Aquele que Juntava

18 Capítulo 18 – AJUDA DIVINA


– AI MEU DEUS DO CÉU – Suplicava Mônica enquanto corria. – ALGUÉM NOS ACUDA A PEGAR O ASSIMILADOR!

O grupo repentinamente parou. Olharam todos para trás. O ruflar de asas era escutado. Morcegos talvez? Não. Era maior do que um grupo de morcegos, deduziu Cebola. Tinha algo vindo, e vinha rápido.

– Será algum truque do Assimilador? – Perguntou Chico já mirando a espingarda na direção do barulho de asas. – Si fô, eu num vo tem pierdade cum esse bicho!

O barulho aumentava cada vez mais. E era cada vez mais intenso. Logo, o grupo já via uma minúscula luz se aproximando ao longe. Certamente era o que voava, pois se aproximava cada vez mais.

– O que estão fazendo aí? – Perguntou uma voz suave vinda da luz que se aproximava.

A presença daquele ser que voava acalentou os sentimentos dos presentes. O ódio, a desesperança, a raiva e o pavor haviam sumido quase que instantaneamente. Sim: O que se aproximava era um anjo!

– Ângelo! – Gritou Mônica. – Você veio nos ajudar?

O Anjo pousou de seu vôo baixo e passou os olhos pelos presentes. Em seguida, cruzou os braços em frente ao peito, respirou fundo e perguntou:

– Por Deus: O que estão fazendo aqui?

– Resumindo rapidamente: Um maníaco pegou a namorada do caipira ali...

– É Chico Bento, o nome só pra avisa – Disse Chico, interrompendo Cascão.

– É, é. Que seja. Enfim: Ele levou ela para cá e agora estamos atrás dele.

– Vocês por acaso sabem o que têm a frente? Sabem que é quase impossível entrar lá sem a ajuda de um anjo?

– Não – Disseram todos em uníssono.

– Eu não vim aqui ajudar vocês, mas gostaria de sua ajuda – O anjo então, iluminando o caminho, começou a conduzir o grupo. – Vamos! Eu explico durante a ida!

Já haviam andando mais do que quinze minutos. Mônica, Magali e Zé Lelé reclamavam de dores nos pés. Normal, para quem anda muito tempo. O dia, que até então estava monótono, mais e mais se tornava estranho. Principalmente com o início da explicação de Ângelo.

– Como vamos demorar mais algum tempo ainda para chegar – As meninas e Zé Lelé gemeram de tristeza – eu vou começar a explicar. Eu sei que demorei um pouco para começar a falar, mas é por que eu tive que pensar muito antes de sequer começar a falar de assuntos “Superiores”.

– Pode falar – Os olhos de Franja brilharam. – Eu adoro ouvir tudo o que a ciência não consegue escutar.

– Se continuar assim, eu não falo hein?

– CALA A BOCA FRANJA! – Gritaram todos antes que o amigo pudesse abrir a boca.

– Bem. Vamos começar com o nosso destino, o Battistero. O Battistero é um elevador que vai nos levar ao “Centro da Terra”. Era nesse Centro que nós, anjos, a mando do chefe lá em cima, manipulávamos algumas coisinhas aqui em cima.

“Não só esse mundo, mas como o “Mundo” de outras dimensões também. Ou seja, no Centro, nós controlávamos tudo. Ações da natureza, separação de ilhas, enchentes, secas. Mas, com o tempo, recebemos a ordem que deveríamos parar de controlar o que nunca devia ser controlado. Seria no caso deixar a natureza agir conforme seu curso”.

“Seria perigoso demais deixar que alguém entrasse ali. Por isso, encantamos o elevador para que nos avise de qualquer intruso por perto. Imaginem, um homem sozinho comandar a natureza. Seria uma catástrofe!”.

“Logo que recebemos a notícia que o Battistero havia sido ativado, acionaram o único anjo próximo ao elevador para agir. No caso, eu, o anjo protetor do Limoeiro. Não durou muito tempo para que eu chegasse”.

“Então, eu vi vocês, e vocês me disseram que havia alguém levando uma moça à frente. O que ele planeja, eu não sei. Aliás, o Centro tem tantas funções desconhecidas por nós que a maioria temia em sequer chegar perto dele”.

“Alguns anjos não poderão vir. O Paraíso está em polvorosa. Como sempre, apareceram alguns anjos que deixaram de cumprir suas funções. São anjos jovens, tolos e inexperientes”.

– Têm algum problema se um anjo não cumprir suas funções? – Perguntou Magali com a voz um tanto trêmula.

– Assustei-lhe? – Perguntou Anjo, um pouco constrangido. – Não era minha intenção! Eu não vou abandonar minhas funções, cruzes!

Ângelo logo voltou ao tom sério de antes.

– Parece que nenhum anjo identificou o tal Assimilador, que já tinha certa atenção lá em cima. Logo, deduziu-se que algum anjo não olhava por ele, não o protegia, então começou uma confusão. O problema de um anjo não cumprir suas funções...

O Battistero chegou ao seu destino. Rosa cerrou seus olhos ao ver uma forte luz. O Assimilador sorriu.

– Aquele é o Centro – O Assimilador apontou para uma grande esfera laranja que era alcançável apenas ao atravessar uma ponte natural, provavelmente moldada a partir da lava que batia em seus cantos. – Tudo irá ser perfeito!

–... é que talvez alguém acabe sem proteção e ajuda nos momentos difíceis. E acabe se tornando uma pessoa má.

Notas finais
FELIZ ANO NOVO À TODOS OS HOMENS E MULHERES DE BOA VONTADE!

Leiam também EDEL! Escrito por Israel (Y)