, quase um sussurro, mas carregada de uma intensidade que não deixava espaço para discussão.

Ela me beijou de novo, e qualquer pensamento racional que eu pudesse ter se dissolveu no instante em que senti o corpo dela se encaixar no meu. A noite parecia um borrão de sensações e toques, um equilíbrio perfeito entre o que era familiar e o que parecia novo, como se cada momento fosse a primeira vez.

Eu sabia que estávamos indo para um lugar onde seria impossível voltar atrás, mas no fundo, eu também sabia que, por mais que aquilo fosse uma recaída, era exatamente onde eu queria estar: com ela, sem barreiras, sem dúvidas, pelo menos por enquanto.

"Ah, merda…" soltei, com os dedos passando pelo cabelo enquanto tentava manter a cabeça no lugar. Aquele momento estava perfeito, mas a lembrança estúpida veio como um tapa na cara: eu não trouxe camisinha. Claro que não trouxe. Por que diabos eu traria? Nós estávamos brigados até dois dias atrás, e planejar isso seria… seria o quê? Otimismo? Presunção?

"Qual foi, Edward?" Bella perguntou, a voz ainda levemente rouca do beijo, o tom cheio de curiosidade.

"Eu não trouxe nada," admiti, sentindo minha frustração crescer. "Eu não tava… planejando isso."

Ela ficou em silêncio por um segundo, os olhos fixos em mim, e então deu aquele sorrisinho — um que me dizia que ela já tinha a solução antes mesmo de eu terminar de falar.

"Eu tenho na minha mala."

Pisquei, sem acreditar. "Você tem?"

Ela deu de ombros, o gesto casual demais para o momento, mas algo no olhar dela entregava mais do que ela deixava transparecer. Eu senti meu coração disparar de um jeito idiota. E antes que pudesse me controlar, minha cabeça começou a girar com perguntas. Isso tinha sido um plano dela? Ela já estava pensando nisso?

Sem dizer uma palavra, lancei um olhar questionador, e a forma como ela desviou os olhos por um breve segundo confirmou o que eu nem sabia que estava perguntando.

"Eu arrumei minha mala durante a folga, antes de a gente brigar," ela explicou, rápida, mas com um tom quase… defensivo? "Naquela época, parecia natural."

A timidez na voz dela me pegou de surpresa. Bella não era assim, não ficava assim. E, de repente, parecia que o ar entre nós tinha mudado de novo. Mais leve, mais real.

"Entendi," murmurei, tentando ignorar o aperto no peito. Eu sabia que ela estava sendo sincera.

Respirou fundo, e ergueu o queixo voltando a postura determinada que era tão típica dela, e virou-se em direção à mala. "Espera aí," disse, já se movendo, os dedos rápidos enquanto vasculhava o conteúdo como se fosse uma missão de guerra.

Observei em silêncio, mas minha cabeça estava a mil. Porque, por mais errado que aquilo fosse, chegamos num ponto que não tinha mais volta.

Não sei o quão perdido nos meus pensamentos eu estava, mas quando Bella voltou com camisinha na mão já não havia restado nenhuma peça de roupa no corpo dela. Eu fiquei hipnotizado admirando a beleza dela, ela era perfeita. Perfeita para mim,eu não era religioso, mas Bella me fazia acreditar que Deus ou o Diabo tinham projetado ela em cada detalhe pra ser minha perdição. Ela montou em mim e eu não consegui controlar um gemido. Na verdade era mais pra um grunhido, era baixo, profundo e animalesco assim como o meu desejo por ela. Ela me encarou por um segundo, mas nos olhos dela eu pude ver algo diferente, mais dócil que o habitual, diria até que terno. E isso desencadeou em mim um sentimento que me dominou, eu amava tanto aquela mulher. E da forma que ela me olhava naquele momento eu senti esperança de que talvez, só talvez ela pudesse me amar também. Movido pela aquela sensação, eu toquei o rosto dela, Bella fechou os olhos como se tivesse absorvendo o meu gesto de carinho.

"Edward…" ela falou quase que um suspiro."Eu preciso tanto de você, agora"

De repente o ar ficou carregado, e aquele momento doce compartilhado a poucos segundos se dissipou. Ela me beijou,

O beijo começou desesperado, como se ela tivesse finalmente se entregado a tudo o que sentia. Seus lábios tocaram os meus com urgência, mas havia uma ternura ali, algo suave, como se ela estivesse tentando me comunicar algo que não conseguia em palavras. Cada toque seu, cada suspiro, era como um "eu te amo" silencioso, sutil, mas profundo. Eu a puxei mais para perto. Logo minhas roupas restantes se tornaram empecilhos desagradáveis e nós tratamos de removê-las do caminho.

Eu sempre fui um cara tímido e reservado. Eu gostava da forma como a Bella tomava as rédeas da situação normalmente, não só no trabalho mas na nossa relação (incluindo a cama), mas não hoje, hoje eu iria comandar. Nos virei em um movimento rápido, e pude ouvir o som de surpresa que ela fez, mas ela não pareceu se incomodar com a mudança.

Comecei beijando, mordiscando e lambendo a clavícula dela enquanto ela se contorcia embaixo de mim. Eu queria venerá la como a Deusa que ela era, cada pedacinho, mas Bella parecia ter outros planos,

"Edward, Edwar.." meu nome morreu se misturando ao sons que ela fazia,"por favor, eu preciso de você dentro de mim agora" ela começou com uma voz gemida e fraca, mas terminou com um tom tão imperativo que mais parecia uma ordem. E não pude conter uma risadinha que me escapou.

"Para de rir seu idiota convencido e vai logo" agora só tinha restado irritação no tom dela, e eu decidi não provoca-la mais. Eu me sentei na cama resgatando a camisinha que tinha sido esquecida e a colocando. Bella me olhava atentamente, como se tivesse acompanhando cada mínimo movimento meu. Me posicionei entre as pernas dela, meu plano era uma entrada lenta, mas Bella me forçou pra dentro dela rápido e duro abraçando meu quadril com suas pernas.

"Porra" eu gemi, aquilo tinha sido intenso e não tinha mais espaço pra lento e calmo. Eu comecei a me mover, duro, forte e rápido. A cada estocada Bella deixava escapar gemidos e gritinhos, eu já estava completamente incoerente, eu me sentia até meio zonzo, incapaz de raciocinar. Bella não parecia muito diferente, palavras cortadas, suspiros, arfadas e sons que até eram difíceis de descrever, nada que saia da boca dela parecia fazer sentido. Eu mudei nossa posição, tentando entrar mais fundo, quase como se eu quisesse me fundir a ela. E algo aconteceu, acho que eu atingi algum ponto que fez ela gritar mais alto:

"Isso, Edward por favor, por favor não para.." e eu a obedeci, como eu sempre fazia. Não há nada que aquela mulher me pedisse que eu não estaria disposto a fazer.

"Edward eu estou quase.. Edward" Os gemidos dela começaram a ter um efeito em mim, quando ela começou a se contrair eu não tive qualquer chance. Aumentei meu ritmo pra chegarmos lá juntos

Eu sentia o corpo dela estremecer contra o meu, os sons dela ainda ecoando na minha mente como um som que eu sabia que nunca esqueceria. Quando o ápice finalmente chegou, foi como se o mundo tivesse parado por um instante, apenas para nós dois. Bella se agarrou a mim, a respiração acelerada e quente contra o meu pescoço, enquanto meu próprio corpo cedia à intensidade do momento.

Por um instante, ficamos ali, imóveis, ofegantes, os corpos ainda entrelaçados como se nenhum de nós estivesse pronto para deixar o outro ir. O quarto parecia mergulhado em um silêncio pesado, confortável, apenas quebrado pelo som de nossas respirações irregulares.

Ela se ajeitou ao meu lado, os cabelos bagunçados espalhados pelo travesseiro, e lançou um sorriso pequeno e satisfeito antes de fechar os olhos. Fiquei observando-a por alguns segundos, a mente a mil, enquanto o cansaço finalmente começava a me puxar para o sono.

A luz da manhã invadiu o quarto sem permissão, atravessando as cortinas mal fechadas e me obrigando a abrir os olhos. Levei um momento para perceber onde estava, o corpo ainda pesado e dolorido da noite anterior.

Olhei para o lado e a vi — Bella ainda dormia, o rosto sereno, quase inocente, como se ela não tivesse sido a responsável por toda a confusão que agora gritava na minha cabeça.

Suspirei, fechando os olhos novamente, mas não havia como escapar do peso dos meus próprios pensamentos. A recaída com Bella tinha sido errada. Não errado no sentido de arrependimento, mas porque sabia que, para mim, aquilo nunca seria só físico. Eu a amava demais para fingir que só sexo era suficiente.

Meu olhar voltou para ela. Seus cabelos caíam sobre o rosto, e o lençol cobria apenas metade do seu corpo, expondo as marcas que a noite anterior tinha deixado em sua pele. Eu queria tocá-la, mas sabia que, se fizesse isso, talvez nunca mais conseguisse deixá-la ir.

Ela se mexeu, um sorriso suave surgindo nos lábios enquanto seus olhos se abriam devagar. "Bom dia," ela murmurou, a voz ainda rouca de sono, mas cheia de um calor que me desarmava todas as vezes.

"Bom dia," respondi, desviando o olhar por um momento, tentando sufocar o turbilhão de emoções que se agitava dentro de mim.

Bella se espreguiçou, relaxada, como se não houvesse peso algum entre nós. Mas, assim que seus olhos pousaram no meu rosto, sua expressão mudou. "Você tá estranho," ela disse, franzindo o cenho.

Eu me levantei, buscando minha calça no chão, apenas para manter as mãos ocupadas. "Isso não devia ter acontecido," deixei escapar, a voz baixa, mas carregada de algo que eu não conseguia esconder.

"Você tá brincando, né?" Bella sentou-se na cama, puxando o lençol para cobrir o corpo. O sorriso que ainda estava nos cantos de sua boca desapareceu. "Edward, você queria isso tanto quanto eu. Não finge que não."

"Querer nunca foi o problema," eu disse, olhando para ela. "Eu sempre quis, Bella. Sempre. Esse nunca foi o ponto."

Ela piscou, confusa, mas não disse nada. Esperava que eu continuasse, e eu sabia que precisava. Precisava tirar tudo aquilo de dentro de mim, mesmo que fosse me destruir.

"Eu queria você desde o começo. Mas… não desse jeito." Minha voz tremia, e eu senti o peso da confissão. "Por muito tempo, eu fingi que estava tudo bem. Que o que você podia me dar era o suficiente. Que eu não precisava de mais. Porque eu tinha medo, Bella. Medo de que, se eu te dissesse a verdade, se eu dissesse que eu te amo… que eu amo você há muito tempo… você fosse embora."

Ela me olhou, os lábios entreabertos, como se não conseguisse acreditar no que eu estava dizendo.

"Mas agora eu percebi," continuei, respirando fundo para segurar a dor que crescia no peito. "Não dá pra perder algo que você nunca teve de verdade. Eu nunca tive você, Bella. Não de verdade."

Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas ela não disse nada. Eu não esperava que dissesse. Parte de mim sabia que ela não podia.

Eu vesti minha camisa, sem pressa, tentando não olhar para ela. Porque, se eu olhasse, não teria coragem de continuar. "Eu preciso de um tempo longe de você. Pra pensar. Pra lembrar quem eu sou sem isso, sem… você."

"Edward," ela sussurrou, mas não tinha nada além do meu nome.

Eu dei um último olhar para ela — os olhos vermelhos, o rosto pálido, tão vulnerável quanto eu jamais a tinha visto. E então, antes que o nó na minha garganta me impedisse, saí do quarto, deixando para trás a única coisa que eu realmente queria.

Pov Bella

Eu não sei quanto tempo ele ficou fora. Pra mim, parecia uma eternidade. Ele saiu dizendo que precisava de um tempo, um espaço pra pensar. Só que, quando voltou, tudo o que fez foi pegar as malas e começar a arrumar as coisas. Sem uma palavra, sem um olhar. O silêncio entre nós era tão pesado que quase dava pra tocar. E, de alguma forma, foi pior assim.

Eu tentei me convencer de que não tava doendo tanto. Que era exagero, drama da minha cabeça. Mas, a cada segundo, parecia que o vazio crescia. Eu sabia o que tava acontecendo. Era tão óbvio quanto uma ferida aberta. Eu o amava. Não era só atração ou algo passageiro. Era amor, com toda aquela intensidade assustadora.

Mas, então, por que era tão difícil? Por que, toda vez que eu pensava em me abrir, parecia que minha garganta se fechava? Eu queria falar, dizer tudo o que estava sufocando meu peito, mas as palavras simplesmente… não vinham. Era como se admitir o que eu sentia fosse me tornar vulnerável demais, como se isso fosse quebrar alguma coisa dentro de mim que nunca poderia ser consertada.

A viagem de volta foi um pesadelo. Ele estava ao meu lado, mas era como se estivesse a milhas de distância. E cada quilômetro que nos aproximava de casa parecia empurrar um abismo maior entre nós. Eu queria falar, mas como? Como explicar o caos dentro de mim? Como dizer que eu o amava, mas tinha tanto medo de me entregar que isso me paralisava?

Quando o avião finalmente pousou, eu ainda estava meio atordoada, os sentimentos se misturando de forma caótica dentro de mim. Edward saiu logo depois, sem nem um olhar pra trás, e eu fiquei lá, sozinha, observando-o se perder na multidão do desembarque. O tempo parecia ter parado enquanto eu ficava ali, parada, sem saber o que fazer, sem saber o que sentir.

Eu não sabia quanto tempo passei assim, perdida nas minhas próprias inseguranças, mas, finalmente, consegui focar em algo fora da minha cabeça. Emmett. Ele apareceu, com aquele sorriso enorme e o jeito descomplicado, como se nada estivesse errado.

"Ei, vai ficar parada aí? Ta esperando o próximo voo? " ele falou, com aquele tom brincalhão.

Eu não respondi. Só fiquei ali, olhando pra ele, como se o mundo estivesse em câmera lenta. Algo estava muito errado, e eu não sabia como disfarçar. Emmett percebeu na hora, a diversão desaparecendo de seu rosto.

"Bella, o que aconteceu? Você tá bem?" Ele perguntou, mais sério, agora, se aproximando com a preocupação tomando conta dele.

Eu não aguentei. A respiração ficou presa na minha garganta, e, de repente, tudo o que eu estava segurando explodiu. Lágrimas começaram a escorrer sem que eu pudesse impedir. Eu estava chorando, finalmente. Não sabia como tinha deixado isso chegar até esse ponto, mas ali estava eu, chorando na frente do Emmett.

A para casa doi curta e silenciosa, exceto pelos sons do meu choro, mas Emmett não emitiu uma palavra. O que dá era algo extremamente incomum vindo dele.

Assim que chegamos em casa, o choro cessou. Durante o caminho inteiro do aeroporto até a casa, minhas lágrimas haviam sido um peso insuportável, mas ao pisar na porta, um silêncio desconfortável tomou conta de mim, como se a tensão tivesse se condensado na minha garganta. Eu estava exausta, tanto física quanto emocionalmente. Emmett colocou as chaves na mesa e, ao me ver calada, soltou uma piada, tentando aliviar um pouco a atmosfera pesada:

Assim que chegamos em casa, o choro cessou. Durante o caminho inteiro do aeroporto até a casa, minhas lágrimas haviam sido um peso insuportável, mas ao pisar na porta, um silêncio desconfortável tomou conta de mim, como se a tensão tivesse se condensado na minha garganta. Eu estava exausta, tanto física quanto emocionalmente. Emmett colocou as chaves na mesa e, ao me ver calada, soltou uma piada, tentando aliviar um pouco a atmosfera pesada.

"Graças a Deus você parou de chorar", ele disse, sorrindo levemente, mas com um toque de preocupação. "Eu já não sabia mais o que fazer! Nunca te vi assim, Bella. Nunca te vi chorando desse jeito."

Apesar da tentativa de piada, algo no tom dele deixava claro que ele queria me dar espaço, mas ao mesmo tempo, estava criando uma abertura para que eu falasse. Ele sabia que havia algo por trás daquele choro, algo que eu precisava, mais cedo ou mais tarde, compartilhar.

Respirei fundo, sentindo a pressão em meu peito, tentando encontrar as palavras certas, mas a ansiedade me consumia. Olhei para ele, sabendo que não tinha como continuar escondendo aquilo. Então, contei. Falei da história com Edward, de como as coisas entre nós estavam difíceis, da confusão de sentimentos, e ele me escutou com total atenção. Não interrompeu. Não me pressionou. Apenas ficou ali, atento, como se esperasse que eu me abrisse mais.

Quando terminei, ele permaneceu em silêncio por um momento, refletindo. Então, suspirou e falou, com uma suavidade que contrastava com a firmeza em suas palavras.

"Bella, faz todo sentido", disse, a voz grave, mas cheia de empatia. "Eu sei que você não gosta de falar sobre isso, e eu entendo. Mas o que aconteceu com o Jacob… aquilo te machucou profundamente, e eu posso ver como ainda te afeta. Isso criou essas barreiras em você, essas dificuldades de confiar."

Eu olhei para o chão, tentando me afastar daquela realidade, mas ele não me deixou fugir.

"Eu sei que não é fácil para você, mas precisa falar sobre isso. Você está se impedindo de viver algo bom com alguém que, pelo jeito, é importante para você. E você merece ser amada, Bella. Você não deveria se fechar assim."

Eu tentei desviar, fugi para longe de suas palavras, mas a verdade estava ali, gritando dentro de mim, querendo sair. Eu queria dizer que não era isso, que estava tudo bem, mas não era. Eu me sentia frágil demais para negar.

"Não, Emmett…" minha voz falhou e, antes que eu pudesse continuar, as palavras vieram em um desabafo atropelado. "Não é só isso. No começo, eu pensei que tudo isso tinha a ver com o Jacob, com o que ele fez. Eu prometi a mim mesma que nunca mais me deixaria enganar, que ninguém mais iria me ferir daquele jeito. E por muito tempo, eu fechei meu coração, me fechando para qualquer coisa que pudesse me fazer sentir de novo. Mas com Edward, foi diferente. Ele não era como os outros, ele não era o tipo de pessoa que eu me apaixonaria. Ele era tímido, doce, e de certa forma, ele não parecia ser uma ameaça. Mas aos poucos, ele foi entrando na minha vida, sem que eu percebesse. E quando dei por mim, ele já tinha dominado tudo. Ele ocupava todos os meus pensamentos, todo o meu ser. E é isso que me assusta, Emmett. Eu vejo agora que o que eu senti pelo Jacob não era nem um terço do que eu sinto por Edward. E se aquela decepção já me destruiu de um jeito tão profundo… eu não sei o que faria se Edward quebrasse a minha confiança. Eu não sei se conseguiria suportar. Eu… eu não me vejo capaz de suportar mais essa dor. Eu sinto que estou quebrada, que não tenho mais conserto. Eu me sinto… vazia."

As palavras saíram como um rio que, uma vez desaguado, não poderia mais ser contido. E, mais uma vez, as lágrimas começaram a escorrer, sem que eu pudesse impedir. Eu me sentia tão pequena, tão frágil, tão perdida em meio a tudo aquilo.

Emmett, com um movimento suave, me abraçou, me apertando contra ele com uma força reconfortante. Ele me manteve assim por alguns segundos, em silêncio, até que sua voz cortou a escuridão.

"Não, Bella… você não está quebrada", ele disse, a voz firme, mas acolhedora. "Você está machucada, e é bem diferente. As feridas vão cicatrizar, e a pessoa certa vai te ajudar a curar essas feridas. Você não pode se esconder disso, você precisa se abrir para o Edward. Não tenha medo, você não está sozinha nisso. Ele vai te ajudar a curar, ele vai ter paciência com você, porque ele te ama, Bella. E, se ele não estiver disposto a esperar por você, então… talvez ele não mereça você. Mas, se ele realmente te ama, ele vai estar pronto para te ajudar. Ele vai estar disposto a caminhar com você, por mais difícil que seja."

Eu senti uma leveza no coração, como se as palavras dele tivessem colocado um pouco de esperança onde antes só havia desespero. Eu sabia que ele tinha razão, mas o medo ainda estava ali, como uma sombra, pronta para se manifestar novamente.

Eu acordei com a luz suave da tarde invadindo o quarto. O silêncio da casa parecia pesado, quase como se o ar tivesse se acumulado durante o tempo que passei ali, mergulhada em minhas próprias angústias. O banho havia sido uma tentativa de limpar a alma, mas eu ainda me sentia… vazia. Não era como se eu tivesse mais lágrimas para chorar, mas o peso da tristeza ainda me consumia, me envolvia de uma maneira que eu não sabia mais como lidar. Era uma sensação de esgotamento, como se eu estivesse tentando me segurar em algo que já estava escapando por entre os dedos.

A casa estava quieta. Emmett não estava em casa, e o vazio de sua ausência parecia preencher todos os cantos. Me sentei no sofá, olhando para o nada, os pensamentos ainda confusos. Eu só queria ter um momento de paz, mas a paz parecia um lugar tão distante agora. Quando o campainha tocou, eu achei que fosse Emmett. Talvez tivesse esquecido a chave ou algo assim. Eu estava tão fora de mim que, no fundo, desejava que fosse ele, porque sua presença sempre trazia alguma forma de alívio.

Mas quando eu abri a porta, quem estava do outro lado me pegou de surpresa.

"Oi, Bella." Era ele. Edward. Aquele nome, aquela voz… Eles sempre foram um enigma para mim, mas agora parecia que ele tinha invadido completamente o meu coração. Eu não sabia o que fazer.

" O que você está fazendo aqui?" Eu não pude evitar a pergunta. Estava sem palavras, meio paralisada. O choque de vê-lo ali me deixou sem reação, quase como se tivesse sido atingida por um raio. Ele estava ali, na minha porta, e eu não sabia nem o que pensar sobre isso.

Edward respondeu com calma, como se já soubesse o que eu estava sentindo.

"Emmett me pediu para eu vir. Disse que você precisava falar comigo."

Eu me senti imóvel. O que ele queria de mim agora? Eu fiquei em silêncio, tentando processar. Ele estava ali, e eu… não sabia o que fazer. Uma parte de mim queria empurrá-lo para fora, fugir de tudo, mas outra parte queria desabafar, tirar o peso de tudo o que estava me consumindo. Eu hesitei, olhando pra ele, sentindo que as palavras que eu precisava dizer estavam presas na garganta.

Ele não entrou. Ficou ali na porta, como se esperasse algum tipo de sinal de que eu estava disposta a abrir meu coração. O silêncio ficou denso, e eu senti a necessidade de quebrá-lo.

" Entra." A voz saiu quase como um sussurro, mas eu sabia que tinha dito o que precisava ser dito. Ele parecia hesitar por um segundo, mas então, com um movimento calmo, entrou. Eu o observei se acomodar na sala e, por um momento, tudo ficou parado. Era como se o tempo tivesse se desacelerado.

Sentei-me na poltrona, e senti o peso de tudo que eu precisava dizer sobre mim mesma, sobre o que estava me prendendo. Eu respirei fundo, e então as palavras começaram a sair, sem poder controlar a velocidade com que elas escapavam de mim.

"Eu não sei por onde começar a te contar isso, Edward, mas… eu quase me casei." Eu disse isso de uma vez, como se fosse algo pequeno, mas a verdade é que não tinha nada de pequeno nisso. Eu olhei para ele, esperando alguma reação. Ele me observava, como se estivesse tentando entender o que eu queria dizer, ou talvez, já soubesse o que viria a seguir.

Eu respirei fundo e continuei. " Quando eu tinha uns 20 anos, eu estava prestes a casar. Ele… ele era o meu namorado da adolescência, mas o casamento nunca aconteceu. Porque ele me traiu. Com a minha melhor amiga".

Eu senti a dor atravessar a garganta, mas era necessário. Não era só a minha história, era a chave para entender o que eu sou hoje, o que eu havia me tornado.

Houve um silêncio, mas eu podia ver os olhos de Edward em mim, atentos, tentando processar as palavras que eu acabara de dizer. Ele não falou nada. Não parecia surpreso, mas seu olhar estava carregado. E foi só nesse momento que eu percebi que ele estava sentindo o peso daquilo. Eu me perguntei o que ele estava pensando, se aquilo fazia sentido pra ele. Ou se ele estava me vendo de uma maneira diferente agora.

"Eu me fechei depois disso. Me fechei pra qualquer tipo de relacionamento, porque eu não conseguia confiar em ninguém, nem em mim mesma. — Fui tentando encontrar as palavras certas, mas não tinha certeza de nada. Tudo que eu sentia era um grande nó dentro de mim. — Quando a gente se conheceu, eu achei que seria só mais um desses relacionamentos rasos. Algo físico, sem compromisso. Eu te vi e achei você… fofo. Mas inofensivo. Nunca pensei que você seria capaz de fazer o estrago que você fez em mim.

Eu o observei enquanto falava, notando a maneira como ele ficou mais tenso, como se estivesse absorvendo cada palavra. Eu sabia que ele não queria que eu me machucasse, mas o simples fato de estar ali me expunha de um jeito que eu não sabia mais como lidar.

"Eu nunca senti por ninguém o que eu sinto por você, Edward. E isso me assusta mais do que eu posso dizer. Porque eu sei que você tem o poder de me destruir, e… eu não sei se estou pronta para isso. Mas, mais do que isso, o que me assusta é que, se eu perder você… se eu não me abrir, se eu não for verdadeira, isso vai acabar. Edward, você é a única coisa que eu me incomodaria em perder."

A sala ficou em silêncio. Eu sabia que tinha dito tudo o que precisava dizer, mas a tensão ainda estava lá, pesada entre nós dois. O que ele pensava de tudo isso? O que ele faria agora?

Ele parecia refletir sobre as palavras que eu tinha acabado de lançar sobre ele, mas não disse nada imediatamente. Só me olhou com uma intensidade que me fez sentir ainda mais exposta. A sensação de vulnerabilidade tomou conta de mim.

Eu me inclinei um pouco para frente, como se tentasse tomar a coragem que estava faltando.

"Você tem saber que eu estou quebrada, que eu tenho problemas em cofiar, em ser vulnerável. Mas se você não se importar com o fato de que eu preciso de alguns ajustes ", pensei, torcendo para que ele quisesse tanto quanto eu "Se você topar, eu acho que a gente pode me consertar. Se você substituir a parte que falta, talvez eu possa voltar a ser inteira de novo", me perguntei, será que ainda haveria algo de bom em mim? Uma parte de mim queria acreditar que sim, mesmo sabendo que todas as cicatrizes e marcas faziam parte de mim.

"Eu achava que não, mas hoje sei que ainda tenho amor para dar", pensei. As memórias de um passado que se foi, os sonhos que não deram certo, os planos que estavam quebrados… Eu ainda tinha mais. Eu ainda podia dar mais. Eu só precisava acreditar que ele veria valor em tudo o que eu tinha a oferecer. Ele não precisava de uma Bella perfeita, mas uma Bella disposta a tentar, disposta a ser sincera e transparente com ele.

Então, olhando para ele, com uma mistura de medo e esperança, eu disse: "Eu sei que minha vida tem sido… bagunçada. Eu sei que não sou a melhor versão de mim mesma. Mas… se você aceitar o que eu sou, com tudo o que eu já vivi, com os erros e as falhas, eu posso tentar. Eu posso tentar me consertar… Se você me deixar, posso tentar ser a pessoa que você merece."

Edward permaneceu em silêncio por um momento, como se as palavras de Bella tivessem se aninhado em seu peito e ele estivesse tentando encontrar o melhor jeito de respondê-las. Seus olhos estavam fixos em mim, mas eu não conseguia ler nada ali. Nada que me desse um sentido de direção, nada que me fizesse entender se ele estava me vendo como eu realmente sou, ou apenas como a menina quebrada que eu tanto temia ser.

E, então, ele falou. A voz dele estava mais suave do que o normal, quase como se ele estivesse escolhendo com muito cuidado cada palavra que sairia da sua boca.

"Bella…" Ele fez uma pausa, como se quisesse me dizer algo, mas não soubesse se poderia. "Eu não sei se você percebe, mas você não precisa se consertar para mim." Ele deu um passo em direção a mim, com uma leveza que eu não esperava. "Você já é tudo o que eu preciso. Tudo o que eu quero."

Eu queria dizer algo, retrucar, mas ele continuou, sem me deixar interromper.

"Eu sei que não sou perfeito. Nenhum de nós é, mas… a ideia de que você precisa se transformar ou se 'consertar' para me agradar…" Ele balançou a cabeça, dando um meio sorriso, ainda olhando para mim com uma intensidade que me fazia sentir exposta, mas, ao mesmo tempo, mais viva do que eu nunca imaginei que pudesse estar. "Você já é perfeita para mim. De todas as maneiras que importam."

Eu senti um peso sair de mim, mas também o medo de ser vulnerável demais. Edward se aproximou mais, e eu pude ouvir a suavidade na sua voz enquanto ele continuava: "Eu entendo seus medos, Bella. Eu entendo o que você passou. E acredite, eu não quero que você seja outra pessoa. Eu não quero que você se molde em algo que você não é. Eu só… quero você. Com todas as partes quebradas, com todas as memórias e as falhas. Porque, honestamente, é isso que me faz querer estar aqui. Com você."

Ele deu uma última pausa e me olhou com um brilho suave nos olhos, algo como uma promessa. "Eu não vou te deixar. Eu não vou te deixar sozinha. Se você se abrir para mim, Bella, eu vou estar aqui para você, todo o tempo. Mas não porque você precisa se conserto, mas porque você já é tudo o que eu sempre procurei. Eu não posso fazer por você, mas posso estar aqui enquanto você encontra suas próprias peças e tenta montá-las de novo. E, quando você conseguir, quando você perceber que está inteira novamente… eu vou ser a pessoa ao seu lado."

Eu senti o peso das palavras dele me envolverem como um cobertor quente. Eles eram mais do que o que eu esperava, mais do que eu acreditava merecer. Ele me queria como eu era, e isso era tudo o que eu precisava para começar a acreditar que, talvez, eu realmente pudesse tentar me reconstruir. Talvez, com ele ao meu lado, eu pudesse.

Ele sorriu então, e a expressão dele estava cheia de uma ternura que me fez sentir um tipo de alívio, como se eu pudesse finalmente soltar um suspiro que estava preso há tanto tempo.

"Você nunca vai me decepcionar, Bella. Porque a única coisa que eu sempre quis de você é o que você está me dando agora, o seu coração. Eu só estou esperando você, do jeito que é."

E, naquele momento, eu soube que, por mais que a jornada fosse difícil, eu não estava sozinha. Ele estava disposto a me acompanhar. E talvez, finalmente, fosse isso que eu precisava para me permitir ser inteira de novo.

A resposta de Edward parecia um alicerce construído com paciência e carinho, e isso, de alguma forma, me fez respirar mais fundo. Eu nunca imaginei que alguém pudesse querer as partes quebradas de mim, e ainda assim, de algum jeito, ele queria. Eu ainda não sabia como, mas sentia no fundo que ele realmente não estava esperando por uma versão perfeita de mim — ele só queria eu. Com todos os meus defeitos, com todas as minhas cicatrizes. Ele queria que eu fosse quem eu sou, e isso me deu mais coragem do que eu imaginava que teria.

E foi isso que me fez acreditar. Eu não era uma versão rachada da pessoa que eu queria ser. Eu só estava em pedaços, mas, com o tempo, eu poderia me reconstruir. E com Edward ao meu lado, eu acreditava que talvez, só talvez, esses pedaços pudessem se encaixar de uma forma que fizesse ainda mais sentido.

Eu poderia não ser nova, mas poderia ser inteira. E, com ele, talvez isso fosse o suficiente para começar uma nova história. Não a perfeita, mas a nossa.

E, pela primeira vez, eu me senti pronta para tentar.

Sete meses depois…

o som da cerimônia ecoou suavemente na igreja. O padre, com um sorriso sereno, olhou para os noivos e declarou: "Pode beijar a noiva." O público sorriu, e o momento parecia perfeito. Mas, de repente, Edward murmurou ao meu lado, com aquele tom irônico que eu adorava ouvir:

"Isso é uma loucura completa", disse Edward, o tom divertido na voz, mas a incredulidade estampada no rosto.

Olhei para frente e vi Emmett, todo sorridente e confiante, e Rosalie, radiante, com a expressão de quem estava mais do que pronta para iniciar sua nova vida. O casamento deles. Emmett finalmente tinha conseguido o que queria.

Então ri pensando no que Edward havia dito, porque, na verdade, ele tinha toda razão. Era uma cena inesperada, mas, ao mesmo tempo, absolutamente perfeita. De que eu e Edward nos assumimos Emmett passou a nos infernizar para que conseguíssemos um encontro para ele e Rosalie. Depois de umas duas semanas de insistência Rosalie tinha cedido e aceitado um encontro. Seis meses depois, ali estavam eles, casando.

" Por mais absurdo que seja, toda essa loucura é bem bem a cara do Emmett."

Eu olhei para Edward, que me encarava com um sorriso discreto, não aguardando por uma explicação. Ele sabia de tudo, claro. Desde o momento em que Emmett tinha nos convencido a interceder a favor dele, até o dia em que, finalmente, Rosalie havia se rendido. Eu estava ali para apoiar, mas, honestamente, eu jamais imaginaria que tudo aconteceria tão rápido.

Edward se aproximou mais, envolvendo seus braços ao redor de mim, e me deu um beijo carinhoso no topo da cabeça. Era uma dessas intimidades que se tornavam tão naturais entre nós, como se tivéssemos feito aquilo a vida inteira. E, de certa forma, talvez fosse isso mesmo — como se estivéssemos completos, como se estivéssemos em paz.

Senti o calor de sua presença e, por um momento, me perdi no conforto disso. Estar com ele, sem precisar esconder nada, sem ter que me preocupar em o que os outros pensariam… Era a sensação mais livre que eu já tinha experimentado.

E as coisas todas tinham fluido muito melhor do que a minha expectativa, ninguém pareceu muito chocado quando nos revelamos um casal, o que me faz acreditar que provavelmente não éramos tão discretos como achávamos. Nem mesmo Aro fez qualquer objeção com a nossa relação e na verdade ele nem ao menos se deu o trabalho de fingir surpresa. A vida era tão mas simples, tão mais confortável com Edward ao meu lado que eu me sentia meio mal por todo tempo perdido por minha causa.

"O que foi? Que carinha é essa?" ele perguntou, suavemente, ainda me abraçando de trás. Eu sorri.

"Nada, é só que…", respondi, balançando a cabeça. "É tão bom estar com você que as vezes ele me sinto meio culpada por fazer a gente perder tanto tempo" falei o quanto me virava de frente para ele e depositava um beijo na sua mandíbula, que era onde eu alcançava sem que ele se abaixasse.

Edward riu baixinho, e o som de sua risada me fez sorrir mais. A paz que ele me passava, a confiança que eu sentia ao seu lado… Eu nunca tinha pensado que algo assim seria possível para mim, mas lá estava eu, completamente envolvida por ele, de um jeito tão leve e certo.

"Mas o escondido também tinha as suas vantagens" Ele disse sedutoramente, me arrancando uma risadinha boba, eu estava completamente perdida. Fazem 7 meses que estávamos juntos oficialmente e de lá pra cá Edward havia me transformado numa garotinha adolescente, cheia de suspiros e risinhos. Mas acho que isso é a consequência de estar feliz, então eu posso lidar com ela.

De repente, ele sussurrou em meu ouvido: "Quando vai ser a gente no altar?"

Eu olhei para ele, sentindo meu rosto aquecer. Não era uma pergunta que eu esperava ouvir, e ao mesmo tempo, era tudo o que eu mais queria. Quando seria a nossa vez? Em algum momento, eu sabia.

"Em breve", eu disse, rindo, "mas nem tão quanto esses dois loucos."

Edward riu também, me abraçando mais forte. Ele estava tão feliz, tão à vontade, como se não precisássemos de mais nada, a não ser da presença um do outro.

Enquanto observávamos Emmett e Rosalie saírem do altar, comemorando o início da nova jornada deles, senti uma felicidade pura tomar conta de mim. Não importava quando seria a nossa vez, porque eu sabia que quando chegasse, seria perfeito. E enquanto isso não acontecia, eu estava feliz em simplesmente estar com ele, vivendo o momento e construindo nossa própria história, com todo o amor e a simplicidade que ele sempre me deu.


Notas finais
N/A: Obrigada a todas que tiverem a coragem de ler isso. Obrigada ao POSO e a Ts Nascimento que me deram a oportunidade de finalmente concluir um projeto de escrita meu. E mil perdões, sei que poderia ter ficado muito mas eu enfrentei diversa dificuldades; técnicas, de saúde e de tempo mesmo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.