Aquela Garota

12 Efeito Dominó


Notas iniciais
Eu sei que demorei demais, podem me xingar, bater e o que quiserem porque eu aceito, mas antes leiam o capitulo kkkk

11. Efeito Dominó

BELLA POV

O barulho do relógio parecia ser um martírio para mim naquele momento. Sentada naquela poltrona enorme de couro marrom e olhando para o nada, eu estava entediada. Batia o pé freneticamente no chão, olhando para todos os lados e soltando suspiros a cada trinta segundos. Eu precisava sair dali, mas não sabia como. Eu não fazia nem ideia de como havia ficado presa ali. Era um carma horrível que me perseguia e fazia tudo dar errado.

Olhei mais uma vez para o relógio, vendo que haviam se passado apenas um minuto desde ultima vez que tinha olhado. Aquilo poderia ser pouco para qualquer pessoa, menos para mim. A cada segundo eu ficava cada vez mais nervosa e mais desesperada, sabendo que tudo estava se tornando mais perto de dar errado. E não podia dar errado.

Olhei para o outro canto da sala de John, vendo Edward sentado no chão e com a cabeça encostada na enorme estante de livros. Ele tinha os olhos fechados e a expressão estava calma, mas eu sabia como na verdade ele estava se sentindo. Desviei os olhos para meus pés e mordi o lábio inferior. O problema era que nenhum de nós dois tínhamos um celular porque o meu eu perdera quando entrei na água e Edward porque o professor pegou.

– É tudo culpa minha. – murmurei. – É tudo culpa minha. Droga.

– Relaxa, Bella. – Edward suspirou.

– Não, Edward. Eu não posso relaxar.

Levantei da cadeira em um salto e fui até a porta, tentando inutilmente mais uma vez abri-la, mas não adiantava de nada. Tentei soca-la e gritar por socorro, e mesmo assim não deu em nada. Estávamos presos ali e não havia ninguém perto o suficiente para ouvir meus gritos. Nem o John que eu julgava ficar sempre rondando a sala dele e que nunca ia pra casa dessa vez não estava. Também, ele estava no Ginásio assistindo o teste dos meninos da natação.

Esse que era para Edward estar presente.

E a culpa de estarmos aqui, presos, era totalmente e somente minha. Eu era um problema que causava problemas para os outros nas horas mais erradas. Devia ter imaginado que ao ajudar Edward, em alguma coisa eu ia fazer tudo dar errado porque eu sempre era assim. Ajudava, ajudava e no final fazia as coisas irem por água a baixo. E pior, dessa vez não teria água para Edward ir.

Não. Eu não podia deixar as coisas assim.

– SOCORROOOOOOOOOOOOOOOOOOO! NOS TIREM DAQUI! AHHHHHHHHHHHHHHHH! SOCORROOOOOOOOOOO! ESTAMOS PRESOS AQUIIIIIIIIIIIIIII! – eu berrava desesperadamente.

Mexi nas maçanetas, soquei a porta com toda a minha força, chutei e soltei mais um grito que poderia ter estourado os vidros, mas não aconteceu nada. Encostei a cabeça na porta, meus cabelos caindo no rosto.

– Ninguém vai me ouvir. – falei com a voz chorosa.

– Eu sei.

Fiz uma careta e senti vontade de me dar um soco por tudo que havia feito naquele dia. Desde o começo até agora, nos deixando presos na sala da diretoria. Eu odiava meu irmão e Jacob Black.

Eu estava em um estado de nervosismo, adrenalina e energia que não era permitido para alguém como eu. Queria poder nos tirar dali, fazer alguma coisa, correr, pular, qualquer coisa e acabar com tudo aquilo que passava por mim. Me sentia culpada por não ter ouvido nem Emmett e nem Rosalie, por ter sido teimosa mais uma vez quando eles só queriam meu bem. Se a situação envolvesse apenas eu, para mim não teria nenhuma importância estar ali, mas também envolvia Edward e nesse exato momento ele tinha um teste para entrar no time de natação.

Precisava encontrar uma forma de nos tirar dali ou então nunca me perdoaria pelo que havia feito com Edward.

– Eu preciso de um grampo! – falei desencostando da porta e indo até a mesa do John.

– Pra que? – Edward perguntou.

Sua voz estava triste, eu percebia. Eu era uma maldita.

– Pra abrir essa porta. Eu não sei o que aconteceu para estarmos presos aqui, mas eu vou nos tirar. – abri uma gaveta da mesa e comecei a procurar por algo que desse para abrir as portas.

– E você sabe abrir porta com grampo?

Eu parei de revirar a gaveta e olhei para Edward com uma careta.

– O que você acha?! Eu assisto a filmes! – voltei a procurar nas gavetas, encontrando um clipe. – Ahá!

– Não acho que você vai conseguir. Ninguém aprende abrir portas apenas assistindo filmes.

– Edward, você está falando com Bella Swan, e Bella Swan consegue tudo apenas assistindo filme.

Me encaminhei para a porta e desfiz o clipe.

– Mesmo assim. Você só os ver enfiando o clipe ou o grampo na fechadura, mas você sabe como funciona lá dentro?

– É claro que sim! Eu já joguei Obscure II e lá mostra como funciona. É fácil, fácil.

– Se você está dizendo.

Eu sorri para ele e me abaixei um pouco, colocando o clipe na fechadura. No jogo eu havia visto como funcionava a fechadura e torcia para que na vida real também fosse daquele jeito. Emmett e eu jogávamos muito aquele jogo e teve uma parte – uma das mais difíceis – que precisávamos abrir uma porta enquanto vinham monstros sem parar. Ele ficou com a parte de matar os monstros e eu com a de abrir a porta. Claro que no vídeo game era apenas mover a alavanca, mas não deveria ser tão diferente, certo?

Errado!

Eu tentei de todas as formas abri aquela porta com o maldito clipe e não consegui. Até que me irritei, torci o clipe e... Um barulhinho foi ouvido quando eu o quebrei lá dentro.

– Sério?! – Edward falou com uma expressão de surpresa.

– Er... – joguei o clipe pra longe e sorri amarelo. – Acho que não deu certo.

– Não. Não mesmo. Deu foi muito errado.

Eu soltei um choramingo.

– John pão duro não compra clipes mais resistentes.

– Você não tem que se preocupar se os clipes são bons. Agora você tem que se preocupar se vão conseguir abrir a porta com um pedaço de clipe dentro da fechadura.

Eu olhei para Edward por uns três segundos até arregalar os olhos e abrir a boca em um “O” pensando em como eu tinha ferrado com tudo. Logo essa surpresa passou para tristeza e não consegui conter meus lábios em fazer um bico que eu sabia que mais parecia uma tromba de elefante.

– Eu sou um desastre.

Edward me lançou um olhar triste, mas ao mesmo tempo estava divertido. Ele estendeu a mão na minha direção me chamando para ir me sentar ao lado dele. Eu fiz uma expressão de choro e ele negou com a cabeça, continuando a me chamar. Com um suspiro, eu me aproximei e peguei a mão dele, entrelaçando nossos dedos. Edward me puxou para sentar ao lado dele e passou o braço ao redor do meu pescoço. Ele voltou à posição de encostar a cabeça na estante.

– O que vamos fazer? – perguntei baixinho.

– Vamos esperar, Bella.

Eu o fiquei encarando por alguns segundos e vendo que Edward não iria falar mais nada, encostei a cabeça no braço dele e também fechei os olhos. Não havia mais nada que pudéssemos fazer. Eu queria tentar tudo, mas sabia que assim como aconteceu com a porta, ao invés de melhorar eu iria era piorar a situação. Tínhamos mesmo que esperar alguém vir no ajudar. O que não ajudava era aquele relógio com o tic tac a cada segundo nos lembrando de que o tempo passava e a chance de Edward entrar pro time de natação também.

NOVE HORAS ANTES

– Você poderia parar um pouco com isso. – Emmett resmungou.

– Eu não consigo.

Ele esticou a mão e tocou minha perna que eu balançava sem realmente perceber. Dei um tapa na mão de Emmett, que suspirou. Eu não queria ninguém me controlando hoje, eu precisava ter algo mexendo ou então enlouqueceria.

– Bella...

– Emmett, não começa! – me virei para ele. – Eu sei o que você vai falar, mas não quero nem saber. Eu estou nervosa e vou continuar nervosa.

Emmett ficou me encarando com uma expressão de “É mesmo?” e então revirou os olhos.

– Acho melhor você me respeitar ou então te jogo pela janela.

– Eu deveria ter vindo com meu carro. – cruzei os braços e bufei. – Pelo menos nele eu poderia falar, cantar, dançar e me mexer a hora que quisesse.

– Só se você quisesse causar um acidente. Renée mandou você vir comigo então não reclama. E pelo amor de Deus, Bella, você cantando é um desastre, dançando então é pior ainda e é irritante com essa perna. – ele tocou minha perna que tinha voltado a tremer.

– Sai! – bati nela. – Eu sei cantar muito bem, Emmett. E dançar... Melhor ainda. – fiz uma careta.

– Nunca que Bella Swan sabe cantar.

– Você quer comprovar?

– Eu moro com você, sei muito bem seus dons de canto.

– Você só pode estar falando de você mesmo cantando. – fechei os olhos em fenda e abri um sorriso maligno. – Ou você acha que eu não sei que você tem gravações sua debaixo do colchão?

Emmett freou o carro e meu corpo foi projetado para frente. Se eu não tivesse de cinto tinha atravessado o para-brisa.

– Ficou louco?! – berrei. Emmett me encarava com os olhos extremamente arregalados. – Não adianta ficar todo assustado porque eu sei mesmo do seu segredo, camarada.

– E-eu nã-não tenho se-segredo-do, Be-Bella.

– Ihh, nem adianta negar. – balancei a mão para ele. – Eu sei de tudo, Emmett. E se quer saber, eu já até ouvi as asneiras que você fala... Ou você cantando Katy Perry. – e então comecei a gargalhar lembrando as gravações do Emmett. – Porra, Emmett, você é babaca demais...

– Cretina! – ele resmungou acelerando o carro novamente.

Eu continuei rindo dele, sem me importar com seu xingamento. Isso era quase como um apelido carinhoso entre nós.

– Eu ainda não sei do que você está falando... – ele murmurou.

– Claro que sabe. Aquelas gravações... Hmmm... – estalei a língua.

– Está ficando maluca, Bella. Maluca de doida pirada.

Decidi então que para me distrair até chegarmos à escola, eu poderia tirar mais umas com a cara do Emmett. Me ajeitei no banco, ficando ereta, e sorri ao mesmo tempo que mordia o lábio inferior.

– Sabe, irmãozão, se eu fosse você começava a tomar cuidado porque eu peguei algumas gravações e...

– E... – a voz dele saiu fina e vacilada.

– E gravei em um CD para o caso de que eu precise te ameaçar... Como agora.

Mais uma vez Emmett freou o carro bruscamente e eu fui para frente, mas dessa vez eu não briguei com ele, só comecei a gargalhar. O garoto estava já ficando roxo de desespero e medo.

– Você está mentindo! – acusou.

Eu não estava mentindo. Nem na parte de haver gravações nem na parte de que eu havia pegado umas para poder usar como ameaça. Meu irmão burro que não ficasse de olhos bem aberto para o que fazia comigo para ele ver a vergonha que passaria.

– Eu não minto, Emmett. – falei e ele ergueu uma sobrancelha. – Não quando o assunto é ferrar com você.

Eu comecei a rir e ele negou com a cabeça, decepcionado comigo.

– Você... É a criatura mais maligna e cruel desse mundo. – falou.

– Tanto faz. – dei de ombros. – Agora volta a dirigir pra chegarmos logo na escola porque eu quero ver o Edward.

O nome do ruivo foi como um botãozinho para Emmett colocar uma carranca. Ele achava que estava me perdendo para Edward, o que significava que Emmett era um bundão de um ciumento. Não era a primeira vez que eu passava por isso. Com Rosalie foi à mesma coisa e levou um tempo para ele se acostumar de que eu tinha mais amigos além dele. Assim como eu fiquei quando apareceu o Alec. Era nisso que dava você ser hiperativa e não ter muitos amigos além do seu irmão acabava que o laço se tornava forte e o ciúme maior.

– Quando essa aproximação de vocês vai acabar? – perguntou carrancudo.

– Você está querendo saber sobre os treinos ou sobre nossa amizade?

– Os dois.

– Os treinos terminaram ontem. – suspirei ao me sentir ansiosa mais uma vez. – E amizade você sabe Emmett, isso não somos nós que resolvemos.

– É, é. – ele resmungou. – Espero que quando acabar, não seja pra algo pior.

– O que você quer dizer com isso?

– Não vou falar pra não dar ideia. Ainda mais uma pessoa tão ruim comigo como você é!

No resto do caminho Emmett foi me xingando de ser maligno e que eu iria pro inferno por mentir falando que ele tinha aquelas gravações, e que se ele tivesse eu iria para o inferno também porque entrei no quarto dele e roubei as gravações. Isso só me fazia rir.

Sempre que eu estava deprimida, eu pegava os CDs e ouvia. Aquilo era um ótimo antidepressivo para qualquer pessoa, até para os que já pensavam em suicídio. Ele cantando u so gay e hot n’ cold é mais do que hilário. Inesquecível.

Quando Emmett estacionou o Jipe na vaga de sempre, arrumei minha mochila no ombro e saltei no mesmo momento, nem esperando ele parar direito.

– Bella! – ele exclamou. – Essa garota hoje vai se matar.

Eu ignorei ele e corri até Rosalie, que já estava ali. Assim como Alec.

– Rosalie! Rose!

– Ai meu Deus... – ela murmurou a me ver correndo.

Eu soltei uma gargalhada e pulei no colo dela, enroscando minhas mãos no pescoço dela. Rosalie deu um passo para trás e bateu o corpo de encontro ao carro, soltando um gemido de dor com o impacto.

– Você ficou louca?! – ela perguntou tentando me afastar. – Quer me matar, é isso?

– Longe disso, Rouss. – dei um beijo babado na bochecha dela, porque era o que ela mais odiava. – Bom dia!

– Ugh, que nojo!

Eu me afastei dela rindo e Rosalie limpou a bochecha, resmungando. Alec ria descontroladamente, se sufocando com a falta de ar. Aquilo me fez ficar ainda mais feliz, porque além de irritar Rosalie Hale, eu estava fazendo Alec rir.

– Que amor vocês duas. – Tânia falou ao parar ao lado de Alec. Ela olhou para ele e ergueu uma sobrancelha, depois voltou sua atenção para mim. – Ainda não entendo como vocês conseguiram mentir em cima da minha verdade.

Com ela estavam as gêmeas e Alice. Sua aproximação não era legal, ainda mais onde ela estava. Rosalie e eu nos encaramos, tensas.

Tânia queria acabar com a minha felicidade apenas por aparecer ali com aquela cara dela falsa e cheia de maquiagem, mas não iria conseguir. Hoje eu estava feliz e nervosa ao mesmo tempo, era um grande dia e ninguém me deixaria de mau humor ou o faria piorar.

– Claro que você não entende, Tânia. Essa sua mente limitada só entende de roupa, sapato, maquiagem e maldade. – Rosalie quem respondeu.

– Isso não é verdade! – Tânia bateu o pé.

– Não é! – as gêmeas falaram e todos nós paramos pra olhar pra elas.

Aquelas duas quase nunca falavam algo. Elas só estavam ali pra seguir Tânia e se ferrarem por ela. Alice era a que falava alguma coisa de vez em quando e mais inteligente para não se ferrar por Tânia.

– Eu entendo muita coisa! – Tânia falou ignorando a nossa surpresa.

– É! – as gêmeas repetiram.

– Tudo bem, hoje o dia está estranho. – Emmett se meteu. – Primeiro que Bella... Esquece ela. – ele mudou quando lembrou que não podia falar das gravações. – E segundo que essas gêmeas ai – apontou para elas. – chega aqui falando, o que não é normal. E ai tem Tânia que... Porra! A garota está se achando inteligente, isso não é estranhamente bizarro?!

Meu irmão burro tinha finalmente feito algo que preste. Nós começamos a rir tão alto que o estacionamento parou para ver o que estava acontecendo. Aquela era uma boa piada. Sim, era muito estranho Tânia achar que era inteligente sendo que era uma das pessoas mais burras que eu havia conhecido. Calma, ela era esperta para bolar planos e me ferrar, mas a massa cinzenta dentro da cabeça dela era vazia para o resto. Uma vez ela achou que Alasca era um país. Um país!

– Isso não teve a menor graça, Swan. – Tânia cruzou os braços emburrada. – Vocês são tão... Tão...

– Não se esforce muito para pensar, gata. – pisquei um olho para ela. – Agora que tal você entender as próximas palavras que vou falar agora e obedecer, hm? Lá vai... CAI FORA! – eu gritei ao empurrar ela para que saísse e as gêmeas a seguraram.

– Não me toque! – Tânia se empertigou toda. – Eu sei andar.

– Se soubesse não estaria aqui ainda.

– Argh! – ela bateu o pé com o tênis rosa. – Eu odeio você, Bella!

– É reciproco, querida. Agora vai vai vai.

– E se eu não quiser? – decidiu bater de frente comigo.

Eu pensei algo em que a fizesse sair dali sem precisar usar agressão ou tocar nela novamente, até que meus olhos bateram em um ser do outro lado do estacionamento. Eu não ia com a cara dele e não curtia o que ele fazia, mas se fosse para Tânia sair dali, então que se dane.

– Você vai querer. Olha Tânia, o Brad. Ele está olhando pra você! – apontei para o garoto.

Por causa das minhas palavras eu presenciei a cena de um filme alienígena. Não que eu já não soubesse que Tânia era uma ET, mas eu finalmente vi. Ela virou o rosto tão rápido que foi impressionante o pescoço dela não ter se deslocado do corpo e flutuado. Só depois que ela virou o corpo.

– Aonde? Cadê? – ela perguntou já suspirando.

– Não sei, vai procurar! Sai daqui! – a empurrei.

Tânia soltou mais uns resmungos e saiu da minha frente, sendo seguida pelas gêmeas e Alice. Assim que ela saiu revelou os Cullen parados atrás dela. Edward tinha uma sobrancelha levantada e uma careta engraçada, já Renesmee estava sorrindo.

Eu esqueci qualquer vestígio de Tânia quando meu olhar encontrou com o de Edward e abri um sorriso, voltando à mesma animação que estava no Jipe. Eu balancei as mãos, animada e não me contive, correndo até ele e pulando em cima dele, como tinha feito com Rosalie. Só que ao contrario dela, ele conseguiu me segurar apenas dando um passo para trás.

– Edward! É hoje! É hoje! Cara, é hoje!

Edward gargalhou , assim como Renesmee.

– É Bella, é hoje. Animada?! – brincou.

– Animada? Animada é pouco para mim, amigo! – nós rimos.

Ele me colocou no chão e passou o braço por cima do meu ombro. Nós voltamos para o grupo. Emmett, que conversava com Alec, já colocou a carranca ao ver Edward. Eu sabia que aquilo logo passaria e ele voltaria amar Edward, era apenas ciúme bobo de me perder. Não que ele estivesse, mas vai entender a mente do meu irmão. Se é que ele tivesse cérebro para pensar. Emmett era, assim como Tânia, feito apenas para entender algumas coisas.

– Olha nosso nadador favorito! – Rosalie falou já mostrando a animação dela por hoje. – Pronto pra entrar para o time, Edward?

– Desde que me inscrevi.

– E vai! – Renesmee grudou no outro braço dele e saltitou como uma garotinha. – Edward vai ser o melhor.

Os olhos verdes brilhavam tanto que parecia que o sol tinha sido plantado ali, só que na cor verde. Eu já vinha percebendo que ela ficava assim sempre quando o assunto era Edward tentar entrar para o time de natação. Ela tinha uma adoração por ele que eu quase não compreendia. O olhava como se ele fosse um herói para ela apenas em ser um grande nadador. Não era como a minha obsessão por nadadores de costa larga e super gostosos, era mais do que isso. Era mais sentimental.

Eu precisava perguntar para ela o porquê disso. Não podia me esquecer.

– Vai poder ter torcida? – Emmett perguntou voltando um pouquinho ao normal.

– É apenas o teste, eu acho que não. – Edward falou incerto.

– Mas é claro que vai! – Rosalie tomou a frente. – Olha para nós – apontou para o grupo. – Acha que nós não vamos estar lá torcendo? O diretor nunca vai nos parar e ele sabe disso. Pode ter certeza que eu vou estar lá, Edward, balançando os pompons pra você.

– Com certeza! – eu saí do braço de Edward e parei ao lado de Rosalie. – Como é mesmo, Rouss?

Então nós duas começamos a imitar as lideres de torcida quando era dia de jogo. Os passos que elas mais faziam nós tínhamos pegado e aprendido para poder zoar com a cara delas quando nos envolvemos em uma briga. Foi algo de Rosalie gritando “Nem sabem dançar, vadias!” da arquibancada com a resposta de “Dança melhor então, cadela!” da capitã e então Rosalie e eu descemos, pegamos os pompons delas e fizemos melhor que elas. Isso nos fez perder uns pontos com umas patricinhas e ganhar outros com os odiados delas. Foi um grande show que fez a veia da testa do John saltar.

– Vaaaaaaaai, Edward! – nós duas saltamos e gritamos juntas, balançando os pompons invisíveis.

– UHU! AEEE! É ISSO AI! – Emmett, Renesmee e Edward começaram a bater palmas e gritar.

Isso só atraiu ainda mais atenção das pessoas no estacionamento. Era normal isso da nossa parte, sempre chamávamos a atenção porque sempre tínhamos algo para brincar ou às vezes Tânia pra zoar.

O sino então tocou, para minha total infelicidade. Ficar sentada em uma carteira não era nada legal. Nós começamos a seguir para dentro do prédio, falando sobre o grito de guerra que faríamos para torcer pra Edward. Minha primeira aula era com ele, e nós sentamos na nossa ultima carteira. O professor entrou segundo depois e sem nem dar bom dia, ele iniciou a aula.

Como eu imaginava, aquela aula estava um tédio e eu não conseguia ficar parada. Tentei dormir – como Edward, que conseguiu -, mas foi impossível. Eu queria me mexer, queria levantar, queria falar. Sentia meu corpo pedindo pra que eu me levantasse e saísse da sala, fosse andar e fazer qualquer coisa, mas eu não podia. Comecei então a desenhar para ver se me distraia, e por algum tempo resolveu, mas logo eu estava impaciente novamente.

O professor então terminou o assunto dos imigrantes nos Estados Unidos. Ele pegou um giz dizendo que íamos para o ano de 1914 e escreveu no quadro negro com letras enormes PRIMEIRA GUERRA MULDIAL. Aquele era um tema que eu adorava, e não me contendo eu dei uma cotovelada em Edward e falei bem alto:

– Acorda Edward, porra! Vamos falar do Tio Sam!

– Hã? – o ruivo murmurou desconcertado pelo sono. – Sam de Supernatural?

– Não, camarada. É o Tio Sam! Tudo bem que poderia mesmo o Tio Sam parecer o Jared, sabe, ia ser bem gostoso... Mas não é esse não. É o Tio Sam!

– Srta. Swan, você poderia tentar conter-se? – o professor chamou minha atenção. – E despertar seu parceiro.

– Com certeza, professor! – eu assenti bastante séria e depois me virei para Edward, dando outro cutucão nele. – Acorda, mané! Agora!

Edward me encarou com aquela careta que ele só dirigia a mim depois resmungou, se ajeitando na cadeira. O professor negou com a cabeça, resmungou algo inaudível e então iniciou a aula, falando sobre a primeira guerra. Mesmo sendo um assunto ao qual eu gostava, no começo até me interessei, mas então eu comecei a me sentir inquieta. Olhei para Edward e ele estava também prestando atenção. Então eu também me esforcei a prestar, hora ou outra olhando pelo canto de olho para Edward. Ele estava tão bonitinho prestando atenção na aula e todo concentrado, marcando algumas coisas que eu não resisti à vontade de tirar uma foto dele.

Ontem, quando fui ao ultimo treino de Edward e ele me puxou para a piscina, me esqueci de uma coisa que estava no meu bolso. Meu celular. E como ele não era a prova d’agua, o bichinho foi para o buraco. Não dei tanta importância porque não havia nada nele de realmente interessante nele, e nem ele era interessante. Na verdade ele era um castigo de Renée. Ela pegou um aparelho que não tinha nem câmera e nem mp3, me fez colocar meu chip nele e usa-lo, isso porque eu tinha quebrado o belo iPhone que ganhei do papai. A culpa não havia sido totalmente minha, mas de Emmett também, só que ela não se importou. Agora eu não tinha mais nenhum celular.

Então, sendo esperta e rápida, eu peguei o celular de Edward que estava em cima da mesa. Também era um iPhone, o que me agradou. Eu tinha planos. Ele nem se importou que eu pegasse, continuando a prestar atenção na aula. Fazendo tudo de forma nem um pouco suspeita, eu joguei minhas pernas por cima das de dele, assim encostando as costas na parede e ficando de frente para ele. Eu então peguei o celular e mirei nele, tirando uma foto. Fez um clique e Edward virou para mim, desconfiado.

– É impressão minha ou você acaba de tirar uma foto minha? – perguntou.

– Sabia que você é bastante fotogênico, Edward? Eu acho que você deveria ser um bebe ruivo gracinha que serve pra comercial. Nossa, já estou até imaginando a coisa linda que você deveria ser. Hm, pensando aqui... Acho que quando for a sua casa vou pedir a Esme que me mostre fotos sua, pequenininho. Será que tem pelado tomando banho? Sempre tem...

A cada palavra que saía da minha boca Edward piorava a careta dele, quando terminei de falar, sorrindo, ele avançou por cima de mim tentando pegar o celular, mas eu afastei dele, rindo. Nós dois começamos uma luta pelo celular, nos xingando.

– Me devolve, Bella!

– Não! – pausa pra gargalhar. – Eu vou colocar no instagram!

– O que?! – ele parou e me encarou.

– É isso. Eu tinha um antes do meu outro celular quebrar, e nunca mais mexi. Agora da pra colocar pelo seu...

– Sua... Você é... Cruel!

– Sabe... – fiz uma expressão séria. – Já me falaram isso hoje. Yep, já sim.

– Porque você é! Agora me devolve, Bella!

Ele avançou em cima de mim novamente, e nós voltamos à disputa de quem ficava com o celular. Edward começou a fazer cocegas em mim e eu gargalhei tanto que quase fiz xixi nas calças. Ele também estava rindo.

– SRTA. SWAN E SR. CULLEN!

O berro do professor nos fez parar na mesma hora. Olhamos para frente e todos – e digo todos mesmo – estavam olhando para nós dois, e o professor parado em frente nossa carteira. Eu estava inclinada na cadeira com Edward por cima de mim. Nós dois nos encaramos com sorrisinhos constrangidos e depois voltamos para o professor.

– Oi? – falei.

Varias risadinhas ecoaram me deixando ainda mais vermelha.

– O que está acontecendo ai? Vocês dois estão atrapalhando minha aula!

– Er... Nós sentimos muito, professor.

O professor negou com a cabeça. O silencio continuou na sala por alguns segundos, até alguém espirrar.

– E então? – o professor mexeu as mãos.

– O que? – perguntei.

– Não vão sair dessa posição?

– Ah. – Edward soltou com uma risadinha.

Ele se afastou de mim e se ajeitou no lugar dele, sem olhar para cima. Assim como eu, Edward estava constrangido e com as bochechas vermelhas. Era fofo demais para minha sanidade.

– Cadê o celular, Isabella? – o professor mexeu a mão na frente do meu rosto, me fazendo parar de olhar para Edward. – Cadê?

Eu pisquei os olhos rapidamente e levantei a mão com o celular do Edward, que o professor pegou e colocou no bolso do blazer dele.

– Hey! – Edward protestou.

– Você só vai ter ele de volta no final das aulas. Agora, se forem para continuar com isso, podem sair da minha aula.

Eu arregalei os olhos e sorri.

– Você está falando sério?

– Estou, srta. Swan.

Eu peguei meu caderno e minhas canetas, joguei minha mochila no ombro e levantei em um salto.

– Então até depois, cara. Adeus pra vocês. – acenei para o restante da sala, que riu.

Quando estava na porta, parei e olhei para Edward, que tinha uma careta. Aquela, sabe?

– Você vem, Edward?

Ele me encarou por alguns segundos, balançou a cabeça como se espantasse algum pensamento e sorriu, também pegando as coisas dele. Quando ele passou pelo professor, o tal tocou no braço dele, o parando.

– Sr. Cullen, quero avisa-lo logo que se não quer se meter em encrencas e ir parar na diretoria, não ande com Isabella Swan. Ela não é uma boa influencia e não se importa com ninguém. – eu revirei os olhos para aquele discurso idiota.

Edward negou com a cabeça.

– Muito legal da sua parte em me avisar, professor, mas você está errado. Bella se importa sim com as pessoas. E eu não me importo em me meter em encrencas. – ele deu de ombros e se afastou do professor. – Pego meu celular na hora da saída. – avisou.

Nós dois saímos da sala, batendo a porta. Quando o som ecoou pelos corredores nós começamos a rir. Eu tirei minha mochila do ombro e guardei minhas coisas, assim como ele.

– E para onde vamos agora que temos um tempo livre? – perguntou quando terminou.

– Vamos para a água!

Edward me encarou confuso quando eu dei risada e puxei ele para que corresse.

– Para aonde vamos?

– Vamos para a piscina, Edward! Vamos relaxar.

Ele me olhou como se eu fosse louca, mas me seguiu. Do jeito que eu estava hoje não iria conseguir ficar parada em nenhuma aula, então daria um jeito de gastar energia e relaxar. Simples e fácil.

Antes que realmente pudesse pegar impulso para correr, Edward parou. Eu me virei, ficando de frente pra ele.

– Bella, o que aconteceu com você hoje?

Eu dei de ombros, sabendo do que ele estava falando. Minha animação hoje estava fora do normal.

– Vamos se disser que... Eu comi e bebi coisas que não podia. – ele ergueu uma sobrancelha. – Açúcar e cafeína. Misturei os dois e não tomei o remédio, mesmo que Renée tenha mandado. Claro que para ela eu tomei, mas é que eu estava tão nervosa que não conseguia me controlar. Por isso que hoje eu vim com Emmett, porque os dois tem medo que eu me distraia no volante já que tomei muita cafeína e açúcar, e cause um acidente. Você não acha que eu poderia causar acidente, não é, Edward? Se você quer saber eu até que estou bem, ou mais ou menos, só preciso gastar um pouco de energia e... – então para que eu não pudesse continuar falando Edward tampou minha boca.

Ele estava de olhos arregalados e tinha um sorrisinho brincando nos lábios. Eu assenti com a cabeça para que ele tirasse a mão e assim que o fez, puxei o ar, recuperando o folego que tinha perdido falando tão rápido. Foi então que comecei a rir e Edward me acompanhou.

– Agora você entendeu o que está acontecendo comigo? – perguntei.

– Entendi. – assentiu. – Precisamos encontrar uma máquina de café.

– Para que? Já não basta o tanto que estou animada?

– Eu tenho que pelo menos tentar me igualar a isso. – ele pegou minha mão, cruzando nossos dedos. – Vamos logo para podermos gastar energia na piscina.

Então foi a vez de Edward me puxar para corrermos. Um passo atrás dele, eu o encarava de forma encantada. Se fosse Emmett ou Rosalie ou Alec que estivessem comigo nenhum deles faria aquilo. Eles tentariam me controlar até dar a hora de ir embora e então me levaria para o Pioneer ou qualquer lugar que me fizesse gastar as energias. Mas nenhum deles mataria aula e faria algo tão perigoso – para o terreno escolar – como ir nadar na piscina sem o consentimento de John ou inspetor. Aquele garoto era perfeito para mim. E cada vez achava ainda mais que o destino o tinha trazido para mim, colocando-o para morar ao meu lado, e o feito chegar bem no dia que eu tinha invadido a casa para nadar na piscina. Não acreditava muito em destino, mas com Edward eu estava começando a acreditar.

NESSIE POV

– O negocio, Renesmee, é que para fazer parte, tem que fazer por merecer. Não que Tânia seja uma pessoa exigente, mas ela não aceita alguém que não tem voz de comando, que não se destaca em um lugar cheio de pessoas... – Alice ia falando enquanto seguíamos juntas para o refeitório na hora do almoço.

– Eu entendo bem sobre isso. – falei para ela. – Em Nova York os grupos também eram formados assim. E havia igual ao de Tânia.

– Isso torna as coisas fáceis.

Nós rompemos pelas portas do refeitório e seguimos em direção à fila para podermos pegar algo pra comer. Apertando meus cadernos nos braços, olhei na direção da mesa do pessoal e estava apenas Bella, Edward e Alec.

– Você vai sentar conosco, Renesmee? – Alice perguntou enquanto pegava umas coisas.

Eu desviei os olhos deles e olhei para ela, que me encarava. Alice era muito séria para uma pessoa que andava com Tânia e vivia como eu em Nova York. Era realmente estranho aquilo. Ela agia quase que roboticamente. Eu não tinha percebido isso nas gêmeas, elas apenas eram quietas. Às vezes Alice mostrava as emoções dela e agia como Tânia, só que a maioria era mais séria. O que eu não entendia por que.

Eu conhecia como era o grupo de Tânia. Já tinha convivido boa parte da minha vida como pessoas como ela e as que a cercavam. O grupo dela não era tão diferente do que eu me sentava no meu antigo colégio. E eu admitia que eu estivesse gostando de elas me incluírem, eu me sentia mais eu com elas, ainda mais quando me chamavam para fazer compras ou apenas tomar iogurte ou passear no clube. Só que também sabia que para entrar no grupo teria que fazer as exigências de Tânia, desistir de coisas que não lhe agradavam e por assim vai. Era por isso que eu não iria me deixar entrar totalmente ali.

Conhecer novas pessoas com novos jeitos me trouxe a realidade. Na verdade, depois do que aconteceu ao Edward em NY, eu cai mesmo na real e percebi que as pessoas nem sempre são como se apresentam.

E havia outra coisa que faria eu não querer me sentar com Tânia e seu grupo hoje.

– Hm... Hoje não, Alice. Eu preciso conversar algo com meu irmão.

Ela assentiu e foi pagar o que havia pegado. Eu peguei apenas uma água, sentindo meu estomago contrair e gelar, como se borboletas batessem suas asas ali. Estava com as mãos suando e o coração acelerado quando comecei a me aproximar da mesa. Com apenas Edward e Bella ali, seria fácil poder conversar com Alec, já que aqueles dois iriam ficar tão concentrados neles que nem nos perceberia.

– Oi, pessoal. – falei ao me sentar ao lado do branquinho.

– Hey, Nessie! – Bella me cumprimentou animada.

Ela estava com o cabelo molhado, assim como dava para ver que as roupas estavam úmidas como de alguém que tinha tomado banho e a colocado as pressas, sem se enxugar direito. Desviei meus olhos para Edward e ele estava da mesma forma, com o cabelo molhado e a roupa grudada no corpo.

O que havia acontecido com aqueles dois?

– Achei que hoje iria se sentar com a Denali. – Edward falou.

– Não estava com vontade. – dei de ombros, desviando rápido meu olhar para Alec e depois para baixo.

– Legal. – Bella disse e sorriu maliciosa para mim, me fazendo revirar os olhos.

Ela e Edward começaram a conversar sobre açúcar, mexendo nos pacotinhos e rindo de piadinhas que eles falavam baixo só pra eles mesmo. Alec e eu nos encaramos, constrangidos com aquilo. Mas era o que eu queria, então aproximei ainda mais minha cadeira da dele. Alec, que estava comendo o sanduiche, quando percebeu minha aproximação se engasgou, começando a tossir. De olhos arregalados eu bati nas costas dele. Aquilo atraiu a atenção da Bella e do Edward. Meu irmão fechou a expressão, mas Bella pegou o rosto dele e virou na direção dela, dando um sorriso e falando algo baixinho para os dois. Eu não sei o que era, mas foi o suficiente para distrair Edward e dar atenção só a Bella.

Me voltei para Alec, que estava vermelho depois de tanto tossir. Ele pegou a garrafa de água da Bella e abriu, tomando grandes goles. A loira não se importou ainda ocupada com Edward.

– Você está bem? – eu perguntei realmente preocupada com ele. Alec me encarou e assentiu com a cabeça de forma rápida. – Mesmo?

– Sim. – ele respondeu monossilábico como sempre.

Alec voltou à atenção dele para o sanduiche, mas sem comê-lo. Ele encarava a comida e pude perceber pelo movimento que os cílios dele fazia que ele ficava olhando para mim pelo canto. Sua pele tinha voltado ao tom branquinho, ficando apenas as bochechas meio rosadas. Aquilo era com toda a certeza a coisa mais fofa que eu já havia visto. E coisas fofas me atraiam.

Não era difícil perceber que Alec não era uma pessoa muito... Comunicativa. Uma vez eu perguntara para Bella porque Alec era assim e se era algum problema e ela me disse que tinha sim um problema chamado “vagabunda boca grande dos infernos”. Quando ela disse o nome uma raiva cintilou nos olhos dela e eu até dei um passo para trás com medo. E com essa pergunta não era que eu estivesse muito interessada nele nem nada disso, sabe? Era apenas uma curiosidade que tive por perceber como ele era diferente naquele grupo de pessoas que mais pareciam serem ligadas a bateria infinita sem precisar carregar e... Ok, tudo bem, eu estava sim muito interessada no garoto. Ele era uma graça, qual é!

Eu me ajeitei na cadeira, pegando minha água e brincando com ela ainda fechada. Olhei pelo canto do olho para Alec e ele ainda encarava o lanche, nem uma mordida a mais. Então olhei para Bella e Edward e eles estavam concentrados neles mesmos. Perfeita hora de agir. Me aproximei mais um pouco de Alec e sorrindo um pouco, falei:

– Esses dois são bastante distraídos, não são?

Alec deu um pulo na cadeira com o susto da minha voz. Ele olhou para mim de olhos arregalados e assentiu. Percebi a forma que ele apertou a garrafa. Ele estava tão ou mais nervoso que eu, mas eu não pararia de tentar falar com ele.

– Bella antes já era assim?

Alec assentiu novamente com a cabeça. Meu Deus, o que custava me responder com palavras?!

Eu me encostei à cadeira um pouco chateada pela forma que Alec agia. Emmett e Rosalie logo apareceram e também Jasper que aquele dia decidira sentar conosco. A mesa estava completa, Bella e Edward se juntaram a todos começando uma conversa animada. No começo fiquei quieta no meu canto, ainda chateada com Alec, mas aos poucos Emmett e Rosalie conseguiram trazer meu bom humor de volta.

– Nós podemos pegar os pompons das lideres, o que acha, Bella? – Rosalie perguntou animada.

Seus olhos brilhavam de excitação só de imaginar em fazer aquilo. Bella deu um pulo na cadeira.

– Eu acho ótimo!

– Ah, qual é! – Edward resmungou. – Não façam nada que possa me ferrar, por favor.

– Não se preocupe, Edward. As lideres tem medo de nós e a melhor parte: vamos devolver aqueles pompons. Não é a primeira vez que pegamos.

As duas sorriram cumplices e me questionei quantas vezes elas teriam feito algo daquele jeito.

– Edward, toma cuidado, por culpa delas e desses pompons fiquei no banco em um jogo de lacrosse. – Emmett falou e meu irmão engoliu em seco. – Mas eu vou estar lá e não vou deixar que nada aconteça!

– Eu também não! – ajudei, afinal aquela era a grande chance para meu irmão.

– Nem eu! – Jasper apoiou. – Apesar de que acho que nada para a Bella.

– Nós tentamos. – dei de ombros. – E você, Alec, vai ajudar?

Eu esperei que ele respondesse com palavras, mas ele apenas assentiu com a cabeça. Aquilo me deixou nervosa porque era só comigo que ele fazia aquilo. Emmett falara com ele uma vez e ele respondeu com duas palavras. Duas!

Nervosa eu empurrei a cadeira para trás ao levantar e sai do refeitório não querendo mais ficar ali. Podia achar isso um drama, mas eu era dramática e odiava que as pessoas me tratassem com tanta frieza.

EMMETT POV

Cara, qual é o seu problema?! – eu me virei para Alec que ainda encarava as portas do refeitório por onde Nessie tinha saído.

– Eu... – ele gaguejou sem terminar.

Todos estavam em silencio pelo que tinha acontecido. Eles não deviam ter entendido nada sobre o que tinha acontecido, mas eu sim. E talvez Edward já que ele era irmão da Nessie, e Bella que sempre percebia tudo. Nessie era uma garota bastante sociável, precisava de atenção, e eu já tinha percebido as investidas dela em Alec.

– O que aconteceu? – Jasper perguntou.

– Aconteceu que esse idiota é retardado! – apontei para Alec que arregalou os olhos. – O que custa você responder ela, hein? Nada! Para de ficar agindo igual a um babaca e faça as coisas direito, Alec.

A sua expressão de assustado passou para uma fechada, mas eu não me importava. Estava na hora de Alec largar o passado e deixar de ser uma marica idiota. E eu ia mudar isso, cansei de meu amigo ficar quieto.

– Não fala assim. – ele falou.

– Oh, ele fala! – Jasper apontou para Alec com os olhos arregalados como se aquilo tivesse sido um milagre. E era.

– Você não achou que ele fosse mudo mesmo, não é? – Rosalie perguntou com tédio.

– Achei! Nunca ouvi a voz dele direito. O garoto só balança a cabeça.

– Você é burro, retardado ou o que? Ele responde as coisas quando quer.

– Pode ser todas as opções? – Bella brincou, mas eles a ignoraram.

– Não fale assim comigo! – o tempo de Jasper fechou para Rosalie quando ele ficou bastante sério. – Eu acho o que eu quiser e se eu quiser continuar achando que ele é mudo, ele vai continuar sendo mudo!

– Fala como se ele pudesse mudar o mundo. – a loira ironizou.

Os dois então entraram em uma discussão. Eu não acreditava que Jasper iria fazer aquela cena se fosse Bella, eu ou até Edward que tivéssemos falado daquela forma, mas ele tinha uma coisa com Rosalie como se não suportasse a voz dela. Não era a primeira discussão dos dois e por isso todos ignoraram. Eu me voltei para Alec.

– Você é um panaca, Alec. Deveria ir agora atrás da Renesmee e pedir desculpas para ela. Já chega de toda essa cena, eu cansei de você não falar mais.

Eu e Alec trocamos olhares mortíferos antes dele se levantar e também sair do refeitório com raiva. Só esperava que ele tivesse ido pedir desculpas para Renesmee, pois ela merecia isso.

– Você pegou pesado, Emm. – Bella falou.

– Não, eu não peguei. – disse casualmente pegando meu lanche de volta. – Está na hora de Alec superar as coisas que passou e seguir em frente. E a melhor pessoa apareceu na hora.

Ouvi o rosnar do Edward, mas não me importei. Se ele podia passar quase vinte horas colado com a minha irmã então eu podia pegar a irmã dele emprestado. Nada mais justo. Esses dois andavam muito colados e só não dormiam juntos porque Renée não deixava e nem eu.

Ninguém mais falou nada e até Rosalie e Jasper pararam de se bicar. O resto do almoço ocorreu entediante até ele entrar no refeitório. Eu pude sentir sua presença ruim de longe e quando meus olhos caíram em Jacob Black, soltou um rosnado de raiva.

– O que foi, Emm? – Bella perguntou divertida.

Assim que ela olhou na direção que eu olhava, ofegou. Pude sentir todos – menos Jasper – ficarem tensos com aquilo. A cena rolou como câmera lenta quando Jacob virou a cabeça na nossa direção e abriu um sorriso. Ah, que vontade de quebrar aqueles dentes!

Ele começou a vir na nossa direção. Na mesma hora levantei. O que aquele estupido estava fazendo aqui?

– Bella, vamos!

– O que?

Todos – menos Jasper, claro – ficaram em pé também já se preparando para partir.

– O que está acontecendo? – Jasper abobado perguntou sem entender nada.

– Não temos como explicar agora, precisamos sair daqui. – Edward falou.

Olhei para ele e vi que tinha os dentes trincados e uma expressão nada amigável. Mesmo estando com um pouco de raiva por ele monopolizar Bella, eu sabia que ele era um bom amigo.

Nós quatro saímos da mesa seguindo na direção da saída do refeitório, que infelizmente era na mesma direção de Jacob. Ele abriu um sorriso ainda maior quando viu aquilo e eu fechei minha cara para ele. Percebi Jasper resmungando algo ao nos seguir.

Rosalie ia mais a frente e quando passou por Jacob deu um encontrão com ele, que fez uma careta. Edward e Bella, de mãos dadas, iam à minha frente, os dois também tentaram passar por ele, mas Jacob parou na frente e tentou pegar no braço de Bella, mas como se já previsse isso Edward foi mais rápido e segurou o pulso dele.

– Não toque nela. – sua voz soou baixa e ameaçadora.

Estou começando a gostar ainda mais desse Edward.

– Você de novo. – Jacob revirou os olhos. – Eu preciso falar com ela.

– Não, você não precisa. – eu parei do outro lado de Bella. – Sai daqui.

– Qual é, Emmett. As coisas não eram assim antes.

– Antes! – Rosalie voltou e parou ao lado de Jacob. – As coisas mudaram, não é, Jacob? E já faz um bom tempo. Um ano, para ser mais exata.

Jacob fez uma careta com as palavras dela. Todos no refeitório haviam parado para poder assistir a cena que estávamos montando ali. A expectativa de haver uma briga era grande.

– Como vocês gostam de tumultuar, gente.

Aquela com certeza era a ultima pessoa que deveria aparecer ali. Tânia parou ao lado de Jacob com sua constante expressão de nojo.

– Denali. – Jacob a cumprimentou.

– Quem é você? – ela o olhou de cima a baixo e depois virou para Bella. – É amigo seu?

– Não.

– Sim.

Bella e Jacob responderam ao mesmo tempo, ela negando e ele assentindo. Minha vontade foi de lhe dar um soco na cara por ser tão falso, mas Tânia estava na minha frente. Ela olhou novamente para Jacob como se realmente não se lembrasse de que era ele. Aquilo com certeza era uma encenação porque nós todos havíamos crescidos juntos naquela escola.

– Ele não tem cara de ser seu amigo, Bella. Dá pra ver de longe que ele é ainda mais baixo que você, sem classe nenhuma. – Tânia se aproximou de Jacob. – Acho que seria uma boa você sair do meu território.

Quem conhecia Bella e Tânia não estava nem um pouco confuso com aquilo, mas os novatos sim. A relação das duas era mais complicada que marido e mulher. Algo do tipo “não mexa no que é meu”. E quando Tânia queria dizer território ela estava se referindo a Bella. Uma forma carinhosa de falar que só ela podia mexer com Bella.

– Sai pra lá, Tânia. – Jacob empurrou Tânia e deu um passo a frente, tentando novamente tocar em Bella, mas Edward foi mais uma vez rápido. – Para com isso!

Edward soltou a mão dele com força.

– Eu acho melhor você sair da nossa frente, Jacob. Agora.

Edward tentou avançar em Jacob, mas Bella o segurou pelo braço. Eu imitei Edward, dando um empurrão em Jacob. Ele quase caiu em cima de uma mesa, mas se equilibrou. Furioso, avançou em cima de nós, mas Bella entrou na frente dele.

– Jacob, para! – mandou com uma voz autoritária. – Eu não tenho nada para falar com você, então me esquece.

– Mas Bella, nós temos que conversar!

– Cara, você é muito burro para entender que aquele soco que lhe dei era um cai fora?! Até a Tânia que é a Tânia entende e você não? Se manda, mané!

Claro que ela tinha que ofender Tânia, claro.

– Eu acho que já está na sua hora, Jacob. – Rosalie falou ficando na frente de Bella para que afastasse ele dela. – Vai.

Jacob encarou Rosalie com raiva.

– Isso vai dar merda. – Jasper comentou para se fazer presente.

– Eu não vou enquanto não falar com a Bella.

– Vamos ver então. – dizendo isso Edward praticamente se jogou em cima dele lhe dando um soco na cara.

Wow, e que soco!

Jacob cambaleou para trás levando a mão ao maxilar e com uma expressão de dor. O refeitório inteiro tinha prendido o folego com aquele ato.

– Edward! – Bella gritou de olhos arregalados e puxou ele de volta. – Você ficou louco?

Edward ignorou ela completamente, trocando um olhar furioso com Jacob. Esse começou a avançar para retrucar o soco e eu, percebendo que Bella ia ficar no meio dos dois, avancei também para tentar proteger minha irmã. Mas antes que houvesse uma colisão ali uma voz estrondou pelo refeitório.

– O que está acontecendo aqui?!

Nós todos nos viramos para aonde o Diretor John estava. Ele parecia furioso, mas normal, porque se Bella estava envolvida em algo o John saia do juízo dele.

John andou até nós, parando de frente para Bella.

– Como sempre, você.

– É, John, as coisas não estão fáceis. – minha irmã deu de ombros. – Mas dessa vez não tenho toda a culpa. Comece por esse babaca! – e apontou para Jacob.

– Nem entrou na escola e já está me dando problema, Sr. Black?

– O QUE?! – Bella, Rosalie, Edward, Tânia e eu berramos juntos.

Jacob cruzou os braços e sorriu triunfante.

– Era isso que eu queria falar. Eu voltei para a escola e voltei também para Los Angeles. E agora para ficar.

– Deus me odeia! – Bella jogou as mãos para cima. – E o capeta ama me infernizar. É isso!

Alguns riram daquilo, menos nós que sabíamos o quão sério era aquele assunto. O John pigarreou desconfortável, talvez vendo ali a confirmação de que Bella era possuída por um ser maligno.

– Dá pra vocês me explicarem o que está acontecendo aqui? – perguntou tentando mudar de assunto.

Nós todos começamos a falar ao mesmo tempo, mas John deu um berro que nos fez calar.

– Eu posso falar. – Tânia tomou a frente.

– Nem a pau! Você não está envolvida nisso, Tânia, cai fora! – Bella a empurrou.

– Parem com isso! – John disse entre dentes. – Bella, fale!

Ah, as intimidades que acontecem por passar muito tempo na diretoria.

– Acontece, John, que Jacob Black decidiu que deveria vir até aqui me atormentar. Eu e minha gangue estávamos saindo quando ele nos barrou procurando briga.

– Isso é mentira! – Jacob bateu o pé. – Esse estressadinho que já avançou em mim. – apontou para Edward que só bufou.

– Porque você provocou. – defendi Edward. – Se não tivesse tentado se aproximar de Bella, nada disso teria acontecido.

– Então a razão disso tudo é a Bella... Como sempre. – John lançou para ela um olhar acusador e Bella só deu de ombros como se dissesse “Fazer o que? Todos me amam!” – Certo, então eu quero o Sr. Cullen, Sr. Black e os Swan na minha sala, agora!

– Só pode ser brincadeira. – Jacob resmungou.

– Agora! – John repetiu.

Como eu já estava acostumado apenas segui, já pensando em como seria a minha fuga. Bella e Edward também não reclamaram, seguindo juntos. Viu o que eu disse? Ele a monopolizava! Cara, precisavam os dois andar de mãos dadas? Não! Mas faziam e isso me irritava.

Nós chegamos à secretaria e sentamos nas cadeiras almofadadas, esperando o John vir também. A Sra. Cooper, a secretaria velha do diretor, estava lá e quando nos viu entrar seus olhos verdes bateram exatamente em Edward, brilhando. Ela ajeitou a postura na cadeira e tentou lhe lançar um olhar sedutor. Edward se encolheu ao lado de Bella e eu gargalhei. Ela parecia ter uma certa atração por ele.

– Vamos levar detenção. – Bella comentou olhando para a Sra. Cooper.

– Como sempre. – Edward revirou os olhos tentando relaxar.

– E eu nem comecei direito ainda. – Jacob disse, mas ninguém deu atenção a ele. – Quer saber, vou fugir. Aqui eu não fico.

E falando isso ele saiu da secretaria. Percebi que a Sra. Cooper nem se importou tendo apenas olhos para Edward. Hmmmm, aquilo era algo bom. Eu sorri já sabendo que meu destino também era longe daquela sala. Fiquei de pé e caminhei devagar até a saída.

– Aonde você vai? – Bella perguntou.

– Olha o corredor. – dei de ombros.

Olhei novamente para a Sra. Cooper e ela continuava olhando para Edward então aproveitei e sai da sala, correndo pelo corredor na direção contraria que eu achava que o diretor estava vindo. Eu que não iria levar mais uma detenção.

BELLA POV

– Não acredito naquele puto! – resmunguei ao ver que Emmett tinha sumido.

– Estou ficando com medo, Bella. – Edward murmurou parar mim. – Essa mulher me assusta.

– Deixa de ser frouxo! – o empurrei e percebi os olhos da Sra. Cooper brilharem com a distância que mantemos. Agora entendi porque Edward estava com medo, aquele olhar assustava. Voltei a puxar ele para mim, cruzando nossas mãos. – Certo, vou te ajudar.

– Como?

– Apenas mantenha o foco em mim e faça-a pensar que é algo meu e pronto. Acho que isso resolve.

Eu e Edward ficamos com os rostos próximos enquanto conversarmos, hora ou outra olhando para a Sra. Cooper e vendo a expressão de desagrado dela. Pelo menos não era mais aquela assustadora. O diretor John apareceu e fez uma careta ao olhar para mim e para Edward.

– Por favor, vocês estão na escola. E cadê seu irmão e Jacob?

– Não sei. Fugiram. – dei de ombros.

– Mas que merda!

Oh, John, você é espetacular! O cara era um diretor muito bom, compreendam isso. Que diretor vai falar palavrão na frente de alunos? Só o John!

– Pois é.

– Vou buscar aqueles dois. Sra. Cooper, você vai me ajudar. – ela logo se postou em pé. – E vocês dois fiquem na minha sala. Bella, nada de mexer nas coisas, entendida? Você não pode pegar nenhum videogame. E não saiam!

Dizendo isso ele saiu furioso com a Sra. Cooper atrás dele. Eu poderia até fugir, mas isso acabaria ferrando ainda mais para Edward, que daqui a pouco tinha o teste de natação para fazer. Então nós entramos na sala e fomos nos sentar nas poltronas. Por um tempo ficamos conversando, mas então me entediei e fui mexer na gaveta do John e peguei o videogame portátil que tinha lá.

– Bella, ele falou para não fazer isso. – Edward me repreendeu.

– Ah, ele não vai brigar mais do que já planeja então não faz mal. – dei de ombros. – Você quer jogar também?

Edward ponderou e então deu de ombros, sabendo que eu tinha razão. Eu praticamente me joguei em cima dele, sentando em seu colo de lado e apoiando minha cabeça no ombro dele. Nossa amizade já era bastante forte para eu agir daquela forma.

Ficamos dividindo o videogame até um John vermelho e ofegante entrar na sala. Ele se apoiou na porta e tentou recuperar a respiração. Quando olhou para nós fez uma careta.

– Será que é tão difícil vocês dois se controlarem? Saia dai, Bella!

Eu levantei e fui sentar na outra cadeira. Achei que John ia sentar na dele, mas parou na nossa frente.

– O que aconteceu, John? – perguntei.

– Seu irmão e Black me fizeram correr uma maratona. Aqueles dois me pagam amanha!

– Mas porque amanha? – Edward perguntou.

– Porque hoje acabou o horário de aula e eles fugiram.

– O que? – Edward e eu nos surpreendemos.

Não acreditava que tínhamos passado o restante das aulas naquela sala. Nós não tivemos nenhuma aula hoje já que ficamos na piscina até o horário do almoço com planos de assistir as ultimas aulas.

– E sobre o que eu falei do videogame portátil, Bella?! – John pegou o videogame da minha mão me fazendo voltar atenção para ele. – Agora vocês dois vão pagar pelo castigo deles.

– O que?! – nós levantamos em um pulo.

– É isso mesmo. Eu estou cansado e nervoso então não vou pegar mole com vocês. Foram arranjar briga, bem feito!

– Mas o Edward não pode ficar na detenção hoje! – eu bati o pé. – Ele tem o teste de natação.

John olhou para nós dois e assentiu.

– Certo, eu quero vocês dois aqui porque vou falar com o treinador pra ver o que resolvemos.

– Qual é, John! – joguei as mãos para cima. – E só nos liberar.

– Não estou afim. – John me lançou um sorriso maldoso. – Fiquem aqui enquanto assisto os testes e então falo com o treinador.

John nos mandou um aceno e saiu da sala, fechando a porta. Eu fiquei ali parada de boca aberta sem saber o que fazer ou sequer falar. Ele havia atingido um nível de idiotice ao extremo. Eu iria matar Emmett e Jacob por terem fugido. Ah, se ia.

– Nós temos que sair daqui. – falei determinada.

– Bella, isso só vai piorar as coisas. – Edward suspirou. – Ele vai falar com o treinador então quer dizer que ainda vou fazer o teste.

– Não é bem assim não, Edward. Mesmo se você fizer o teste o treinador não vai lhe colocar no time porque ele vai te achar um problema. O John não pode falar com o treinador e você não pode fazer o teste depois. Eu conheço aquele treinador muito bem. Agora levanta essa bunda branquela dessa cadeira e vamos até lá!

Edward me olhou desconfiado e negou.

– Eu não vou sair daqui. Se formos eu não vou entrar de jeito nenhum porque John vai ferrar com tudo da mesma forma. Melhor acreditar nele do que ir até lá e tornar as coisas piores.

– Você não está entendendo! – gritei me sentindo um pouco desesperada. – Nós temos que ir, Edward, senão todos os treinamentos que fizemos não vão ser de nada.

– Não é como se fosse a primeira vez que isso acontece.

O olhei confusa, mas antes que pudesse falar alguma coisa ouvi um barulho estranho vindo da porta. Era algo como um clique. Um clique de chave. Edward e eu trocamos olhares desconfiados. Eu fui até a porta e tentei abri-la, mas estava trancada.

– John? – chamei e não obtive resposta. – Hey, quem trancou essa merda? Abre agora, imprestável!

Novamente sem resposta.

– Heeeey! – gritei batendo na porta. – Abre isso aqui!

– Ah, qual é! – Edward resmungou.

Eu não acredito que estávamos trancados.

AGORA

– Nós não podemos ficar parados, Edward. – murmurei contra a pele do pescoço dele.

Eu já não aguentava mais ficar dentro daquele lugar. O meu estado de energia me deixava ainda mais inquieta e eu já havia mudado a posição ao lado de Edward diversas vezes. Ele tentava manter a calma por nós dois, mas eu não sabia até quando iria seu limite.

Lancei um olhar para o relógio.

– Daqui a pouco vai acabar os testes e então tudo estará ferrado. – neguei com a cabeça. – Eu preciso fazer algo. Cansei de esperar.

– Não temos como sair daqui, Bella. Só quando alguém vir na diretoria.

A voz sem esperança de Edward não me desmotivou. Eu nunca deixaria um amigo meu triste, nem que para isso que tivesse que derrubar aquela porta.

Levantei em um pulo e já não ligando para aquela porta, fui até as janelas. Estávamos no terceiro andar e aquilo não era nada bom, mas havia uma árvore ali perto. Eu não era uma pessoa muito habilidosa com arvores só que tinha pratica com a de casa então não deveria ser muito diferente.

– Você era uma criança normal nos parque de Nova York, Edward? – perguntei.

– Por quê?

– Porque nós vamos descer por uma árvore. – me virei para ele que tinha aquela careta. – E ou você vai por bem e com suas pernas ou por mal com um chute na bunda. Qual prefere?

Era mais que claro a decisão de Edward, certo? Eu o fiz ir primeiro com suas pernas extremamente longas. Estávamos em uma parte que a árvore ficava um pouco abaixo, mas aquilo não nos impediu. Claro que foi mais difícil para mim por ser baixa, só que Edward me ajudou. Quando estávamos na árvore nós descemos devagar até finalmente estarmos em solo firme. Vendo que tínhamos nos saído bem eu dei pulos de felicidade e Edward revirou os olhos. Ele pegou a minha mão e nós corremos na direção do Ginásio para a parte que ficava a piscina, mas antes que pudéssemos entrar, Edward parou.

– Como vamos fazer para eu fazer o teste e John não ferrar com tudo? Já que ele nos mandou ficar lá, na sala dele?

– Não se preocupe que eu resolvo isso, ok? Agora só se preocupe em entrar ali e dar o seu melhor. Quando entrarmos você segue para o vestiário, troca de roupa e vá falar com o treinador.

Edward assentiu com a cabeça, abrindo um sorriso que eu retribuí. Tentei novamente ir para as portas, mas Edward me parou e me fez voltar a ficar de frente para ele.

– Obrigada por isso, Bella. Você, com certeza, é a melhor amiga que eu já tive.

Edward me puxou para um abraço e depositou um beijo na minha cabeça. Eu encostei minha cabeça em seu peito, apertando forte sua cintura. Edward também era um grande amigo para mim e ele havia marcado seu lugar na minha vida.

– Tudo bem, muito amor essa cena, mas está na hora de você ir lá! – falei batendo na bunda de Edward o empurrando.

Finalmente passamos pelas portas duplas, chamando a atenção de todos. Aquilo sim que era entrar com grande estilo. Eu empurrei Edward para que ele fosse para os vestiários e fui à direção da arquibancada que era onde John estava já me olhando com cara feia. Tinha algumas pessoas para torcer, algo que já era bastante estranho, mas mais ainda eram que Rosalie, Nessie, Jasper, Emmett, Alec e Tânia estavam ali, todos com pompons nas mãos. Certo, o que estava acontecendo naquele grupo?

Mas antes que pudesse ir até lá, fui até John, que tinha a Sr. Cooper do lado. Essa velha maldita tinha que estar na diretoria.

– O que eu falei sobre vocês dois ficarem naquela sala, Bella?

– Desculpa, John, mas eu não podia deixar você fazer isso com Edward. Nós dois sabemos bem que se o treinador souber que Edward estava na diretoria ele não o colocaria no time e eu não vou permitir que apenas uma coisa que aconteceu por minha causa acabe com o que pode ser uma grande chance para Edward. Então se você quer castigar alguém, tem que ser a mim, não a ele. Edward vai fazer esse teste.

Pela primeira vez vi John sem palavras. Esperei alguns segundos para saber sua resposta. Ele me encarou e por fim suspirou.

– Tudo bem, então. Depois resolvemos isso, ok? Edward vai fazer o teste dele.

Eu abri um sorriso e pulei em cima de John, o abraçando.

– Obrigada! Obrigada, John!

– Tá. – ele me afastou delicadamente. – Agora vá se juntar aos seus amigos. – eu assenti e comecei a ir, mas John me chamou. – Desde que eu lhe conheço, Bella, já vi muitas coisas em que você é boa e ser amiga é uma delas. Saiba que foi por isso que eu aceitei o que aconteceu hoje, mas isso não vai mais se repetir.

Eu assenti com a cabeça para ele e ia seguir em frente, mas me virei de volta para John.

– Eu acho bom você chamar um chaveiro.

Vi a sombra de medo passar pelos seus olhos.

– Não me diga que você derrubou a porta, Isabella?

– Não. Mas ferrei com a fechadura.

E falando isso segui meu caminho.

– Onde você estava? – Rosalie foi a primeira a me parar.

– Presa na sala da diretoria. Alguém trancou Edward e eu lá dentro, o porquê eu não faço a menor ideia, mas quando descobrir quem foi vai se vê comigo. – revirei os olhos jogando a raiva pra longe. – Como estão indo os testes?

– Até agora bem. O treinador chamou o nome de Edward já, mas acho que vai o deixar fazer o teste mesmo com atraso.

– Espero. – olhei temerosa para o treinador que olhava um dos meninos nadarem.

– Bella, aqui estão seus pompons! – Nessie veio saltitando até a mim e me entregou. – Nós vamos torcer muito para Edward! Ele vai ser o melhor!

Novamente aquele olhar de que Edward era um herói para ela apareceu e eu tive que concordar com Renesmee, não só para deixa-la feliz, mas também confiava que Edward se sairia muito bem.

Tomei meu posto ao lado de Renesmee e Rosalie, olhando os meninos fazerem o teste. Quando Edward entrou naquela parte do Ginásio vestindo uma sunga, com uma toalha nos ombros e trazendo nas mãos a touca. Brincando eu soltei um “gostoso” bem alto e todos riram. Edward balançou a cabeça e foi falar com o treinador, que assentiu com a cabeça. O que quer que ele tenha falado deu certo.

– Ela adora chamar a atenção. – Tânia falou com sua voz enjoada.

Até então tinha me esquecido de sua presença, mas ao ouvir sua voz voltei a minha duvida do que ela estava fazendo ali. Me virei para Rosalie e sem nem mesmo precisar perguntar tive minha resposta.

– Ela grudou no braço de Nessie e bateu o pé falando que ia vir conosco torcer por Edward porque eles são amigos. – deu de ombros. – Até me ajudou a pegar os pompons.

Olhei para Tânia que acenou para mim com sua falsa cara de animação. Aquilo era mais que claro que ela só estava ali para torcer pelo Brad, já que não queria mostrar tão na cara, usou Edward como desculpa. Decidi ignorar a presença de Tânia.

Quando chegou a hora de Edward nadar nós todos começamos a gritar e animar aquilo. Éramos um grande grupo juntos e dos mais bagunceiros, não foi difícil termos uma torcida alta. Edward se ajeitou em cima do lugar e quando o treinador soou o apito ele pulou na água. Desde a primeira vez que o vira nadar em uma piscina olímpica eu me impressionara com a força e a rapidez de Edward e daquela vez não fora diferente.

O seu amor pelo esporte o fazia pertencer aquele lugar e ser certo fazer aquilo. O seu corpo ia ágil e gracioso ao atravessar e também ao fazer a virada de corpo para voltar em uma velocidade que para mim era surpreendente. Ao mesmo tempo em que eu gritava animada eu estava encantada ao assisti-lo. Com Edward no time eu nunca mais perderia as competições de natação, pois queria vê-lo mais e mais vezes nadando. E eu já sabia que ele estava no time, não tinha um se no meio de nenhuma frase.

Assim que Edward terminou o teste dele o treinador deu um grande sorriso para ele. Aquilo só me deixou ainda mais convicta. Então teve mais outro teste aonde os que o treinador escolhesse iam competir juntos e ver quem chegava primeiro. Edward estava entre eles. Um passo mais perto.

Novamente o apito soou e novamente ele estava lá, na água, fazendo parte dela ao nadar. Aquele garoto era demais! Nessie e eu perdemos a voz berrando e torcendo para ele, tendo a maioria da atenção, mas não nos importamos. Quando chegou a vez da ultima volta foi uma expectativa para ver quem chegaria e não me surpreendi ao ver Edward ganhar com Brad atrás dele. Estava agora na cara que tínhamos os melhores nadadores da Los Angeles High School.

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Eu joguei as drogas dos pompons para longe e desci aquelas arquibancadas correndo querendo logo parabenizar Edward. Eu não acreditava que ele iria ganhar uma resposta negativa, mas se acontecesse, não importava. Edward tinha se saído bem.

Quando cheguei à parte da piscina passei pelos outros meninos empurrando eles e chegando a Edward. Ele estava de costas e em um impulso pulei nelas. A minha sorte era que Edward era forte, pois então teríamos os dois juntos para o chão.

– Parabéns, Edward! – eu soltei animada e dei um beijo estalado em sua bochecha. Ele riu. – Você foi perfeito.

Antes que Edward pudesse responder um vulto passou e se agarrou nele pela cintura. Era Renesmee e ela encostou a cabeça no peito também não se importando que ele estivesse molhado.

– Você foi ótimo, maninho. – ela falou e percebi que além de animada sua voz também estava embargada.

Desci das costas de Edward e parei ao lado de Rosalie, todos haviam se juntado a nós. Os irmãos conversavam entre eles. A voz do treinador se fez presente chamando a atenção de todos.

– Eu quero dizer que todos vocês se saíram bem. Escolher pessoas para um time não é fácil, ainda mais sabendo que todos querem muito entrar. Eu vou precisar pensar nas minhas escolhas, então apenas amanhã vocês saberão. Vou colocar no horário do almoço uma folha no painel que fica em frente ao refeitório. Agora todos podem ir se trocar e boa sorte.

Dizendo isso ele se retirou dali assim como John.

Nessie POV

Eu estava animada e feliz. Claro que estava já que tinha ouvido Bella falar com convicção que Edward fazia parte do time de natação. Ela viera comigo e com meu irmão no carro dele e a sua animação passou para mim. Bem, pelo menos uma parte. Eu também estava ansiosa para amanhã quando teríamos a confirmação de que Edward estava mesmo no time. Mesmo que aquilo fosse pouco comparado ao que ele tinha em Nova York, era também um jeito de dar um grande passo. Papai ainda seria duro, mas amoleceria um pouco ele ao ver que Edward estava empenhado tentando voltar.

Mas ainda havia algo me incomodando. Era a pequena magoa de Alec. Ver como ele agia com os outros e comigo me deixava triste porque o que havia de errado que ele não podia se aproximar um pouco? Eu era chata, irritante ou algo assim que ele preferia manter distancia? Era o que parecia. E eu não conseguia entender o por que.

Esme estava paparicando Edward e eu saí um pouco para fora. Ele merecia aquilo só para ele por um dia. A atenção de mamãe. Estava na varanda sentada torcendo para que o vizinho do carro turbinado aparecesse sem camisa, pronto para lava-lo. Mas não foi isso que eu vi, e sim Emmett e Alec vindo no final da rua. Emmett mexia a mão freneticamente e Alec tinha uma expressão de carranca. Eu podia muito bem correr para dentro, mas eu era uma pessoa curiosa e queria saber como Alec reagiria quando me visse. Então sentei na varanda de casa pegando meu celular e fingindo mexer.

Ouvi quando eles se aproximaram da casa dos Swan, a voz grossa de Emmett já era algo difícil de não ouvir e com ele ainda gritando então.

– Eu não vou mais repetir, Alec. Eu quero que você vá se desculpar! E não negue ou sou capaz de te levar até ela na base dos chutes. E você sabe que eu faço isso, Alec.

Ouvi um rosnado que imaginei ser de Alec. Eu não precisava ser um gênio pra entender que Emmett falava de mim e não pude evitar um sorrisinho.

– Do mesmo jeito que você está falando comigo! – Emmett elevou ainda mais o tom de voz dele. – Estou impressionado que conseguiu falar mais de duas palavras agora, então continue assim e vá se desculpas, seu mané. Está na hora de você começar uma conversa.

Olhei pelo canto do olho e vi Emmett empurrando Alec na direção da minha casa. A cara de Alec era engraçada.

– Só bata na minha porta quando tiver falado com a Nessie e se desculpado por ser um idiota. E torça pra ela te desculpar porque senão eu acabo com sua raça, seu mudo falso.

E falando isso Emmett empurrou Alec com força e seguiu para a casa dele. Decidi que era hora de mostrar para ele que prestava atenção e ergui minha cabeça, o encarando. Alec estava paralisado ali e com o rosto vermelho. Eu não sabia se era constrangido ou por causa do sol, mas chutava a primeira opção.

– Re-Renesmee. – murmurou.

Aquela fora a primeira vez que o ouvira falar meu nome. Mesmo tendo sido de forma gaguejada foi a primeira pessoa que me fez gostar de como soava meu nome. E não pude controlar um suspiro quando meu coração acelerou.

– Alec. – falei.

Ele olhou para os lados um pouco nervoso. Eu me afastei no degrau da varanda em um convite mudo para que ele sentasse ao meu lado, e ele entendendo, o fez. Nós dois ficamos alguns minutos em silencio sentados lado a lado. Eu tinha muitas coisas para falar e até perguntar, mas não iria fazer aquilo. Como Emmett disse, estava na hora de Alec começar a conversa. E ele sabia disso.

Alec pigarreou ao meu lado dando indicio de que iria fazer.

– Você ouviu? – sua pergunta foi baixa. Eu olhei para ele e assenti. – Eu... Queria pedir desculpas.

Ele parou esperando que eu falasse algo, mas não o fiz. Eu não o queria torturar nem nada, mas queria o ver falando mais. Não porque não iria desculpa-lo e sim porque era a minha maior vontade, ouvi-lo falando mais do que apenas algumas palavras. Alec, achando que eu queria mesmo tortura-lo me lançou um olhar de “você só pode estar de brincadeira” que eu neguei, dando de ombros.

– Não é minha intenção ser rude quando não te respondo, Nessie, só que... Eu nunca sei o que falar. – ele ergueu um ombro com uma careta. – Não que eu fale muito. – soltou com ironia o que me fez rir.

– É, eu percebo isso. – falei. – E eu já me acostumei vê-lo falar poucas palavras com os outros, mas comigo você só... Balança a cabeça. Isso é por que... Você não gosta de mim? Eu sou irritante? Chata?

Comigo as coisas não tinham enrolação, eu precisava saber e se para isso eu tivesse que soltar o verbo, eu iria.

Alec arregalou os olhos diante da minha pergunta.

– O que? Não... Não é isso.

– Então o que é? – perguntei em um fio de voz.

– É que eu nunca sei o que falar para você.

Aquilo me pegou de surpresa. Não que eu já não estivesse, afinal Alec estava falando. E tenho que admitir que estivesse amando o som da voz dele. Mas ele não saber o que falar para mim, eu que sempre conversava com todo mundo sobre tudo, era impressionante.

– Você pode falar qualquer coisa. – murmurei.

Alec abriu um sorriso, fora o primeiro sorriso realmente daqueles sorrisos abertos à vontade que recebi dele. E eu não sei explicar o que ele me causou, mas que causou alguma coisa causou. Era novamente aquela sensação de milhares de borboletas batessem suas asinhas no me estomago.

Eu não conseguia acreditar que Alec estava mesmo falando algumas palavras a mais do que o normal. Vi aquilo como uma brecha para o que mais queria fazer.

– Alec, posso te perguntar uma coisa?

Alec me olhou confuso, mas deu de ombros. Eu o encarei com tédio o fazendo revirar os olhos.

– Pode sim, Nessie.

– Certo... Eu sei que tem pessoas que não gostam de falar muito por causa da timidez e tudo, mas você convivendo tanto com Bella e Emmett não deveria ser assim, então porque você é tão quieto? Isso foi uma escolha sua? E por quê? Digo, eu não consigo imaginar nada que possa ter feito você escolher não falar muito. Eu acho comunicação uma coisa tão importante para relacionamentos que...

– Nessie...

– Olha, se você não quiser falar tudo bem, eu entendo. E eu até te desculpo pelas coisas que aconteceram entre nós, e eu sei que fiz um drama horrível, não é? Eu prometo não fazer mais isso. É que eu sou muito curiosa em relação a você e como você não sabe o que falar para mim, eu não porque te acho assim intrigante. Eu tenho muitas perguntas para você.

– Renesmee...

– Você ainda não me respondeu por que você escolheu ser tão introvertido não falando. É algum trauma ou algo assim? Tadinho, deve ter sido horrível, não é? Uma vez perguntei a Bella sobre isso já que imaginava que você não iria responder e ela disse algo com vagabunda e boca grande que não fez sentido algum. É por isso que acho que seja um trauma e...

– Chega! – Alec berrou e eu arregalei os olhos, parando de falar. – Meu Deus, como você fala.

Abaixei a cabeça me sentindo constrangida, mas é que eu estava mesmo curiosa para saber sobre ele e assim não conseguia segurar minha língua. Nós éramos o inverso na nossa situação.

– Renesmee, é só você perguntar com calma, tudo bem? Eu vou responder.

– Vai mesmo? – olhei para ele esperançosa.

– Vou. – suspirou. – Se você nunca mais fizer isso. Foi extremamente assustador.

Foi impossível não rir da cara que Alec fez. Parece que eu tinha acabado de descobrir uma forma de fazer Alec falar. Uma forma que não era nada difícil para mim porque falar era comigo mesma.

Notas finais
ai gente que saudades que eu tava de postar aqui, serio!!! Do jeito que demorei nem sei mais se tenho leitoras, mas espero muito que sim. As pacientes que conseguiram esperar se manifestem para que eu possa saber *-*
E entao o que voces acharam do capitulo? Tudo que aconteceu quase trouxe problemas para a dupla Bella&Edward, mas como sempre eles se sairam bem kkkk Quem voces acham que prenderam os dois lá dentro? Deem seus palpites. Aviso que pode ser tanto conhecido quanto personagem novo. E Nessie e Alec? Esses dois eu tenho tantas coisas ainda pra eles!!
Eu queria pedir mil desculpas para todas voces pela minha demora, eu nao sei o que anda acontecendo comigo, mas ando tendo uns bloqueios e é uma droga. Isso porque to com dois enredos de fics na mente e acabo tendo tanta coisa pra pensar que me perco. Uma até estou adiantando e até pensando em posta-la logo, só estou esperando a capa ficar pronta ♥
PESSOAL DE REVISTA NERD QUEM QUISER BAIXAR A FIC ESTÁ AQUI O SITE http://www.filefactory.com/file/4leno7pdvw5r/n/Revista_Nerd.pdf
Bem, é isso. Eu vou tentar aparecer logo com outro capitulo de Seven Reasons e também de Aquela Garota. Me desculpem mesmo, meninas. Saibam que mesmo demorando eu NUNCA vou abandonar a fic, nao acho que isso seja certo com voces, nao tenho planos de fazer isso. Eu vou até o fim com todas minhas fics, demorando ou nao. Obrigada as que compreenderem e continuarem.
Beijos