Aquele que Juntava

14 Capítulo 14 – DEMÔNIO.


E a porta se abriu. Lentamente. O lugar, pouco iluminado e desarrumado, seria o palco do Assimilador. “E meu show está prestes a começar”, sorriu-se o jovem entrando na casa de Rosa e fechando a porta. Olhando ao redor, ele viu um sofá à sua esquerda e uma planta enorme à direita.

Uma bela jovem, de cabelos pretos amarrados num rabo de cavalo, uma blusa vermelha e uma calça “Jeans” sentava numa poltrona em sua frente. O Assimilador sorriu e deu alguns passos a frente.

– Olá, senhorita – O Assimilador estava transbordando nervosismo. Havia algo errado, assim como tudo estava perfeitamente bem. – Você...

– Não vou te seguir! – Já disse Rosa, aparentemente nervosa. – Seu maníaco!

– MANÍACO! – Zé Lelé pulou do meio das plantas a direita, descendo o enorme pedaço de pau que achara no meio do caminho. – MANÍACO!

O Assimilador, provavelmente por causa do nervosismo, não conseguiu se defender direito, tendo que usar o braço direito para a defesa. Logo, o pedaço de madeira quebrou-se ao acertar o braço do inimigo, piorando os ferimentos do seu braço direito. O jovem inimigo não pensou duas vezes e acertou um soco no peito de Zé Lelé, que voou em encontro as plantas.

– Seu idiota! – Gritou Assimilador sacudindo a mão. – Se...

Um barulho grave e outro agudo, e de repente, o Assimilador estaria gritando, massageando a mão direita: Franja e Chico haviam acertado disparos de suas armas na mão direita do Assimilador.

– Vai levar um tempo para recarregar! – Gritaram os dois. – Cebola! Aproveita!

– Mola seu Demônio! – Cebola pulou de seu esconderijo (A planta) e tentou acertar o inimigo nas costas. O assimilador, que estava de frente para Cebola, pulou para trás, evitando o golpe.

Em seguida, o inimigo girou e acertou, com um único chute, as armas de Franja e Chico. “Vão pagar!”, gritou ele acertando um soco no rosto de Franja, fazendo-o cair e descendo a perna como um martelo no ombro de Chico, fazendo-o cair momentaneamente.

– Vô ti pega! – Gritou Chico já levantado.

O Assimilador se abaixou, desviando do golpe de bastão de Cebola. O golpe acertou Chico acidentalmente. Cebola em seguida foi atingido por um chute no estômago, fazendo-o cair largando o bastão.

– Pare já com isso! – Gritou Rosa sem sair do lugar. – Não bata nos meus amigos!

– Você vem comigo! – O Assimilador usou o braço saudável para segurar Rosa pelo braço. – Queira ou não. Já chega de gracinhas!

– Rosa! – Gritou Chico rastejando em direção à namorada. – Fuja!

Rosa então resolveu impressionar. Pegou o braço esquerdo do Assimilador e, num rápido movimento, jogou o inimigo no chão. O Assimilador rapidamente se levantou, sendo atingido por uma pequena seqüência de socos. Rosa então, num determinado momento, acertou um chute na orelha do inimigo, fazendo-o se ajoelhar.

– Ôce pode inté luta mio do que muita gente – Rosa então continuou a seqüência de socos, mas desta vez, o Assimilador estava desviando. – Mas eu já tive aula de Caratê!

– Pare! Não quero machucá-la! – Gritava o Assimilador desviando dos golpes. O jovem já arfava. – Pare!

– Não vô!

O Assimilador então suspirou e colocou a mão no bolso, retirando um pano de lá. Então, com a mão direita, segurou o punho de Rosa durante um soco. O jovem gritou de dor e logo pressionou o lenço contra o nariz da menina, que dormiu na hora.

– Éter – O Assimilador jogou o lenço pela janela. – Ajudando, há anos, as pessoas a dormir.
– Ei, valentão! – Chamou Cebola atrás do Assimilador. – Por que não encara um homem a altura?

O Assimilador olhou para trás e viu Cebola, Chico e Zé Lelé levantados, bloqueando a passagem. O jovem inimigo já não riu desdenhosamente. Agora, ele parecia mais irritado e apressado.

– Idiotas! – O Assimilador começou a saltitar. – Como querem vencer um homem que luta Caratê, Taekwondo, Jiu-Jitsu, Kung-Fu, Kempô, Kendô, Krav-maga, Aikidô, dentre tantos outros estilos?

– Ai que dor? – Perguntou Zé Lelé.

– Crava e ismaga? – Perguntou Chico.

Mal terminaram de se perguntar e o Assimilador já havia derrubado Cebola com um soco no estômago, seguido de uma rasteira bem executada. Chico tentou acertar um soco no Assimilador, que desviou o soco com a mão esquerda e contra-atacou com um chute.

– Morri – Disse Zé Lelé caindo de costas no chão.

O Assimilador se aproximou de Rosa e levantou-a com uma só mão, colocando-a sobre o ombro. Olhou ao redor, e ao ver todos no chão, riu.

– Seu Demônio!

– Eu sou o câncer! – Respondeu o Assimilador quase gritando. – Mas, logo, não serei mais. Serei bom, mesmo sendo mau!

O Assimilador arrombou – Desnecessariamente – a porta com um chute e caminhou para longe da casa. O sangue da mão direita escorria em demasia e respingava no chão. A dor era imensa, mas isso não o fez deixar de correr, voltando para a caverna.