Aquele que Juntava

13 Capítulo 13 – SÓ UM MILAGRE.


– Tomara que ele não venha! Tomara que ele não venha! Tomara...

Cascão falava isso a si mesmo enquanto pedalava por entre as estradas da cidade. Seria muito mais rápido à caverna com a bicicleta do que por outro caminho.
Apesar de torcer para que os amigos consigam derrubar o inimigo, Cascão sabia que as chances eram pequenas: O inimigo era jovem, audacioso, esperto, ágil, forte, habilidoso, inteligente, enfim, era um rival cujo nível jamais havia sido visto antes. Logo, Cascão sabia que teria que derrubar o inimigo com as armadilhas de Franja: Uma mina elétrica, um pequeno lança-chamas, algumas armas “Laser” e, para concluir, uma pistolinha cuja munição era uma rede expansiva, que provavelmente seguraria o Assimilador.

– E qual será o plano do maluco? – Perguntou Cascão enquanto pedalava pelas ruas vazias da cidade. – E quem diria que ele não estava blefando sobre a paralis...

Uma pedrinha acertou a orelha de Cascão, fazendo-o parar imediatamente e pegar a arma “Laser”. O jovem olhou ao seu redor, procurando qualquer sinal do Assimilador. Será que o inimigo blefara sobre a fazenda num momento de desespero? De repente, um vulto saiu por detrás de uma lata de lixo, assustando Cascão, fazendo-o gritar e apontar a arma.

– SAI DAQUI! – Gritou Cascão sem ao menos olhar para o que apontava.

– NÃO ATIRA!
– SAI DAQUI!

– SOU EU! OLHA PRA MIM!

– SAI DA...

Outra pedrada na cabeça e Cascão olhou para o vulto: Era Dudu. O garoto assustara-se mais do que Cascão ao ver a arma sendo apontada para si.

– Quer me matar do coração? – Perguntou o garoto com uma mão no peito.

– Quero matar outro do coração, não é você.

– O que está acontecendo? Onde está todo mundo? Aonde está indo?

Dudu era ainda uma criança. Uma criança confusa, lógico. Ou seja, perguntas eram naturais. Cascão tentou simplificar o máximo que pôde:

– Um maluco tentando fazer algo ruim.

– Ah! Certo – Retrucou Dudu um pouco decepcionado com a resposta de Cascão.

– E onde você estava indo? Deveria se esconder!

– Estou escondido junto com a Maria Cebola e outros garotos e a garotas. Estamos todos no Mercado Limoeiro.

– E o que veio fazer aqui?

– Procurar por mais gente, oras!
– Ótimo! Volte para o Mercado. Se eu encontrar alguém, eu aviso para ir até o Mercado. E não saia de lá até que tudo fique bem.

– Ei! – Dudu tentou chamar a atenção de Cascão, que se distanciava de bicicleta. – E quando tudo vai ficar bem?

– Quando um milagre acontecer! – Respondeu Cascão.

Notas finais
Por hoje é só.

:)