Aquele que Juntava
35 Capítulo 35 – ENCONTROS
A viagem por entre as luzes do teletransporte findou. Todos acabaram parando exatamente no salão principal do castelo do Assimilador. As predições de Astronauta haviam dado certo: Ele havia previsto algo como um castelo no Centro.
– Vamos começar a operação já! – Gritou Chico empunhando sua arma. – Não temo um minuto a perde!
– Está certo! – Gritou Mônica estalando os dedos. – Vamos acabar com isso!
A garota deixou uma lágrima escapar enquanto falava a última frase. Magali já estava em ação, tomando a primeira porta à direita da grande porta de madeira principal, que se encontrava à frente do grupo.
– Boa sorte, Maga! – Gritou Mônica, sem obter resposta.
“Maga” mesmo, pois Magali, mais do que ninguém, queria fazer magia aquela noite. O objetivo da garota já é conhecido por todos nós. A garota sabia que tinha que ser ágil. Tinha que encontrar os prisioneiros e, ainda, descobrir alguma informação sobre aquela pessoa. Não monstro, não inimigo, não psicopata, apenas uma pessoa.
– Se esse mundo explodir, o núcleo também explodira. As dimensões voltarão ao normal e eu perderei meus poderes – O Assimilador ofegava em meio ao fogo que tomava conta de seu quarto. – Pouco importa. Ao menos, nesta dimensão, eu não sinto dor. Irei tranquilamente.
O Assimilador parou de falar. Algo acontecera.
– Ratos – Murmurou. Alguém havia invadido seu castelo. – Mas há algo esquisito.
O Assimilador fechou os olhos. Havia ganhado o poder de localizar cada ser vivo dentro de seu castelo. Praticamente, o poder de criar uma espécie de radar mental. Seus inimigos estavam em grupo, dirigindo-se diretamente ao núcleo.
– Eles podem se tornar um problema para meus planos – Observou o jovem inimigo. – Se eles descobrirem as palavras e as concentrações de energia necessárias para separar o núcleo, eu irei...
O jovem parou de falar. Ele não queria nem imaginar o que poderia ocorrer a ele se o núcleo fosse dividido novamente. As dimensões voltariam ao normal, isto é fato. Entretanto, não gostava do normal. Não gostava do seu normal.
– Que diabos? – Perguntou-se o inimigo quando ia começar a se mover. – Eu conheço essa presença. Separou-se do grupo e está correndo em direção às celas.
Mais um minuto de silêncio.
– Ela não representa perigo – O Assimilador então estalou os dedos. Uma fumaça roxa envolveu seu corpo.
No momento em que a fumaça se dissipou, o Assimilador apareceu pronto para o combate: Acima da cintura, o Assimilador estava nu. Sua calça, longa e folgada, permitiria movimentos leves e poderosos com as pernas. Os cabelos estavam soltos e sua grande espada empunhada.
– Hora de exterminar alguns ratos.
O Astronauta ficava logo em frente ao grupo, protegendo-os com sua armadura. Era fato que as modificações feitas nela haviam sido de gigantesco agrado para o patrulheiro espacial. Chico estava tenso, carregava sua espingarda e mirava para tudo o que se movesse.
Era fato que alguns carregavam outras armas também. Zé Lelé carregava uma pá. Cebola carregava uma dessas facas de cozinha grande. Cascão carregava um pedaço de pau que havia encontrado na volta. Parecia bastante resistente, apesar de ser um mero pedaço de pau. Mônica contaria pura e simplesmente com os punhos.
– A qualquer sinal, avisem. Não vamos atacar qualquer coisa a qualquer hora sem identificar o alvo – Avisou Franja por um comunicador. Ele monitorava os movimentos de todos por computador de longe. – O sensor instalado na armadura indica alguma movimentação estranha ou energia diferente, Astronauta?
– Há uma energia muito grande à frente – Respondeu. – Provavelmente é o núcleo.
– Vão com cuidado.
– Tem uma porta lá! – Anunciou Mônica apontando para frente.
E havia. Era uma grandiosa porta feita de esmeralda e safira. Pelo material, já poderia ser considerada uma porta lindíssima. Entretanto, os adornos dela era que davam o tom de beleza. Anjos e animais podiam ser vistos nos desenhos que enfeitavam aquela magnífica porta.
– Está lá – Anunciou Astronauta. – Atrás daquela porta está o Centro.
– A Rosa deve di ta nos esperando. Vamo logo! – Gritou Chico tomando a frente e chutando a porta.
O que seria uma entrada heróica foi totalmente ridícula. A porta foi chutada, mas não abriu, deixando Chico um tanto corado. Astronauta aproximou-se. Sua armadura tinha força o suficiente para abrir aquela magnífica estrutura.
– Lemble-se do plano, Cascão – Sussurrou Cebola para o amigo, que concordou com a cabeça. – É tecnicamente infalível.
– Não gosto da palavra “Infalível” quando é dita por você.
– Mas vai aplender a gostar hoje.
Adentraram. Estavam fora do castelo. Era uma área árida, de grande calor. Havia alguns poços de lava espalhados pela aquela gigantesca área, além de uma montanha (!) logo atrás do centro. Aliás, o centro – Aquela bola alaranjada usada por Assimilador – flutuava há poucos metros do chão.
– Enfim, chegaram – Gritou uma voz.
E, em cima do Centro, o pior pesadelo do grupo apareceu: O Assimilador encarava a todos com um olhar de desprezo.
– E eis que o fim chegou junto a vocês!
Magali descia, e descia, e descia. As escadas que descia pareciam não acabar nunca. “Oras!”, pensou ela, “Pra que aquele maluco precisa de tantas escadas se praticamente ninguém iria parar por aqui?”. Desceu até chegar em frente a uma porta de madeira.
Abriu a porta e viu o que queria: Milhares e milhares de adultos paralisados se espalhavam por toda a extensão daquela parte do castelo do Assimilador. Estavam divididos em milhares de celas gigantescas.
A garota andou pelas celas, procurando pelo que queria: Seus pais e Dudu. Queria checar se estavam todos bem. Ao que parecia, sim. Havia muitos adultos em posições engraçadas. Alguns estavam praticamente sentados no ar, enquanto um outro havia se molhado completamente por ter sido paralisado enquanto bebia refrigerante.
– Magali! – Gritou uma voz infantil. – Aleluia sua monga!
– Dudu! – Gritou a garota com felicidade. – Se me chamar de monga de novo, arranco sua orelha!
– Que seja! Não há tempo para discutirmos! – Gritou Dudu em resposta. Magali encontrou a cela do garoto e se dirigiu à ela. – Você tem que salvar o Jean!
Fale com o autor