Aquarius

2 Wish I were...


Notas iniciais
Heather - Conan Gray

eu queria ser...

— Você tem certeza de que precisa falar com ele Dora? – questionou Lola assim que chegaram em Hogwarts enquanto pegava suas malas e a gaiola de sua coruja.

— Claro que sim, é minha obrigação como irmã mais velha. Não serei como Eleanor que me ignora e finge que não existo. – Reclamou Doralice enquanto lembrava do pedido da irmã mais velha de não falar com ela no colégio. – Sem falar, que estou muito preocupada, não consegui encontrar esse pirralho àquela hora!

— Será que você estava em perfeito estado de suas capacidades mentais? Pois tinha acabado de encontrar o James. – Provocou Louis com a voz elevada e rindo para a cara de desespero de Doralice.

— Fale mais baixo. – disse Doralice segurando o braço de Louis.

— Mas eu falei baixo.

— Aham... – constatou Doralice semicerrando os olhos desconfiada. – Enfim, vou procurar esse pirralho antes que ele embarque naqueles barcos assassinos!

— Ei... você não me respondeu. – gritou Louis ao fundo, mas que ela fingiu não ouvir e seguiu em frente.

Doralice não confiava nesse esquema de levar crianças em barquinhos minúsculos sem nenhuma proteção. Ainda mais depois, que ela foi empurrada no lago no seu primeiro ano. Ela dividiu o barco com Kate Clearwater, uma garota que teve seus avós assassinados na primeira guerra e que ligou o sobrenome “Nott” ao acontecimento. Se lembrava até os dias atuais do pânico que se assomou a ela nesse dia. Graças a Merlin, o professor Longbotton usou algum feitiço de secagem nela que evitou qualquer constrangimento ao adentrar Hogwarts. Porém, não se livrou do tormento da garota, que inclusive era uma Grifinória e adorava chamá-la de “projeto de comensal da morte” pelos corredores de Hogwarts.

— Meu avô foi um comensal da morte! Não eu, ou meu pai! – pensou em voz alta.

— Nós sabemos disso Doralice, fique tranquila. – disse Lysander passando por ela e dando um tapinha motivacional em seu braço.

Envergonhada por alguém ter ouvido andou rapidamente em direção onde os primeiranistas estavam, depois de muita procura encontrou o garoto. Elliot Nott, era parecido com ela, cabelos pretos encaracolados e pele branca, porém ele não tinha sardas e seus olhos eram verdes, diferente do seu castanho claro.

— Então, onde você estava no trem? – disse preocupada enquanto checava se ele estava bem. – Enfim, não importa. Como você está? Com fome? Com frio? E...

— Estou ótimo Doralice, não está vendo? – respondeu Elliot revirando os olhos empurrando a irmã emburrado. – A gente se fala depois. Beeeem depois. – E saiu correndo ignorando os alertas dela.

— Se mantenha longe das bordas e fique em silêncio! – gritou com um último aceno. Ele era mais corajoso que ela, mas não custava dar um aviso.

Doralice ficou olhando seu irmão indo em direção a Hogwarts com uma sensação melancólica de abandono, parece que foi ontem que demonstrou seu primeiro sinal de magia. Tinha que aceitar que Elliot já tinha 11 anos e sabia se defender melhor que ela e com essa conclusão foi em direção a uma das últimas carruagens.

Assim que chegou na penúltima carruagem entregou suas malas e a gaiola de Morgana, sua coruja de estimação, abriu as cortinas e travou na hora. Pois dentro estava, nada mais, nada menos que James e Daisy, e detalhe: de mãos dadas.

— Acho que vou para outra carruagem. – disse Doralice, que foi logo impedida pelo funcionário, pois ele já tinha colocado suas coisas.

— Tudo bem, tem lugar do meu lado. – disse Brian Finnigan, o outro garoto presente na carruagem, que Doralice ainda não tinha percebido depois da surpresa anterior.

Doralice subiu na carruagem sentou-se no banco, expirou lentamente e olhou para frente meio constrangida.

— Oi, de novo. – disse James que estava de frente com ela e acenava com a mão simpático.

— Oi. – respondeu olhando somente para ele.

— De novo? – perguntou Daisy olhando para James e assim captando a atenção de Brian que olhou para Doralice.

— A gente se esbarrou no corredor do trem. O nome dela é Doralice.

— Você lembra do meu nome?

— É claro que sim. Eu sou um cara muito educado e que decora nomes facilmente.

— Esqueceu de dizer insuportável. – falou Brian Finnigan voltando a ler um folheto que estava em suas mãos.

— E insuportável, como meu querido amigo lembrou – disse James e depois falando “não liga pra ele, está de mau humor” em um sussurro quase inaudível.

— Eu sou a Daisy Storm. Monitora da Grifinória – anunciou a ruiva sorrindo educadamente para Doralice.

— Eu sei. – disse Doralice rapidamente e notando um olhar questionador da outra. – Minha irmã, é a monitora chefe. Por isso que sei seu nome, eu acabei olhando em suas anotações os nomes dos monitores.

Depois da última frase a carruagem entrou em um silêncio constrangedor, e o nervosismo de Doralice aumentou ainda mais. Não era legal ser vela de um casal, ainda mais quando um deles era seu crush de anos. E as mãos dadas lhe causavam inveja, ela queria receber aquele carinho que ele fazia lentamente na mão de outra. Dava para sentir o perfume de James, tinha um aroma meio cítrico e ela queria poder sentir mais de perto, e tinha que parar de pensar nessas coisas, ele tinha namorada.

— Vocês sabiam que nossas carruagens estão sendo levadas por Testrálios? – disse Doralice recorrendo ao conhecimento se impedindo de surtar. – Que é uma raça de cavalo alado, mas vocês não podem vê-los por que são portadores de invisibilidade, a não ser, é claro que já presenciaram a morte de perto. Alguns estudiosos afirmam que são agourentos, mas na minha opinião não, e um exemplo disso é ser nosso condutor ao castelo. O estudo deles está descrito na ementa de Tratos das Criaturas Mágicas do quinto ano e provavelmente caíra nos NOM’s se vocês decidirem escolher essa matéria.

— Ah... obrigado, Doralice. Tenho certeza de que essa informação será útil. Pois faço essa matéria. – disse James dando um sorriso.

— Eleanor Nott. É esse o nome da sua irmã, não é? – perguntou Daisy se lembrando o nome da garota que tinha lhe dado um sermão por ter demorado colocar o uniforme de Hogwarts.

— Nott! – disse Brian dando um estalo nos dedos. – Um dos sobrenomes de um comensal da morte da Segunda Guerra Bruxa.

— Meu avô foi um comensal da morte. – disse Doralice olhando imediatamente para Brian perdendo o controle. – E agora ele está internado num Hospital Trouxa porque não lembra de nada a não ser o nome de minha avó. E meu pai não é um comensal da morte, ele inclusive lutou na segunda guerra, ajudou várias pessoas e nunca tratou mal qualquer Potter ou Weasley, ou um nascido trouxa. Tenho certeza de que ele é melhor que qualquer outro grifinório que adora me lembrar disso, como seu eu fosse culpada de algo. – Terminou num suspiro e percebendo que todos a olhavam com olhos arregalados.

— Doralice, tenho certeza de que não foi isso que o Brian quis dizer. Ele só é meio cabeça de vento e diz coisas aleatórias. – disse James inclinado sobre os joelhos e olhando Doralice preocupado.

— Desculp...

— Tudo bem. Não precisa. – Interrompeu Doralice antes de ouvir o pedido de desculpas de Brian. – Chegamos. É melhor descer antes e fingir que esse momento constrangedor nunca aconteceu.

— Ei, Doralice... – disse James, mas a garota ignorou e desceu correndo – Brian, nós já falamos para você pensar antes de dizer qualquer coisa.

— Como eu ia adivinhar que ela ia surtar? – disse Brian se levantando. – Não é como se as pessoas tivessem um mecanismo de alerta toda vez que ativarmos algum gatilho nelas.

— Mas se você pensasse antes de falar, você chegaria facilmente a uma conclusão de que ninguém gosta de lembrar que algum parente seu foi comensal da morte. – falou James enquanto ajudava Daisy a descer da carruagem.

— É... pensando assim é óbvio. Mas eu esqueço de pensar que tenho que pensar antes de falar, ok?

— Do que vocês estão falando? – se intrometeu Fred quando se encontrou com seus amigos após saírem de suas carruagens.

— Brian constrangendo pessoas de novo. – explicou Daisy se afastando e indo se encontrar com suas amigas.

— Tchau Daisy... – falou James enquanto a ruiva saia sem se despedir. – Uau, o que eu fiz dessa vez? – comentou não entendendo a atitude da garota.

— Ela deve ter ficado com ciúmes da Doralice. – disse Brian se desviando de uma pedra no caminho.

— Doralice? Aquela menina do corredor? – perguntou Fred enquanto tropeçava na pedra. – Ela tem uma queda por ele.

— Não dei motivos para ciúmes. – Confirmou James enquanto entrava em Hogwarts. – E eu já te disse Fred, ela só é tímida.

— Toda vez que você sorria para garota a Daisy fazia uma careta.

— Agora não posso ser simpático com as garotas? Só porque resolvi namorar alguém? Pronto, eu automaticamente só posso sorrir pra Daisy?

— Não. Mas a gente conhece você. – disse Fred enquanto piscava para uma lufana que lhe encarava.

— E você só sorri assim quando está flertando com alguém. – disse Brian se sentando na mesa.

— Às vezes é difícil diferenciar um sorriso normal de um sorriso de flerte quando é você. – Complementou Fred encarando o primo.

— Não pedi conselhos. – disse James encerrando o assunto.

Assim que os primeiranistas adentraram o grande salão de Hogwarts, James acabou trocando um olhar sem querer com Doralice que estava sentada na mesa da corvinal, que abaixou a cabeça rapidamente com o rosto corado, seu primo Louis riu dela enquanto perguntava algo e o ignorava. Ok, talvez ela tivesse uma queda por ele. Não podia fazer nada quanto a isso, ele sabe que tem um charme irresistível. Ele agora tinha uma namorada, né? Precisaria se comportar. Seria difícil, pois ele adora esbanjar seu carisma.

Daisy Storm era sua melhor amiga desde que pisou em Hogwarts, ela já conhece sua personalidade e já deveria estar acostumada a isso. Mas parece que não iria continuar a mesma coisa. Namorar com ela... parecia algo certo. Sabe? Seus pais eram os maiores incentivadores e tinha aquele mito de que todos os Potters se apaixonam por ruivas. Ele ainda não estava apaixonado por ela, só era confortável ficar com ela. Tinha uma conversa legal e respeitava ele, e vice-versa.

— Potter, Lily Luna. – Anunciou Minerva, interrompendo os pensamentos de James, pois não tinha percebido que a seleção das casas havia começado.

– Grifinória. – Definiu o chapéu seletor, que fez com que James sorrisse arrogantemente para Albus que revirou os olhos da mesa da Sonserina. Não é como se fosse uma surpresa para eles, mas no fundo acreditava que talvez a Lily fosse para a Lufa Lufa. Mais uma grifinória, na família. Que previsível.

— Nott, Elliot. – Ouviu novamente e o sobrenome lhe chamou atenção. Provavelmente irmão da Doralice? Seu olhar acabou indo parar na garota que estava com as duas mãos cruzadas sobre a mesa e encarava a diretora nervosa. – Sonserina. – Anunciou o chapéu seletor arrancando palmas e vivas dos sonserinos. E vendo a reação de Doralice, percebeu que estava rindo com Louis não demonstrando surpresa.

— Só sorrio porque sou simpático. Disse ele sorrindo para garota com cara de idiota – confirmou Fred enquanto encarava o primo. James parou de sorrir na hora.

— Dois galeões que ele e Daisy terminam antes do Natal. – disse Brian olhando para Fred.

— Três galeões que eles terminam antes do primeiro jogo de quadribol. – respondeu Fred apertando a mão do outro fechado a aposta.

— Estou aqui sabe. – disse James engolindo seco. Ele só tinha achado divertido as reações da garota, provavelmente só estava envergonhada, não tinha motivos para essas insinuações.

— Weasley, Hugo. – Mais um nome que lhe chamou atenção, agora quem estava nervosa era Rose. – Lufa Lufa!

— Por Dumbledore! – exclamou Rose preocupada enquanto seguia seu irmão com olhos. – Ninguém da nossa família na Lufa Lufa, quem vai protegê-lo?

— Frank Longbotton II é o monitor. Eu peço para ele ajudar o Hugo no que ele precisar, ok? – tranquilizou Daisy com um sorriso doce.

— Sim, eu sei Daisy, mas Antonie Brocklehurst está naquela casa e ele me odeia. Certeza que vai querer se vingar daquela vez que consegui responder antes que ele na aula de poções do nosso segundo ano. – Constatou Rose enfática enquanto o jantar aparecia magicamente nas travessas.

— Rose, ele nem lembra mais disso. – respondeu Alice Longbotton II ao seu lado enquanto pagava um pedaço de lasanha e colocava no prato.

— Ele sempre fica me provocando nas aulas e me olha com desdém. Só espero que honre a sua casa e não provoque meu irmão. Por Merlin, eu imploro.

— Se ele quer chamar sua atenção, não é provocando seu irmão que ele conseguirá. Ele vai ficar te incomodando até você não resistir e finalmente sair com ele. – disse James pegando um bolinho de carne que estava na frente de seu prato.

— Do que você está falando, seu grande idiota???? Eu odeio aquele garoto. Odeio! – disse Rose com as orelhas vermelhas, e mesmo ela não sendo ruiva como todo Weasley, era perceptível que o comentário a tinha deixado envergonhada.

— Ele vai ficar bem! É o Hugo. – respondeu Lily acalmando seus primos que estavam demonstrando preocupação e que na sua cabeça não fazia sentido, ele sabia se cuidar.

— Lily’s tá certa, como sempre. Ouçam a voz da razão! – respondeu James enchendo a boca de comida.

Após o jantar, os monitores acabaram ficando no salão principal para guiar os primeiranistas neste primeiro dia, enquanto outros estudantes iam aos seus dormitórios, como James e companhia. Alguns alunos permaneceram um pouco a mais no salão, como Lola Goldstein que procurava seus amigos, pois queira dar boa noite a ambos.

— Então, morrendo de preocupação porque o Elliot vai para Sonserina? – perguntou para Doralice assim que a encontrou, enganchando seu braço nela.

— Na verdade não estou nenhum pouco surpresa, eu tinha uma esperança cega de que iria pra Corvinal, mas no fundo, sabia que a Sonserina iria lhe chamar. – comentou rindo enquanto olhava de relance os primeiranistas ouvindo as instruções dos monitores.

— Ei... sabia que Dora e James trocaram olhares no jantar de hoje? – disse um Louis conspirador.

— Ah! Então aquele esbarrão no corredor rendeu algo? – completou Lola sorrindo para amiga.

— Por Merlin, Morgana e Dumbledore! Não exagerem. Se não, eu vou acreditar e me iludir. – disse Doralice com insegurança. Foi sem querer que eles se olharam e que sorriu para ela. Provavelmente com pena ainda por causa do surto na carruagem. Não teve coragem de contar para seus amigos o que acontecera, esse era ainda um assunto delicado e evitava falar qualquer coisa sobre.

— Não exagerei. Isso realmente aconteceu.

— Você ainda tem chance amiga. – Incentivou Lola abraçando a amiga e saindo correndo antes que reclamasse. Adorava provocá-la por sua paixão por James, porque toda a pose nerd dela sumia e surgia uma mocinha digna de comédia romântica.

Enquanto Lola se dirigia ao seu salão comunal foi surpreendida por uma ruiva que conhecia muito bem.

— Lola, precisamos conversar. – disse Antonieta Lamartine encarando a lufana,

— Ah, você? Por favor, eu preciso ir para o meu dormitório. Não posso falar com você agora. – respondeu desviando da garota.

— Lola. – disse a garota enquanto segurava o braço da outra e largando ao mesmo tempo olhando para os lados preocupada.

— Por que está tão preocupada? Com medo que o seu namorado nos veja juntas? – perguntou Lola com uma voz sofrida e decepcionada que fez com que Antonieta recuasse arrependida. – Ah... é realmente isso. Olha, estou cansada e a fim de ter uma ótima noite de sono. Vamos apenas esquecer tudo isso, ok?

Lola deu as costas para Antonieta e foi em direção ao seu salão comunal a deixando com rancor, ela não sofreria mais por ela. O primeiro amor pode ser decepcionante as vezes, mas é por isso que existem outros e quem sabe ela encontraria alguém que a deixasse tão feliz que esqueceria seu primeiro beijo.


Notas finais
Por favor comentem <3 vou tentar ser mais rápida na postagem do próximo capítulo kkkkk
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.