Aracnide

1 Epílogo - She looks like me


Notas iniciais
Espero que gostem e comentem :D

Eu sabia que era um pesadelo. Eu sempre sabia. Aquela sensação de alivio vinha em pleno sono, quando eu sentia que aquilo era horrível demais par ser verdade. As teias se prendiam mais uma vez em meu corpo, firmes e cortantes. Tão finas mas ao mesmo tempo tão fortes. Me deixavam suspensa, enquanto aquelas pequenas criaturas corriam meu corpo. Me picavam. Me machucavam de um modo que eu não saberia descrever. No momento de maior desespero, respirei. Meus olhos se abriram, enquanto o coração acelerava, percebi que era apenas um pesadelo. Um pesadelo que estava só começando.

Naquela manhã após preparar o café, desci até os aposentos do Sr. Russel. Equilibrando a bandeja com suco, torradas e frutas frescas em uma mão, enquanto com a outra abria a porta do seu escritório. Enquanto a porta rangia, até bater na parede descascada, o cheiro insuportável de mofo invadia minhas narinas. Segui pelo corredor escuro, seguindo a luz fraca, e as batidas aceleradas no teclado do computador. Assim que me viu adentrando o local, Russel parou o e que estava fazendo, ajeitando os óculos e sorrindo para mim. Seu semblante cansado, trazia uma tristeza profunda, que era perceptível apresentar do seu fraco sorriso.

—Bom dia. — Falei baixinho. — Trouxe algo para o senhor comer, já que não sai de seu escritório.

—Não precisava se preocupar Emelie. — disse sem tirar os olhos do que estava fazendo. – Já ia preparar algo para comer.

Enquanto largava a bandeja em sua mesa, o silencio tomou o local. Me dirigi a sua estante, observando os inúmeros livros e vidros, contendo inúmeras aranhas. Um tremor passou pelo meu corpo, mas afastei o pensamento, e voltei a caminhar pelo aposento, escuro e sombrio.

—Mesmo depois de tanto tempo convivendo juntos, até hoje não sei o que o senhor tanto faz aqui dentro. — Comentei.

Ajeitando o óculos, e deixando de lado o que fazia, me olhou sorrindo.

—Minha sobrinha, muitas coisas aconteceram nos últimos anos. Assim como você, eu também sofri muito. E esse lugar. — Disse apontando para seu escritório. – É meu refúgio. Minha escapatória do mundo lá fora.

Assenti enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Não doía mais tanto. O tempo é capaz de curar. Mas eu ainda fica balançada quando lembrava de meus pais. Eu era uma menininha, mas ainda lembrava do amor que me cercava enquanto eram vivos. E se não bastasse, minha adorável tia, esposa de Russell, a qual me criou, se fora a poucos anos. Senti Russell me abraçando, afinal compartilhávamos a mesma dor. Éramos o que restava um ao outro.

***

Na mesma manhã, me vi correndo em direção ao Café Flor com a bolsa na cabeça para cessar a chuva que caia. A meses não via algo tão forte, e naquele mesmo dia, Martina insistira que fossemos lanchar na cafeteria mais charmosa de Springwood, e de toda região. Adentrei o local com o cabelo pingando, e o cheiro de café fresquinho me fez suspirar. Corri o olhar pelas mesas em volta, e avistei minha melhor amiga no andar de cima, acenando freneticamente. Subi as escadas rapidamente enquanto acenava para Jake, atrás do balcão. Tina como sempre, vestida impecavelmente, e seus cabelos em perfeito estado apesar da chuva. Sua beleza era irradiante, e seus traços orientais a deixavam mais bela ainda.

—Atrasa como sempre Carter! — Exclamou irônica.

Revirei os olhos e sentei a mesa largando minha bolsa no encosto da cadeira. O local estava um pouco vazio, e a música de fundo era o que me acalmava. Peguei o cardápio e revirei sem muita importância, afinal já sabia o que queria.

—Não sei se sabe mas, está caindo o mundo lá fora. — Falei.

—Eu pedi pra gente a 15 minutos. — Disse mudando de assunto. — Mas como você sabe, Jake só traz de pois que você chega.

Seguida de uma tosse fingida e de uma risadinha, tive certeza que ela avistara Jake, subindo as escadas com nossos Dupla Mocka de chocolate com cookies de sempre. Ele se aproximou sorrindo com nosso pedindo.

—Aqui está meninas. Qualquer coisa só chamar. — Falou lentamente.

Jake era um gato. Alto, moreno e sempre muito simpático. E sim, eu sabia que ele tinha uma queda por mim desde a 4ª série. Mas desde tudo que ocorrera comigo, eu sentia um bloqueio de me relacionar com outras pessoas. Afinal, quando você tem algo, corre o risco de perder. Agradeci a Jake, e eles se foi apressado pelo café.

Martina como sempre tagarelou a tarde inteira. Reclamou da escola, de seus relacionamentos e me contou das suas férias. Combinamos de ir juntas ao primeiro dia de aula na segunda. Fizemos planos, e como sempre conversamos muito sobre tudo. Sem dúvidas ela era minha melhor amiga, e a pessoa com quem eu compartilhava tudo.

Descemos pagar a conta, dividimos meio a meio, e como de costume, Jake estava lá sorrindo para mim. Martina achava ridículo, mas eu achava fofo. Assim que viramos para sair em direção a porta, Tina apertou meu braço. Olhei-a assustada sem entendei. Ela parecia horrorizada. Segui seus olhos em direção a uma mesa próxima. E lá estava ela. Uma jovem sentada, lendo um livro e saboreando seu café. Mas não esse o problema. Seus longos cabelo ruivos emoldurava seu rosto coberto de sardas, assim como ressaltavam seus belos olhos. Era linda. Muito Linda. Era idêntica a mim.

—Ela se parece comigo. — Sussurrei.

—Ela é você Emelie. — disse boquiaberta.

—Que bobagem. — Disse desviando o olhar. — Ela só é ruiva como eu.

Puxei Tina pelo braço para sairmos logo dali. Minha respiração estava ofegante, e por algum motivo estava nervosa. Só queria sair dali e esquecer o que havia acontecido. Antes de passarmos pela porta dei uma última olhada na garota. E lá estava, em seu braço esquerdo, uma aranha tatuada. Um arrepio percorreu meu corpo, e tentei desviar mais uma vez aquela sensação ruim de meus sonhos. Sai daquela cafeteria, deixando minha semelhança lá, e esperando nunca mais encontrá-la.

Notas finais
Beijinhos e até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.