Aquele que Juntava
1 Capítulo 01 UM DIA DIFERENTE
– Que dia chato! – Reclamava Magali, deitada no sofá enquanto encarava o teto. A jovem acariciava o gato que repousava em sua barriga. – Como é que todos os professores foram ficar doentes num mesmo dia? Por que o professor de ciências foi ficar doente?
A menina passara a manhã inteira comendo bolachas integrais (Afinal, ela quer manter a dieta). Magali poderia convidar Mônica para sair logo de manhã, mas tinha medo de acabar acordando a amiga.
– O que ia deixá-la pior do que o “Geisão” – Falava Magali a si mesma.
Magali então, num acesso de “Falta do que fazer”, levanta-se – Derrubando o gato que acariciava – e anda até a janela, observando a movimentação pelo Bairro do Limoeiro. E via quase o mesmo de sempre:
– Os gatos brincando; As crianças brincando; Os passarinhos cantando; Um cara da minha idade andando de terno pela... Terno?
O homem – Que sumira tão rápido quanto aparecera – ou era rico, ou era louco! Afinal, apesar de ser inverno, era difícil um jovem da idade de Magali andar pelas ruas trajando um terno. Ainda mais no Bairro do Limoeiro!
– Que dia chato! – Reclamava Cebola (Da mesma forma que Magali. Coincidência!) – Mamãe e Maria foram fazer compras e eu tenho que ficar “Cuidando” da casa, como se algo fosse acontecer!
Sem o que fazer, o jovem decide jogar videogame. No momento em que liga o console, a campainha soa. “Será o benedito?”, enerva-se Cebola ao levantar-se para abrir a porta.
– Bom dia, senhor!
O jovem à porta vestia um terno, tinha cabelos muito longos, amarrados num rabo-de-cavalo. Cebola encarou-o por um momento e, fechando lentamente a porta, disse:
– Não queremos comprar nada...
– Mas eu não quero vender algo! – Replicou o jovem, segurando a porta para que Cebola não a fechasse. – Você está fazendo algo?
– Não.
– Está sozinho em casa?
– Sim.
– Seu dia está chato?
– Um porre!
– Então permita-me mostrar-lhe um truquezinho de mágica – O jovem sorriu. – Acredite, você vai se maravilhar!
– Já vou avisando que não tenho dinheiro – Avisou Cebola abrindo novamente a porta. – E, que para me surpreender, seu truque de mágica tem que ser bom mesmo.
“Afinal, eu já vi várias mágicas do Nimbus. Para me surpreender, esse aí tem que ser bom mesmo!”, pensou Cebola cruzando os braços. O jovem retirou um pedaço de chocolate de seu bolso e estendeu a mão que nada segurava.
– Você tem algo inútil aí? Um brinquedo usado, um souvenir a ser jogado fora, uma latinha de refrigerante, qualquer coisa?
– Pode ser um controle de videogame que já não funciona há anos?
– Tem valor sentimental para você?
– Não tem valor sentimental, e muito menos valor em dinheiro. Nem sei por que eu ainda tenho aquele pedaço de lixo!
– Então, traga!
“Que diabos esse cara quer?”, perguntava-se Cebola enquanto debulhava suas coisas, a procura do controle de videogame defeituoso. “E o que ele vai fazer com um pedaço de chocolate e um controle de videogame?”.
Após encontrar o controle, Cebola volta até a porta, onde o jovem espera pacientemente. Ele logo pega o controle de videogame.
– Observe, senhor... Qual seu nome? – Perguntou o jovem.
– Cebola.
– Observe senhor Cebola. Não conseguirás sequer imaginar como isso acontece!
O jovem tocou o pedacinho de chocolate no controle. Logo, uma pequena cortina de fumaça envolveu as mãos do jovem e, quando a fumaça dissipou-se, o chocolate havia sumido.
– Gostei da parte da fumaça – Disse Cebola um pouco decepcionado. – Mas você só... Por que o meu controle de videogame está marrom?
– Adivinhe! – Sorriu o jovem retirando uma lasca do controle e entregando para Cebola. – Eu misturei o meu pedaço de chocolate com o seu controle e fiz um controle de chocolate!
Cebola estava embasbacado. Jamais vira algo assim antes. Nem Nimbus – O mágico da rua – havia feito algo sequer parecido. Para o espanto de Cebola, o jovem prosseguiu:
– Eu sou o “Assimilador”. Eu tenho o poder de juntar as coisas da maneira que quiser. Esse controle poderia ter se tornado um controle de madeira, de ouro, de prata, bastava eu ter os ingredientes.
“Também posso juntar duas coisas iguais para fazer algo maior.”.
– Caramba! – Cebola ainda estava boquiaberto. – Há quanto tempo você chegou aqui?
– Faz algumas horas...
– Temos que mostrar essa sua magia ao pessoal! Quer dizer, é espetacular demais pra não passar despercebido!
– Sim!
– E podemos, outro dia, cobrar das pessoas para que você assimile as coisas!
– Ehr...
– E então, poderemos sair do Limoeiro para mostrar isso para outras ruas, e ganhar mais dinheiro! E então, ficaremos milionários! – Cebola começa a rir alto.
– Você não está pensando alto demais? – O Assimilador coçou a nuca. – E desde quando virou meu empresário?
– Sei lá! – Cebola estava tão animado que saiu de casa sem ao menos lembrar que precisava “Cuidar” da casa. – Qual é o seu nome?
– Eu gosto de ser apenas chamado de “Assimilador”.
– Se você diz, então beleza! Você pode me esperar no parque do Limoeiro?
– Posso sim.
– Ótimo. Levarei o pessoal até lá – Cebola saiu correndo em direção à casa de Cascão. – Cuidado com o barranco!
– Tudo bem!
Notas finais
Espero leitores. ;D
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