Aquilo que os Sonhos dizem.
43 O amigo.
Notas iniciais
Estava naquela escola de novo e no mesmo corredor. Comecei a ouvir vozes. Vozes de crianças.
–Alice! Alice! Cadê você?
–Jack! Estou aqui!
Um vulto passou por mim que acompanhei com o olhar. Este vulto de neblina tomou forma de um corpo de criança feito de fumaça.
Por que eu não consigo ver formas nítidas de pessoas? Por que só posso ver vultos e olhos sem corpo?
O vulto que passou por mim foi até outro conjunto de fumaça mais ou menos do mesmo tamanho.
–Feliz Natal Jack!
–Feliz Natal Alice!
Essas vozes... Eu reconheço essas vozes...
Então a névoa ficou mais densa e tudo começou a girar em torno de mim.
•••
Como sempre, acordei gritando novamente. Mas dessa vez gritei um nome.
Jack.
Será que...
Então papai entrou no quarto e ligou a luz.
–Pai. Quem é Jack? – Fui direta.
–...
–Quem é Jack, pai? – Gritei desesperada.
Agonia. É isso que estou sentindo agora.
–...
–É ele não é? O tal amigo que não consegui lembrar? É ele não é?
–... Sim... – Meu pai disse depois de muito esforço.
•••
“-Seu pai me disse que tinha um amigo...”
“-Tinha?”
Sai do hospital e voltei para casa, porém não me livrei das consultas com o Dr. Phill. E estou numa delas neste momento.
–Quer dizer que você lembrou...
–Sim. Jack Blaker é esse o nome dele. Lembrei até do sobrenome.
–Muito bem Alice!
Lembrei de tudo...
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