Aranhas
1 Chalé 6
Notas iniciais
Acordei com quatro pares de olhos me encarando.
Sem conseguir resistir ao medo, gritei e a coisa saiu do meu campo de visão. Muito lentamente, me sentei, percebendo o quão ruim era minha situação.
Milhões, trilhões delas, preenchendo a parede e o teto. Um tapete preto vivo se locomovendo lentamente. Meus pesadelos se tornando realidade.
Aranhas.
Eu teria ficado em estado de choque se não fossem os berros. O chalé 6 inteiro estava gritando. Pessoas corriam para lá e para cá no escuro, desesperadas em sair dali. Por que raios ninguém ligou a luz? Pego uma moeda, que por algum motivo estava no meu bolso, e jogo no interruptor.
Pulo do segundo andar do beliche e corro para a porta. Testo a maçaneta. Trancada. Cansada de pegar leve, chuto a porta arrombando-a. Sério que ninguém pensou em fazer isso? Foi tão fácil.
-Todo mundo para fora!- Grito, elevando minha voz.- Somos espertos. Mais que elas.
Lentamente, alguns campistas passaram pela porta. Outros pararam de correr e se encaminharam também na direção da mesma. Já outros...
Uma menininha de aproximadamente oito anos estava cercada por elas. Ela parecia aterrorizada, mas decidida. Segurava uma pequena faca como se fosse sua vida. Talvez fosse. Nunca sabemos o que um objeto pode significar para uma pessoa.
Tomo impulso e empurro-a para o lado na hora em que uma delas pula em cima da menina.
— Foge, Lena!- Grito.
-Annabeth?- Ela me olha. Não entendi porque parou, mas não parecia mais estar em perigo.- Está tudo bem? O que aconteceu? Acordei com gritos!
-Sim, está tudo bem. Acho que Aracne fez uma visitinha no nosso chalé- Digo, me sentindo um pouco tonta- Olha, eu tenho um plano. Posso não sair daqui hoje. Tem uma mínima chance de isso dar errado. Dê isso para Percy assim que encontrá-lo, pode ser?- Tiro o objeto do bolso da calça e dou para ela.
A menininha sorri. Ela era tão fofinha e inocente. O cabelo louro preso em marias chiquinhas e um sorrisinho tão doce no rosto...
-Ta bom- diz correndo pela porta.
Espero todo o resto sair. Me viro e corro em direção a parede dos fundos, sacando um fósforo. Eu realmente adoro meu pai. Encolhida em uma cama vejo uma garota. Quer dizer, só vejo o cabelo loiro. O resto do corpo está coberto por aranhas, muitas aranhas. Um grito escapa da minha boca e vejo uma teia presa no meu pé. Isso de novo não. Continuo correndo. O medo pulsando no meu sangue.
Ao chegar no final do quarto, risco o fósforo e rezo muito para isso funcionar como esperado. Solto-o quando elas se aproximam. Como na outra vez, funcionou. As coisinhas foram completamente queimadas numa reação em cadeia. Isso não significa que uma não escapou. E ela veio diretamente para cima de mim.
-Annabeth!- Alguém grita atrás de mim. “Alguém” não, ele.
-Percy?- Chamo e sinto-o me segurar antes de perder os sentidos e ceder o peso do meu corpo a ele.
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