Arc Of Dreams
7 Queime, floresta de bambu
Notas iniciais
Divirtam-se~
Ryno corria escadaria acima, ofegante. Mal podia acreditar no que havia diante de seus olhos: Seu precioso templo praticamente destruído, coberto de fuligem e muita água. No meio de uma cratera, logo na entrada, estava Anna.
-Ah, Ryno-chan!- Dizia Anna, segurando uma criança com uma imensa capa negra e um par de asas. -Olha só o que eu achei lá em baixo! Não é linda?!
Ryno lentamente se aproximou da amiga e tirou a criança de seus braços, estalou os dedos e antes que Anna pudesse perceber, estava no chão com uma marca de soco no rosto.
--
-Então era ela a causa de tudo isso...
A miko observava a pequena menina que corria pela entrada do templo soltando faíscas por um canhão em seu braço, enquanto Anna arrumava todo o estrago que havia feito.
-Pelo visto, era. – Disse, logo depois de cair no chão com a pequena a batendo na cabeça com o canhão. -Só não entendo por que algo tão fofo, inocente e infantil como ela poderia estar fazendo isso, não é, Ryno II ? – Disse enquanto encarava a pequena.
-Você deu nome pra ela, sua pedófila?! -Berrou a miko, colocando a mão sobre o rosto.
- Ei...Ryno II? Desde quando eu sou seu mascote?
-Desde aquele dia...- Anna sentou-se na frente da sacerdotisa, que não entendia nada
-Ahn? Aquele dia?
-Sim... Quando você tinha 7 anos e estava encurralada por yokais medonhos e terríveis.-Seu tom de voz era realmente irritante –Você gritava meu nome e eu te salvei. Graças a isso, você é meu mascote desde então.
“-Anna-sama, muito obrigada por ter me salvado!
- Huh? Não precisa agradecer.
-Quero agradecer de alguma forma....Anna-onee-sama.”
A) Aceitar o agradecimento
B)Não aceitar
C) Você é muito nova para mim, quem sabe quando crescer.
- QUEEE?!!- Ryno dera um pulo e ficara em estado de choque. -Hei, espera...nada disso aconteceu... pare de inventar estórias sem sentido, você não é um glã de Light Novels...
-AYAYAYAYAYA!! -Anna voava metros a frente, graças a um chute da miko.
-Ei, você não pode colocar nomes em coisas que já possuem um. –Ryno apontava para a criança que corria e caia pela entrada.
-Como sabe disso? -A garota seguia a pequena, na tentativa de escondê-la de Ryno.
-Tem uma etiqueta de identificação atrás dela, pensei que tivesse visto. -Disse, segurando Anna pela blusa. -Olha lá.
“Corvo do inferno, Reiuji Utsuho. Pouca memória e senso de direção e espaço, por isso perde-se muito fácil. Se isso acontecer, entrar em contato com Satori no Chireiden. Nota: Não a perturbe ou pagará caro por isso e não tirarei sua alma do inferno”
-Tive a mera impressão de que isso foi uma ameaça.
-Nee, então pare de ficar perseguindo ela.
Nesse mesmo instante, Okuu tropeçara numa pedra. Anna e Ryno foram socorrer a menor que havia caído no chão. Ela não chorou, apenas olhou para os lados sem entender. Depois, olhou as duas do mesmo jeito, levantando o canhão que tinha no braço.
-Onyu?
-Fu... -A expressão de Anna mudara completamente, ao ver que o canhão começara a brilhar, e a irradiar um calor insuportável.
-Anna-chan...
-Sim,Ryno-san?
-Eu te odeio.
“Boa noite,e vamos às manchetes... Ontem o templo local foi parcialmente destruído.
As causas são desconhecidas ate o momento, mas a sacerdotisa local nega que tenha sido algum tipo de atentado terrorista
A mesma sacerdotisa vem sendo acusada de vários danos ao patrimônio da cidade, sendo esse mais um processo em suas costas. Fatos afirmam que a causa da explosão foram fogos de artifício mal armazenados.
Por motivos de segurança, alertamos para que não cheguem muito perto da oficina de loucos, digo, Templo Hakurei nas próximas semanas.
Voltamos aos espor...”
Ryno desligava (destruía) a televisão com um ofuda. Anna, que estava ao lado, não dizia nada, apenas implorava para que Yukari estivesse lá naquele momento para amenizar a raiva da miko pobre que não tinha dinheiro nem para pagar o conserto de seu santuário, por isso estavam no deposito do templo, a única parte que não havia sido destruída pela explosão.
Pouco tempo depois da explosão já havia algumas pessoas na “entrada do templo”. Era uma garota que carregava consigo um pequeno gato domestico com orelhas vermelhas. Também havia uma mulher alta, forte e com um enorme chifre na testa, aparentemente bêbada. E outra garota, com olhos verdes profundos e vazios, sentada no ombro da maior, além de duas outras pessoas, mas insignificantes para a história no momento. Todos yokais, de acordo com julgamento da miko, ao bater o olho no enorme chifre da mulher.
- Me desculpe pelo estrago causado pela minha mascote -Satori, a aparente dona de Okuu, se desculpava,abaixando a cabeça.
-Não tem problema.- Ryno trazia chá e algum aperitivo -Convivo com isso todos os dias. – Disse, lançando um olhar feroz para a amiga, que “brincava” com o pequeno gato(tentava fugir de seus arranhões, enquanto corria pelo quintal).
-Ah, não ligue para Orin, ela só esta se divertindo um pouco. –Satori sacudia um biscoito, o que fez com que o gato viesse saltitante em direção a dona, deixando a repórter no chão, arranhada
-Sem problemas — Anna disse entre dentes.
-Por mim ela pode continuar assim por dias.
As duas voltaram sua atenção para a visita. Satori acariciava o gato calmamente com os olhos fechados, sem notar a pressão das outras duas sobre ela.
-Realmente, me desculpem pela Utsuho ter causado tantos problemas. Não sabia que essa barreira pudesse estar tão fraca que deixaria ela passar para “este lado” -Disse num tom estranho, com certo nojo no olhar.
Ryno não deixara escapar nada, examinava Satori de cima a baixo. Todos seus atos e falas, tudo sendo captado pela sua percepção, a única coisa de que se orgulhava. Anna também a observava, só que apenas fixara seu olhar nela.
-Pelo visto, você não gosta muito deste lado, não é? — Disse a miko em um tom de deboche.
-Só não gosto das pessoas deste lado. — Agora encarava Ryno com calma –Sabe, os pensamentos humanos são tão impuros, dá nojo invadir suas mentes. “Como se você pudesse saber o que eles pensam” , sim, eu posso.
Ryno assustou-se. Rapidamente vira Anna desviar seu olhar dela.
-Mas....
-“Como.....como ela consegue saber o que eu penso...como essa otária consegue...nunca, nunca vou deixar minha mente ser invadida por uma...garotinha de cabelo roxo”.. ”COMO??!!!....ela ta falando tudo que eu to pensando.......kappapa kappapa..”
-Ei, espera?-Ryno parou assustada.- Eu não pensei isso...
Satori apontara para Anna, que gelou de novo.
-Tudo bem, mas tente controlar melhor seu animal de estimação da próxima vez.- a garota escrevia alguma coisa em um guardanapo velho enquanto falava — A Utsuho só passou da barreira porque no subterrâneo ela fica mais fraca, mas em compensação passou como uma criança de três anos.
E entregou-lhe um papel rabiscado com alguns desenhos estranhos na beirada, algo como uma garota e varias estrelas muito mal desenhadas.
-O que é isso? -Anna parecia mais interessada que satori
-Da próxima vez, mande seu bicho loli assaltar e destruir a casa dessa coisa preta e branca estrelada, “a bruxa do oeste” — Seu tom de desprezo nunca fora tão grande. -Acho que valeria mais a pena do que destruir um templo antigo.
-Mas foi a sua amiga que pegou a Okuu e a trouxe para cima.
-Ah...foi?
Antes que pudesse perceber, Ryno já lutava com Anna rolando no chão da sala, enquanto a repórter berrava.
Satori ficou um tempo encarando as duas, com uma ligeira expressão de medo, provavelmente porque lia os pensamentos de Ryno e sabia o que ela realmente pretendia fazer com Anna. A briga só parou quando a mulher alta com o chifre na testa, mais tarde conhecida como Yuugi, segurou as duas pela roupa e as jogou do de fora do templo. Satori, seu gato de estimação e os outros ficaram lado a lado na varanda do templo.
- Agora estamos indo. –Disse, antes que Ryno pudesse dizer qualquer coisa. Rapidamente, ela encarou a repórter, ficando instantaneamente vermelha. –S-sinto muito, mas....EU NÃO SOU COMESTIVEL!.
Satori disparou em direção ao gêiser, se atirando dentro dele, seguida das outras garotas. Ryno encarou Anna rapidamente.
-O que você pensou?
A repórter agarrou algumas coisas e saiu correndo sem responder. Ryno pensou em tacar algum ofuda, mas não. Parou na escada, que brilhava ao ter o sol refletido em uma poça d’aqua.
-Qualquer coisa que envolva o yokai eu irei te dizer. — E despencou escada abaixo ao perder o equilíbrio.
--
O sol já deixara o céu quando Anna retornara com as informações. A repórter estava igual como todos os dias: um sobretudo com algumas estampas de folha,e o cabelo castanho preso por pequenas tranças.
-Ryno-chan, não sei se você percebeu, mas tem algo muito estranho com a noite hoje. –A repórter esperava na entrada do templo, enquanto Ryno se aprontava.
A miko encarou o céu por alguns instantes. A noite se mantinha diferente das outras. Parecia que a lua cheia iria pairar para sempre no céu escuro de fim de outono.
-Deve ser obra do yokai- Disse, pegando a lança. -Descobriu algo?
As duas caminharam em direção ao parque onde, na noite anterior, Ryno havia encontrado Akira. Nenhum sinal do yokai, havia apenas uma garota com grandes orelhas de coelho sentada na fonte, Reisen.
-O que você veio fazer aqui? –Perguntou a miko.
-Vim me certificar de que fará o trabalho direito para minha princesa. –Reisen encarava a garota a sua frente, apontando o indicador como uma pistola –Queremos aquela fênix de volta.
-Pensei que a princesa da lua e a fênix fossem inimigas imortais.- Anna estava séria- Porque ela iria querê-la de volta?
-É apenas um capricho da nossa princesa. -A coelha a desafiava com o olhar, o que deixou Anna mais estranha ainda.
-O que você esta tramando, Inab...
Houve um estrondo forte vindo atrás das árvores. Uma densa cortina de fumaça descia sobre o parque. Reisen se levantou com os olhos vermelhos. Anna também parara e Ryno, obedecendo a sua intuição, saiu em disparada pelas árvores.
A noite parecia intacta, a lua cheia não se movera um centímetro no céu frio e estrelado. A ultima coisa que Ryno queria era que a noite não acabasse. Tudo parecia ser obra daquele yokai. A alguns metros à frente, se deparara com uma enorme clareira, que dividia a mata de uma floresta de bambus, aparentemente em chamas.
-Ah que legal, pelo menos isso vai afastar o frio. — Ryno atirara longe o casaco que carregava, estalando os dedos com um sorriso. -Vamos yokai, não tenho a noite toda, por mais que você tenha parado ela.
-Não parei a noite. -Uma voz feminina saiu das chamas –Aliás, quem é você?
Uma jovem de longos cabelos prateados, presos pro vários talismãs parou em frente à sacerdotisa. As duas ficaram se encarando por um tempo. O olhar de Ryno era fortemente repreendido pela expressão de ódio e alegria sádica no rosto da outra. Rodando a lança sobre o ombro, Ryno partiu em direção ao yokai.
Fim do cap 5- Queime, floresta de bambu
Fale com o autor