Are You Falling?
12 Capítulo 12 - Encontrada
Acordei com o maravilhoso som de uma música eletrônica. Xinguei alto. Me arrumei e logo fui encontrar Fernanda na cozinha.
– Bom dia Anjo! — Estremeci ao ouvir meu apelido. Havia ficado sem lembrar de Beck por cerca de quatro horas, mas nada adiantou.
– Bom dia Fer, — peguei uma barra de cereal que ela me oferecia — vamos agora?
– Deixa só eu terminar minha maquiagem.
Não protestei. Eu e Fernanda éramos muito diferentes. Seu “look” era uma saia rosa e azul, blusa regata branca, um bolero de seda rosa e ankle boots cor creme. Eu estava vestindo jeans skinny, uma camiseta da banda Metallica, um cardigã preto e all star.
– Eu soube que vai ter muitos garotos bonitos na nossa sala — Fernanda riu e deu pulinhos.
– E a greve de garotos?
– Ah, droga!
Ri. Fernanda realmente me fazia esquecer os problemas.
Entramos no carro e fomos em direção a nossa antiga escola. Fresno é uma das maiores cidades da Califórnia, e sempre me orgulhei de morar aqui… Menos quando o assunto era ter que andar de carro. Fizemos de tudo pra evitar o transito congestionado, tivemos que dar a volta na cidade até conseguir chegar na escola. O carro de Fernanda era um New Beetle vermelho que chamava a atenção em qualquer lugar. Talvez por causa dos adesivos de gatos e cachorros que tinha no vidro de trás. Entramos na sala e nosso sorriso desapareceu ao ver que os lugares eram planejados. Desde o jardim da infância Fernanda sentava do meu lado e esse ano seria totalmente diferente. Fui em direção a folha que estava o mapeamento, procurei meu sobrenome e fui até a mesa que era meu lugar. Parei ao lado da mesa e peguei o gloss na minha bolsa, estava terminando de passar quando ouvi uma voz familiar.
– Boca de matar.
Beck estava na mesa ao lado da minha, sua boca se abriu num sorriso provocante, quase irresistível. Dizia “não pode fugir de mim”.
– O que está fazendo aqui? — Senti minhas mãos suarem.
– Curso de biologia. Estou ansioso pra aprender sua anatomia.
– Saia dai, agora Beck.
Ele apontou sua mesa, onde estava escrito “Müller”. Ele estava dizendo a verdade, eu teria que passar as próximas duas semanas do seu lado.
– Senhorita Fidstan, sente-se por favor.
Corei ao ver que o professor chamava minha atenção. Beck puxou minha cadeira e me sentei.
– Vai ser um prazer ser seu colega de biologia — sussurrou em meu ouvido.
Olhei de canto de olho para Fernanda, ela apontou para Beck e fingiu se abanar, forçou um sorriso perverso, revirei os olhos.
Durante toda a aula tentei prestar atenção no professor e ignorar a presença de Beck. Quando faltavam vinte minutos para bater o sinal, o professor se virou e apontou para mim.
– Senhorita Fidstan, poderia me dizer um problema que o Fator Rh pode trazer para uma criança se sua mãe for Rh negativo?
Era uma pergunta fácil. Eu havia estudado Fator Rh no terceiro ano do colegial. Estava pronta pra responder quando senti a mão de Beck deslizando pela minha perna. De repente minha voz fugiu, minha mente se apagou e tudo que eu queria era sentir os lábios de Beck acariciando cada parte de meu corpo.
– Fidstan, é para hoje.
Tirei a mão de Beck da minha perna e respirei fundo.
– A diferença entre o Fator Rh positivo e negativo, quando é relação de mãe e filho, pode provocar uma doença chamada Doença Hemolítica do Recem Nascido. — Virei e encarei Beck. Ele devia estar ficando louco.
O professor começou a explicar a matéria e de repente minha mente viajou. Por que Beck tinha decidido entrar no curso? Claro que era por minha causa, mas nada fazia sentido. Escutei o sinal bater e voltei a realidade. Metade da sala já tinha saído. Me abaixei e guardei meu material, ouvi a porta fechar. Me levantei rapidamente, eu e Beck estávamos sozinhos na sala.
– Não me deixou explicar.
– Explicar ou matar? — Tive que demonstrar raiva para não chorar.
– Belle, eu nunca iria matar ou machucar você — deu um passo em minha direção, eu recuei. — É complicado explicar.
– Não é nenhum pouco complicado — olhei em seus olhos, juntei toda coragem que eu tinha e caminhei até ele. — Eu só não entendo. Teve tantas chances, por que não acabou com tudo de uma vez?
Antes que eu pudesse me desviar, Beck me puxou e me abraçou.
– Como eu disse, eu me apaixonei por você. Foi um erro — suspirou. — Ir atrás de você, te conhecer, me encantar, me apaixonar por ti, foram erros que eu não devia ter cometido. Agora de um jeito ou de outro terei que consertar.
– Se você me matasse iria… Virar humano?
Beck me encarou, escolheu cada palavra com cuidado.
– De certo modo sim. Eu teria um corpo humano, com alguns de meus poderes físicos de anjo caído. Teria a mesma força, defesa, resistência, essas coisas.
– Não tem outro jeito? — Afundei a cabeça no peito de Beck.
– Não Anjo, não que eu saiba — segurou meu queixo e levantou meu rosto. — Mas não vou sacrificar você. Não faz sentido ter um corpo humano se eu não tiver você aqui. Talvez eu não seja o tipo de namorado perfeito para você, mas eu prometo, sempre que você precisar eu vou te proteger, na terra, no céu, no inferno, seja onde for.
Estremeci com suas palavras. Fiquei na ponta dos pés e puxei seu rosto para perto do meu. Beijei seus lábios com cuidado, ele mantinha suas mãos em minha cintura e me apertava contra si. Pulei em seu colo e ele agarrou minhas pernas, me deitou na mesa do professor e beijou meu pescoço. Fechei os olhos e senti cada toque de Beck, suas mãos pelo meu corpo, seus lábios me fazendo estremecer. Pensei em tudo que havia me dito, eu não sabia se acreditara ou não. Beijei seu pescoço e desci as mãos até sua cintura. Eu precisava de respostas. Levantei sua camisa e toquei sua cicatriz.
Fale com o autor