Arcádia

1 Capítulo 1 - Conhecendo os Fatos


Notas iniciais
Aviso aos leitores:
Tudo que esta para ser relatado daqui em diante é uma transcrição, seu conteúdo é de origem duvidosa, chegou a mim em uma caixa de sapato velha com o titulo: Venha jogar você também! Parece impossível que seja verdade o que dizem os dois narradores, mas você, caro leitor, deverá decidir por si.

Já pode agradecer aos céus, se você esta lendo isso. Parabéns, pois, assim como nós, você foi um dos que sobreviveram ao incidente Arcádia – Bárb está dizendo que eu não deveria exagerar tanto. Aquele lá que com certeza você não deve saber o que realmente aconteceu.

Permita-me uma apresentação: sou Vinnie, Mago graduado na escola de magia de Arcádia – Bárb esta dizendo que você provavelmente não vai acreditar e que eu deveria começar do começo. Mas você não deve querer saber disso; você leu o titulo da caixa; você quer ação!

Era primavera quando tudo começou. Eu e Bárb estávamos saindo do colégio QUANDO DERREPENTE UM TERREMOTO DESTRUIDOR ACABOU COM TUDO E NOS TRANSPORTOU PARA UMA DIMENSÃO ALTERNATIVA E GANHAMOS SUPER-PODERES! Mentira. Foi só mais um dia normal, irritantemente normal, sem poderes, sem terremoto, só uma avalanche de matéria acumulada. Normal. Mas em meio a tanta normalidade, descobrimos um novo jogo – Bárb esta reclamando que quem descobriu o jogo fui eu: Reinos de Arcádia, aparentemente só mais um daqueles joguinhos que a gente joga, termina o tutorial e abandona, mas esse era diferente... Não consegui explicar na época, então apenas defini como “viciante”.

O jogo era algo anormal. Quanto mais eu jogava, maior era a vontade de continuar jogando – Bárb disse que eu parecia um drogado nos primeiros dias. Acho isso um exagero. Foram só três dias sem tomar banho. Depois voltei a me cuidar. Apesar de anormal, a premissa do jogo era simples: você construía seu boneco, escolhia uma classe e batalhava para se tornar melhor. Não havia um objetivo claro. Era apenas, crescer, ganhar poder, lutar e repetir o processo.

AEEEEE, ELE ME DEU O MICROFONE (Tudo bem, eu roubei, mas eu sei que você também não aguentava mais a voz dele.)! É o seguinte: estava tudo bem, saímos da escola – sem terremotos – e fomos para nossas devidas casas. Quando cheguei, bom... vocês devem saber, ou ao menos imaginar como é ser o centro de expectativas da família; “Oi filha, estudou quantas horas hoje?”; “ Sua prima Loreta acabou de terminar a especialização em cardiologia”; “Como vai no Karatê ?”... Vocês já devem ter passado por isso duas ou três vezes na vida. Na real, não foi exatamente assim que meu dia começou. Cheguei em casa às duas da tarde, e lá estava ela sentada na sala lendo “A Hora da Estrela”; radiante, exalando felicidade e bem estar; Marcele, minha irmã mais velha – A Bárbara que deu errado. Ela era a coisa que mais me irritava na vida. Sempre feliz, sempre repetindo o discurso que ser perfeita não significava nada, sempre! – Desculpa, me empolguei.

Três dias depois, na segunda-feira, cheguei na escola, fui me sentar e comecei a revisar a matéria até que então:

— MEU DEUS, VOCÊ NÃO CONHECE A PALAVRA DE UM BOM SABONETE? – perguntei enquanto tampava o nariz.

— O quê? Há, desculpa. Fiz maratona jogando um jogo novo esse final de semana e não tive tempo de parar pra isso. – Pra falar a verdade, teve, mas ele é, naturalmente, um porco.

— E você acha que vai sentar do meu lado assim?! Faz um favor pra sociedade (quase falei: e se mata, mas ele já teve crises de depressão): pega essa sua bunda fedorenta, vá ao vestuário, tome um banho, pega o uniforme do time de basquete e depois volta; ou vai embora, porque do meu lado, com essa catinga, você não senta!

E, enfim, ele foi. Sinceramente, não sei o que deu naquele garoto. Aproximadamente uns trinta minutos depois ele voltou – infelizmente ainda não haviam inventado um sabonete mágico que removesse o futum do mal.

— Olha ele! Tomou vergonha na cara, foi? Senta ai, depois eu explico a matéria que você perdeu. – Vinnie disse que eu fui um pouco grossa. Olha, sinceramente, como você é educada com uma pessoa que consegue matar um gamba asfixiado de tanto que está fedendo?! Não dá!

E então, no embalo de Artes, fomos passando o dia. Quando finalmente chegou o final do dia letivo, ele resolveu abrir a boca pra falar – me arrependi arduamente de não ter oferecido minhas balas de menta na hora do recreio.

— Olha, desculpa, sei que não é justificativa, mas foi um jogo novo, e você sabe como eu sou. Quando começo... bom, é difícil parar.

— Bom, é que... – ELE TEVE A OUSADIA DE ME INTERROMPER. OLHA, EU DEVIA ESTAR MUITO CALMA PRA NÃO TÊ-LO FEITO ENGOLIR CADA SÍLABA QUE ELE FALOU.

— BÁRB, VOCÊ TEM QUE JOGAR REINOS DE ARCÁDIA, BEST JOGO EVER, ELE — – Minha vez de interromper, porque sou dessas.

— ESCUTA AQUI: Você acha mesmo que eu vou perder meu precioso tempo livre jogando um joguinho online de merda?! Me poupe, Vinicius!

— Claro que não vai! Você sabe que nunca vai ser melhor que eu. Eu aposto que você está com medo de perder. Eu te desafio! – Olha, você pode dizer o que quiser de mim, mas que eu fugi de uma aposta?! NUNCA! É o meu fraco. Eu não perco uma; não deixo de fazer uma. Ele é viciado em jogos, e eu sou viciada em ganhar.

E foi assim que tudo começou. Eu apostei que se eu ganhasse – e ganhei –, ele iria ir de saia rosa com babados brancos e amarelos durante uma semana. Foi tudo muito divertido, até eu perceber em que merda eu entrei. Infelizmente era tarde demais.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.