21. Verdades

POV Bella

Eu estava com muita raiva quando atravessei o meu quintal para o dos Cullen. Eu queria poder socar a cara de Edward quando o visse na minha frente, mas isso estragaria seu belo rosto por um tempo com um hematoma roxo, então eu apenas gritaria com ele, e muito.

Invés de tocar a campainha, eu bati – soquei – a porta. Foi Renesmee quem atendeu, ela sorriu, mas ao ver minha expressão, ficou preocupada.

Isso é para Edward? – perguntou e eu assenti furiosa. – Oh, bem... Ele está na piscina. Pode entrar.

– Obrigada, Renesmee. – passei por ela, jogando por cima dos ombros as palavras de segurança. – Se ouvir gritos de Edward, o salve.

Ela riu, achando que era brincadeira, mas eu não estava brincando.

Passei pela sala de jantar, onde Esme estava inclinada na mesa com um enorme papel esticado. Ela sorriu para mim quando me viu, o mesmo sorriso feliz que ela vinha dando desde que viu a camiseta e achou que Edward e eu estávamos namorando. Tentamos negar, mas ela ainda acredita que estamos envolvidos amorosamente. Ela nunca entenderia a nossa amizade com benefícios.

Quando cheguei ao quintal dos fundos, encontrei Edward nadando em toda sua glória de corpo em bermuda e sem camisa. Meu primeiro pensamento foi em entrar na piscina com ele, aproveitar de seu corpo e depois brigar com ele, mas então perderia todo o sentido a minha discussão quando eu perdoaria rapidamente.

Eu tinha que ser firme.

Isso, firme. E não cair na graça de seu charme.

Firme, Bella.

Fiquei parada na porta, esperando ele me notar. Ele deu uma volta, foi até a ponta mais afastada e ergueu a cabeça, passando a mão no rosto e no cabelo. Tive que prender um suspiro, que sempre escapava quando eu o via assim. Edward era lindo demais para o próprio bem dele. E para minha sanidade.

Edward virou e quando me viu, abriu um sorriso. O mais lindo de todos e apenas meu. E isso quase me desarmou, eu quase retribuí, mas me mantive firme. Porque esse era o mantra que eu tinha na mente. Me manter firme.

Ele percebeu minha expressão amarga e seu sorriso diminuiu.

– O que aconteceu? – perguntou.

– Precisamos conversar, agora.

Edward assentiu e começou a nadar na minha direção, enquanto eu me aproximava da piscina, de braços cruzados para me proteger de seu corpo que chamava o meu.

Me manter firme.

Ele apoiou as mãos na beirada e se ergueu, ficando na minha frente. Prendi o folego para a visão dele molhado na minha frente, apenas de bermuda, tão maravilhoso quanto ficava. Eu não podia me deixar levar por aquilo, eu precisava brigar com Edward.

Eu não posso.

– O que aconteceu? – Edward perguntou novamente e esticou o braço para me abraçar.

– Não! – empurrei os braços dele, assustando. Mas se ele me tocasse, eu perderia o foco e eu não podia.

– Bella?

– Como você pode ter sido tão babaca, Edward?!

Ele franziu as sobrancelhas.

– O que? O que eu fiz?

– O que você não fez! Porque você não me contou que o treinador brigou com você por minha causa? E que você quase fez expulso da competição por causa daquela maldita detenção? Que merda passou na sua cabeça por não me contar isso?! Sabe como foi ridículo saber disso por Jéssica Stanley? – cutuquei o peito dele, mas quando percebi que o estava tocando, tirei rápido a minha mão.

O encarei. Ele tinha uma careta de desagradado e o lábio inferior estava projetado para frente. Eu queria beija-lo. Jesus Cristo, esse garoto era um perigo! Até olhar para ele estava se tornando perigoso e difícil demais para me manter firme.

– Me responde, Edward!

– Não tinha necessidade de te perturbar com isso. – ele resmungou como uma criança emburrada, cruzando os braços.

Joguei minhas mãos para frente.

– Mas é claro que tinha, garoto! Você tem noção do que é isso? Você quase foi expulso do time por minha causa, Edward. Minha causa!

Ele deixou a expressão de emburrado para uma bastante séria e inclinou a cabeça para frente, na minha direção.

– Não foi por sua causa!

– Como não? Você só levou aquela detenção por minha culpa. Se eu não tivesse colocado você no meio daquela bagunça...

– Não foi por sua culpa, Isabella. – ele rosnou e eu arregalei os olhos. – Tudo que eu fiz foi porque eu quis e você não tem culpa do que aconteceu. Eu mesmo me entreguei para o John, ou você não lembra que ele só tinha culpado você?

– Porque a culpa era só minha. Fui eu quem fez tudo aquilo com a Elizabeth, e porque sou estupida demais levei você comigo. Você deveria ter ficado de boca fechada, seu idiota! Eu... Eu quero socar você! – empurrei ele, porque eu estava com raiva demais e podia mesmo socar ele, mas me lembrei. Rosto bonito. Passei a mão no cabelo, sentindo raiva de mim mesma. – Como pude ser burra de não ter lembrado isso?

– Você está agindo como se eu tivesse sido expulso. – Edward revirou os olhos.

– Não foi, mas quase. Quase é um passo para ser, Edward. E se você tivesse sido expulso? Se os meninos do time não tivessem pedido pra deixar essa passar... Sabe como eu ficaria, Edward? Eu nunca me perdoaria por ter colocado você nessas idiotices que eu faço. Você não pode ficar me defendendo de tudo e todos e se colocando em situações assim quando você não faz nada, Edward. Isso arrisca seu lugar no time.

– Bella, esquece isso.

Edward tentou novamente me tocar, mas eu empurrei os braços dele. Ele tentou novamente e dessa vez eu o segurei longe.

– Para. Não tenta me distrair com isso, não é hora. Eu estou brigando com você, Edward e eu quero brigar, então me deixa!

Ele soltou uma risada e eu lhe lancei um olhar feio, fazendo ele parar. Aquela estava sendo nossa primeira briga e Edward não brigava, então qual era a graça da discussão?

– Não foi nada de mais, Bella.

– Foi tudo de mais, Edward. Você não pode arriscar seu lugar no time, que está agora nas oitavas de finais apenas por minha causa e as idiotices que eu meto você.

– Eu estou apenas sendo seu amigo.

– Seja meu amigo com seu lugar no time seguro. Você não precisa me defender sempre ou se meter em encrencas para mostrar que é meu amigo. Você sabe que é meu amigo, eu sei que você é, eu sinto isso e isso é suficiente. Nós dois sabemos o quanto estar no time é importante para você então vamos manter assim até o final.

– Você é mais importante.

Como ficar brava com uma pessoa dessas? É difícil. E eu ainda tinha muito para brigar com ele, porque cada vez que lembrava que ele agora podia estar fora do time por minha causa me deixava furiosa comigo mesma. Eu nunca tinha ficado responsável por algo assim, e eu queria fazer o que era certo para Edward. Era isso que amigos faziam.

– Eu sei. – murmurei e ele sorriu. Segurei o sorriso por alguns segundos, tentando mostrar que ele não estava desculpado tão facilmente, mas não durou muito e eu revirei os olhos. – Só prometa para mim que você não vai mais fazer isso.

– O que? Não brigar com você?

– Não. Levar a culpa pelas coisas que eu faço ou se meter em algo que vai te tirar do time ou te ferrar. Você não tem para que fazer isso.

– Eu já disse, estou apenas cuidando de você.

– Cuide de uma forma que deixe nós dois seguros, então. E não apenas eu. Isso é importante para mim, Edward, como você é, e se você for expulso do time eu vou ficar com raiva e triste. – abaixei a cabeça, soltando um suspiro. – Eu não quero que nada que eu faça afete você.

– Desculpa, Bella, mas isso é impossível. Tudo que você faz me afeta, de todas as formas.

Um dia, esse garoto iria me matar, por ser quem é e por falar às coisas que fala. Ele não fazia ideia realmente das coisas que fazia comigo falando assim. Ele podia ter alguma, mas não todas. Me afetava mais do que ele via.

Eu ergui a cabeça e sorri para ele.

– Você sabe o que está fazendo, não sabe?

– Talvez. – ele fingiu inocência, sorrindo.

Eu ri, agora que tudo estava bem e resolvido. Eu faria de tudo para não colocar mais Edward em situações como essas, que arriscaria seu lugar no time. Ele precisava estar lá, e precisava mostrar para todos que podia chegar longe. Ser expulso do time não seria um bom exemplo disso, e eu não podia deixa-lo jogar essa chance de mostrar para Carlisle que ele tinha mudado.

Mas agora, eu só precisava de uma coisa.

– Edward?

– Hm?

– Me abraça.

Ele soltou uma risada junto de um suspiro aliviado e me puxou para seus braços. Eu não me importei de ele ainda estar molhado, isso era uma das coisas que vinham junto com um amigo nadador. E também, era confortável abraçar Edward, bom demais, e ele estava sem camisa.

Eu me aconcheguei nele, sentindo seu calor me envolver. Tinha sido difícil demais negar aquilo, ficar longe dele e brigar com ele. Foi um alivio ter ele me abraçando.

– Me desculpa, Bella.

– Já desculpei desde seu sorriso. Mas eu ainda quero te socar, seu idiota. – murmurei contra sua pele e ouvi sua risada. – Estou falando sério.

– Eu sei que está.

– Que bom. – o apertei mais. – Mas não agora, porque estou me aproveitando de você.

Ele alisou minhas costas, enterrando o rosto no meu cabelo.

– Nunca mais me empeça de te abraçar, Bella. Ou sequer de te tocar. Foi frustrante.

– Desculpa. – pedi. – Por te afastar e por te colocar em situações como essa.

– Está tudo bem.

Ergui minha cabeça, para olha-lo.

– Me prometa que você vai tomar mais cuidado e não fará nada que ameaçará seu ligar no time? Nem mesmo me defender.

– Bella...

– Me prometa, Edward. Isso é importante para mim, eu já disse.

Edward torceu os lábios e assentiu. Eu ergui uma sobrancelha e ele soltou um suspiro.

– Eu prometo.

– Bom. – sorri. – Agora me beija, pra selar a promessa.

– Isso é só desculpa, não é?

– É claro. Anda logo. Estou esperando meu beijo.

Edward riu e se inclinou até seus lábios encostarem-se aos meus. Eu sorri em seus lábios, amando a sensação que me dava tê-lo assim. Eu amava beijar Edward, não era algo que eu estava disposta a parar tão cedo – e eu não sabia até aonde iriamos com isso. Mas eu estava bem em estar com ele assim.

Quando nos separamos, eu olhei para a casa e vi Esme e Renesmee na janela, olhando para nós. Elas arregalaram os olhos e sumiram da vista. Franzi as sobrancelhas.

– Edward, acho que sua mãe e sua irmã estavam nos espionando...

– Assim como Emmett. Acabei de ver ele olhando para nós pela cerca.

Quando Edward se afastou minha surpresa foi ver Carlisle na porta, nos olhando. Isso foi ainda mais constrangedor. Nós tínhamos dado um show.

Edward se virou e soltou um “Oh” ao ver Carlisle.

– Hm, oi pai.

– Edward. Bella.

– Oi, Sr. Cullen.

Ele olhou de mim para Edward e entrou na casa, sem falar nada.

– Que momento estranho. – murmurei e Edward soltou uma risada. Bati no peito dele. – Idiota. O que vamos fazer agora?

– Nadar?

Olhei para a piscina e depois para Edward e sorri. Eu que não perderia um momento de ver Edward nadando.

– Eu só pegar meu biquíni e já volto.

Eu corri para dentro da casa, encontrando Renesmee e Esme na cozinha conversando. Elas sorriram para mim quando me viram, sorrisos divertidos e constrangidos por eu ter as visto na janela. Revirei os olhos e continuei meu caminho, voltando para casa mais animada e nem um pouco nervosa.

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Você só pode estar de brincadeira com a minha cara. – eu revirei os olhos quando vi quem era a pessoa que tinha me puxado para dentro de uma sala... De novo naquela semana. – O que você quer agora?

– Conversar. – Jacob respondeu, dando um sorriso.

– Santo Deus, Jacob! Mas eu não quero conversar com você. Quando você vai entender isso?

Eu tentei passar por ele, para sair daquela sala e ficar longe de sua presença, mas Jacob segurou meu braço. Puxei com força, escapando de seu aperto e dei um passo para longe. Ser tocada por Jacob não era algo que eu queria. Eu ainda sinto raiva dele. Muita.

– Qual é a porra do seu problema? Se você encostar em mim de novo, Jacob, eu vou acabar com a sua cara.

– Bella, eu só quero que você me de um tempo para que nós possamos conversar.

– Mas eu não quero isso. Você é perda de tempo. Eu já sei todas as besteiras que você vai falar. “Eu não queria te magoar”, “Me desculpa”, “Eu quero voltar a ser seu amigo”, “Eu gosto de você, Bella”. Mas eu não já sei de tudo isso e não quero saber de mais nada que você tenha inventado para falar, Jacob. Eu não quero saber de você, quando vai entender isso? Você é um babaca que eu quero bem longe de mim!

Eu já havia pensado muito sobre esse assunto, em dar as desculpas que Jacob tanto quer. Ele tinha sumido por um tempo e agora voltou, por algum motivo, mais determinado ainda a conversar comigo e conseguir que eu o entenda e o perdoe. E eu pensei, nos prós e contras em perdoar Jacob, deixa-lo voltar para minha vida. Havia mais contras que prós, mas o que me fez perceber que seria um erro, foi quando eu conversei com Edward.

Eu estava evitando tocar nesse assunto com Edward, porque eu o conhecia e sabia no que ia resultar, mas eu também precisava de alguém para conversar, já que Rosalie não resolveu meu problema. Então, eu arrisquei.

– Eu preciso do meu amigo hoje. – falei quando entrei no Volvo, depois das aulas terminarem.

Edward assentiu com a cabeça.

– E aonde você quer ir para conversarmos?

Eu pensei em falar a praia, mas lá não era nosso lugar de amigos. Os melhores momentos que tive lá foram com o meu nadador, e nenhum com meu amigo, Edward. Nós não iriamos juntar os dois lados diferentes assim. Ir para lá, seria isso. Não era o que queríamos.

– Vamos para o Pioneer.

Pioneer era um lugar amigável.

Edward dirigiu para lá, no caminho nós fomos conversando sobre o time de natação e a competição. O próximo dia seria contra escolas de outro estado, as oitavas de finais. Agora as coisas ficariam ainda mais sérias e estávamos cada perto das finais – oitavas de finais relativamente perto, olhando para o nosso bom time.

Quando chegamos ao Pioneer, a primeira pessoa que eu vi foi Karen. Assim que seus olhos bateram em mim, ela desviou o caminho e saiu do parque. Isso me fez rir. Ela tinha aprendido a lição, para o bem dela.

Eu e Edward nos sentamos nas mesas de concreto, ele pegou na lanchonete refrigerante para nós, e eu comecei a falar o motivo de querer conversar.

– Você tem que me prometer que vai deixar seu lado super protetor agora e o nadador também. Eu só preciso de uma opinião e conselho, sem seus sentimentos de amigo barra nadador envolvido.

– O que você quer conversar? – ele franziu as sobrancelhas, já mostrando preocupação.

– Relaxa, Edward. Se você ficar preocupado e tenso comigo, não vai funcionar nossa conversa.

– Depende do que você vai falar. No que você se meteu agora? Eu posso ajudar?

– Eu não me meti em nada. Dessa vez, eu não fiz nada.

Ele me olhou desconfiado e eu revirei os olhos.

– Está certo. O que aconteceu com a Sra. Cooper talvez eu tenha um pouco de culpa... – dei de ombros, fingindo indiferença. Ele continuou me encarando. – Está certo. Fui, ok? Eu só queria ajudar ela, mas acabou dando errado e por isso ela foi parar na enfermaria.

– Eu sabia! – Edward apontou para mim.

Eu realmente tinha tentado ajudar. Tinha ido visitar o John e pegar algum videogame portátil para sair do tédio, quando cheguei na secretaria a Sra. Cooper pediu que eu a ajudasse com um grampeador. Eu, como sou muito boa, fui ajuda-la, ele tinha emperrado e não queria soltar os grampos. Nós começamos a conversar enquanto eu tentava arrumar e ela usava outro grampeador. Nosso assunto se resumiu a Edward. Ela ficou cuspindo elogios ao meu nadador, do quanto ele era maravilhoso – como se eu não soubesse disso. E quando eu comecei a falar das partes boas de estar com ele, ela ficou toda boba e eu falei um rápido “consegui” e ao mesmo tempo em que estendia para ela o grampeador, ela pegava de outro jeito e eu acabei sem querer grampeando o dedo dela. Não tinha explicação para o que aconteceu, nem nós entendemos.

Mas John jurou que fiz de propósito até falar com a Sra. Cooper e ela negar e falar que eu estava ajudando e foi um acidente. Para ele, a palavra ‘acidente’ não pode ser relacionada a mim. Até eu, me conhecendo, nunca acreditaria em acidentes. Mas dessa vez foi, e isso tinha ficado apenas entre nós três e a enfermeira. Só que Edward me conhecia muito bem, pelo jeito.

– Eu só queria ajudar. – murmurei, e ele passou a mão no meu cabelo.

– Eu acredito.

– Obrigada. – peguei a mão dele e apertei. – Agora, vamos para o assunto principal?

– Se não é sobre você aprontar, é sobre o que?

Eu mordi meu lábio inferior, sabendo qual seria a primeira reação de Edward.

Já tinha conversado com Rosalie, e por ela eu nunca chegaria perto de Jacob nem deixaria ele chegar, mas ela também falou, duas vezes “Se é algo que você sente que deve fazer, então faça, mas tome cuidado” e eu não queria frases filosóficas, queria conselhos e ela não me deu nenhum. E nem daria, mesmo eu pedindo, porque Rosalie nunca perdoaria Jacob e não conseguiria falar para mim que eu deveria.

Nem eu mesma sabia se eu deveria.

– O assunto é sobre... Jacob.

A expressão preocupada de Edward rapidamente se transformou em desagrado com a menção do nome. Ele tomou uma posição ereta e defensiva.

Talvez essa conversa não desse certo...

– O que tem o Jacob? Ele está te irritando de novo? – ele perguntou, entre dentes.

Eu não tinha falado para ninguém que Jacob havia tentado conversar cinco vezes comigo naquela semana, porque eu sabia no que resultaria. A última vez acabou comigo e Edward trancados na sala diretor, e depois de Edward socar a cara dele. Edward não precisava de outro momento como esse, então estava tentando levar Jacob por mim mesma, sem nem Emmett saber, porque meu irmão poderia ser pior que Edward.

– Bem, mais ou menos. – fui meio sincera.

Vi Edward apertar as mãos em punhos, tensas.

– O que ele fez? Porque você não me avisou? Eu teria...

– Por isso. – o cortei. – Não quero você se metendo em problemas por minha causa, Edward. O que aconteceu com a professora de química fez você ouvir bastante do treinador, eu não posso mais te colocar nas minhas confusões.

Tudo que eu fazia agora, eu evitava colocar Edward ou deixa-lo próximo. Seu lugar no time estava ameaçado, nem os caras do time implorando para o treinador o ajudaria dessa vez. Essa era a última coisa que eu tinha que me preocupar.

– Mas estamos falando de Jacob! – ele rosnou.

– Eu sei lidar com Jacob, Edward. O que eu quero conversar não tem nada haver com você arranjar briga com ele.

Eu apertei a mão dele, acariciando os nós dos dedos para tentar acalma-lo. Se com Edward estava sendo assim, eu me preocupava se Emmett descobrisse que Jacob estava tentando me conversar e me prendendo em lugares para me obrigar a ouvir ele. Rosalie quis mata-lo até eu pedir que não, Edward eu não citaria e Emmett nunca, nunca mesmo poderia saber.

– O que ele fez? – perguntou.

– Ele tentou conversar comigo.

– E?

– Apenas isso. – murmurei e Edward fechou os olhos em fenda. – Eu juro!

– Você está mentindo! As suas sobrancelhas, elas erguem quando você mente.

Maldito corpo que sempre me entregava! Eu não conseguia mentir para ninguém que me conhecia bem, isso complicava demais.

– Eu não estou... Mentindo. – franzi o cenho para não erguer a sobrancelha e isso fez Edward revirar os olhos.

– Para com isso, não adianta. Eu sei que você está mentindo. Me fala agora, Bella, o que esse filho da puta fez?

Eu mordi o lábio inferior, implorando com o olhar para que Edward deixasse essa parte de lado, mas ele negou com a cabeça. Por favor, Edward, eu só estou querendo te proteger, coopere, amigo.

– Ele só me prendeu algumas vezes para me obrigar a falar com ele.

– Quantas vezes?

Silencio.

– Quantas vezes, Bella?

– Duas. – menti e ele ergueu uma sobrancelha, mostrando o que eu fiz. – Ok, cinco vezes. E para de olhar para a minha sobrancelha e me deixa mentir!

– E porque você não contou para ninguém isso, Bella? – ele rosnou, ignorando a minha brincadeira. Edward não estava mais para brincadeiras. – Ou só não foi para mim?

– Para Emmett também não. Foi só para Rosalie. Mas não é para fazer nada. Ele não fez nada para mim além de me trancar e depois de eu ameaça-lo, me deixar sair. Não é para isso que estou contando isso, Edward.

– É para que então? Porque a única coisa que eu quero agora é socar a cara de Jacob até ele sumir!

Apertei novamente a mão dele, usando a tática do toque para acalma-lo. Acariciei sua mão e levei até meus lábios, beijando seus dedos e isso pareceu acalma-lo um pouco.

– Você está tentando me distrair?

– Eu estou. Agora, vamos encerrar logo esse assunto, eu só quero um conselho.

Ele revirou os olhos e com a mão livre indicou que eu falasse. Eu soltei um suspiro.

– Eu quero saber o que você acha sobre eu... Desculpar Jacob.

– Não.

– Edward!

– Não.

– Mas...

– Não.

– Cala a boca. Eu falei para você que preciso que você ignore esses sentimentos e me diga algo com razão. O que é certo.

– O que é certo é você ficar bem longe dele.

– Você esta falando como Emmett.

– Estou falando como Edward. Não gosto dele, do que ele fez para você e ele não merece ser desculpado.

– Você não está falando como Edward. Está deixando seus sentimentos ruins sobre ele falar.

– E não tenho motivos para isso?

Eu soltei a mão dele, cruzando os braços e encostando no banco. Não tinha sido uma boa ideia. Não sei de onde tirei que Edward me ajudaria sem colocar sua raiva de Jacob em primeiro lugar.

Edward franziu as sobrancelhas para minha reação e se inclinou.

– Você quer desculpa-lo? É isso? E só quer que alguém diga que isso é certo e que Jacob merece ser ouvido?

– Eu...

– Se você quer, você não precisa de ninguém te dizendo isso. É algo sobre você, Isabella. Não espere ouvir isso de mim porque você não vai. Você pediu um amigo e eu estou sendo agora.

Edward estava com raiva. Eu estava com raiva. Eu não o tocaria para acalma-lo. E nem ele me tocou. Essa era a primeira vez que nós brigamos e ficamos com raiva ao mesmo tempo. E me incomodou isso.

– Eu só queria que você me dissesse que é certo porque talvez ele mereça.

– Não é certo e ele não merece!

– Talvez...

– Ele magoou você, Bella. Te machucou. Emmett o odeia. Rosalie também. Alec e até Tânia odeia ele. Eu não podia estar aqui quando isso aconteceu, mas não significa que eu o odeie menos. Você acha que eu, que gosto de você para caralho, vou ser a pessoa que vai dizer isso para você?

– Mas isso pode significar ele parando de insistir.

– E você vai aliviar a culpa dele só para se ver livre dele? Se você não quer que ele te incomode mais, para isso você me tem e Emmett, e sua mãe, o diretor, qualquer pessoa. Agora, se você quer desculpar ele, não arranje desculpas.

– Ele pode ter mudado.

Edward bufou e negou com a cabeça.

– É incrível como você quase não desculpou Alice, que magoou Alec da mesma forma que Jacob fez com você, mas o Jacob você está pensando em desculpa-lo quando ele magoou você.

– Dar outra chance para Alice me fez pensar.

Edward levantou em um salto, me assustando.

– Eu não vou ficar aqui ouvindo essas merdas fodidas. Você já sabe a minha opinião. Vamos embora?

Não tinha dado em nada tudo aquilo. Só em eu e Edward com raiva um do outro. E eu tinha noção disso, mas eu também estava brava com ele.

– Eu não vou.

– Ótimo. – ele murmurou e saiu, indo embora.

– Idiota.

Eu pensei em ir com ele, mas era orgulhosa demais para mudar minha resposta. Então fiquei ali, emburrada como uma criança vendo ele se afastar. Mas ele parou, passou a mão no cabelo, nervoso e voltou, parando na minha frente.

– Só se pergunte o que o impediria de fazer tudo isso novamente com você quando ele já fez a primeira vez, porque é isso que eu estou pensado e que Rosalie e Emmett pensam também.

E falando isso ele se afastou novamente, me deixando com essa pergunta rodando. O que impediria Jacob?

Eu pensei, muito, no que Edward falou e no que poderia acontecer dependendo da minha decisão. O suficiente para ter a minha resposta quando Jacob em prendeu novamente em mais um lugar.

Minha resposta deixou Jacob por alguns segundos sem palavras, até ele fechar a expressão. Eu podia ter saído naquele momento, mas queria saber sua resposta, então ergui uma sobrancelha e esperei que merda estava por vir.

– Você fala como se não estivesse agindo como uma idiota também.

– O que?

– A Bella que eu conhecia me ouviria e me desculparia.

Eu balancei a cabeça não acreditando no que tinha ouvido.

– A Bella que você conhecia, Jacob, era idiota demais, simples. Aceitava qualquer merda vinda de você. E eu sou a mesma, menos com você. Quando vai entender que você realmente me magoou e eu não quero mais você na minha vida?

– Claro, porque você já me substituiu, não é? Edward é só um estepe. – ele cruzou os braços com a expressão de comedor de merda mais superior do mundo.

E eu quis socar a cara dele. Socar tanto que quebraria aqueles dentes e deixaria o sorriso dele horrível. O suficiente para ele nunca mais sorrir assim para mim depois de falar de Edward dessa forma, como se o que ele tivesse falado fosse a maior verdade do mundo quando não era e nunca foi.

Eu estava enxergando vermelho depois de suas palavras. E agindo como eu sempre ajo, impulsivamente.

Avancei em Jacob, empurrando seu peito, fazendo ele vacilar por ser pego de surpresa, e socando seu braço com força, logo depois socando sua barriga e por fim sua cara, bem na mandíbula. Jacob tentou se defender de meus golpes, mas eu era rápida, Emmett quem tinha me ensinado isso. O terceiro soco foi o mais forte, e Jacob levou a mão ao local, alisando.

– Seu merdinha, nunca mais ouse falar assim de mim ou de Edward! – empurrei ele de novo, seu olhar horrorizado em mim. – Você não é tudo isso na minha vida para eu procurar uma pessoa de estepe. Quando você vai entender que se tornou um nada para mim, Jacob? E o Edward, não ouse tocar no nome dele perto de mim. Ele é uma pessoa muito melhor que você e qualquer outra pessoa. E eu gosto dele, ele tem seu próprio lugar na minha vida e nunca foi um estepe pra ocupar lugar de um lixo como você. Então pare de encher a minha paciência e me deixa em paz, seu babaca estupido!

Eu não conseguia acreditar que tinha sequer cogitado a ideia de desculpar Jacob. Ele ainda era um idiota e sempre seria. Edward e Rosalie tinham razão. Ele não merecia e para ele fazer de novo o que tinha feito, seria muito fácil. A melhor coisa que eu fazia era afasta-lo ainda mais de mim, para bem longe. De mim e dos meus amigos.

Jacob estava ali, com a mão na mandíbula, ainda alisando e me encarando. Mas agora aquele olhar de raiva tinha voltado.

– Você e ele estão juntos?

– Foda-se, isso não importa para você. Nada na minha vida importa para você.

– Ele vai fazer a mesma coisa.

– Ele não vai.

– Como você sabe? – ele ergueu o queixo em desafio.

– Eu confio nele. Ele não é como você, Jacob. Ele é um amigo de verdade. Agora, chega disso, pare de me prender em lugares porque eu não vou mudar de ideia. Desista, Jacob.

Eu tentei novamente ir embora, mas Jacob segurou meu braço e me puxou para ele. Fui pega de supressa, e quando percebi ele estava inclinando para me beijar. Ele estava segurando meu braço direito, então não tinha movimento para soca-lo novamente.

– Que porra você pensa que está fazendo? – murmurei, com raiva.

– Vendo se você ainda tem sentimentos por mim. – ele deu um sorriso e eu revirei os olhos.

– Jacob, se você não me soltar agora eu juro que nesse momento vou acabar com você e você vai ter Rosalie e Emmett atrás da sua bunda para acabar com você. Mas mais ainda, Charlie. – ele parou o movimento com o nome do meu pai. – Bom, não acho mesmo que você ia querer ter uma conversa com ele. Você sabe, ele está louco para ter uma conversinha com você e eu só precisaria dar uma ligada.

O aperto no meu braço afrouxou um pouco, e eu achei que ele ia me soltar, mas ele voltou a tentar me beijar. Eu virei o rosto e seus lábios bateram na minha bochecha. Eu tremi, mas de repulsa pelo que ele estava fazendo. Eu não queria beija-lo. Só tinha uma pessoa que eu queria beijar e Jacob não era ela. E Edward estava fugindo de mim, fazia dois dias que nós não viemos para o colégio juntos e não estávamos nos abraçando e agarrando pelos corredores. Eu estava com tantas saudades e tão necessitada dele que meus planos eram acabar com as tentativas do Jacob, dizer para sumir da minha vida e ir atrás de Edward, sequestra-lo da aula e passar o dia inteiro com ele.

Agora, nesse momento, essa vontade tinha se intensificado ainda mais. E eu precisava de Jacob bem longe de mim.

Soltei um suspiro de desgosto e usei minha perna para atingi-lo na virilha, com muita força. Automaticamente Jacob me soltou e levou as mãos ao lugar que agora deveria estar com uma dor horrível.

– Porra, Bella... – ele soltou meu nome num gemido, cambaleando para trás.

– Nunca mais tente me beijar, Jacob. Você pediu por isso. – cuspi, com nojo. – E se prepare para Emmett, Rosalie e Charlie.

Finalmente eu consegui sair da sala, deixando um Jacob com dor nas bolas e com um hematoma enorme no rosto. Esperava que esse fosse um ótimo aviso para ele não tentar mais nada. E eu realmente falava sério sobre Emmett, Rosalie e Charlie, quem sabe assim ele aprendesse. Ainda mais Charlie.

Com um sorriso, eu segui para o bloco B, aonde eu sabia que Edward estava tendo aula. Eu não via a hora de poder abraçar ele e beija-lo, porque dois dias sem tocar e falar com ele tinham sido mais do que torturantes. Eu estava acostumada a ter Edward constantemente ali, comigo, me fazendo bem, e ficar longe dele me deixava muito mal. Eu estava muito mal acostumada à presença de Edward e não me importava com isso.

Encostei do lado da porta e esperei o sino tocar. Quando todos começaram a sair, eu fiquei olhando para ver Edward. Vi Emmett primeiro, rindo de alguma coisa que Edward, atrás dele, falava.

– Hey, Bella. – Emmett me cumprimentou quando me viu. – O que está fazendo aqui?

Eu o ignorei e fui até Edward, passando meus braços pela cintura dele e o abraçando. Ele não hesitou em me abraçar de volta, me apertando contra ele. Eu fechei os olhos e aproveitei estar envolta dele. Toda a saudade e tristeza desapareceu, e eu me senti segura.

– Você está bem? – ele perguntou, acariciando minhas costas.

– Agora estou. – murmurei e o encarei, revirando os olhos. – Desculpa por ter sido uma idiota, você sabe, você tinha razão. Jacob não merece nem segunda nem terceira chance. Ele sempre será um idiota e eu quase fiz uma burrada.

Edward estava sorrindo ouvindo minhas palavras, e riu quando eu terminei. Eu revirei os olhos de novo e o abracei.

– Pare de ser idiota.

– Estou feliz que você pensou bem.

– Você me fez pensar. E também, se desculpar Jacob significa ter você com raiva, prefiro ele bem longe de mim.

– Eu não ficaria com raiva muito tempo. Não conseguiria.

Eu o apertei ainda mais e sorri. Talvez eu soubesse daquilo, mas aquele pouco tempo foi horrível e eu não queria mais passar por aquilo. Eu nunca havia me sentido assim com Rosalie ou até mesmo Emmett, ficar longe deles me deixava com saudades, mas não com a necessidade. Aquilo era só com o Edward e eu não tinha gostado nem um pouco. Eu não o queria longe de mim. Nem dois dias, nem um.

– Que história é essa de desculpar Jacob? – Emmett perguntou sua voz nem um pouco divertida.

Eu me afastei de Edward, com uma careta.

– Emm, depois eu tenho que conversar com você... Sobre isso. – falei e ele ergueu uma sobrancelha. – Não é nada muito sério. Deixe para depois.

Ele me lançou um olhar desconfiado e assentiu, indo embora. Eu voltei minha atenção para Edward.

– Vamos embora?

– Embora? – ele riu.

– Yep. Sair daqui. Eu sei como fugir da escola, e é só por hoje. Eu realmente preciso de um tempo com você.

Ele percebeu o tom malicioso na minha voz e retribuiu com um sorriso.

– Vamos, para qualquer lugar que você quiser.

(...)

Chegou o dia das oitavas de finais e Edward seria um dos meninos a competir. Nós quase não tínhamos nos visto nessa semana, pois ele havia passado bastante tempo treinando com o resto do time. E eu estava morrendo de saudades de passar um tempo com ele. Pelo menos depois do campeonato nós iriamos para nosso lugar e eu poderia ter meu tempo com ele.

Eu estava descendo as escadas quando Emmett apareceu da cozinha. Ele ergueu uma sobrancelha quando me viu.

– Sério, Bella? De novo essa camiseta?

– Ela dá sorte, Emmett. – dei de ombros. – E não é da sua conta se eu a uso de novo.

– Eu sei a sorte que você esta falando... – ele resmungou com uma careta. – Você está melhor?

Ontem o dia não havia sido um dos melhores. Eu estava ansiosa demais e tinha ingerido muito açúcar, sem tomar os remédios, o que resultou em um nível alto de hiperatividade. Emmett me ajudou a descarregar, mas como sempre acontecia depois eu ficava deprimida.

– Estou. – balancei a cabeça. – Obrigada por ontem.

– Sempre que precisar. Já vai?

– Eu vou com Edward hoje.

– Okay.

Emmett voltou para a cozinha e eu saí de casa. Eu estava indo para o quintal dos Cullen quando percebi que Esme e Carlisle, que estavam ali, não pareciam ter uma conversa muito amigável. Não querendo atrapalhar, eu fiquei na minha varanda e fingi não ver eles.

No começo eles mantinham um tom baixo, mas então Carlisle aumentou e foi impossível não ouvir.

– Não adianta, Esme!

– Essa sua birra já passou dos limites!

– Eu não vou!

– Muito bem, continue com isso, Carlisle e afaste a pessoa que mais amava você.

– Se...

– Eu não quero ouvir mais isso! – ela o cortou. – Eu estou cansada dessa sua resposta. Isso acabou por agora, mas quando eu voltar nós vamos ter uma conversa definitiva.

Esme entrou dentro de casa, sendo seguida por Carlisle.

Eu sabia por que eles estavam discutindo e minha raiva por Carlisle continuar com aquilo apenas crescia mais. Tudo já tinha passado e Edward estava tentando concertar o erro dele, o que custava aquele homem cabeça dura lhe dar uma chance? Era horrível ver como Edward ficava triste a cada vez que Carlisle se importava menos com o que ele fazia, e apenas eu, Renesmee e Esme víamos isso, mesmo Edward tentando esconder. Mas Carlisle não, e estava na hora dele receber um pouco disso também.

Minha paciência para tudo estava no limite e eu não aceitaria ver Edward deprimido hoje, nem que seja por um minuto. Então, decidida, eu entrei e mandei uma mensagem para Edward avisando que iria com Emmett e que o encontrava lá.

Fiquei esperando Edward sair com Esme e Renesmee e então bati na porta da casa dele. Quando Carlisle abriu a porta e me viu, ergueu uma sobrancelha.

– Edward já foi.

– Eu sei. Eu vim falar com você.

– Comigo?

– Sim.

– Sobre...?

– Sobre que você é a pessoa mais idiota do planeta. E eu já conheci muitos idiotas nessa vida, mas você ganha! – cruzei os braços, encarando a expressão perplexa de Carlisle. – E eu não me importo se você não vai mais me deixar entrar na sua casa depois do que vou falar, mas eu preciso falar isso pra você. Toda essa sua birra de criança que não teve o que quis está sendo ridícula. Edward sabe que errou, já pediu desculpas e você ainda continua assim. Ele está tentando, ok? Está correndo atrás tudo de novo para conseguir o que você quer. Então, porque continua fazendo isso?

Carlisle ainda estava perplexo, mas quando percebeu que eu estava mesmo esperando uma resposta, ele fechou a expressão.

– Porque ele é um irresponsável.

– Não! Ele foi, Carlisle. Mas Edward já aprendeu a porra da maldita lição! Ele é um adolescente e nós cometemos merdas. Se você acha que Edward ultrapassou limites, tente me ter como filha então. Eu também já caí nessa de drogas, e pior ainda, já vim pra casa numa viatura. Eu já fiz minha mãe gastar tanto dinheiro com os prejuízos que dou que eu não sei como eu tenho um carro. E ela me cria e cria meu irmão sozinha. Nem por isso ela está me ignorando e me deixando de lado, como você está fazendo. Ao contrário, Renée tenta me mostrar como acertar, como não cometer o mesmo erro. Ela pode me colocar de castigo, me tirar o que for, mas ela nunca fez o que você está fazendo. Então, você acha que uma estupidez, uma única estupidez do seu filho perfeito é suficiente para você larga-lo de lado e julga-lo? Porque se for, Carlisle, você não sabe o que é ser pai.

– Bella...

– Eu não terminei ainda. – eu estava novamente sentindo a adrenalina vir. Eu precisava colocar para fora. – Só você não vê como isso está afetando sua família. Esme já não aguenta mais, e Renesmee tenta colocar as coisas boas, mas nem ela consegue tirar essa ruindade de você. Edward me contou como você era antes, então você só era um pai legal enquanto ele fosse o perfeito que te dá orgulho? Seu amor de pai é estranho. Porque nós amamos Edward seja ele errando ou acertando. Seja ele jogando a carreira dele para o lixo e não entrando em uma faculdade. Nós vamos ama-lo acima disso e ajuda-lo. Você agindo como está não vai fazer ele voltar a ser o que era aquilo. Espera... Oh não, está fazendo isso, mas também está deprimindo Edward. O que só você não vê porque é egoísta demais pra pensar só no que você perdeu. Ele também perdeu coisas, Carlisle. Era a carreira dele, era a faculdade dele, não sua! Acha que isso também não o afetou?! Mas Edward está correndo atrás tudo de novo e o maior motivo é você! A pessoa que não enxerga isso. Então para de ser um velho mesquinho e vai ser um pai para o Edward. Vai apoia-lo com antes, mostrar que o erro que ele cometeu não vai mais afetar a relação de vocês. Porque eu cansei de ver meu amigo triste por sua causa!

Eu parei para respirar, encarando Carlisle com raiva. Esperei ele falar alguma coisa, mas o homem só ficou me encarando.

– Vamos lá, dê alguma resposta!

– Eu... – ele abriu e fechou a boca. – O que foi tudo isso?

– Só foi à verdade sendo jogada na sua cara como ninguém fez. Vai continuar sendo essa pessoa estupida ou você vai lá na escola ver Edward ganhar aquele campeonato?

Ele balançou a cabeça e eu revirei os olhos.

– Eu não acho...

– Você só acha errado então. Porque Edward te quer lá, assim como Esme e Renesmee. Engole o orgulho e vai ver seu filho, Carlisle.

Eu o deixei pensar por algum tempo, encarando-o para ver se algo mudava. Carlisle parecia estar em conflito, mas quando me olhou de novo, ele estava incerto.

– Você tem certeza?

– Eu tenho. Edward só está esperando sua aprovação, Carlisle. Desde o começo sempre foi isso.

Ele assentiu.

– Eu vou pegar as chaves do meu carro. Quer uma carona?

Eu tinha acabado de xingar o homem, gritar com ele e ele estava perguntando se eu queria uma carona. Isso seria muito estranho, mas eu precisava ter a certeza de que ele iria para a escola.

– Sim, por favor.

– Já volto.

Ele entrou. Quando olhei para o lado, Emmett estava de boca aberta.

– O que?

– Então você não precisa de carona?

– Não. Pode ir.

Ele assentiu e riu, indo para o carro dele. Carlisle logo apareceu e nós entramos no carro.

Metade do caminho foi feito em silêncio. Um silêncio estranho e incomodo. Eu fiquei virada para a janela, hora ou outra me pegando batendo os dedos e tendo que me controlar.

– Você gosta mesmo do Edward, não é?

Eu olhei para Carlisle, que estava sério e olhando para frente.

– Gosto. Muito.

– Estou vendo. A ponto de vir falar comigo assim.

– Você precisava de alguém para te tirar do seu mundinho egoísta de pai decepcionado. Todos os pais se decepcionam, todos veem os filhos cometer erros, mas isso não quer dizer que tem que virar as costas para eles. – comecei a remexer os dedos, encarando minha mão. – Porque se fosse assim, eu certamente não teria pais porque eu dou muitas decepções para eles.

– Seus pais devem ser ótimas pessoas, Bella.

– Eles são. – ergui a cabeça e sorri.

– Eu acho que já faz um tempo que eu perdoei Edward por tudo isso. Talvez, eu só não sabia como me reaproximar do meu filho. Eu consegui nos afastar tanto que eu estava me enganando de que ainda queria puni-lo, quando na verdade eu estava com medo de tentar novamente...

Ele parou de falar e eu fiquei quieta. Não concordava com a parte de “perdoei Edward” porque Edward não tinha pelo que ser perdoado. O que ele fez não era algo a ponto de pedir perdão. Mas Carlisle estava falando então, já que ele me ouviu, eu iria ouvi-lo também.

– Eu te vi na nossa piscina quando nos mudamos.

Arregalei os olhos e o encarei. Carlisle não parecia bravo nem nada. E eu não sabia o que falar.

– E vi como você e Edward fizeram amizade. Eu achei que você seria um problema, alguém para colocar Edward em um caminho pior do que já estava, mas... Eu estava errado. E percebi isso quando a vi ajudando com os treinos e em como o ajudou a entrar para o time de natação. Você foi uma amiga melhor do que qualquer outra pessoa que Edward conviveu em Nova York por anos.

– Edward não tinha amigos lá. – murmurei, lembrando das pessoas ruins que eram.

– Não. Nem mesmo a namorada dele era alguém de confiança.

Eu franzi as sobrancelhas e olhei para Carlisle, mas ele não percebeu minha confusão. Ele disse... Namorada?

– E aqui ele encontrou pessoas que são amigas mesmo. Mudar para Los Angeles foi algo bom que fizemos.

Eu assenti, ainda presa na parte “namorada dele”. Edward nunca tinha falado que tinha uma namorada em Nova York. E que tipo de garota é namorada de Edward e vira as costas para ele também? O que há de errado com essas garotas de hoje?

– Chegamos. Vamos?

Percebi que Carlisle tinha parado no estacionamento da escola. Nós saímos do carro e fomos em direção ao Ginásio. Havia bastantes pessoas pelo caminho, com cartazes e roupas da cor da escola, torcendo. Quando entramos no Ginásio, eu consegui achar onde Esme e Renesmee estavam, acompanhadas de Emmett, Rosalie e Alec.

Olhei para aonde ficavam os times e encontrei Edward. Ele estava com o cenho franzido olhando na nossa direção. Quando percebeu que eu estava olhando, ele começou a vir.

– Edward está vindo. – Carlisle falou, parecendo um pouco nervoso.

– Seja legal com ele – falei, me sentindo uma mãe.

Quando Edward se aproximou, ele ficou de frente para Carlisle.

– Você está aqui. – disse surpreso.

– Eu vim te ver. Alguém... Me convenceu a isso. – Carlisle olhou para mim e eu abri um sorriso pequeno. Ele colocou a mão no ombro de Edward. – Boa sorte, garoto. E em casa conversamos.

Edward assentiu e Carlisle saiu, nos deixando sozinhos. Eu finalmente pude abraçar Edward, que retribuiu.

– Como você fez isso?

– Eu disse o que Carlisle precisava ouvir. Que ele era um idiota e que estava perdendo toda a diversão que é ver você ganhar. – me afastei para vê-lo sorrindo.

– Você não descobriu algum podre de Carlisle e o ameaçou contar se ele não viesse, não foi? – ele me olhou desconfiado.

– Hm... Talvez. Mas se foi, não posso contar, já que ele veio.

– É justo. – Edward se inclinou e me beijou. E foi como se toda a tristeza e adrenalina sumissem por esse tempo. – Obrigada por isso, baby.

– Sempre que precisar. – eu baguncei o cabelo dele. – Agora vai lá e mostre pra Carlisle que você ainda é o melhor. – encostei meus lábios nos dele.

– Eu vou.

Edward voltou de volta para o time e eu subi a arquibancada, ficando do lado de Renesmee. Ela tinha um sorriso enorme, e pegou minha mão com a dela, apertando. Eu sabia que aquilo a tinha deixado feliz, assim como Esme. Carlisle só precisava de umas verdades mesmo.

Naquele dia, Edward nadou ainda mais lindo. Ele fez com vontade, mostrando para Carlisle que ele ainda podia conseguir o que os dois sonhavam e queriam. E eu pude ver o sorriso mais lindo do meu nadador quando o time da escola ganhou. Quando ele olhou primeiro para a família dele toda ali, torcendo por ele, e então para mim. Aquele fora o sorriso mais perfeito que um dia recebi, e foi o que me fez perceber o quanto eu estava perdida naquele garoto.

Notas finais
Deuses, que vergonha que estou. Faz tanto tempo que não apareço aqui. Se ainda tiver leitores, me desculpem por isso, mesmo. Eu não fazia ideia de como era uma correria com faculdade e só agora, na época de AF que consegui pegar uma folga. Então, por favor me perdoem se ainda tiver alguém lendo AG. Eu vou tentar aparecer novamente logo, e tentar nao sumir de novo. Eu não vou abandonar AG, mesmo que demore a postar. Espero que tenham gostado desse capitulo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.