Arch. Angel
1 Capítulo 1
Ter as células de seu corpo espalhadas e enviadas pelo ar não é uma sensação que eu possa descrever com exatidão. É rápido, como se você explodisse e se espalhasse, sendo reconstruído logo em seguida, uma curta e silenciosa morte.
Lá estava eu, a minha frente estava o corredor que me levaria até meus alvos. Porém, logo percebi que algo estava errado, o que logo foi confirmado ao ver a inscrição na parede " A5" que indica o andar em que estava. Como poderia existir este nível se a base deveria ter somente 4 níveis? Resolvi seguir pelo corredor, apesar de minhas suspeitas, afinal, não ganharia nada ficando ali.Ao final do corredor a única coisa que havia era uma passagem quadrada, como o portal de uma porta. Me certificando de que não havia nenhuma ameaça me aproximei da passagem, para ver o que havia depois dela.Uma espécie de poço em forma de cilindro, com outras três passagens semelhantes a em que eu estava. Uma a minha frente, e as outras dos lados, o poço deveria ter uns 50 metros de altura e 30 de largura. Pela escuridão que encobria o final visível do poço se mostraram grandes correntes que desciam como braços do teto. Como serpentes elas se enrolavam e prendiam o que poderia ser chamado apenas de "monstro", um gigante corpo içado por cordas, como uma marionete a espera de seu manipulador. Com certeza não era humano, trajava uma espécie de armadura que o fariam um robô, se não fosse a carne que era visível pelas partes em que faltava a proteção. Com certeza também não estava vivo, apresentava as marcas de um intenso combate, e os membros faltando confirmavam seu óbito.Trinta e dois metros abaixo da criatura estavam, dispostos em mesas circulares, cerca de 200 homens, ao redor de uma grande tela, todos munidos de computadores. O barulho dos teclados era insuportável, preenchia quase que por completo a sala.Mas o que realmente me incomodava eram aqueles olhos. Eles me fitavam, dois imensos olhos vermelhos, que agora que perderam a vida, pareciam completamente mecânicos. Quanto aos eu olhava para "aquilo" mas eu achava semelhanças, o desenho, a construção podiam ser diferentes, mas a base era a mesma. Ele parecia comigo, ou melhor, com minha armadura...Eu precisava saber o que estava acontecendo, mas ao mesmo tempo, não podia abandonar minha missão. O que se tornou bem mais simples ao perceber que meu alvo estava entre as pessoas que não paravam de socar os botões de seus teclados.Deitei na parede preso a passagem apenas por meus pés, que se firmavam no piso da passagem. Saquei minha arma, instintivamente mirando a cabeça de minha vítima, se eu atingisse seu coração, levaria 3 segundos até que o corpo inerte caísse sobre a mesa, 5 para que percebessem que ele havia sido morto, e mais 10 para que colocassem a base em estado de alerta. 10 segundos eram mais que suficientes para terminar meu trabalho e sair em segurança, mas eu tinha que conseguir pegar o computador dele, não podia sair sem saber o que eles estavam fazendo.Travei a mira, sob a primeira e a segunda vértebra, um pouco abaixo do pescoço. Quando desliguei a música que estava ouvindo, o barulho dos computadores pareciam martelos em meus ouvidos....Desde que me lembro o barulho me perseguia, ele se insinuava por meus ouvidos, sempre incessante e corrosivo. Era uma situação desesperadora, até mesmo um alfinete era como uma bomba para mim. Até que encontrei a música. Não importava em que volume, ela não me perturbava, o ritmo e a melodia ao contrário, me acalmavam....Mesmo com aquele campo de explosões, aquele martelar incessante, consegui identificar as batidas do coração de meu alvo. Ele estava claramente estressado, seu coração batia rápido, devia ter problemas cardíacos, pois a cada 10 batimentos havia uma pausa de meia batida.( Respire fundo, quando seu coração de acalmar prenda a respiração, quando sua visão falhar por falta de oxigênio, puxe o gatilho).
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