Aquilo que os Sonhos dizem.
52 Apenas quero conversar.
Notas iniciais
–Por que todo mundo gosta de sair me puxando pelo braço? – Perguntei irritada.
–Desculpe – E riu. – Então Blackned me conte... Por onde andou nesses anos?
–Depois do seu aparente assassinato comecei a estudar em casa e nunca mais pisei numa escola.
–E agora decidiu voltar a estudar numa escola... mas assim do nada?
–Sim. Quer dizer... não exatamente.
–Explica melhor, por favor?
–Sofri um acidente de carro, perdi minha mãe nele e então decidi mudar. – Não podia contar a verdade então menti na última parte.
–Ah! Desculpe-me Alice. Não queria que se lembrasse disso. Sabe... eu acho que entendo um pouco do que sente. Também perdi alguém só que não foi minha mãe... foi meu pai.
–Bem... me desculpe também.
–Não! Tudo bem! Façamos o seguinte... vamos mudar de assunto, ok? Deixemos esse papo mórbido de lado. – E ri do seu jeito de falar. – Do que está rindo?
–A maneira que você fala é um pouco engraçada.
–Engraçadinha.
–Olha quem fala
–Respondona
–Gosta tanto assim de me chamar de respondona? Não acho que sou respondona.
–Acho e pelo visto não sou só eu. Aquele seu amiguinho metido também.
–Adam não é meu amigo exatamente. Tinha acabado de conhecê-lo.
–Hum... tinha é? Que bom...
–Que bom por quê?
–Nada não...
–Fala.
–É meio óbvio. Eu não gosto dele. É por isso. Vem, vou te apresentar a escola.
•••
–Você é bem popular né?
–Por que acha isso?
–Porque até agora, em todos os lugares que me levou, teve alguém que veio até nós para falar contigo.
–Ciúmes?
–Claro que não, metido.
–Respondona.
–Para de me chamar de respondona.
–Desculpe, mas não to afim... respondona.
Então já passamos por uns vinte corredores e ainda estávamos no segundo andar da escola. Passamos por umas trinta pessoas mais ou menos que vieram falar com Peter nem que fosse um ‘oi’, um ‘fala ai cara’ e uma batida de mãos, ou seja, assim como na época que éramos crianças, Peter é o popular da escola.
–E aqui é a biblioteca – Disse Peter.
O que fez acabar com meu blá-blá-blá interno. Quando vi estávamos em frente a uma grande porta dupla de madeira com maçanetas prateadas. Peter abriu a porta e revelou uma gigantesca biblioteca.
–Uau! – Foi o que consegui dizer
–Legal né?
–Sim! Sim! Muito!
–Gosta de ler? – Perguntou Peter enquanto andávamos pela grande sala cheia de livros.
–Muito. Embora ultimamente não tenha lido.
–Hum... Também gosto muito de ler. – Olhou para seu relógio – Caramba Alice! O sinal já bateu a quase dez minutos. Vem! – E saiu correndo porta a fora segurando minha mão com força.
•••
–Espera. Você entra primeiro e depois eu entro. Se o professor já estiver na sala e pedir uma explicação diga que você é aluna nova e se perdeu. Agora vai! – Sussurrou enquanto nos aproximávamos da porta da turma 202.
Dito e feito. O professor já estava na sala e pediu uma explicação. Decidi usar aquela que Peter me deu mesmo que convenceu o suficiente para que o professor me deixasse entrar na sala.
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