Notas iniciais
Esse capítulo foi realmente difícil de escrever. Digo isso pelo fato em que na história não existe nenhum nome. De qualquer modo, eu fiz o meu máximo e realmente espero que vocês consigam entender. Como todo capítulo, eu fiz com muito carinho pra vocês.

Seu cachorro era muito feio. Ele poderia ser um filhote, porém era para lá de estranho. Ela também tinha sérias suspeitas de que fosse gay, se é que isso é possível. E sim, quem o conhecesse, sempre concordava.

– Ér, acho que ele gostou de você. – Ele disse, não fazendo a menor ideia de quem era aquele cachorro. Como nunca havia ido a casa dela, não sabia o que pensar sobre a cena.

– Ah... Esse é o Fred, meu cachorro. – Ela confessou meio envergonhada. O que diabos ele estava fazendo ali?

Nesse exato momento, a resposta para sua pergunta chegou com malas e uma careca que parecia um diamante.

– Pai? De onde essas malas vieram?

– Bem, nós resolvemos ficar mais alguns dias por aqui. – Disse seu pai, como se isso fosse a melhor ideia que ele já teve em sua vida inteira e tivesse acabado de ganhar na mega cena.

– O QUE? A GENTE NÃO IA EMBORA HOJE? – O problema dela: Ela explodia fácil. Odiava quando uma pessoa dizia algo e depois mudava de ideia, fazendo outra coisa totalmente inversa a sua primeira palavra. Essa era a gota d’água para sua nada grande paciência. Ficou realmente com raiva. Queria mais do que tudo ir embora naquela tarde, esquecer tudo que havia acontecido e se mergulhar o resto das férias na internet e no celular.

– Falou certo, ia. – Aquela careca parecia rir da reação da filha.

Nesse exato momento, sua mãe apareceu ao lado de seu pai. Olhou feio para a filha, que era a única coisa que sabia fazer perto dela. Esse gesto, seguido da conversa que se passou, foi o que fez ele entender o motivo do rancor da menina no dia anterior, quando ela falou sobre a sua infância e como seus pais a tratavam melhor nessa época.

– Arrumou a cozinha? – Começou a dizer, seu tom de voz ameaçador.

Ela baixou a cabeça, observando seu cachorro que tentava desesperadamente se soltar de seus braços.

– Na verdade o... – Respondeu a menina, já certa da bronca que iria levar por “não ter ajudado” seu primo a arrumar tudo.

– Arrumou sim. Ficou se matando desde que acordou. E ainda arrumou o resto da casa. – Ele soltou de repente, cortando a resposta dela. A menina o olhou, abismada. Seu olhar era algo como “O que você pensa que está fazendo?” e “Obrigada. Muito, muito obrigada. Tipo mesmo.”.

– Bom mesmo. Quero que você pegue o resto das malas no carro. – Seu olhar era duro. Ás vezes, ela poderia jurar que um brilho de maldade cintilava no olho da mãe ao brigar com ela.

– Por que você não ajudou? Suas mãos estão completamente vazias.

– Porque eu já tive que arrumar sua mala enquanto a inútil dormia.

“E eu não fiz nada, não é?” Pensou a menina. Sua vontade era de gritar que não pediu para ficarem mais alguns dias naquele fim de mundo, muito menos para ela arrumar a sua mala.

Levantou, praticamente atirando Fred no colo da mãe. Imediatamente a postura maternal mudou, acariciando e fazendo vozinhas retardadas com o cachorro, que olhava para ela em um olho e para o nada em outro.

– Mereço... – Sussurrou, revirando o olho juntamente. Falou baixo o bastante para ninguém ouvir. Porém alguém ouviu. O mesmo alguém que prestava atenção nela toda vez que a via.

Marchou em direção ao carro, com o menino ao seu encalço. Agarrou algumas malas com fúria enquanto ele pegava outras. Ela sentia um nó crescendo em sua garganta. Antigamente, sempre que sua mãe era injusta, o nó era de tristeza. Hoje em dia, era de pura raiva. Mágoa acumulada por anos.

Voltou a casa, largando as bagagens no sofá e subindo para o quarto que seria seu lar pelos próximos “alguns dias”. Jogou-se na cama, abafando um grito que viera da alma em seu travesseiro. Lágrimas queimavam seus olhos. Inútil, sua mãe dissera. Ela era uma inútil.

Alguém abriu a porta. Esperou que ele falasse, mas ao invés disso escutou a voz de uma criança.

– Ei, você esta bem? – Falou sua priminha, com os grandes olhos infantis cheios de preocupação.

Ela olhou para trás e viu a criança encarando-a. Ergueu os braços em sua direção, como um convite para ir deitar com ela. A menina sorriu e correu, pulando junto à prima.

– Estou bem sim. – Respondeu, enxugando uma minúscula lágrima que queria descer de seu olho esquerdo. Era tão pequena que a pequenina não viu. Melhor assim.

– Tão chamando você para brincar com a gente. Pique-esconde agora. Você quer? – Ela parecia tão esperançosa que não havia como dizer não.

– Ok. – Ela sorriu. Quem sabe uma brincadeira a faria melhor.

Levantou da cama e olhou para a porta. Ele olhava tudo encostado na parede, silencioso. Certamente fora ele que trouxera a pequena até lá. Certamente era ele que estava chamando para brincar.

– Você não presta mesmo. – Sorriu a menina, falando para ele. Não sabia o porquê, mas aquele pequeno gesto a fez feliz.

– O que eu fiz? – Disse ele, fazendo uma cara de inocente. Ela passou ao seu lado, trombando de brincadeira em seu ombro.

– Vamos logo, albino.

– Atrás de você, baixinha.

Correram até fora com toda velocidade, a criança liderando o trio. Chegando lá, encontrou com mais três crianças. Seus primos, o mais velho com 12 anos, o do meio com 10 anos e o menor com cinco. Ah, e claro, ele. Todos homens, o que fazia ela, sua priminha de 9 anos e outra com menos de um as únicas mulheres adolescentes/crianças da casa. Os meninos observavam os recém-chegados à brincadeira com um olhar travesso. Ela deu um pequeno sorriso.

– EU NÃO VOU CONTAR. – Gritou o do meio, abaixando-se.

Imediatamente, todos se abaixaram, restando apenas o mais sedentário e lerdo em pé. Ele olhou ao redor, percebendo que deveria ter abaixado. Em seguida, se jogou ao chão rapidamente. Todos olhavam para ele, rindo.

– Nem adianta, você vai contar! – Disse o moreno de cinco anos.

– Tudo bem. – O maior respondeu, parecendo realmente triste. – Mas só até 30.

Deitou a cabeça entre os braços e começou a gritar.

– UM, DOIS, TRÊS... – Todas as crianças saíram correndo, juntamente com a maior.

Ela se escondeu embaixo da mesa, perto da churrasqueira. Não era um esconderijo muito bom, mas a toalha grande que cobria a mesa lhe dava uma vantagem.

– Ah, sai fora! Esse aqui já é meu! – Disse, empurrando seu primo de 10 anos quando ele se enfiou embaixo da mesa com ela. Ele saiu correndo que nem um retardado, indo para o lado aposto ao dela.

Ficou lá, tentando escutar se a contagem já estava chegando a trinta. Não ouviu nada, o que indicava que ou ela estava ficando surda ou ele já havia chegado. Respirou minimamente, tentando ao máximo não fazer nenhum barulho.

– ACHEI! – Ela ouviu a voz do menino, falando provavelmente para sua prima, que havia se escondido em uma árvore ali perto, esperando ele se afastar um pouco para correr e se salvar.

Enquanto isso, ele fazia de tudo para achar ela. Queria ver a cara da garota quando a achasse de surpresa. Pensou em todos os lugares possíveis para ela estar. Na árvore, onde achou sua outra prima; atrás da casa, onde achou seus dois primos. Agora só faltava mais dois.

–EU VOU ACHAR VOCÊS. – Gritava ele, fazendo seus priminhos rirem loucamente. O de 12 anos, que ainda não havia sido achado, fez o erro de mudar de esconderijo. Assim que o viu, os dois saíram correndo em disparada, numa disputa de quem chegava primeiro. Obviamente, o menor chegou.

– Isso não é justo, eu sou fraco para correr. – Disse ele, ofegando.

– Falta só mais uma, vai procurar. – Diziam as crianças.

Ele saiu à caçada. Procurou uns dois minutos, até ver o Fred entrando debaixo de uma mesa.

“Peguei.” Pensou, sorrindo maliciosamente. Andou silenciosamente até a mesa, entrando embaixo dela por trás.

– Não! Sai daqui Fred! Vai embora! Vaza! – Ela tentava desesperadamente expulsar o cachorro, enquanto sussurrava o mais alto que o momento permitia. Ele apenas a olhou com a língua pendendo para um lado.

– Coitado do cachorro.

Ela virou rapidamente. Seu rosto estava a centímetros do dele. Ele a encarava com um olhar sapeca.

– Eu não te vi entrando. – Caramba, como ele era lindo.

– Eu sei ser silencioso quando quero. – Seu rosto se aproximava ainda mais. Ela conseguia sentir os olhos dele seguindo a linha de sua boca. Ele chegou tão perto que se um deles se movesse um milímetro para frente, seus lábios se tocavam.

– Não agora, babaca. – Ela virou, saindo rapidamente debaixo da mesa, correndo para a salvação.

Ele ficou parado. Havia chegado tão perto. Da próxima vez, tinha que tomar certeza que não haveria para onde ela fugir, a não ser em direção a seus lábios. E ele já fazia ideia de quando seria o momento perfeito. Quem sabe naquela mesma noite, em uma cama em que certos primos apaixonados dividiam em uma errada paixão.

Notas finais
Gostaram? Acham que alguma coisa precisa melhorar? Por favor, comentem. Vou fazer o máximo para que o próximo capítulo seja exatamente como vocês pedirem.