Aquele Rei De Olhos Azuis...
1 Sopro
Notas iniciais
Não vou deixar de escrever as outras histórias em andamento. Isso é um fato.
Mas, digo que essa história é um teste.
Teste de pré-publicação física. Como um livro.
Sim! Um livro. É um teste; mas, se der errado; eu faço em segredo. Se der certo... Bom, eu não pensei nisso... Estou tão nervosa que sou capaz de excluir ela á qualquer segundo. Eu já lidei com esse Universo uma vez aqui no site; não vou dizer que irá piorar.
Nem um crossover é dessa vez...
~Enjoy♥
Todas as dores podem ser sentidas.
Basta um sopro e uma respiração.
Ações não bastam para terem a Alma fragmentada e o Espírito em pó e cinzas.
Uma vez abatido, um coração danificado não pode levantar; e um pensamento não pode ajudar.
Até para um Rei, não basta sangue derramar, se todas as dores e agonias não forem sentidas.
Se Maldade, Crueldade, Maligno, Perverso, Ruindade, Dor, Perca, Morte, Guerra; e qualquer coisa ruim tivesse uma forma física; essa forma física seria a de Éfellya; a antecessora do Reino de Saphiral... E se um ser tão maligno assim poderia ser não sou poderoso e tivesse um herdeiro, esse sucesso ao Trono seria Perseu. Que tinha assim uma vida rodeada de surpresas. Já nascendo um Rei completamente coroado, mas sendo filho de uma Rainha completamente sem coração, assassina de Reinos, seria difícil para ele qualquer coisa. Ele nem sabia sorrir direito e já estava governando no útero de sua mãe.
O sopro que recebeu quando nasceu, o deixou meio amargo e assustado.
Sopro para se referir o ato de dirigir para alguma coisa ou alguém, bem como expelir ar do corpo com a respiração. Podem significar ainda o ato de: sussurrar, insinuar de forma maliciosa; agitar ou avivar através de sopro; favorecer, dar ajuda; sugerir, incitar e inspirar uma ação.
Quem é você Perseu? Ele sussurrou. Quem Perseu Archi é?
Filho da personificação do mal, assassina de Reinos, sem coração, cruel e maligna destruidora de famílias. Levaria esse nome para sempre, eternamente por todo seu reinado. Em um Reino completamente amedrontado pela antiga última Rainha que ali esteve. Ele respondeu fazendo penetrar de forma gradual em seu espírito e sua mente.
Um sopro, um som de sangue fluindo pelo coração, ensurdecendo a alma, um sopro sendo jogado na cara daquele jovem Príncipe, Rei, Herdeiro, de cabelos brancos e olhos azuis. O sangue em seu corpo favorecia o reinado a seu favor.
O sopro sendo jogado em seu rosto o fez encarar o seu próprio reflexo no interior de sua alma. Sua pele, seu sangue, sua linhagem familiar até ali... Passou algum tempo e se indagou;
Quem é Perseu além de cria de uma coisa maligna?
Aquele sopro dado no seu rosto o indagou, queimou a sua garganta, fez seus pulmões arderem. Era como se muitas facadas atravessassem o seu tórax, como se a pele do seu rosto estivesse sendo removida, como se os seus ossos estivessem sendo triturados. Não o tranquilizava.
Perseu era maldoso.
Perseu era cruel.
Perseu era maligno.
Perseu era perverso.
Perseu era ruim.
Perseu era um Rei.
Perseu só tinha 5 anos.
Porém...
A forma física de uma coisa cruel e impiedosa era mãe de Perseu, ela não morreu praticamente, mas morreu, só que não estava morta, assim podia-se dizer. Sua Alma estava selada e um recipiente de vidro, decorado em ouro e finalizado com talismãs de marfim, já o seu Espírito estava selado em uma caixa de jade, marfim e um cadeado de diamante; porque o Espírito era mais perigoso que a Alma. Por isso, mantendo a Alma e o Espírito separados e selados, não a fazia deixar de existir; isso a faria viver para sempre, ele até poderia conversar com ela; porém, ela não poderia responder, já que precisaria de um corpo para isso.
E um corpo seria algo que ela não teria pelo resto da eternidade pelo gosto de seu filho. Já que ele nasceu em um reino agora triturado e abandonado de uma guerra que resultou em pó, chamas, destroços e ruínas. Era esse reino que ele iria governar, até o dia de sua morte; e ele tinha que aceitar, que o reino que foi destruído quando ainda estava no útero, tinha um significado. Ele era o significado. O significado de que o mal poderia ter um filho para assim continuar seu reinado de maldade.
Mesmo filho do mal, ele não pretendia ser algo como um ser perverso como sua mãe; ele sentia o gosto de sangue na boca e aquilo, assim como o ar que vinha no rosto o forçava a abrir os olhos. Tudo girava ao seu redor, tudo gritava em sua mente, todos temiam a sua existência, porém, tudo girava para aquele simples filho de Rainha maligna e perversa.
Perseu significa filho do fogo; o fogo da destruição que Éfellya espalhou durante seu reinado resultando em destruição. Mas, também significa filho da luz; que poderia ser a luz cegante que ele transmitiria durante seu reinado; aliás, era o primeiro filho, o único menino, depois de várias outras meninas; ele era o único menino de uma Rainha depois de sete outras Rainhas.
Um menino.
A vida estava sendo justa? Porque só ele e não a sua irmã também? Eles nasceram juntos, porque não filhos do mal? Porque gêmeos são seres únicos. Não são um.
Mas, resumindo, ele não sabia sorrir direito, e já estava governando no útero de sua mãe. Sua mãe totalmente cruel pode ter passado essa maldade para ele. Como se estivesse tudo bem. Não estava mesmo nada bem.
—Rei Perseu? – Ele enfim abriu os olhos, respirou fundo e olhou para a dama de rosa que o segurava em seus braços. Ele estava no colo de uma mulher que parecia desesperada. – Rei Perseu? – Ele colocou a mão na própria garganta e murmurou algo bem baixinho. – Para onde você estava indo? – Ela tinha cabelos ruivos e distintos olhos castanhos, diversas cicatrizes nos braços e no pescoço; mesmo assim, machucada, ela tinha aquela maneira de falar com ele, nem parecia que tinha 5 anos. O tratava como mais velho. Ele era um Rei que não entendia ainda seus súditos.
—Você o achou Kayii? – Uma outra dama com túnica rosa apareceu correndo atrás da jovem que segurava o pequeno em seus braços. Ela se virou devagar para a outra que chegou correndo mostrando o garoto em seu colo.
—Por Hera do Olimpo... – Ela quase caiu para trás. – O que ele estava fazendo aqui? Ele está bem? – O “aqui” que ela se referia era um precipício, que já tinha sido uma bela montanha na qual em um ataque de fúria a antiga Rainha havia destruído por inteiro e em si feito um estrago. Se Perseu tivesse caindo ali, ele estaria caindo em inúmeros pedregulhos, rochas, e um pequeno mar que se formou no local.
—Eu não sei Stylianas. – Kayii entregou Perseu no seu colo. – Ele parece bem. Ele não está ferido.
—Ei pequeno... – Stylianas que era uma dama de cabelos castanhos claros, de olhos claros, que possuía tantas cicatrizes quanto Kayii; não mais que ela, apenas o suficiente. Como sua Rainha Éfellya havia mencionado. “Apenas o suficiente”. – O que houve contigo? Não nos dê mais sustos Rei Perseu por favor.
Kayii olhou para baixo no precipício.
—Dois passos, ou mesmo um desequilíbrio. Ele seria destroçado ali embaixo.
Nada era justo para alguém que tinha um gosto amargo na garganta.
—Mas, você chegou á tempo! Obrigada!
—Mas, por Atena, o que houve contigo? – Stylianas paralisou enquanto elas voltavam para o castelo. – É tão fácil cuidar do Rei. Não é impossível. Ele é calmo, tranquilo.
—Existe a Princesa e. – Ela respirou fundo. – Mas, ele estava dormindo! Eu não me dei conta de que ele saiu. Olha o tanto que ele caminhou...
—Ele não é sonambulo!
—Não; ele não é. – Falou um rapaz que aparentemente estava também buscando o pequeno Rei e se encontrou com as duas. Ele tinha inúmeros ferimentos, e sua expressão era amargurada. Seus olhos esverdeados emanavam raiva e seus cabelos loiros estavam cheios de terra. – De longe Perseu Archi é sonambulo! – Ele se aproximou do Rei que o encarava com aqueles olhos azuis; que não entendia muito do que estava acontecendo, do que havia acabado de ocorrer. – Perseu, nosso Rei é receptáculo da nossa antiga Rainha. – Kayii deu um tapa em sua face o fazendo cair no chão com sua força.
—Nunca mais diga isso!
—Eu sei o que eu vi. – Ele se levantou colocando a mão no rosto. – Que tal Auterpe? A Princesa? E se coroarmos ela como Rainha? Aliás, não existem Reis Safiras, não é?
—Existe! E se chama Perseu Archi! – Resmungou Styalianas segurando o bebê dos braços e rompendo na frente em rumo ao castelo deixando os dois para trás. Kayii, encarou o migo que não desfez a cara de insatisfação.
—Você não consegue ficar quieto na frente da Stylianas não é, Dionio? – O rapaz rosnou para a jovem. – Não venha rosnando para mim...
—Você poderia deixa-lo cair para ter visto o que aconteceria... – Ela respirou fundo. – Tem algo que você quer compartilhar?
—Ele é mal! Tão cruel quanto a mãe. E não passem a mão na cabeça dele. Ele entende muito bem o que faz! – Ela cruzou os braços.
—Ele jogou essa terra em você? – Disse em tom de deboche com um belo sorriso, ele não gostou daquilo.
—Quase isso... – Ela colocou as mãos nos ombros do rapaz e o encarou fundo.
—Só sobramos nós dois e Teseu da Era de Éfellya; por favor, pelos deuses, por cada um do Olimpo; por mim e por quem ainda está vivo. Ajude á manter Perseu vivo e bom. Se, por um triste acaso; se, ele começar a agir como a mãe dele, nós o matamos. Mas, dê uma chance. – Ela queria sacudi-lo, mas, ainda estava tremendo desde o momento em que encontrou o pequeno beira ao precipício, não sabia porque, nem como. Estava nervosa. – Ele pode ser a luz cegante que vai nos ajudar! Todo mundo!
Dionio tirou os braços da jovem de seus ombros e cruzou os braços e se virou de costas. Não queria dar o braço torcer nem concordar. Mas, de fato, ele “até que poderia ser” a luz cegante que iria ajudar aquele país destroçado.
—Veremos como o Tempo vai passar.
Perseu não conseguia se acalmar dentro do castelo, protegido pelas suas paredes, guardas e apenas 3 Guardiões, já que a mãe havia assassinado 4; Guardiões que deveriam ser a sua guarda pessoal. Algo incomodava o Rei, que não conseguia se expressar.
Aquele sopro dado no seu rosto, que o indagou, que queimou a sua garganta, e fez seus pulmões arderem; quem jogou contra si? Quem assoprou? Como o fez de modo repentino que fez tão novo sentir como se muitas facadas atravessassem o seu tórax; como ele podia entender que tipo de sensação aquilo lhe transmitia? Como ele saberia que era como se a pele do seu rosto estivesse sendo removida? Como se os seus pequenos ossos estivessem sendo triturados? Um sopro geralmente é de alívio ou para produzir calma em meio à um momento de forte tensão. Não era o que demonstrou. O traumatizou. E fez ressaltar e a pensar muito em sua mente já tão complexa; ele não entendeu a situação, mas, seu cérebro, tinha uma opinião que o deixava inquieto.
Perseu era maldoso.
Perseu era cruel.
Perseu era maligno.
Perseu era perverso.
Perseu era ruim.
Perseu era um Rei.
Perseu só tinha 5 anos.
Perseu era o receptáculo de Éfellya.
Perseu era facilmente controlado pela mãe.
Perseu seria monstruoso.
Perseu mataria seus Guardiões.
Perseu torturaria todos.
Mas, na verdade também; Perseu estava assustado.
Que obviamente ele teria que matá-la uma hora. Ou ser morto por ela.
-Rei Perseu? – Kayii o chamou enquanto ele se dirigia ao portão de entrada e saída do castelo. Ele se virou para a Mestra. – Tudo bem? – Ela sorriu. – Não pode sair sozinho. Mas, de fato, eu não te chamei para ver as estrelas hoje; não é?
Ele negou e abaixou a cabeça.
—Vamos chamar a Princesa Auterpe! E por favor, não saia correndo vossa majestade...
Perseu respirou fundo e foi buscar a irmã para também ver as estrelas. Ele só tinha que ficar calmo, e segurar na mão de sua irmã que tudo ficaria bem.
Perseu só estava com medo.
Auterpe sabia acalmar o Rei.
Kayii era a Mestra mais calma do mundo.
Alguém tinha que colocar a esperança nele.
E isso não o deixava mais tranquilo.
Perseu só tinha 5 anos.
E ainda não sabia sorrir como Auterpe.
Mas, gostava da noite e das estrelas. E logo tudo isso ia passar. Como o sopro que o invadiu naquela manhã o levando para a morte. Aquilo ia passar como o medo dos súditos, como o seu próprio medo.
Na verdade o seu Reinado, só estava começando...
Notas finais
~Beijos da Autora♥~
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